Notícias - Catedral Votuporanga-SP
Artigos Litúrgicos
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É Natal

Natal é um acontecimento festivo, alegre, com troca de presentes e muitas luzes. Tudo isto para ressaltar o anúncio do anjo: “Não tenhais medo! Eu vos anuncio uma grande alegria, que será também a de todo o povo: hoje, na cidade de Davi, nasceu para vós o Salvador, que é o Cristo Senhor!” (Lucas 2,10-11). Todas as manifestações externas, por mais grandiosas e belas que sejam, ainda são insuficientes para celebrar o mistério do Natal, isto é, Deus veio habitar entre nós e o sinal é “um recém-nascido, envolto em faixas e deitado numa manjedoura” (Lc 2,12).

Outra atitude fundamental para celebrar o Natal é o silêncio. Os textos bíblicos não falam de silêncio, mas fazem silêncio. A sobriedade e a brevidade dos relatos bíblicos impressionam. São breves dados e quase nada de falas, tudo reduzido a uma extrema simplicidade. Como dizemos com frequência: “não tem palavras para explicar”.

Pode-se caracterizar duas espécies fundamentais de silêncio: um que podemos chamar de ascético ou natural e o outro podemos chamar de sobrenatural. O silêncio ascético ou natural é realizado de muitas formas. Uma forma é a que busca o silêncio exterior em lugares e ambientes com menos ruídos, menos pessoas. Lugares privilegiados são aqueles que proporcionam o contato com a natureza. Também há o silêncio ascético interior que busca serenar o coração, a mente e o corpo. A espiritualidade da quietação do coração busca diminuir a influência da razão para dar lugar à oração. Encontramos esta busca em muitas religiões. O homem se impõe conscientemente o silêncio.

Vivemos imersos, as vinte quatro horas do dia, em barulhos e numa vida desenfreada. O período que antecede o Natal, também por coincidir com o final do ano, acelera ainda mais o ritmo. Toda esta agitação pode desviar o foco e impedir de viver o essencial. Desafiador é tomar a atitude de fazer silêncio. Romper com a lógica e a onda da maioria e aquietar-se. Fazer silêncio para provocar um encontro com Deus e com as pessoas.

A outra modalidade de silêncio é que podemos chamar de sobrenatural. Ela é provocada pelo contato com Deus. Um silêncio originado da manifestação ou da teofania de Deus. Aqui a iniciativa é de Deus e não do homem. O primeiro silêncio é do homem que quer conquistar Deus; o segundo é do homem que foi conquistado por Deus. A presença Dele faz calar o homem. Um silêncio marcado pelo assombro, adoração, alegria, e às vezes, até de temor.

No Natal fazemos silêncio sobrenatural diante misteriosa maneira escolhida por Deus para chegar a nós rompendo toda lógica humana. A grandeza de Deus é manifestada na fragilidade de uma criança, num presépio, num lugar singelo. Deus se revela sob o seu contrário. Escondendo a grandeza na pequenez, a força na fraqueza, a majestade na humildade. O homem moderno se lamenta com frequência do silêncio de Deus, mas não se dá conta de que Deus cala exatamente por que ele fala, porque não é suficientemente humilde para escutá-lo. Deus fala ao homem também com o seu silêncio; com isso o reconduz à verdade.

Acolhamos este grito que se eleva do Natal: Deus se despojou da sua tremenda majestade; não apavora mais, não quer apavorar; agora é Emanuel – Deus-conosco. Cale-se toda a terra, ajoelhe-se e O adore.

Por Dom Rodolfo Luís Weber – Arcebispo de Passo Fundo

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O motivo que nos faz celebrar o Natal

“O povo que andava nas trevas viu uma grande luz” (Isaías 9,1). Esse fato narrado pela Palavra de Deus aconteceu há mais de dois mil anos, no entanto, atualiza-se todos os dias. É Ele o motivo que nos faz celebrar o Natal, pois uma Luz brilhou em meio às trevas!

Há um clima diferente no ar, votos de felicidade, mãos estendidas, confraternizações e brilhos estão por todos os lados! Nas ruas, casas e lojas, por onde quer que andemos, as luzes piscam entre cores e formas, convidando-nos à celebração. Elas iluminam e encantam, trazem um colorido especial às realidades que, durante o ano, foram se tornando comuns e opacas pela rotina do dia a dia. As roupas e os adereços também ganham destaque nesta época; afinal, a moda no Natal é brilhar!

 

O que celebramos no Natal?

Somos envolvidos pela correria do comércio. Os presentes, as viagens e tantas outras realidades próprias do fim de ano fazem-nos viver um tempo diferente. Mas será que estamos mesmo celebrando o Natal? Ou seja, será que estamos celebrando o nascimento de Jesus, o Deus que se fez Menino, nascido da Virgem Maria, que veio habitar em meio a nós?

Ele é a verdadeira Luz que brilhou para o povo que andava nas trevas. Ele veio para nos salvar e fazer de nós participantes da Sua vida divina. Trouxe-nos a grande e esperada libertação; por isso celebramos Seu nascimento! Mas será que em nossos dias, tão agitados e interativos, temos tido tempo para tomarmos consciência dessa verdade?

Penso que, celebrar o Natal sem nos deixar envolver pela ternura do amor de Deus, expresso no nascimento de Cristo, é como participar de uma festa sem conhecer os anfitriões e nem o motivo da comemoração. Você está presente, come, bebe, admira a decoração, observa os convidados, mas não tem porque se alegrar, vive tudo de maneira superficial, indiferente. E tenho certeza que não é isso que Deus espera de nós justo na festa do Seu nascimento.

 

Lugar que Deus escolheu para nascer

Precisamos recordar com urgência o motivo da celebração do Natal, e nos prepararmos com dignidade para esta festa, sem nos deixarmos levar pelo clima externo do consumismo.

Mesmo que isso seja um grande desafio em nossos dias, é preciso fazermos nossa parte como cristãos! Aquela Luz que brilhou na Terra, há mais dois mil anos, é Jesus, a mesma Luz que deseja, hoje, iluminar nossa vida, dissipando toda espécie de trevas que o pecado nos incutiu.

Lembremo-nos de que, nosso coração é o lugar que Deus escolheu para nascer, pois somos únicos diante d’Ele. No entanto, como Pai amoroso que é, o Senhor continua a respeitar nossa liberdade e espera darmos o primeiro passo na direção certa, para que Sua luz entre em nossa vida.

 

É preciso abrir o coração para Cristo iluminar

Sem abertura de coração, a luz de Cristo não pode iluminar nossa vida! Ou seja: sem nos decidirmos a amar, perdoar, a sermos justos e dedicados, bondosos, alegres e pacíficos, não há como celebrarmos o nascimento de Deus em nós. Sendo assim, o Natal passa a ser mais uma festa sem sentido. Não basta presépios, Missa do Galo, troca de presentes e ceias fartas para o Natal acontecer, é preciso tomar a decisão de uma vida nova, pautada nos ensinamentos de Cristo, que nos conduzem às atitudes concretas e coerentes, à vivência da fé durante todos os dias do ano.

“O povo que andava nas trevas viu uma grande luz” (Isaías 9,1). Ainda hoje existem muitos que caminham nas trevas do pecado, e Jesus deseja iluminá-los por meio de nós. Tenhamos a coragem de testemunhar o amor de Deus, a partir dos pequenos acontecimentos e das escolhas do nosso dia a dia. É esse o tempo favorável para uma vida nova! A luz brilhou em meio às trevas, veio reacender a esperança e nos dar a certeza de que, já não estamos sozinhos. Deus está conosco, Ele é o Emanuel! Sua luz nos contagia e aquece, por isso, abramos nossos corações e tenhamos a coragem de sermos faróis no mundo, levando, com a nossa vida, a luz que é Cristo, aos corações sedentos de amor e paz.

Assim, celebraremos o Natal, a festa verdadeira da Luz!

Por Dijanira Silva

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Aparecida: Uma escola de 300 anos

A luz de uma história tricentenária brilhou mais forte no dia 12 de outubro. Na origem dessa história, três pescadores simples: homens com uma fé enraizada lançaram suas redes e encontraram a imagem de Nossa Senhora Aparecida, iniciando, assim, a devoção à Padroeira do Brasil. Três séculos de significativos momentos, inúmeros, que alimentam  sentimentos e uma convicção: mais que simples marca temporal, há muito a ser celebrado nestes 300 anos de devoção.

O fenômeno religioso e evangelizador de Aparecida comprova a presença qualificada, com força educativa, da Mãe Maria na vida do povo brasileiro. Reconheça-se: considerando  toda a história, apenas um ser humano teve a capacidade de atravessar os séculos mantendo a força para inspirar diálogos e congregar pessoas. É Maria, a Mãe de Deus, a filha predileta do Pai, a esposa do Espírito Santo.

Nos mais de dois mil anos de cristianismo, Nossa Senhora sempre inspirou a evangelização. Na história de muitos povos, a exemplo dos latino-americanos, a presença de Maria chegou antes mesmo dos missionários. Assim, ao redor da Mãe, o povo se reúne para rezar e viver em fraternidade. E consolidam-se na interioridade dos incontáveis devotos as marcas da misericordiosa piedade, com força para amalgamar corações, famílias e grupos de diferentes pessoas. Uma congregação pela força do silêncio que, muitas vezes, se contrasta com o habitual palavrório de diversas espiritualidades contemporâneas.

A devoção mariana contribui, nesse sentido, para desenvolver o gosto pela verdade. E onde falta quem desempenhe a tarefa de proclamar a Palavra, a presença de Maria, compreendida sempre como Mãe e Discípula, ensina, gera confiança, produz convicções em torno dos valores do Evangelho. Consequentemente, promove milagrosas conversões, que contemplam a reconquista da inteireza física, humana e espiritual.

Mulher admirável, exemplar por sua escuta amorosa de Deus, que se transforma em obediência geradora de vida, Maria inspira cada pessoa a também ouvir o Criador – caminho que leva à clarividência necessária para compreender a realidade. A presença da Mãe de Deus, nesse sentido, não é simplesmente um refúgio, mas uma escola. Causa admiração e impacta saber que, a partir dos seus mais de mil títulos, Maria, com a sua simplicidade, entra na história de diferentes povos, culturas, línguas, nações. Contribui, desse modo, para que todos tenham a oportunidade de viver o Evangelho.

A devoção mariana promove, assim, o exercício qualificado da cidadania e cultiva o
compromisso com a solidariedade fraterna. Maria é, admiravelmente, discípula e mestra. Seu discipulado começa quando assume a maternidade divina, após ser escolhida por Deus-Pai. Ela oferece o seu “sim” e torna-se Mãe do Verbo Encarnado, Jesus Cristo, o único Salvador. E na condição de Mãe, Maria enobrece os corações.

É intercessora e protetora. Nossa Senhora também é mestra, pois ensina todos a escutarem e a acolherem o chamado de Cristo: “Vem e segue-me.” Sua presença, desse modo, é orientação para que cada pessoa se torne discípulo de Cristo. Por isso, muito mais que a simples contagem de tempo, celebrar 300 anos de bênçãos em Aparecida – em cada santuário mariano, mundo afora, pequeno ou grande – é celebrar a configuração de uma escola.

Em Aparecida, essa escola congrega mais de 12 milhões de peregrinos, todos os anos. São corações tocados pela presença de Maria, na força simbólica da pequenina imagem da Padroeira do Brasil. A imagem de Nossa Senhora Aparecida, em diálogo com o olhar do peregrino, letrado ou simples, provoca ondas que se propagam na interioridade. Um fenômeno que gera conversão – a competência mística que possibilita enxergar o que é
invisível, e muitas vezes indescritível por palavras. A força do diálogo com Deus se estabelece a partir da fé.

A Padroeira do Brasil, Maria, a Mãe de Jesus, em Aparecida, essa escola de 300 anos, é
maestria que educa com beleza, singeleza e ternura, em rede com outros santuários marianos, permitindo ao povo brasileiro, para além da devoção, experiências que ajudam a consolidar o Evangelho de Cristo na vida. Louvado seja Deus por essa escola tricentenária, que reorienta, promove a cidadania, com a singular força da fé.

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O Arcebispo Metropolitano de Belo Horizonte, Dom Walmor Oliveira de Azevedo, é doutor em Teologia Bíblica pela Pontifícia Universidade Gregoriana (Roma, Itália) e mestre em Ciências Bíblicas pelo Pontifício Instituto Bíblico (Roma, Itália).

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15 simples atos de caridade de que costumamos esquecer
Vamos espalhar a caridade!

1. Sorrir

Um cristão sempre é alegre. Às vezes podemos nem perceber, mas, ao sorri, aliviamos a carga dos que estão ao nosso redor: na rua, no trabalho, em casa, na faculdade. A felicidade do cristão é uma bênção para os outros e para si mesmo.

2. Agradecer

Nunca se acostume a receber as coisas, mesmo “porque você precisa” ou “porque tem direito” a elas. Receba tudo como um presente, mesmo se estiver pagando por isso. Agradeça sempre. A pessoa agradecida é mais feliz.

3. Recordar às pessoas o quanto você as ama

Você sabe que os ama. Mas… e eles? Carinho, abraços e palavras nunca são demais. Se Jesus não tivesse se feito carne, nós jamais teríamos entendido que Deus é amor.

4. Cumprimentar essas pessoas que você vê diariamente

O porteiro, a faxineira, a recepcionista, o vizinho. Ao cumprimentá-los, você lhes recorda o quanto são importantes e o quanto você os valoriza.

5. Escutar a história das pessoas sem preconceito

O que pode nos tornar mais humanos que saber escutar? Cada história que lhe contam o unem mais aos outros: seus filhos, seu cônjuge, seu chefe, o professor, suas preocupações e alegrias. Você sabe que não são só palavras, mas partes da sua vida que precisam ser compartilhadas.

6. Parar para ajudar

Não interessa se é um problema de matemática, uma simples pergunta ou alguém com fome na rua. Ajuda nunca é demais. Todos nós precisamos uns dos outros.

7. Motivar as pessoas

Sabe aquele amigo que não anda muito bem? Tente arrancar um sorriso dele, para aliviar seu desânimo e ver que nem tudo na vida é ruim. É sempre bom saber que existe alguém que nos ama e que está ao nosso lado.

8. Comemorar as qualidades e conquistas dos outros

Nunca deixe de celebrar as alegrias das pessoas que convivem com você, suas qualidades, conquistas, boas ações. Simples frases como “Parabéns!”, “Fico feliz por você”, “Você fica bem com essa cor”, podem alegrar o dia de uma pessoa.

9. Doar as coisas que você não usa

Vale a pena fazer uma faxina no armário e separar algumas coisas para a doação. Isso ajuda a valorizar o que temos, engrandece nosso coração e pode fazer outras pessoas felizes.

10. Ajudar para que outra pessoa descanse

Isso pode ser vivido especialmente nas famílias. Você pode começar a fazer a tarefa de outra pessoa para que ela possa descansar, ou antes de que ela lhe peça ajuda. A vida fica mais leve quando nos ajudamos mutuamente nas responsabilidades cotidianas.

11. Corrigir com amor

Corrigir é uma arte. Muitas vezes nos encontramos em situações com as quais não sabemos lidar. O melhor método é o amor. O amor não somente sabe corrigir, mas também perdoar, aceitar e seguir em frente. Não tenha medo de corrigir e ser corrigido, isso é uma demonstração de que os outros gostam de você e querem que você seja melhor.

12. Ser detalhista com os que estão perto de você

Se você sabe do que aquela pessoa gosta, por que não aproveitar isso para fazê-la feliz? Tudo o que é dado com amor é melhor. Sair de si mesmo e pensar nos outros é maravilhoso e alegra o coração.

13. Limpar o que você usa em casa

Na vida familiar, isso é essencial para não sobrecarregar ninguém. Faça a sua parte, e faça com carinho. Você se sentirá alegre e em paz com isso.

14. Ajudar os outros em suas dificuldades

Carregar uma sacola, ajudar uma pessoa a atravessar a rua, pagar o almoço para alguém… São muitos detalhes ao seu alcance, e as pessoas não vão se esquecer do bem que você fez a elas. Demonstre que você ainda acredita na humanidade.

15. Ligar para os seus pais

Talvez você more sozinho ou inclusive já tenha sua própria família. No entanto, seus pais ainda se emocionam ao ver que você se lembra deles. Estar atento ao que eles precisam ou simplesmente ligar para saber como estão é algo que não custa muito e é um gesto de gratidão enorme. Por Catholic Link via Aleteia
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Permanecei Firmes
Cardeal Orani João Tempesta
Arcebispo de São Sebastião do Rio de Janeiro (RJ)


Estamos nos últimos domingos do ano litúrgico. Celebramos o penúltimo deste ano, chamado de ano C, o XXXIII Domingo do Tempo Comum. E junto com a clausura do ano litúrgico, aqui na nossa amada Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro, antecipada em uma semana neste ano, estaremos celebrando a Festa da Unidade Arquidiocesana e o fechamento da Porta da Misericórdia em nossa Catedral. A antecipação da Festa da Unidade se justifica por que quis o Papa Francisco que todos os Senhores Cardeais estivessem em Roma nos dias 19 e 20 de novembro para o Consistório Público de criação de novos padres cardeais, e de encerramento da Porta Santa da Basílica Vaticana de São Pedro. Isso nos ajuda também a solenizar ainda mais a conclusão do Ano Santo aqui em nossa Arquidiocese.

A Palavra de Deus deste domingo convida-nos a meditar no fim último do homem, no seu destino além da morte. A meta final, para onde Deus nos conduz, faz nascer em nós a esperança e a coragem para enfrentar as adversidades e lutar pelo Advento do Reino.

Na Primeira Leitura, o Profeta Malaquias fala do juízo final com acentos fortes: “Eis que virá o dia, abrasador como fornalha”. (Ml 3, 19). O texto não pretende incutir medo, falando do “fim do mundo”, mas fortalecer a esperança em Deus para enfrentar os dramas da vida e da história; esperança que devemos ter ainda hoje, apesar do que vemos.

Na Segunda Leitura, São Paulo (2Ts 3, 7-12) fala da comunidade de Tessalônica, perturbada por fanáticos que pregavam estar próximo o fim do mundo. Por isso, não valia a pena continuar trabalhando. Paulo diz: “Quem não quer trabalhar, também não deve comer”. (2Ts 3, 10).

O trabalho é o meio ordinário de subsistência e o campo privilegiado para o desenvolvimento das virtudes humanas: a rijeza, a constância, o otimismo por cima das dificuldades. A fé cristã impele-nos, além disso, a comportar-nos como filhos de Deus, a viver um espírito de caridade, de convivência, de compreensão, a tirar da vida o apego à nossa comodidade, a tentação do egoísmo, a tendência para a exaltação pessoal, a mostrar a caridade de Cristo e os seus resultados concretos de amizade, de compreensão, de afeto humano, de paz. Pelo contrário, a preguiça, a ociosidade, o trabalho mal acabado trazem graves consequências. “A ociosidade ensina muitas maldades” (Eclo 33, 29), pois impede a perfeição humana e sobrenatural do homem, debilita-lhe o caráter e abre as portas à concupiscência e a muitas tentações.

No Evangelho, Jesus (Lc, 21, 5-19) alerta sobre os falsos profetas: “Cuidado para não serdes enganados…” (Lc 21, 8). Diante das catástrofes, Jesus exorta à esperança: não ter medo… Esses sinais de desagregação do mundo velho não devem assustar, pelo contrário, são anúncios de alegria e esperança de que um mundo novo está por surgir. “Quando essas coisas começarem a acontecer, levantem-se, ergam a cabeça, porque a libertação está próxima”. (Lc 21, 28).

Jesus nos recorda que nossa existência é breve, tão fugaz. Àqueles que se encantavam com o aspecto majestoso do Templo, o Senhor recordou que tudo passa. Isso vale ainda hoje: para a nossa casa bonita, para o nosso carro, para o nosso dinheiro, nossa profissão, as pessoas às quais amamos, os projetos que temos, a nossa própria vida: “Vós admirais estas coisas? Dias virão em que não ficará pedra sobre pedra. Tudo será destruído”! Aqui, o Senhor não deseja ser um desmancha-prazeres, não nos quer arrancar o gosto de viver; deseja tão somente recordar que nossa vida deve ser vivida na perspectiva da eternidade, daquilo que é definitivo. Haverá um momento final, haverá um juízo do Senhor sobre a história humana e sobre a história de cada um de nós, quando, então, ficará claro o que serviu e o que não serviu, o que teve valor ante os olhos de Deus e o que não passou de ilusão e falsidade. Nunca esqueçamos disso: nossa vida caminha para esse momento final, o mais importante de todo nosso caminho existencial. Haverá, sim, um juízo de Deus: “Eis que virá o dia, abrasador como fornalha em que todos os soberbos e ímpios serão como palha; e esse dia vindouro haverá de queimá-los. Para vós, que temeis o meu nome, nascerá o sol da justiça, trazendo salvação em suas asas”. Este juízo, porém, será discriminatório: pode significar vida ou morte, salvação ou condenação!

Num mundo como o atual, que nos quer fazer perder de vista o essencial e nos quer fazer esquecer que caminhamos para o encontro com Cristo como um rio corre para o mar, vale-nos, então, o conselho de São Paulo, a que vivamos decentemente, trabalhando pelo pão cotidiano, sem viver à toa, mas construindo a vida com a dignidade de cristãos. O Senhor Jesus nos previne que não é fácil: o mundo não nos amará, porque seus pensamentos não são os do Cristo – e isto mais que nunca é claro hoje, numa sociedade consumista, paganizada, amante do conforto e da imoralidade, onde cada um vive do seu modo, como se Deus não existisse… Ouçamos a advertência tão sincera e franca de Cristo: “Sereis entregues até mesmo pelos próprios pais, irmãos, parentes e amigos. E eles matarão alguns de vós. Todos vos odiarão (= vos amarão menos, não vos terão entre seus amigos) por causa do meu nome. É permanecendo firmes que ireis ganhar a vida”!
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A Igreja e a Unidade
Cardeal Orani João Tempesta
Arcebispo de São Sebastião do Rio de Janeiro (RJ)


No dia 9 de novembro, a Igreja celebra a festa, o aniversário, da dedicação da Basílica de Latrão, a Catedral do Papa, Bispo de Roma, chamada “a primeira entre todas as Igrejas; ou seja, a Igreja-mãe de Roma”. Surgiu no século IV e é dedicada ao Divino Salvador. Foi levantada, em Roma, pelo imperador Constantino. A festa é celebrada em toda a Igreja como o sinal de unidade com o Papa. Após a paz constantiniana se tornou a moradia do Papa. Numerosos e importantes concílios ecumênicos tiveram lugar nela. A dedicação daquela Basílica marcou a passagem e a saída da assembleia cristã, do interior das catacumbas para o esplendor das basílicas.

A Igreja de Roma (isto é, a Arquidiocese de Roma) é a Igreja de Pedro e de Paulo, é a Igreja que preside à todas as outras dioceses do mundo, é a mais venerável de todas as Igrejas da terra. Santo Inácio de Antioquia referia-se a ela, lá pelo ano 97, com indizível veneração. Numa carta que endereçou aos cristãos romanos, o santo Bispo de Antioquia escrevia: “À Igreja objeto de misericórdia na magnificência do Pai altíssimo e de Jesus Cristo seu único Filho, amada e iluminada na vontade daquele que conduz à realização todas as coisas que existem, segundo a fé e o amor de Jesus Cristo nosso Deus, à mesma que também preside na região dos romanos, digna de Deus, digna de honra, digna da máxima beatitude, digna de louvor, digna de sucesso, digna de pureza e colocada acima das demais na caridade, que possui a lei de Cristo e o nome do Pai”.

O Papa, como Bispo de Roma, é cabeça do Colégio dos Bispos e sinal visível da unidade da Igreja na fé e na caridade. É por isso que hoje nos unimos à Igreja de Roma na festa da Dedicação, da consagração da sua Catedral, a basílica do Latrão. A Catedral de cada diocese é a Igreja do Bispo, sucessor dos Apóstolos. Quanto mais importante é a Catedral do Bispo de Roma, sucessor de Pedro. Por isso, ela é considerada a “Mãe de todas as Igrejas da Cidade e do mundo”. Assim sendo, essa festa convida-nos também a rezar pela Igreja de Deus que está em Roma e pelo seu Bispo, Papa Francisco. Convida-nos a estreitar nossos laços com Roma e o Papa, retomando nossa consciência do papel que ele tem como Vigário de Pedro, a quem Cristo confiou sua Igreja.

Num mundo tão complexo, com tantas ideias, opiniões e modas, num cristianismo que vê surgir tantos grupos religiosos diversos reafirmemos nossa comunhão firme, profunda e convicta com a Igreja de Roma e seu Bispo, a quem o Cristo entregou de modo particular as chaves do Reino e deu a missão de confirmar na fé os irmãos. A comunhão com Roma é garantia de estar naquela comunhão que Cristo sonhou para a sua Igreja; é garantia de permanecer na fé apostólica, transmitida uma vez por todas, é garantia de não cair num tipo de cristianismo alheio àquilo que o Senhor Jesus pensou e estabeleceu.

As Igrejas são o lugar de reunião dos membros do novo Povo de Deus, que se congregam para rezar juntos. Mas são sobretudo o lugar em que encontramos Jesus, real e substancialmente presente na Sagrada Eucaristia; está presente com a sua Divindade e com a sua Santíssima Humanidade, com o seu Corpo e a sua Alma. “Ali nos vê e nos ouve, e nos socorre como socorria aqueles que chegavam, necessitados, de todas as cidade e aldeias” (Mc 6,32).

O templo sempre foi considerado entre os judeus como lugar de uma particular presença de Deus. No deserto, Deus manifestava-se na Tenda do encontro, onde Moisés falava com o Senhor, como se fala com um amigo; nesses instantes, a coluna de nuvem – sinal da presença divina – descia e detinha-se à entrada da Tenda (Ex 33,7-11). Era o lugar onde estará presente o meu Nome, o Ser infinito e inefável, para escutar e atender os seus fiéis. Quando Salomão construiu o Templo de Jerusalém, pronunciou estas palavras na festa da sua dedicação: “É possível que Deus habite verdadeiramente sobre a Terra? Porque se o céu e os céus dos céus não te podem conter, quanto menos esta casa que eu edifiquei! Mas atende Senhor meu Deus, à oração do Teu servo e às suas súplicas; ouve o hino e a oração que o teu servo faz hoje na Tua presença, para que os teus olhos estejam abertos noite e dia sobre esta casa, da qual disseste: “O meu nome estará nela”, Israel, em tudo o que te pedirem neste lugar; sim, tu a ouvirás do lugar da tua morada no céu” (1Rs 8,27-30).

Contudo, a Igreja é a Comunidade: “Vós sois a construção de Deus. Acaso não sabeis que sois santuário de deus e que o Espírito de Deus mora em vós? O santuário de Deus é santo, e vós sois esse santuário!” Nossos templos são chamados de “igreja” porque são casas da Igreja, espaço sagrado no qual a Igreja-Comunidade se reúne num só Espírito Santo para, unida ao Filho Jesus, elevar o louvor de glória ao Pai, sobretudo na Eucaristia. Assim, celebrar a dedicação de uma igreja-templo é recordar que nós somos Igreja-Comunidade, Corpo de Cristo, templo verdadeiro de Deus, pleno do Espírito Santo. Santo Agostinho recordava: “A dedicação da casa de oração é festa da nossa comunidade. Mas, nós mesmos somos a Casa de Deus. Somos construídos neste mundo e seremos solenemente dedicados no fim dos tempos!” Nós – cada um de nós – somos pedras vivas, pedras vivificadas pelo Espírito, para formarmos um só edifício espiritual, isto é, um edifício no Espírito Santo.

Na unidade com o Bispo de Roma na festa da dedicação da Catedral de São João de Latrão, vivamos a nossa comunhão importante e necessária para que continuemos a evangelizar com convicção. Para que o mundo creia, “que todos sejam um”.
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Caminhamos para vós, Senhor
No Dia de Finados visitamos os túmulos onde foram colocados os corpos dos que amamos e que já partiram. Sentimos saudades, depositamos flores, acendemos uma vela e rezamos por eles. Mas acima de tudo, reafirmamos nossa esperança, que a fé que professamos em Jesus Cristo nos aponta: a ressurreição e a vida eterna em Deus. A morte não é a última palavra e nem a separação definitiva. Como Pedro, perguntamos a Jesus: “A quem iremos, Senhor?” (Jo 6, 68). Caminhamos com Cristo e para Cristo.

A vida eterna é a plenitude da vida que Deus nos concede. “Nem olhos viram e nem ouvidos ouviram, nem mente nenhuma imaginou o que Deus preparou para aqueles que o amam.” (1Cor 2,9). Para o cristão, a morte é um caminhar ao encontro de Cristo, uma entrada na vida eterna. Então, “receberemos de Deus uma habitação no céu, uma casa não construída por mãos humanas” (2Cor 5,1). A imagem bíblica da “morada” foi usada por Jesus para consolar seus discípulos diante de sua partida: “Não se perturbe o vosso coração. Crede em Deus, crede também em mim. Na casa do meu Pai há muitas moradas. […] Depois de ir e vos preparar um lugar, voltarei e vos levarei comigo, para que, onde eu estou, também vós estejais (Jo 14, 1-2). Portanto, Jesus nos faz entender que diante da morte não há algo assustador, mas uma realidade que, de certo modo, nos é familiar. O cristão, pelo batismo, vive com Cristo, mesmo nas contradições presentes na vida. Então, de maneira plena viveremos com Deus, em Deus, com aqueles que amamos. Deus Pai nos aguarda com seu abraço acolhedor e misericordioso. Estaremos verdadeiramente “em casa”, em “nosso lar”. Nesta casa, o paraíso, Jesus Ressuscitado nos convida para o “banquete” com Ele, o noivo (cf. Mt 25,1-13), e para este encontro precisamos estar sempre prontos. O convite é feito a todos, porém, exige de nós conversão, o “traje de festa” (cf. Mt 22,12). Santo Agostinho assim falou da vida eterna: “Aí descansaremos e veremos, veremos e amaremos, amaremos e louvaremos. Eis a essência do fim sem fim.”

Portanto, nosso único caminho que trilhamos nesta terra terminará na vida plena, que Deus reserva aos que creem nele e sabem ser misericordiosos (cf. Mt 25,31-46). As obras misericórdia como um estilo de vida são o critério que o justo Juiz usará no dia do julgamento. São bem-aventurados todos os que, no caminho da vida, vão aprendendo a “sair de si”, movidos por compaixão, ao encontro dos mais necessitados. Então, sim, ouviremos: “vinde benditos de meu Pai e tomai posse do Reino para vós preparado desde a criação do mundo” (Mt 25,34), pois “todas as vezes que fizeram isto a um dos menores de meus irmãos, foi a mim que o fizeram” (Mt 25, 40).

A visão cristã da morte é bem expressa na liturgia da Igreja: “Nele brilhou para nós a esperança da feliz ressurreição. E, aos que a certeza da morte entristece, a promessa da imortalidade consola. Senhor, para os que creem em vós, a vida não é tirada, mas transformada. E, desfeito o nosso corpo mortal, nos é dado, nos céus, um corpo imperecível.” (Prefácio da Missa dos Mortos). Enfim, ao visitarmos os túmulos de nossos familiares e amigos, renovemos nossa esperança na vida plena em Deus e o compromisso de uma vida misericordiosa.

Por Dom Adelar Baruffi – Bispo de Cruz Alta
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Recordando aqueles que nos precederam
O cristão, na fé em Cristo Jesus, celebra a vida como dom de Deus. Pela mesma fé no Senhor ressuscitado, recorda também todos os entes queridos que o precederam.

A morte sempre foi um mistério para o ser humano. Ao longo da história, muitos tentaram resolver este mistério com a força do intelecto, através do pensamento e das correntes filosóficas. Mas diante da morte, nós podemos também ter uma atitude de contemplação, que não busca resolver o mistério, mas fazê-lo viver. Lá onde vive o mistério, se abre também o espaço para a fé, que é relação com Deus, com aqueles que nós amávamos. Os que partiram passaram a porta da misericórdia, para receber o abraço da ternura do Pai misericordioso, mas a presença deles pode continuar viva no nosso coração.

É a ressurreição de Cristo a lente pela qual cada cristão deve ler a vida e a morte. Não é leitura cristã se não parte da ressurreição. A experiência da morte se faz presente na vida de cada um de nós toda vez que somos tocados ou feridos pela perda de um amigo ou de um familiar.

É uma experiência que pode despertar em nós interrogações, rebelião interior por não aceitar a perda que traz dor e sofrimento, ainda que de forma passageira. A dor que atinge o nosso coração pode ser provocada pela separação da pessoa amada, pelo sofrimento a que é acometida na enfermidade, pela sensação de não tê-la amado o suficiente. Diante da morte, também, podemos manifestar gratidão a Deus e aos nossos entes queridos por termos tido a oportunidade de vivermos ao lado deles, por tudo aquilo que deles recebemos e pelo testemunho de fé que nos deixaram.

Celebrar o dia de todos os fiéis defuntos nos faz recordar que a vida é uma peregrinação, que tem continuidade para além da dimensão terrena se a olharmos sob a luz da nossa fé na vitória de Jesus sobre a morte. “Quando se sabe que o poder da morte foi vencido, quando o milagre da ressurreição e da vida nova ilumina o mundo da morte, não se pretende a eternidade desta vida e não se exige dela o tudo ou nada, mas se agarra aquilo que ela dá; coisas boas e ruins, importantes ou não, alegrias e dor… nos contentamos do tempo que toca a cada um e não se atribui caráter de eternidade às coisas desta terra…” (D. Bonhoeffer).

Por Dom José Gislon – Bispo de Erexim
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Pais, filhos, família
Dom Genival Saraiva
Bispo emérito de Palmares (PE)
Administrador Apostólico da Arquidiocese da Paraíba


No calendário vocacional do mês de agosto, ao celebrar o segundo Domingo, a Igreja no Brasil procura dar ao Dia dos Pais uma significação que vai além de uma comemoração que apenas contemple lazer, confraternização, beijos, abraços, almoços, bolos, presentes. Embora legítima, essa forma de expressão de reconhecimento não deixa de ser limitada; em alguns casos, pode se tornar vazia de sentido, se lhe falta a face da verdade da convivência no dia a dia. A paternidade e a maternidade constituem uma vocação universal por ser inerente à condição humana. Mesmo assim, pessoas abdicam dessa vocação por muitas razões, entre as quais está o Reino de Deus, como ensina Jesus.

Falar de paternidade e de maternidade significa falar de filiação, é óbvio. No Dia dos Pais, antes mesmo de os filhos comemorarem-no, cabe aos próprios pais tomarem consciência de sua vocação e da forma como a vivenciam, porque vocação diz respeito ao plano de Deus. A vocação tem a linguagem da realização pessoal. Não teria sentido uma vocação, enquanto projeto e experiência de vida, se ela não tornasse a pessoa feliz. É muito oportuno que cada pai veja-se sob esse aspecto, a fim de que sua vocação seja confirmada pelos fatos. Se for o caso, o modo de ser pai deve ser repensado, diante do que está sendo a face de sua vida e sua vocação. Se isso acontece, provavelmente, não está sendo considerado este outro elemento que, necessariamente, está associado a qualquer vocação - o serviço; no caso da paternidade - o serviço à vida. O filho é a primeira pessoa a quem o pai deve servir. Esse serviço começa desde o momento da concepção, mediante os devidos cuidados com sua gestação no ventre materno, e se prolonga, no tempo, até o último instante da respiração do filho neste mundo. Por experiência, todos sabem que contratempos da vida chegam a distanciar pais e mães de seus filhos mas, na verdade, não os distanciam de seu coração.

Por sua vez, os filhos vivem o Dia dos Pais com a linguagem do sentimento, da afetividade, da emoção. Com efeito, comumente, a leitura mais imediata de uma pessoa, diante de algo que toca o seu coração, é feita pela ótica da emoção; no entanto, esta não pode nortear posicionamentos definidores de vida porque esse é o papel da razão, da inteligência, faculdade com a qual Deus distinguiu o ser humano, dentre as demais criaturas. De conformidade com sua idade, é necessário que, na comemoração desse dia, os filhos usem a inteligência que Deus lhes deu e, assim, identifiquem a razão da felicidade e do bem-estar no relacionamento paterno ou o porquê da distância e da separação. De fato, o Dia dos Pais, de um lado, sensibiliza o coração dos filhos, e, de outro, deve interpelar a sua mente, no contexto de um relacionamento concreto.

Em razão da sensibilidade pastoral da Igreja, a comemoração do Dia dos Pais ocorre no início da realização da Semana Nacional da Família, estendendo-se, este ano, do dia 14 ao dia 21 de agosto. Essa Semana será comemorada à luz do tema “Misericórdia na Família: Dom e Missão”, tendo como inspiração e apelo o Jubileu da Misericórdia. É uma oportunidade para que a família reencontre-se com sua vocação. A Pastoral Familiar de cada Paróquia chega às famílias com muitas iniciativas, como o livreto a “Hora da Família” que “quer nos envolver nesse clima da misericórdia divina, com vistas à missão”.

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XVII Congresso Eucarístico Nacional
Dom Adelar Baruffi
Bispo de Cruz Alta (RS)


Está acontecendo, de 15 a 21 de agosto, o XVII Congresso Eucarístico Nacional. Desta vez, é celebrado na Arquidiocese de Belém, no Pará, “Portal da Amazônia.” Embora, geograficamente distante de nossa Diocese, mais de 3.700 km, este evento une toda a Igreja presente no Brasil. É uma convocação a celebrar o grande mistério da Eucaristia, expressão máxima da vida cristã, em cada comunidade, em cada Diocese, em toda a Igreja. A Eucaristia manifesta plenamente cada Igreja Particular e, também, a Igreja na sua universalidade.

O tema escolhido faz voltar nosso olhar, mais uma vez, para a realidade e a vida eclesial presente na Amazônia, com suas alegrias e desafios: “Eucaristia e partilha na Amazônia missionária”. O lema espelha o espírito, o dinamismo eucarístico e missionário da vida cristã, tendo como texto bíblico inspirador, os Discípulos de Emaús (Lc 24, 13-35). “E o reconheceram no partir do pão” (Lc 24, 35).

Toda nossa Diocese quer estar em comunhão com o Congresso Eucarístico. Em primeiro lugar para juntos professarmos nossa fé e celebrarmos a comunhão que formamos, como povo de Deus peregrino na história, no mesmo Cristo. “Nós te acolhemos presente entre nós. Ao recebermos teu Corpo e teu Sangue, mostra-nos a força redentora de teu sacrifício”, diz a oração do Congresso. Professamos mais uma vez, nossa fé na presença real de Cristo na Eucaristia: “Porque sob a forma de pão é o corpo que te é dado, e sob a forma de vinho, é o sangue que te é entregue.” (Das Catequeses de Jerusalém, séc. IV).

A Igreja celebra a Eucaristia como memória viva de Deus que age com fidelidade e misericórdia em nosso favor, não somente recordando um fato do passado, mas tornando o único sacrifício de Cristo na cruz atual, presente no hoje de cada comunidade que se reúne. Jesus partiu o pão. O pão é ele mesmo. Partiu a si mesmo, deu-se aos discípulos e a nós. Eucaristia é dar-se a si mesmo pelo bem dos outros. O dom recebido, daquele que se oferece a nós, nos move fazermo-nos dom para o bem do mundo. Sem a memória do sacrifício da cruz, a Eucaristia torna-se superficial, uma celebração aburguesada de uma ceia. Ela recorda e inclui a paixão do mundo, dos crucificados da história.

Mas o dinamismo da Eucaristia está, também, na comunhão que formamos como comunidade de fé, no mesmo Cristo, que nos une a todos.Pela participação no único corpo eucarístico do Senhor, a comunidade deve se tornarcada vez mais unida. Assim, a celebração eucarística une as comunidades e ensina o perdão e a misericórdia. Esta comunhão é sempre missionária, voltada para fora. Nos move a sermos missionários, como diz a oração do Congresso: “Tu és partilha de vida e salvação para a vida do mundo. Abre nossos corações para compartilhar com todos os nossos bens. Ensina-nos a testemunhar, amar, servir e proteger a vida, aprendendo a lição do Altar.”
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Família e Igreja: lugares da misericórdia
Família e Igreja: lugares da Misericórdia

A misericórdia é marca do agir de Deus e modo de manifestar-se a nós. E nossa Família e Igreja devem continuar sendo lugares da manifestação da bondade divina. Em cada família e em cada comunidade eclesial o Pai Celeste deseja ver concretizada a sua misericórdia para buscar e acolher aqueles que, em algum momento, se fragilizaram, se magoaram, se afastaram das condições de ter uma vida digna e plena. Aqueles que foram feridos ou que se causaram feridas, a partir das escolhas feitas, dos caminhos trilhados.

Na parábola do filho pródigo do Evangelho de Lucas 15, o Pai oferece-lhe a casa, o alimento, a bebida, a libertação da situação de penúria onde seu erro o colocara, a cura de sua enfermidade física e de seu sofrimento. O filho pródigo encontra no coração do Pai Misericordioso o lugar da reconstrução de sua vida. Assim o filho tem, no Pai misericordioso, dois braços para acolhê-lo e enlaça-lo, que reencontram o que estava perdido e devolvam a vida ao que estava morto. Cada pessoa deveria ter, na Igreja e na Família, estes dois braços, e encontrar este abraço. Igreja e Família, quando se tornam extensão do abraço misericordioso do Pai, são os lugares onde o filho perdido pode ser reencontrado e recuperado.

Deus deu à Igreja e à Família as condições necessárias para exercerem esta missão. Nos sacramentos da Igreja vemos a concretização deste abraço que acolhe, que gera comunhão, que devolve a dignidade e a capacidade de agir, que cura a ferida do corpo e da alma, que renova a aliança e consagra para uma missão de cuidar a partir do cuidado recebido. No batismo somos acolhidos pelo Pai como membros regenerados de sua família. Na Eucaristia ele nos oferece o banquete, ele nos traz de volta à comunhão consigo e com os outros. Na Crisma Ele nos unge, Ele nos levanta, Ele nos faz colaboradores de sua missão de cuidar do seu projeto. Na reconciliação e na Unção Ele nos cura, nos trata. Devolve a paz. No Matrimônio e na Ordem Ele nos torna capazes de manifestar, nas alianças de amor e de cuidado com a humanidade sua própria aliança.

As relações familiares devem estar fundamentadas no amor que vem de Deus, para que a família possa realmente ser comunidade onde cada um é amado e respeitado. Fundamental para a própria sociedade, a família assim alicerçada contribui de modo essencial para a harmonia e a construção da vida humana. Hoje, infelizmente, é tão comum o drama de famílias que sofrem pela separação dos pais ou pela conduta dos genitores, prejudicial à comunidade do lar. Diante disso, cabe a nós, primeiramente, oferecer o auxilio de nossa oração, seja pelos que se preparam para constituir família, seja pelas famílias que sofrem, pelos filhos e pelos cônjuges. Cabe a comunidade eclesial apoiar as famílias para que se desenvolvam sempre mais no amor, possam superar dificuldades, restaurar os elementos fraturados, renovar o compromisso e o dom recíproco. "Deixar “de lado o ressentimento, a raiva, a violência e a vingança são condições necessárias para viver feliz.”(Papa Francisco).

Pe.Gilmar Antônio Fernandes Margotto
Igreja Matriz Nossa Senhora Aparecida
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Fraternidade e Meio Ambiente
Dom Demétrio Valentini
Bispo Emérito de Jales


Como poucas vezes, a Campanha da Fraternidade aponta para realidades tão concretas. Mesmo com a evidente abrangência do seu tema central - o planeta terra visto como “casa comum” - a Campanha aborda a questão do saneamento básico, em torno do qual vai desdobrando os seus objetivos. Neste sentido, a Campanha sobre o planeta terra, mantém os pés no chão. E centra suas propostas de atuação em torno do saneamento básico.

Dava para imaginar que a Campanha nos levasse a abordar as grandes questões, que o despertar da consciência ecológica vem levantando com insistência em nosso tempo. De tal modo que nos sentiríamos contemplando do alto de um satélite a girar velozmente em torno do nosso globo terrestre.

Sem desconhecer a problemática ecológica, que jaz como pano de fundo de toda a Campanha, os objetivos específicos insistem em abordar aspectos práticos do saneamento básico. Começa por apresentar o saneamento básico como um direito de todos os cidadãos. Mas um direito a ser conseguido pelo trabalho e esforço comum.

Percebe-se então qual a intuição central que levou os promotores da Campanha a insistir no saneamento básico. É que ele se constitui num objetivo que decorre da consciência política dos cidadãos, que despertam para urgir a implementação do saneamento básico, e que por sua vez, a abordagem deste assunto leva a aprofundar esta consciência, para assim ter a força para realizar este objetivo.

Encontramos aqui um desafio, que cabe ser colocado no contexto da Campanha deste ano. Acontece que as obras de saneamento básico exigem vultosos recursos financeiros, cujos resultados não aparecem tão claramente. Os políticos não gostam de aplicar recursos no saneamento básico, pois preferem obras que dão mais visibilidade, que lhes rendam mais reconhecimento.

A Campanha deste ano pretende incentivar os investimentos em saneamento básico, mostrando as consequências positivas que decorrem de políticas guiadas para o bem comum da população. Um dos objetivos específicos desta Campanha propõe “apoiar e incentivar os municípios para que elaborem e executem o seu Plano de Saneamento Básico”.

A Campanha quer, portanto, despertar uma consciência política, que garanta respaldo às boas iniciativas em torno de projetos de saneamento básico. E assim levar à superação dos critérios superficiais de avaliação das administrações municipais.

Outro posicionamento se refere a eventuais projetos de privatização dos serviços de saneamento básico. Pois dada a importância deste assunto, o Estado não pode se eximir de administrá-lo diretamente, como política pública a ser assumida pelo Estado. Daí o claro posicionamento contrário às tentativas de privatizar os serviços de saneamento básico.

Temos, portanto uma Campanha com amplos horizontes na sua temática central, mas com propostas bem concretas de implementação dos seus objetivos. Um tema amplo, do tamanho de nosso planeta. Mas com propostas bem concretas, que nos levam a perceber melhor a importância de urgir políticas públicas voltadas para o saneamento básico, que tem tanta incidência na vida das pessoas.

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CF 2016
Dom Aldo Pagotto
Arcebispo da Paraíba


Durante a Quaresma a Igreja no Brasil intensifica a Campanha da Fraternidade (CF), com o objetivo de incentivar os empreendimentos de caráter humanitário e cristão, levando o povo a construir o bem comum. No Evangelho, Jesus demonstra atitudes concretas voltadas à solução de conflitos de interesses. O que Ele mesmo vive, tenta fazer com que nós vivamos também: o amor ao Pai e ao próximo. Daí decorre a vida fraterna, solidária, serviçal. O processo gradativo da evangelização importa na responsabilidade de todos, unindo seus esforços em função da promoção da dignidade da vida humana.

A CF 2016 traz a vasta temática da água. Sugestivamente cita o profeta Amós 5, 24: “Quero ver o direito brotar como fonte e correr a justiça qual riacho que não seca”, e traz como lema: “casa comum, nossa responsabilidade”. A segurança hídrica vincula-se a políticas públicas voltadas à saúde e à educação da população. Se quisermos qualidade de vida é preciso reeducar-nos para obtê-la, garantindo os recursos hídricos. Importa no saneamento básico, na preservação dos mananciais, evitando o assoreamento, a poluição dos rios e dos oceanos, o gerenciamento da distribuição da água para uso humano, animal, produção agrícola, etc. A água possui um valor incalculável pelos benefícios que traz, contudo esse bem é finito e escasso. A vida no planeta está ameaçada por falta d’água tratada. Não podemos desperdiçá-la.

O programa “Viva Água”, plano emergencial de enfrentamento à estiagem, do Governo do Estado da Paraíba, em curso, prevê práticas que solucionam efetivamente o grave problema da falta d’água e estabelece ações preventivas de convivência no semiárido. Nossa população precisa envolver-se nessa política hídrica estrutural, política de preservação e cuidado sustentável. Note-se que a temática da CF 2016 abrange a Quaresma porque, na esfera espiritual, cuidar dos recursos da natureza significa favorecer à vida saudável, à vida em abundância (Jo 10, 10). Isso importa em evitar doenças endêmicas que se proliferam pela escassez de água e de alimento. Jesus vinculou as obras de misericórdia às práticas da vida qualificada: dar de beber e de comer a quem tem sede e fome. Não obstante a recessão socioeconômica pela qual passamos, o projeto Viva Água garante as etapas de investimentos em obras orçadas em R$ 133 milhões, em diversos sistemas de abastecimento, sobretudo em localidades de carência absoluta. Incluídas barragens subterrâneas e de terra, trincheiras, poços artesianos, etc. Concomitantemente, o saneamento básico.

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Quaresma da Misericórdia
Dom Alberto Taveira Corrêa
Arcebispo de Belém do Pará


O ritmo da vida cristã é marcado pelos tempos litúrgicos, com os quais o mesmo mistério de Cristo, Morto e Resuscitado, se descortina diante dos olhos da fé, sempre rico e fecundo, de modo a alimentar todos os homens e mulheres de fé. Como numa dança sublime, este ritmo é marcado por tempos mais fortes, como acontece agora com a Quaresma que se inicia. Queremos entrar numa quarentena especial e receber o remédio advindo da penitência, revendo corajosamente os rumos de nossa existência. É oportunidade preciosa para refazer as nossas escolhas, tendo como ponto de referência o fato de que Deus nos ama de verdade. A prova é o envio de seu Filho amado, que se abaixou, visitando todas as profundezas do mistério humano, para iluminar-lhes todos os recantos, resgatando os que foram feitos escravos do pecado, a fim de viverem a gloriosa liberdade dos filhos de Deus. "Não percamos este tempo de Quaresma favorável à conversão! Pedimos pela intercessão materna da Virgem Maria, a primeira que, diante da grandeza da misericórdia divina que lhe foi concedida gratuitamente, reconheceu a sua pequenez (Cf. Lc 1, 48), confessando-se a humilde serva do Senhor" (Cf. Lc 1, 38) (Mensagem do Papa Francisco para a Quaresma de 2016).

Na Bula de proclamação do Jubileu, o Papa fez o convite para que "a Quaresma deste Ano Jubilar seja vivida mais intensamente como tempo forte para celebrar e experimentar a misericórdia de Deus" (Misericordiae Vultus, 17). Com efeito, ensina o Papa, a misericórdia de Deus é um anúncio ao mundo, mas cada cristão é chamado a fazer pessoalmente experiência de tal anúncio. Assim, o primeiro apelo é dirigido a cada pessoa que professa a fé, no sentido de tomar a peito a caminhada quaresmal, abrindo-se ao convite da Igreja, acolhendo as propostas de jejum, mortificação, oração intensa e caridade ativa.

A Quaresma começa na Igreja, na Quarta-feira de Cinzas, quando acorremos ao gesto simbólico e tão forte que é a imposição das cinzas, com o qual queremos dizer que sem Deus nós nos tornamos pó da terra, cinza! Vá à Igreja na Quarta-feira de Cinzas quem quiser fazer o caminho da Quaresma, pois o ponto de chegada será o ressurgir com Cristo na Páscoa, saindo do pó do sepulcro dos pecados, para viver a vida nova, com o Senhor Jesus, no coração da Igreja. "Convertei-vos e crede no Evangelho!" "Lembra-te que és pó e ao pó hás de voltar!" São as palavras fortes e positivamente provocantes que a Igreja nos dirige na abertura da Quaresma.

A Quaresma é vivida com a Bíblia nas mãos e no coração. É tempo privilegiado e textos abundantes e ricos, oferecidos pela Igreja para a nossa edificação. Nossa Arquidiocese oferece os textos do "Retiro Popular", com roteiros de leitura orante da Palavra de Deus tirada do Evangelho de São Lucas, proclamado na maior parte das celebrações litúrgicas do ano em curso. E se trata do Evangelho da Misericórdia, com narrativas ricas de conteúdo, para nos abrirmos ao amor de Deus, que nos ama de verdade!

A Quaresma é tempo especial de oração. Uma das manifestações da fé é a capacidade de olhar para o alto e para dentro, para entrar em comunhão profunda com Deus. Oração se faz no silêncio interior do diálogo com Deus. Oração se faz com a liberdade concedida pelo Espírito Santo, que vem em auxílio de nossa fraqueza. Oração se faz com as palavras aprendidas ao colo de nossos pais, assim como muitas preces feitas por pessoas inspiradas, que se tornaram mestres e mestras no relacionamento com o Senhor. Oração se faz, e este é seu ponto mais alto, quando o culto verdadeiro e completo é prestado ao Pai, no Espírito Santo, pelo amor infinito de Cristo, que se oferece por nós na Eucaristia, renovação de seu Sacrifício. A Missa é o cume e a fonte de nossa vida cristã.

Quaresma é tempo especial de caridade. Toca o coração a força com que o Papa Francisco quer fazer de todos nós, nesta Quaresma, homens e mulheres banhados na Misericórdia: "A misericórdia de Deus transforma o coração do homem e faz-lhe experimentar um amor fiel, tornando-o assim, por sua vez, capaz de misericórdia. É um milagre sempre novo que a misericórdia divina possa irradiar-se na vida de cada um de nós, estimulando-nos ao amor do próximo e animando aquilo que a tradição da Igreja chama as obras de misericórdia corporal e espiritual. Estas recordam-nos que a nossa fé se traduz em atos concretos e quotidianos, destinados a ajudar o nosso próximo no corpo e no espírito e sobre os quais havemos de ser julgados: alimentá-lo, visitá-lo, confortá-lo, educá-lo. No pobre, a carne de Cristo torna-se de novo visível como corpo martirizado, chagado, flagelado, desnutrido, em fuga, a fim de ser reconhecido, tocado e assistido cuidadosamente por nós. É o mistério inaudito e escandaloso do prolongamento na história do sofrimento do Cordeiro Inocente, sarça ardente de amor gratuito na presença da qual podemos apenas, como Moisés, tirar as sandálias (Cf. Ex 3, 5); e mais ainda, quando o pobre é o irmão ou a irmã em Cristo que sofre por causa da sua fé" (Mensagem Quaresmal 2016).

Para nós, no Brasil, o convite à Caridade e à Fraternidade assume um rosto desafiador neste ano. Realizaremos a partir da Quarta-feira de Cinzas uma Campanha da Fraternidade Ecumênica, com o tema "Casa comum, nossa responsabilidade", e o lema bíblico "Quero ver o direito brotar como fonte e correr a justiça qual riacho que não seca" (Amós 5, 24). Nosso olhar se abre para uma grave necessidade de saneamento básico para nossa população. Sabemos que sua falta é fonte de tantas enfermidades e desconforto para o povo. Tomamos consciência, cada dia mais, do quanto somos igualmente responsáveis pelo nosso ambiente. Para responder a este grave desafio, queremos unir igrejas, diferentes expressões religiosas e pessoas de boa vontade na promoção da justiça e do direito ao saneamento básico. Assim, responderemos com atos e fatos ao apelo do Papa Francisco para o cuidado com a "Casa Comum", que nos foi dada por Deus.
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Iniciamos a Quaresma!
Cardeal Orani João Tempesta
Arcebispo de São Sebastião do Rio de Janeiro (RJ)


Iniciamos a Quaresma! E já neste primeiro domingo nós nos colocamos neste tempo de caminhar para bem celebrar a santa Páscoa de Nosso Senhor Jesus Cristo. Jesus é o centro da Quaresma: é para nos unir a Ele no seu deserto que entramos neste caminho; é para ter seus sentimentos e atitudes e poder e, assim participar plenamente da celebração de Sua Páscoa, que iniciamos este caminho de quarenta dias de combate! Somos chamados a viver com seriedade o tempo quaresmal, a colocarmo-nos espiritualmente a caminho para crescer no conhecimento de Jesus, conhecimento ungido pelo Santo Espírito, conhecimento que ultrapassa de muito o simples conhecimento adquirido pelos estudos. Deste conhecimento bendito, falou-nos a oração da Missa do Primeiro Domingo da Quaresma, que pede a Deus: “que ao longo desta Quaresma possamos progredir no conhecimento de Jesus Cristo e corresponder ao seu amor por uma vida santa”.

Neste início de Quaresma, a liturgia faz-nos pensar no caminho para a Páscoa. Isto porque o tempo quaresmal não é um fim em si mesmo, mas é caminho de luta e combate espiritual para bem celebrarmos, com o coração dilatado, a Páscoa do Senhor, a maior de todas as festas cristãs. Na primeira leitura deste domingo, o Deuteronômio (26, 4-10) apresenta-nos o rito de oferta das primícias da colheita: ao apresentar ao Senhor Deus o fruto da terra, o israelita piedoso confessava que pertencia a um povo de estrangeiros e peregrinos, vindos do Pai Jacó, que não passava de um arameu errante. O israelita fiel recordava diante de Deus a história de Israel, história de escravidão e de libertação: “Meu pai era um arameu errante, que desceu ao Egito... Ali se tornou um povo grande, forte e numeroso. Os egípcios nos oprimiram. Clamamos ao Senhor... e o Senhor ouviu a nossa voz e viu a nossa opressão... E o Senhor nos tirou do Egito... E conduziu-nos a este lugar e nos deu esta terra... Por isso eu trago os primeiros frutos da terra que tu me deste, Senhor”.

Éramos ninguém e o Senhor nos libertou, deu-nos uma vida nova – eis o resumo da história e da experiência de Israel! Esta também é a nossa experiência como Igreja, Novo Israel: “Se com a tua boca confessares Jesus como Senhor e, no teu coração creres que Deus o ressuscitou dos mortos, serás salvo”. Também a nossa história é de libertação: éramos escravos, todos nós, do grande Faraó, o Pecado que nos destrói e destrói o mundo. Mas Deus enviou o seu Filho numa carne de pecado (numa natureza sujeita às consequências do pecado): Ele desceu a este mundo e entrou na nossa miséria, até a morte, a nossa morte. É o que nos anuncia a segunda leitura deste domingo, da Carta de Paulo aos Romanos (10, 8-13).

Deus o arrancou da morte; ressuscitou-o e fez dele Senhor e Cristo, e quem nele crer e confessá-lo como Senhor na sua vida encontra a salvação; encontra um novo modo de viver, encontra a paz, encontra já, agora, a comunhão com Deus e, depois, a Vida eterna! Assim, Israel nasceu da Páscoa do deserto; a Igreja nasceu da Páscoa de Cristo. Israel era escravo, atravessou o mar e o deserto e tornou-se um povo livre para o Senhor. Nós éramos escravos, éramos ninguém, atravessamos as águas do Batismo com Cristo, e ainda que caminhemos neste deserto da vida, somos um povo livre para o Senhor nosso Deus.

O Evangelho (Lc 4, 1-13), apresentando-nos as tentações de Jesus, nos ensina a combater: ele venceu Satanás ali, onde Israel fora vencido: Israel pecou contra Deus murmurando por pão; Jesus abandonou-se ao Pai e venceu; Israel pecou adorando o bezerro de ouro; Jesus venceu recusando dobrar os joelhos diante da proposta de Satanás; Israel pecou tentando a Deus em Massa e Meriba; Jesus rejeitou colocar Deus à prova. Nas tentações de Cristo estão simbolizadas as nossas tentações: a concupiscência da carne (o prazer e a satisfação desregrada dos sentidos), a concupiscência dos olhos (a riqueza e o apego aos bens materiais) e a soberba da vida (o poder e o orgulho autossuficiente e dominador).

Jesus foi tentado como sinal de nossas tentações, tentado por nossa causa, por amor de nós. Ele foi tentado como nós, para que nós vençamos como Ele! Ele foi tentado não somente naqueles quarenta dias. O Evangelho diz que “terminada toda a tentação, o diabo afastou-se de Jesus, para retornar no tempo oportuno”. A tentação de Jesus foi até a cruz, quando Ele, no combate final, colocou toda a vida nas mãos do Pai e pelo Pai foi ressuscitado, tornando-se causa de vida e ressurreição para nós que nele cremos, que O seguimos, com Ele combatemos e O proclamamos Senhor ressuscitado.

Portanto, Quaresma é para nós um tempo de conversão e renovação em preparação à Páscoa. É tempo de rasgar o coração e voltar ao Senhor. Tempo de retomar o caminho e de se abrir à graça do Senhor, que nos ama e nos socorre. É um tempo sagrado para aprofundar o Plano de Deus e rever a nossa vida cristã. E nós somos convidados pelo Espírito ao DESERTO da Quaresma para nos fortalecer nas tentações, que frequentemente tentam nos afastar dos planos de Deus.
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Combate à indiferença
Dom Walmor Oliveira de Azevedo
Arcebispo de Belo Horizonte


A indiferença é incontestável ameaça à paz e, por isso, o Papa Francisco faz o convite-convocação: "Vence a indiferença e conquista a paz". Essa interpelação, tema do Dia Mundial da Paz 2016, diz respeito a todos os cidadãos. Exige redobrada atenção por parte dos diferentes segmentos da sociedade. Não se trata de um movimento simples e qualquer, mas da capacidade para o diálogo, que vai além de simples conversa e está distante dos conchavos interesseiros. Trata-se de caminho para nova cultura.

A indiferença é espessa camada a ser removida, com muito esforço, para dar lugar à fluidez da escuta e sensibilidade que fazem nascer no coração humano a competência para eleger, em todas as circunstâncias, o outro como prioridade. Por isso, se equivocam dirigentes, governantes e todos os que escolhem, decidem e operam na contramão do diálogo. Os prejuízos são enormes e facilmente constatáveis: a vergonhosa exclusão social, a perpetuação dos esquemas de corrupção e a manipulação do que é bem comum em benefício de interesses particulares. O resultado é uma terrível mediocridade na atuação de dirigentes e governos, sem lucidez para encontrar soluções e saídas. Consequentemente, a paz segue ameaçada.

É óbvio concluir que a falta de diálogo provocada pela indiferença é um problema grave. Trata-se de carência comum a vários ambientes – parlamentos, muitas vezes cenários de poucos e ineficazes entendimentos; diversos ambientes de trabalho e famílias. A falta do diálogo, alimentada e alimentadora da indiferença, tudo envenena. A indiferença comprova a carência de sabedoria na condução da vida. É sinal da perda de rumo e da incompetência que impede exercícios responsáveis e inventivos na atuação profissional e cidadã.

Situações desoladoras resultam desse verdadeiro veneno: os desperdícios, a perda de oportunidades para avanços e progressos, o recrudescimento de grupos, a disputa entre pessoas, famílias, nações. Ninguém fica isento de pagar um alto preço, que inclui o aumento da violência. Ela nasce também das revoltas e da dor da indiferença sofrida pelos mais pobres, por quem não tem voz e vez. E não adiantam esquemas de segurança, isolamentos que desenham segregações, ou portas fechadas para tratar em mesas restritas os assuntos que dizem respeito ao interesse do bem comum.

Nesse contexto, a vida de todos, indistintamente, é temperada pelos espectros de incertezas e desconfianças que descompassam corações, inteligências e vivências. Não há, assim, outro caminho, senão acolher, efetiva e urgentemente, a convocação de investir na superação da indiferença, particularmente pela prática sincera e permanente do diálogo, compreendido como escuta prioritária do outro, antes de qualquer juízo e decisão. Isso envolve a conduta pessoal e também transformações nas dinâmicas institucionais. É mudança cultural capaz de introduzir uma novidade na esfera de entendimentos e de deixar aparecer a luz da sabedoria, que permite encontrar saídas para as crises. Uma luminosidade apropriada para oferecer respostas aos muitos questionamentos, soluções para problemas e dar nova configuração aos cenários sociais, políticos e culturais.

Vale acolher a instigante convocação feita pelo Papa Francisco, "Vence a indiferença e conquista a paz", que se torna ainda mais forte pela exemplaridade de suas atitudes – em permanente diálogo com todas as pessoas, com a cultura contemporânea – e também por sua simplicidade cativante. Acolher essa convocação significa admitir que a indiferença globalizada é um inimigo comum a ser combatido e vencido com urgência. Esse embate inclui indispensavelmente o empenho pessoal de todos. Raciocínio lógico e simples é considerar que se cada pessoa enfrenta a indiferença e luta pela paz, alcança-se grande impacto positivo na qualidade dos relacionamentos e valiosas soluções para as crises governamentais, institucionais, familiares e de relações humanas. Há um caminho a ser trilhado para qualificar-se como agente de combate à indiferença na sociedade: buscar aproximar-se de Deus. O Papa Francisco lembra que a indiferença em relação a Deus supera a esfera íntima e espiritual do indivíduo e traz consequências para a esfera pública e social. De modo interpelante, Francisco acrescenta que o esquecimento e a negação de Deus induzem o homem a não reconhecer qualquer norma que esteja acima de si. Isso produz crueldade e violência. Assim, para edificar um mundo melhor, é hora de vencer a indiferença que ameaça a paz.
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A boa notícia
Dom Alberto Taveira Corrêa
Arcebispo de Belém do Pará (PA)


A liturgia da Igreja apresenta neste final de semana o discurso de Jesus na Sinagoga de Nazaré, início de seu ministério de anúncio da Boa Nova, antepondo o prólogo do Evangelho de São Lucas (Lc 1, 1-4.14-21), onde o autor conta ter decidido escrever de modo ordenado os acontecimentos da vida do Senhor, para que os cristãos leitores de seu texto verifiquem a solidez dos ensinamentos recebidos. Seu trabalho foi fruto de um estudo cuidadoso de tudo o que aconteceu desde o princípio. Somos levados a sério! E o evangelista põe no início do ministério público de Jesus o seu “programa”. Trata-se de um manifesto público!

Jesus age com o poder de Deus, pois o Espírito Santo está sobre ele. Não realiza apenas uma obra humana ou, quem sabe, política, mas a revelação do projeto de Deus. Sua missão é acolher misericordiosamente todos os homens e mulheres de todos os tempos para libertá-los. Realiza-se a profecia de Isaías e se inicia na história da humanidade um tempo novo, chamado de “ano da graça do Senhor”. Quem salva a humanidade é o Espírito do Senhor e não as eventuais decisões dos poderes do mundo. Até o momento presente, onde se reconhece o Senhor Jesus Cristo, é possível afirmar de novo que “hoje se cumpriu a escritura” (Cf. Lc 4, 21). Então, a pregação de Jesus na Sinagoga de Nazaré se transforma em história de todos aqueles que o escutam e acolhem sua palavra.

A novidade é perene e tem força para mudar a vida de todas as gerações e em toda a extensão do universo. Trata-se nada menos do que a iniciativa de Deus, que é Pai e Filho e Espírito Santo, vindo ao encontro da humanidade, tocando nos pontos mais sensíveis de sua história elencados na Sinagoga de Nazaré, trazendo sentido novo, rumo e salvação. Deus se compromete e aguarda a liberdade humana, à qual cabe decidir-se pelo seguimento de Jesus ou sua rejeição. Recolhamo-nos, geração de hoje, atentos à Palavra de Deus, buscando na força da pregação de Jesus a forma diferente para viver neste mundo.

O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me consagrou com a unção! A novidade vem do alto. Sabemos que “todo dom precioso e toda dádiva perfeita vêm descendo do Pai das luzes, que desconhece fases e períodos de sombra” (Tg 1, 17), que derrama abundantemente sua graça e sua paz. A primeira novidade do tempo que se inaugura com Jesus Cristo é o dom, a consagração, a unção. Caem por terra todas as pretensões humanas de alcançar, com as próprias forças, aos píncaros da verdade e da graça. Faz-se necessário estar abertos para receber a unção! Jesus Cristo, o ungido do Pai, abre a tempo do Espírito Santo atuando em toda parte! Antes de tudo é um ato de abertura e de acolhida da graça, mais do que uma conquista. Feitos novas criaturas, em Cristo, resta-nos suplicar esta efusão do Espírito Santo, se queremos ser pessoas diferentes e fazer diferente o nosso mundo.

Jesus veio para anunciar a Boa-nova aos pobres. A Boa Notícia vai às periferias geográficas e existenciais do mundo. São pessoas que se abrem à ação de Deus, despojadas de pretensões. Muitas delas, humanamente nem têm mais o que perder! O amor de Deus alcança os mais pobres e distantes e, para chegar até lá, envolve a todos os que se encontram nas estradas da vida. Por isso, o amor de Deus não exclui ninguém! Todos são destinatários e têm a vocação da pobreza radical, que é reconhecer-se carente de Deus e de sua paternidade.

“Enviou-me para proclamar a libertação aos cativos... e para libertar os oprimidos”, diz o Senhor. Basta olhar ao nosso redor, para identificar as antigas e recentes formas de escravidão e cativeiro, desde as barbáries expostas pelos meios de comunicação até aquelas mais escondidas, mas concretas e presentes bem perto de nós. Certamente já ouvimos falar em cativeiro doméstico, sequestros, exigência de pagamento para resgates, para depois chegar ao medo reinante nas grandes cidades. E que dizer dos sistemas econômicos excludentes e opressores? E os cativeiros se multiplicam, quando são criados pelas próprias pessoas, escravas do dinheiro, dos vícios, da procura desenfreada do prazer, a sede incontrolável do poder, ou outras formas que se aninham numa palavra moderna e dolorosa, corrupção e suas tramas e tramoias hoje impressas na vida social, entrevendo anos e anos para a restauração de relações confiáveis entre pessoas e instituições. Pois bem, a libertação é de novo proclamada a este que é o nosso mundo e só se encontra em Jesus Cristo!

E Jesus veio para anunciar aos cegos a recuperação da vista! Cegos se aproximaram de Jesus e a cegueira, entendida em tempos antigos como maldição e castigo, torna-se ponto de partida para uma graça infinitamente maior, a salvação. Em Jericó “Jesus parou e mandou que lhe trouxessem o cego. Quando ele chegou perto, Jesus perguntou: ‘Que queres que eu te faça?’ O cego respondeu: ‘Senhor, que eu veja’. Jesus disse: ‘Vê! A tua fé te salvou’. No mesmo instante, o cego começou a enxergar de novo e foi seguindo Jesus, glorificando a Deus. Vendo isso, todo o povo deu glória a Deus” (Lc 18, 40-43). As muitas cegueiras físicas, psicológicas ou morais podem ser apresentadas ao Senhor. Trata-se de reconhecê-las e pedir com confiança! Para todos nós, vale ainda a recomendação do Apocalipse: “Compra também um colírio para curar os teus olhos, para que enxergues” (Ap 3, 17)!

Jesus veio “para proclamar um ano da graça do Senhor”. O tempo, com a sua vinda, já não é como um badalar implacável de horas insones que muitas vezes nos assustam. O tempo é oportunidade, é graça! Com a vinda do Salvador, inaugurou-se este ano perene da graça. Surge a oportunidade quando o coração se abre! E a Igreja, em sua sabedoria, ainda nos oferece experiências ímpares, adequadas a cada geração que passa por esta terra. Agora, por convocação do Papa Francisco, este ano é de “Jubileu da Misericórdia”. Fomos apresentados ao Senhor da anistia plena, o Pai das Misericórdias! Nossos pecados podem ser lavados no Sangue redentor de Jesus Cristo! O Espírito Santo foi enviado para o perdão dos pecados! Tudo fala de perdão, reconciliação, cura, graça, boa notícia!
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A Igreja acontece nas comunidades
Dom Canísio Klaus
Bispo de Santa Cruz do Sul (RS)


Durante cinco anos e meio tive a alegria de ser Bispo na Diocese de Santa Cruz do Sul. Gostei de trabalhar junto com as comunidades e também com os padres, muitos dos quais foram meus colegas no seminário. A partir de março, deverei me transferir para a Diocese de Sinop, no Mato Grosso, onde trabalhei como padre missionário por 10 anos. Vou com a mesma disposição com que cheguei a Santa Cruz do Sul em julho de 2010, atendendo o pedido do querido Papa Francisco, sabendo que a minha missão é evangelizar: Evangelizare misit me.

Um dos principais trabalhos do Bispo é animar as lideranças e fortalecer as comunidades. E é isto que procurei fazer aqui e deverei continuar a fazer no Mato Grosso, uma vez que a fé cristã é professada e alimentada na comunidade. Conforme afirmação do Papa Francisco na Jornada Mundial da Juventude: “o discípulo de Cristo não é uma pessoa isolada em uma espiritualidade intimista, mas uma pessoa em comunidade para se dar aos outros”.

No documento “Comunidade de comunidades: uma nova paróquia”, a CNBB afirma que “a palavra comunidade significa a união intima ou a comunhão das pessoas entre si e delas com o Deus Trindade. Essa comunhão se realiza fundamentalmente pelo Batismo e pela Eucaristia” (n 170). E mais: “a comunidade cristã é a experiência de Igreja que acontece ao redor da casa”. Ela se caracteriza como casa da Palavra, casa do pão e casa da caridade. É na comunidade que “o discípulo escuta, acolhe e pratica a Palavra”. É também na comunidade que ele se alimenta da Eucaristia como “sacramento de comunhão e reconciliação”. E é ainda na comunidade que ele entra numa nova dimensão, que é “a relação com Deus e com o próximo: a dimensão do amor como ágape” (n 183).

As comunidades se agregam entre si e constituem a paróquia. As paróquias se congregam e formam a Diocese. O conjunto de todas as dioceses busca seu princípio de unidade na Diocese de Roma, cujo bispo é o Papa. É assim que nós, a partir da participação na comunidade, somos Igreja Católica e formamos o Novo Povo de Deus.

Em 2016, o Povo de Deus congregado nas comunidades católicas da Diocese de Santa Cruz do Sul está sendo convidado a avaliar a sua fidelidade ao projeto de Jesus Cristo e rever a forma de iniciar os seus membros na fé cristã, através da Assembleia Diocesana de Pastoral nos dias 14 e 15 de novembro. Até lá, cada comunidade e cada paróquia deverá fazer a sua avaliação em base ao projeto de Jesus Cristo.

Reafirmemos o nosso compromisso com a comunidade de fé, ajudando-a a ser “casa da Palavra, casa do Pão e casa da Caridade”. E em comunhão com as outras comunidades, assumamos o trabalho missionário para que a Palavra de Jesus Cristo seja conhecida e vivida em todo o mundo.
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Nosso Batismo e o de Jesus
Orani João, Cardeal Tempesta, O.Cist.
Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ.


A Festa do Batismo do Senhor, celebrada no domingo depois da Epifania, encerra o ciclo das Festas da Manifestação do Senhor, o ciclo de Natal. Comemoramos o Batismo de Jesus por São João Batista nas águas do rio Jordão. Sem ter necessidade do batismo de penitência de João em preparação à vinda do Messias, Jesus quis submeter-se a esse rito tal, como se submetera às demais observâncias legais que também não O obrigavam, mas que adquire o caráter de manifestação, pois nesse momento a Trindade se manifesta.

O Pai apresenta, manifesta a Israel o Salvador que Ele nos deu, o Menino que nasceu para nós: “Tu és o meu Filho amado; em ti ponho o meu bem-querer”, ou, segundo a versão de Mateus: “Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo”! (3,17). Estas palavras contêm um significado muito profundo: o Pai apresenta Jesus usando as palavras do profeta Isaías, que ouvimos na primeira leitura da missa. Mas, note-se: Jesus não é somente o Servo; ele é o Filho, o Filho amado! O Servo que o Antigo Testamento anunciava é também o Filho amado eternamente! No entanto, é Filho que sofrerá como Servo, que deverá exercer Sua missão de modo humilde e doloroso.

Às margens do Jordão, Jesus foi ungido com o Espírito Santo como o Messias, o Cristo, aquele que as Escrituras prometiam e Israel esperava. Agora, Ele pode começar publicamente a missão de anunciar e inaugurar o Reino de Deus. Esta missão Ele começou desde que se fez homem por nós; agora, no entanto, vai manifestar-se publicamente, primeiro a Israel e, após a ressurreição, a toda a humanidade. É na força do Espírito Santo que Ele pregará, fará Seus milagres, expulsará o mal e inaugurará o Reino; é na força do Espírito que Ele viverá uma vida de total e amorosa obediência ao Pai, e doação aos irmãos até a morte, e morte de cruz.

O Senhor desejou ser batizado, diz Santo Agostinho, “para proclamar com a sua humildade o que para nós era uma necessidade”. Com o batismo de Jesus, ficou preparado o Batismo cristão, diretamente instituído por Jesus Cristo e imposto por Ele como lei universal no dia da sua Ascensão: Todo poder me foi dado no céu e na terra, dirá o Senhor; ide, pois, ensinai a todos os povos, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo (Mt 28, 18-19).

E Jesus já começa cumprindo sua missão na humildade: Ele entra na fila para ser batizado por João. Ele, que não tinha pecado, assume os nossos pecados, faz-se solidário conosco; Ele, o Cordeiro de Deus que tira os pecados do mundo! “João tentava dissuadi-lo, dizendo: ‘Eu é que tenho necessidade de ser batizado por ti e tu vens a mim?’ Jesus, porém, respondeu-lhe: ‘Deixa estar, pois assim nos convém cumprir toda a justiça’” (Mt 3,14s). Assim convinha, no plano do Pai, que Jesus se humilhasse, se fizesse Servo e assumisse os nossos pecados! Ele veio não na glória, mas na humildade, não na força, mas na fraqueza, não para impor, mas para propor, não para ser servido, mas para servir. Eis o caminho que o Pai indica a Jesus, eis o caminho que Jesus escolhe livremente em obediência ao Pai, eis o caminho dos cristãos, e não há outro!

O Batismo de João não é o sacramento do Batismo: era somente um sinal exterior de que alguém se reconhecia pecador e queria preparar-se para receber o Messias. Ao ser batizado no Jordão, Jesus é ungido com o Espírito Santo para a missão. Esta unção será plena na ressurreição, quando o Pai derramará sobre ele o Espírito como vida da sua vida. Então – e só então – Ele, pleno do Espírito Santo que o ressuscitou, derramará este Espírito, que será também seu Espírito, sobre nós, dando-nos uma nova vida.

O Batismo de Jesus leva-nos à meditação sobre o nosso batismo. A importância do Sacramento que nos inseriu na Igreja. Quem de nós recorda a data de seu batismo? Recordamos o nascimento carnal, mas desconhecemos o dia em que nascemos para Deus e nos tornamos “Participantes da natureza divina (...) somos, realmente, filhos de Deus!”.

“Graças ao Sacramento do Batismo tu te converteste em templo do Espírito Santo: não te passe pela cabeça – exorta São Leão Magno – afugentar com as tuas más ações um hóspede tão nobre, nem voltar a submeter-te à servidão do mal, porque o teu preço é o sangue de Cristo”.

Na Igreja, ninguém é um cristão isolado. A partir do Batismo, o cristão passa a fazer parte de um povo, e a Igreja apresenta-se como a verdadeira família dos filhos de Deus. O Batismo é a porta por onde se entra na Igreja. “E na Igreja, precisamente pelo Batismo, somos todos chamados à santidade” (LG 11 e 42), cada um no seu próprio estado e condição. O chamado à santidade e a consequente exigência de santificação pessoal são universais: todos, sacerdotes e leigos, estamos chamados à santidade; e todos recebemos, com o Batismo, as primícias dessa vida espiritual que, por sua própria natureza, tende à plenitude. É importante lembrar o caráter sacramental do Batismo “certo sinal espiritual e indelével” impresso na alma no momento (Dz, 852). É como um selo que exprime o domínio de Cristo sobre a alma do batizado. Cristo tomou posse da nossa vida no momento em que fomos batizados. Ele nos resgatou do pecado com a sua Paixão e Morte.

Portanto, Batismo é nascimento para uma vida nova e é compromisso de seguir Jesus Cristo como discípulo missionário. A água batismal não pode secar tão rapidamente de nossa fronte! Os cristãos primitivos eram batizados adultos e, ao pedirem o Batismo, sabiam que eram candidatos ao martírio. E mesmo assim, queriam ser batizados para se tornarem filhos de Deus! “Somos chamados filhos de Deus e o somos de fato!”
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Ano da Misericórdia
Orani João, Cardeal Tempesta, O.Cist.
Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro, RJ


O Papa Francisco decidiu proclamar um “jubileu extraordinário”, com início no dia 8 de dezembro, centrado na misericórdia de Deus. “Será um Ano Santo da Misericórdia. Queremos vivê-lo à luz da palavra do Senhor: ‘Sede misericordiosos como o Pai’, e isto especialmente para os confessores”, disse na homilia da celebração penitencial a que presidiu na Basílica de São Pedro, na abertura da iniciativa “24 horas para o Senhor”.

O Santo Padre explicou que a iniciativa nasceu da sua intenção de tornar “mais evidente” a missão da Igreja de ser “testemunha da misericórdia”. O Papa defendeu que “ninguém pode ser excluído da misericórdia de Deus”, e que a Igreja “é a casa que acolhe todos e não recusa ninguém”. “As suas portas estão escancaradas para que todos os que são tocados pela graça possam encontrar a certeza do perdão. Quanto maior é o pecado, maior deve ser o amor que a Igreja manifesta aos que se convertem”.

Francisco destacou na sua homilia, no encontro penitencial, a importância de viver a misericórdia de Deus, através do sacramento da Reconciliação, como “sinal da bondade do Senhor” e do “abraço” de Jesus. “Ser tocados com ternura pela sua mão e plasmados pela sua graça permite que nos aproximemos do sacerdote sem medo por causa das nossas culpas, mas com a certeza de ser acolhidos por ele em nome de Deus”. O Papa sublinhou que o julgamento de Deus é o da “misericórdia”, numa atitude de amor que “vai para lá da justiça”, e desafiou os fiéis a não ficar pela “superfície das coisas”, sobretudo quando está em causa uma pessoa.

O tema da misericórdia está muito presente no atual pontificado e que já como bispo Jorge Mario Bergoglio tinha escolhido como lema “miserando atque eligendo”, uma citação das homilias de São Beda, o Venerável, que, comentando o episódio evangélico da vocação de São Mateus, escreve: “vidit ergo Iesus publicanum et quia miserando atque eligendo vidit, ait illi Sequere me” (Viu Jesus um publicano, e como olhou para ele com um sentimento de amor e lhe disse: Segue-me). Esta homilia é uma homenagem à misericórdia divina. Uma tradução do lema poderia ser: “Com misericórdia olhou para ele e o escolheu”.

No primeiro Ângelus após a sua eleição, há dois anos, o Santo Padre dizia que: “Ao escutar misericórdia, esta palavra muda tudo. É o melhor que podemos escutar: muda o mundo. Um pouco de misericórdia faz o mundo menos frio e mais justo. Precisamos compreender bem esta misericórdia de Deus, este Pai misericordioso que tem tanta paciência” (Ângelus, 17 de março de 2013).

Em 17 de novembro de 2013, o Papa surpreendeu dezenas de milhares de pessoas reunidas no Vaticano com a sugestão de um “medicamento espiritual” para as suas vidas, distribuindo numa caixa própria, a “Misericórdina”.

Também este ano, no Ângelus de 11 de janeiro, disse: “Estamos vivendo no tempo da misericórdia. Este é o tempo da misericórdia. Há tanta necessidade hoje de misericórdia, e é importante que os fiéis leigos a vivam e a levem aos diversos ambientes sociais. Adiante!”. Já na sua mensagem para esta Quaresma de 2015, o Papa Francisco deixou votos de que as paróquias e comunidades católicas se tornem “ilhas de misericórdia no meio do mar da indiferença”. Aliás, este será o tema principal de sua mensagem para o 49º Dia Mundial da Paz.

No Jubileu, as leituras para os Domingos do Tempo Comum serão extraídas do Evangelho de Lucas, chamado “o evangelista da misericórdia”. Dante Alighieri o definia “scriba mansuetudinis Christi”, “narrador da mansidão de Cristo”. Algumas das parábolas mais conhecidas escritas por ele são as da ovelha perdida, a da moeda perdida e a do pai misericordioso.

A Igreja Católica iniciou a tradição do Ano Santo com o Papa Bonifácio VIII em 1300. Ele planejou um jubileu por século. A partir de 1475, para possibilitar que cada geração vivesse pelo menos um Ano Santo, o jubileu ordinário passou a acontecer a cada 25 anos. Um jubileu extraordinário pode ser realizado em ocasião de um acontecimento de particular importância.

Até hoje, foram 26 anos santos ordinários. O último foi o jubileu de 2000. Quanto aos jubileus extraordinários, o último foi o de 1983, convocado por João Paulo II pelos 1.950 anos da Redenção.

Este Ano Santo iniciou-se na Solenidade da Imaculada Conceição e será concluído no dia 20 de novembro de 2016. A abertura do Jubileu coincidiu com o cinquentenário do encerramento do Concílio Ecuménico Vaticano II, que ocorreu em 1965 e, por isso, reveste este Ano Santo de um significado especial, encorajando a Igreja a prosseguir a obra iniciada no Concílio.
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Natal de Nosso Senhor Jesus Cristo
+ Tomé Ferreira da Silva
Bispo Diocesano de São José do Rio Preto/SP

Algumas experiências antropológicas são comuns à pessoa humana, como o nascer e o morrer; culturalmente ritualizadas, adquirem caráter “sagrado”. A celebração anual da vida de cada pessoa recorda o seu nascimento, marca o tempo de sua existência “mundana” e histórica, com um sentimento indescritível, fruto da confluência de encantamento, júbilo e ação de graças.

A celebração dos 2015 anos do nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo, em 25 de dezembro, pode provocar na pessoa humana o sentimento de uma “estupefação sagrada”, resultante do encontro do deslumbramento, do louvor e da gratidão. É “inaudito” o mistério da encarnação de Deus em Nosso Senhor Jesus Cristo. Não é um fato incompreensível, situa-se além do comum entendimento; não é prisioneiro das estruturas cognitivas, mas se contemplado e vivido na fé, pode ser razoavelmente acolhido e humanamente celebrado.

A extensão e a intensidade do natal profano, que começa na segunda quinzena de outubro e termina na primeira quinzena de janeiro, obscurece a celebração anual do Natal de Nosso Senhor Jesus Cristo. No Brasil, a festa originalmente religiosa sofre um processo de secularização, patrocinado pelo comércio, encontrando terreno fértil nas novas gerações que não receberam ou receberam de modo incompleto a transmissão da fé cristã.

Vivemos a realidade descrita no prólogo do evangelho de São João, ao falar de Jesus, Palavra de Deus: “Esta era a luz verdadeira, que vindo ao mundo a todos ilumina. Ela estava no mundo, e o mundo foi feito por meio dela, mas o mundo não a reconheceu. Ela veio para o que era seu, mas os seus não a acolheram” (Jo 1, 9-11).

O Natal é a memória litúrgica e a recordação histórica do nascimento de Nosso Senhor Jesus Cristo, ocorrido há 2015 anos, em Belém, na Judéia (cf Mt 1, 18-25; Lc 2, 1-7). “E a Palavra se fez carne e veio morar entre nós. Nós vimos a sua glória, glória que recebe do seu Pai como filho único, cheio de graça e de verdade”(Jo 1, 14).

Jesus não é uma pessoa qualquer, há algo de singular nele, é Deus: “No princípio era a Palavra, e a Palavra estava junto de Deus, e a Palavra era Deus”(Jo 1, 1). Em Nosso Senhor Jesus Cristo, Deus se introduz no mundo, faz história. Vem para iluminar a pessoa humana dominada pela treva do pecado: “Nela estava a vida e a vida era a luz dos homens. E a luz brilha nas trevas, e as trevas não conseguiram dominá-la”(Jo 1, 4-5).

Manifesta ou não, há uma rejeição à pessoa de Nosso Senhor Jesus Cristo: “Esta era a luz verdadeira, que vindo ao mundo a todos ilumina. Ela estava no mundo, e o mundo foi feito por meio dela, mas o mundo não a reconheceu. Ela veio para o que era seu, mas os seus não a acolheram”(Jo 1, 9-11). Esta recusa, na maioria das vezes, é fruto de uma ignorância, parcial ou total, da pessoa e da missão de Nosso Senhor Jesus Cristo: o Divino Salvador que nos liberta da escravidão do pecado.

Quem se reconhece pecador e acolhe a Nosso Senhor Jesus Cristo, torna-se filho de Deus: “A quantos, porém, a acolheram, deu-lhes poder de se tornarem filhos de Deus: são os que creem no seu nome. Estes foram gerados não do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus” (Jo 1, 12-13). Por ele recebemos a vida de Deus, conhecemos a Deus: “De sua plenitude todos nós recebemos, graça por graça. (…) Ninguém jamais viu a Deus; o Filho único, que é Deus e está na intimidade do Pai, foi quem o deu a conhecer” (Jo 1, 16.18).

Como pecadores em conversão, aproximemo-nos da celebração litúrgica do Natal de Nosso Senhor Jesus Cristo. Com “temor e tremor” sagrado ajoelhemo-nos diante do único e insubstituível Salvador, Deus que vem em nosso socorro. Para isso, não temamos dizer não àquilo que no natal secular contraria a fé e se torna um obstáculo para a vida de Deus em nós.

Feliz e santo Natal! Abençoado e feliz Ano Novo! Amplexo e todo bem!
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Natal: celebrar a paz
Dom Walmor Oliveira de Azevedo
Arcebispo metropolitano de Belo Horizonte (MG)


Diante dos cenários mundiais e das suas complexidades, mais do que nunca é preciso viver o Natal como oportunidade para celebrar a paz. Os votos natalinos, os projetos que nascem nesta festa, precisam ser transformados em propósitos e compromissos com a paz. E a concretização dessas metas assumidas só será possívela partirda referência fundamental da celebração de hoje: Jesus Cristo. Prescindir da pessoa que é a razão do Natal significa a precipitação de processos, por falta de consistência e grandeza. Não se conquista a paz simplesmente transcrevendo as intenções e indicações nos papéis documentais. Afinal, essas metas e promessas habitualmente não são cumpridas ou efetivadas.

Fóruns, conferências, reuniões, cúpulas, tantos outros mecanismos de congregação de representantes e debatedores não têm força para garantir avanços mais significativos rumo à paz. A dificuldade em efetivar a convivência pacífica relaciona-se coma carência generalizada do sentido de alteridade. Na atualidade,os indivíduos não exercitam a fundamental competência que rege a fé cristã como princípio determinante: a consideração da importânciado outro. O que de fato tem contado mais é a preocupação com os próprios interesses, a manutenção de comodidades, o desânimo para fazer avançar projetos capazes de mudar os rumos da sociedade.

Celebrar o Natal como compromisso de trabalhar pela paz contribui para corrigir esses descompassos. Exige a capacidade de dar centralidade existencial à pessoa de Jesus Cristo. O nascimento de Jesus é o selo que patenteia a marca maior de Deus:o seu amor. É a oferta feita pelo Pai Misericordioso de seu Filho amado, o Salvador. A consideração de sua vinda ao encontro da humanidade e a generosidade de sua oferta incondicional são desconcertantes e têm força para vencer toda lógica do egoísmo e da mesquinhez.

O Natal hoje celebrado está balizado pela sapiencial indicação da vivência da misericórdia, meta do Ano Santo Extraordinário convocado pelo Papa Francisco. É oportunidade para se viver experiências novas capazes de fazer com que cada pessoa seja instrumento de promoção da paz. Sem o exercício da misericórdia os povos não encontrarão o caminho da paz, os inimigos não se abraçarão e não se conseguirá vencer a terrível “globalização da indiferença”, apontada pelo Papa como um grande mal deste tempo.

Este Natal merece ecoar como voz forte nos corações pela singularidade de ser celebrado no horizonte da misericórdia. Francisco acentua que com o Jubileu da Misericórdia quer “convidar a Igreja a rezar e trabalhar para que cada cristão possa maturar um coração humilde e compassivo, capaz de anunciar e testemunhar a misericórdia, de ‘perdoar e doar’, de abrir-se ‘àqueles que vivem nas mais variadas periferias existenciais, que muitas vezes o mundo contemporâneo cria de forma dramática’, sem cair ‘na indiferença que humilha, no hábito que anestesia o espírito e o impede de descobrir a novidade, no cinismo que destrói’”. O Natal é, pois, o compromisso sério e inarredável de todo aquele que crê em Cristo garantir que onde houver cristãos haverá um oásis de misericórdia.

Quando cada pessoa assumir o compromisso de cultivar um coração misericordioso será então possível avançar na conquista efetiva da paz. O programa de vida de quem quer contribuir com a construção de um mundo pacífico inclui a compaixão e a solidariedade. Vive-se um tempo oportuno para cultivar esses valores, pois o Natal é a mais terna expressão da misericórdia de Deus, que vem ao nosso encontro. Pela coragem da experiência de cultivar a proximidade com outras pessoas é que se pode fazer do Natal fecunda celebração da paz.

Os pactos e acordos de representantes e dirigentes de nações, de grupos ou de segmentos variados da sociedade não substituirão jamais a inscrição da misericórdia como fundamento da aliança entre pessoas, com força para irmanar corações. Cultivada a misericórdia,nascerá um mundo pacífico. Deus oferece seu Filho Amado para que no Natal se celebre a paz.
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Santo Natal
Dom Alberto Taveira Corrêa
Arcebispo de Belém (PA)

Multiplicam-se os cumprimentos de Natal e Ano Novo, votos que expressam os melhores desejos e augúrios, nascidos daquela reserva de amor e sensibilidade plantada por Deus e nosso coração. Não são diferentes as palavras e os gestos que a Igreja quer levar a todos os homens e mulheres de boa vontade, amados do Senhor.

Um dos privilégios da vida do Bispo, pastor visível da Igreja, é o contato com pessoas e grupos diferentes, constatando os diversos modos de preparação para o Natal, em sua maior parte muito edificantes. Nesta semana, presidi a Santa Missa no Abrigo João Paulo II, em Marituba, nesta Arquidiocese de Belém. Este Abrigo se localiza na antiga Colônia de Hansenianos, visitada por São João Paulo II quando veio a Belém. Ali, sacerdotes, religiosos e religiosas, médicos, funcionários e muitas pessoas envolvidas no acompanhamento dos irmãos e irmãs enfermos, dão testemunho da caridade vivida.

Para minha agradável surpresa, estava ali presente um casal que celebrou o Sacramento do Matrimônio há poucos dias, levando ao abrigo os presentes que constavam de sua lista de matrimônio. Aos amigos participantes da festa de casamento, pediram que qualquer presente fosse para o Abrigo João Paulo II! Gesto criativo, sinal de maturidade cristã, Natal acontecendo nos presentes que chegavam aos hansenianos.

Ao final da Missa, um interno do Abrigo, Jorge da Silva, assim se expressou numa linda e profunda mensagem de Natal, que faço minha, de coração:

“Maria, Maria... Não temas, Maria. Bendita foste tu aos olhos de Deus, pois conceberás e darás à luz um filho e o chamarás Jesus, o Salvador do mundo. Com estas palavras, chega ao ventre daquela simples mulher aquele que do mundo seria o Salvador, aquele que nasceria sob o fardo do capim, sob o olhar dos animais, mas traria em sua sina uma sentença já decretada, sofrer por mim, por você e por todos nós, sem escolher caminho ou estrada. Sua missão: semear a paz e a verdade, implantar o amor em cada coração, sem olhar defeito ou perfeição, pois todo o seu martírio por nós nos traria a salvação. Hoje comemoramos este nascimento com festas, banquetes, confraternizações. E suas dores, o martírio, que por nós passou, lembramo-nos de agradecer? Às vezes, sim, às vezes não, mas este Jesus hoje renasce em nossos corações, e a ele devemos a nossa salvação. Contudo, busquemos ser um pouco como ele neste Natal, semeando a paz, aprendendo a perdoar, estendendo as mãos aos sofridos, sem em recompensa pensar, pois a recompensa merecida, dos altos céus ele nos dará! Que este Natal seja para nós também um novo renascer, o renascer para uma nova vida sem ódio, sem mágoas, sem rancor. Que nossas mãos estejam sempre estendidas para amparar o pobre, o rico, o branco, o preto e o mendigo sofredor. Um feliz e abençoado Natal a toda a direção, funcionários e amigos do Abrigo João Paulo II. São os votos sinceros e todos os residentes”.

Não é difícil imaginar a emoção que tomou conta do meu coração e de todas as pessoas presentes. A beleza das faces, algumas machucadas pela enfermidade, mas todas enfeitadas com a graça de Deus, ofereceu o tom adequado para a o Natal antecipado! Sabedoria pura é saber que o Natal não é uma fábrica de ilusões, pois o Filho de Deus que veio até nós e assumiu nossa carne veio para dar a sua vida. Um hanseniano corajoso e poético ao mesmo tempo transita entre as palavras salvação, martírio, paz, vida, com mais coragem e liberdade do que muitas vezes somos capazes. O apelo pungente é a buscarmos ser parecidos como Jesus, semeando paz, aprendendo a perdoar, nova vida, sem ódio, sem mágoas. O espaço em que estas palavras ressoavam poderia ser apenas de dor, mas eram de esperança e de partilha, alegria incontida de quem sabe o que é Natal!

Ali, o convite à partilha generosa de recém-casados capazes de dar e não guardar presentes era um espetáculo discreto, silencioso e eloquente. Vale o apelo a que o Natal que celebramos seja de verdade a festa do amor, da verdade, partilha sincera, gestos de amor que se espalhem por toda parte. Nós cristãos temos o dever de testemunhar a grandeza da bondade de Deus que apareceu entre nós. O mundo sedento de amor misericordioso tem o direito à nossa resposta corajosa e sincera.

Celebramos o Natal do Jubileu da Misericórdia, proclamado pelo Papa Francisco e celebrado em toda a Igreja. Alegra-nos saber que muitas pessoas já estão bebendo na fonte da misericórdia, o Sacramento da Penitência, a magnífica efusão do perdão, oferecido por Deus a todos os que o buscam. As muitas portas santas, abertas das catedrais aos santuários, dos leitos dos enfermos às celas das prisões, e os muitos jubileus a serem celebrados nos próximos meses, sejam para todos sinal do amor de Deus. Afinal, ele nos ama de verdade!

Aproxima-se o ano novo de 2016. Nele, recebemos o convite do Papa a praticar justamente as obras de misericórdia, presentes que daremos especialmente aos mais sofredores: "As obras de misericórdia são as ações caridosas pelas quais vamos em ajuda do nosso próximo, nas suas necessidades corporais e espirituais. Instruir, aconselhar, consolar, confortar, são obras de misericórdia espirituais, como perdoar e suportar com paciência. As obras de misericórdia corporais consistem nomeadamente em dar de comer a quem tem fome, albergar quem não tem teto, vestir os nus, visitar os doentes e os presos, sepultar os mortos. Entre estes gestos, a esmola dada aos pobres é um dos principais testemunhos da caridade fraterna e também uma prática de justiça que agrada a Deus." (Catecismo da Igreja Católica 2447)

Desejo a todas as pessoas que compartilham com a Igreja o sonho da paz na terra e para alcançá-la querem dar glória a Deus nas alturas, que este seja Natal de Fé, celebrado na Igreja e na Família.
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Natal: a ternura de Deus nos abraça!
Dom Canísio Klaus
Bispo de Santa Cruz do Sul (RS)


Dentro de mais alguns dias, os sinos das igrejas estarão anunciando o nascimento do menino Jesus. Dessa forma irão repetir o anúncio feito pelo anjo do Senhor na noite do nascimento do filho de Maria, numa pequena gruta nos arredores de Belém: “Trago para vocês uma alegre notícia: hoje, na cidade de Davi, nasceu para vós o Salvador, que é o Cristo Senhor” (Lc 2,10-11).

Na preparação para o Natal, em sintonia com o Ano Santo do Jubileu Extraordinário da Misericórdia, fomos motivados a nos deixarmos tocar pela ternura de Deus que deseja nos abraçar. Esta ternura se manifestou na visita do anjo a Maria e na visita de Maria a Isabel. E se manifestou, sobretudo, no nascimento do Menino Jesus, através dos atos da sua vida terrena e no momento em que, pregado na cruz, rezou: “Pai perdoa-lhes, eles não sabem o que fazem!” (Lc 23,34).

Com as missas de Natal, a Igreja no Brasil também dará por encerrado o Ano da Paz. No dizer do nosso Papa, “as muitas luzes, enfeites, árvores luminosas e até presépios, são pura maquiagem se não vierem acompanhadas de gestos e atitudes de paz”. Por isso, renovo o convite a aproveitarmos as festividades do Natal para promovermos a paz na família, na comunidade e também na sociedade. Deixemo-nos tocar pelo canto da paz entoado pelos anjos na noite do nascimento de Jesus: “Glória a Deus no mais alto dos céus, e na terra, paz aos que são do seu agrado” (Lc 2,14).

Uma das condições da paz é o perdão. Por isso, é impossível celebrar o Natal quando se tem ódio no coração ou se não formos capazes de perdoar aos que nos magoaram. Diz o Papa que “o perdão das ofensas é um imperativo de que não podemos prescindir”. E, mais: “deixar de lado o ressentimento, a raiva, a violência e a vingança são condições necessárias para se viver feliz”.

Aproveitemos os dias do Natal para celebrar nas comunidades e confraternizar nas famílias. Não nos aconteça em deixar passar os dias do Natal sem celebrarmos com a comunidade. E, imbuídos do espírito do Sínodo dos Bispos sobre a Família, valorizemos a presença das pessoas idosas e das crianças nas comemorações do Natal em família. Não permitamos que nossos avós se sintam excluídos das comemorações natalinas. Também não permitamos que o Natal das crianças se reduza a presentes e brinquedos. Lembremos a elas que o personagem central do Natal é o menino Jesus e não o Papai Noel.

Aproveito, assim, a oportunidade que me é concedida para desejar a todos, homens e mulheres, jovens e crianças, idosos e doentes, um feliz e abençoado Natal. Que o menino Jesus, junto com Maria, a Mãe da Misericórdia, a todos abençoe e proteja. Feliz Natal!
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Com a imaculada, esperar o natal
Dom Leomar Brustolin
Bispo Auxiliar de Porto Alegre (RS)


No final de ano, as pessoas pensam e se ocupam com os preparativos do próximo Natal. Para a Igreja, este é o Tempo do Advento, no qual se espera a chegada de Alguém: o Cristo. Sinais, símbolos e figuras bíblicas marcam essa espera. Nesse contexto está, de forma especial, a Virgem Maria, a mãe de Jesus. Sua presença educa o olhar do cristão para além das coisas que passam. Ela inspira uma nova perspectiva para o Natal. A cada ano, no dia 8 de dezembro, a celebração da Imaculada Conceição suscita um renovado interesse pela Vinda de Cristo. Imaculada significa sem mácula, isto é, sem mancha. A fé cristã proclama que a Mãe de Jesus foi preservada de toda mancha do pecado. Ela nasceu livre do pecado original que marca a vida de todo ser humano que vem a este mundo.

O Cristo preparou uma mãe que fosse digna dele, por isso preservou Maria de todo pecado. Tal privilégio, entretanto, não faz de Maria uma mulher distante da experiência humana. Ser livre do pecado não faz de Maria uma mulher alienada ou passiva diante da presença do mal no mundo, diante da violência da sociedade de seu tempo, diante do pecado que escraviza tanta gente. Maria é Imaculada para gerar aquele que tira o pecado do mundo. Sua participação nesse mistério é total. De sua carne e de seu sangue, nasce o Filho de Deus que é também filho de Maria. Ele é igual a nós em tudo, exceto no pecado. Ele veio porque a humanidade precisava, e ainda precisa, de um Salvador, de alguém que devolva a beleza original da vida humana.

Pecar é falhar no projeto da vida, é distrair-se da meta, é colocar-se no centro do mundo e não buscar o sentido mais profundo da vida humana: a fraternidade em torno do único Pai. Pecar é desviar o olhar, o coração, as mãos e os pés do seguimento de Jesus Cristo. É trocar a força da presença pela compra de presentes. É pensar mais em si, do que se encontrar no outro. É absolutizar o relativo, e banalizar o eterno. É preferir mais os instantes do que a plenitude, é fixar-se demais no provisório e desistir de buscar o Inefável.

Por isso Cristo veio ao mundo, para dizer que o Natal só tem sentido quando o ser humano é capaz de ver o que tem de mais belo no outro. Superando todo fechamento, o ser humano abre-se até as potências infinitas de Deus.

Dessa realidade plena, Maria é mãe e mestra. Ela viveu em um mundo marcado por contradições e dificuldades. Mas sua grandeza estava na humildade de sua experiência. Aquela Menina de Nazaré, que viveu num lugar simples e pequeno, tornou-se a mulher que todas as gerações cantam e louvam. Ela carregou em seu ventre o Menino Deus, seu corpo foi o primeiro sacrário da história, sua carne tornou-se carne de Jesus, seu olhar de mãe velou o sono daquele que tudo governa. O criador se fez criança nos braços dessa grande e humilde mulher.

Celebrar a Imaculada, às vésperas do Natal, é contemplar a Virgem de Nazaré grávida do Menino Deus, grávida de todas as esperanças de uma humanidade livre do mal e do pecado. Maria carrega o Salvador no ventre e nos braços. A humanidade precisa, mais uma vez, neste final de ano, deixar-se envolver por essa ternura da Mãe de Deus. Não podemos nos distrair. Não há crise, provação ou dificuldade que possa roubar a esperança de quem se encontrou com Jesus Cristo. Com a Imaculada, é preciso proclamar que o Natal é tempo de fazer brilhar o que há de mais belo no ser humano: a capacidade de amar e ser amado. Esse amor só pode ter uma fonte: Deus!

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A Imaculada Conceição
Dom Fernando Arêas Rifan
Bispo da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney


Hoje celebramos a solenidade da Imaculada Conceição de Nossa Senhora, ou seja, honramos o privilégio singular concedido por Deus à Virgem Maria preservando-a da herança do pecado original, por ter sido a escolhida para a Mãe do Filho de Deus encarnado. Por ser um importante dogma da nossa Fé, tem uma comemoração especialíssima no calendário católico.

A doutrina do pecado original foi bem explicada por São Paulo: “Por meio de um só homem o pecado entrou no mundo,...” (Rm 5,12). “Pela desobediência de um só homem, todos se tornaram pecadores” (Rm 5,19). E chegamos à doutrina da Redenção, também ensinada pelo Apóstolo: “Assim como da falta de um só resultou a condenação de todos os homens, assim também da obra de justiça de um só (Cristo), resultou para todos os homens a justificação que traz a vida” (Rm 5,18).

Este pecado original, em Adão uma falta voluntária, nos outros homens se constitui na privação da graça divina, que havia sido concedida a toda a humanidade na pessoa do primeiro homem. A graça, por ele perdida para si e para todos os seus descendentes, foi recuperada pelo segundo Adão, Jesus Cristo, pela sua Redenção, que nos alcança através do Batismo.

Ora, Deus havia prometido, no momento do pecado de Adão, que uma mulher com o seu filho, o futuro Salvador, venceria completamente o demônio. Não teria, pois, nenhum pecado. Não teria, em nenhum instante, a menor privação da graça divina.

Por isso, essa mulher especial, Maria, escolhida para a Mãe do Redentor, foi saudada pelo Anjo mensageiro de Deus com as palavras: “Ave, ó cheia de graça..., bendita entre as mulheres”, portanto, sem pecado. A Redenção de Cristo a atingiu, de modo preventivo, preservando-a, por privilégio único, do pecado que atinge a todos os homens.

É esse, pois, o dogma da Imaculada Conceição, que celebramos: Maria, desde a sua concepção, por singular graça e privilégio de Deus onipotente, em vista dos méritos de Jesus Cristo, Salvador do gênero humano, foi preservada de toda mancha do pecado original.

A Imaculada Conceição de Maria tem muito a ver com o Brasil. Em 1646, o Rei Dom João IV, reunido com as Cortes gerais do Reino, consagrou a Nossa Senhora da Conceição Portugal e todos os seus domínios, nos quais estava incluído o Brasil, ainda dependente da nação portuguesa. Em 1717, ocorreu a milagrosa pesca da Imagem de Nossa Senhora da Conceição, por três pescadores, imagem que começou logo a ser intitulada de “Nossa Senhora da Conceição Aparecida”, fonte de muitas bênçãos para a nossa pátria. Em 1904, a Imagem da Aparecida foi solenemente coroada, por mandado do Papa São Pio X, com uma coroa de ouro cravejada de 40 brilhantes que lhe fora oferecida pela Princesa Isabel. E em 1930, atendendo a uma solicitação do Episcopado Brasileiro, o Papa Pio XI declarou Nossa Senhora da Conceição Aparecida Padroeira Principal do Brasil, proclamação essa oficialmente ratificada pelo governo brasileiro da época.

Hoje, de modo especial, quando o Papa Francisco abre a Porta Santa e inaugura o Ano Jubilar da Misericórdia, saudamos nossa Rainha Imaculada como Mãe de Misericórdia, vida, doçura e esperança nossa. Salve!
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O SILÊNCIO NA MISSA
Silenciar-se diante do Sagrado é atitude comum a muitas experiências religiosas, inclusive no Cristianismo, e necessária no Catolicismo Romano. Entre nós, a experiência do silêncio brota do exemplo e das palavras de Nosso Senhor Jesus Cristo: “Depois de despedir as multidões, Jesus subiu à montanha, a sós, para orar. Anoiteceu, e Jesus continuava lá, sozinho”(Mt 14, 23); “Tu, porém, quando orares, entra no teu quarto, fecha a porta e ora ao teu Pai que está no escondido. E o teu Pai, que vê no escondido, te dará a recompensa” (Mt 5, 6).

Na oração cristã católica o silêncio é parte integrante, indispensável. A oração silenciosa, contemplativa, sem dúvida alguma, é uma nobre forma de rezar. Jesus nos aconselha: “Quando orardes, não useis de muitas palavras, como fazem os pagãos. Eles pensam que serão ouvidos por força das muitas palavras. Não sejais como eles, pois o vosso Pai sabe do que precisais, antes de vós o pedirdes”(Mt 5, 7).

A celebração da Santa Missa, com a presença de várias ou muitas pessoas, tem momentos de silêncio que ajudam na oração. Na práxis diária das paróquias e comunidades, é preciso redescobrir estes momentos e valorizá-los como meios adequados que ajudam a rezar bem, contribuindo para um diálogo eficaz com o Pai.

A celebração da Santa Missa deve ser precedida por um tempo razoável de silêncio sagrado. Para que isto se torne possível, é preciso que nos trinta minutos que precedem a Celebração Eucarística seja garantido aos fiéis as condições necessárias para este silêncio. O teste dos microfones, a afinação dos instrumentos musicais e ensaio dos cantos, a preparação do presbitério, e outras providências, devem ser realizadas com maior antecedência. Este silêncio e espaço adequado para tal é um direito do fiel orante e condição para uma efetiva participação na Ceia do Senhor.

Em algumas paróquias e comunidades tem-se o saudável costume de rezar o rosário ou uma parte da Liturgia das Horas, Laudes ou Vésperas, ou outra, antes da Santa Missa. Este é um hábito louvável e não deve ser supresso. Neste caso, estas orações, substituem o silêncio, preparando o fiel orante para a celebração da Santa Missa.

Um momento de silêncio é parte integrante do ato penitencial, precede a oração de súplica de perdão dos pecados, após o convite do sacerdote à penitência. Este silêncio é uma oportunidade para o fiel, guiado pelo Espírito Santo, contemplar-se no espelho de sua alma e averiguar com contrição os seus pecados, colocando-se humildemente diante de Deus para receber a absolvição sacerdotal.

A “oração de coleta”, que conclui os ritos iniciais e antecede a Liturgia da Palavra, é precedida por um tempo de oração silenciosa, momento oportuno para que o fiel orante recolha do seu coração, e deixe elevar ao céu, as intenções e motivações que trás consigo para a celebração da Santa Missa.

“Após as leituras, é aconselhável um momento de silêncio para meditação.” O mesmo silêncio pode ser oportuno ocorrer após a homilia. É a hora de deixar a Palavra de Deus encontrar espaço no terreno fértil do coração e da mente do fiel orante, transformando-se em oração.

Após a comunhão eucarística, “é aconselhável guardar um momento de silêncio (...)”. Tendo o fiel orante comungado o Corpo e ou o Sangue de Nosso Senhor Jesus Cristo, é o espaço singular de uma oração de ação de graças. Caso não ocorra neste momento, ele deve ser realizado antes da “oração depois da comunhão”, depois do convite do sacerdote, “Oremos”.

Após os ritos finais, bênção e despedida, o fiel orante poderia realizar uns instantes de oração silenciosa. Para que isto aconteça, é preciso que se crie o ambiente oportuno, devendo o sacristão e as outras pessoas envolvidas na organização da liturgia, aguardar um tempo para recolherem os objetos sacros, os instrumentos musicais e outros usados durante a celebração.

Como verificamos, na celebração da Santa Missa fomos perdendo, menosprezando ou ignorando estes momentos próprios de silêncio, o que interfere na harmonia da Celebração Eucarística e que de alguma forma desfigura o modo católico romano de celebrá-la. Vamos redescobrir e valorizar o silêncio na Santa Missa, nos momentos apropriados e recomendados. Assim rezaremos melhor.

+ Tomé Ferreira da Silva.
Bispo Diocesano de São José do Rio Preto/SP
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Nossa Senhora Aparecida, Mãe da Misericórdia
Nossa Senhora Aparecida, Mãe da Misericórdia A mãe de Jesus e nossa, merece ser honrada como Mãe da Misericórdia e Mãe de Misericórdia, porque experimenta e gera a Misericórdia. Maria está desde a sua concepção envolta na misericórdia infinita (preservada do pecado original), ao mesmo tempo em que o seu agir está assinalado pelo amor efetivo aos seres humanos, especialmente pelos pecadores e sofredores. Maria é a pessoa que conhece mais a fundo o mistério da misericórdia divina. A invocação “Salve Rainha, Mãe de misericórdia”, destaca a qualidade do olhar materno de Maria: “esses vossos olhos misericordiosos a nós volvei”, e conclui com o sentido desta sua misericórdia: “ó clemente, ó piedosa, ó doce, Virgem Maria”.

A partir do seu “eis-me aqui” e o seu “faça-se” (Lc 1,28), a misericórdia divina se faz carne e entra na história. Ela é Mãe da divina graça porque é Mãe de Deus, autor da graça. Ela nos faz compreender que Deus por pura misericórdia nos dá muitas vezes além do necessário do que seria justiça nos conceder; nos mostra que Deus nos dá além dos nossos méritos. No Magnificat, Maria louva ao Pai Misericordioso: “a sua misericórdia se estende de geração em geração sobre aqueles que o temem”; “socorreu Israel, seu servo, lembrando-se de sua misericórdia” (Lc 1, 50.54).

A história de Nossa Senhora da Conceição Aparecia, a Padroeira do Brasil, começa em 1717 como prova concreta da misericórdia divina. Época do Brasil colonial, que estava dividido pelo “muro vergonhoso da escravatura”. Os escravos eram constantemente castigados, geralmente com açoites, a punição mais comum no Brasil Colônia. Além da escravidão, não havia liberdade política e econômica, o que impedia o crescimento do pais. Mostrando-se solidário a todos esses sofrimentos, “Nossa Senhora Aparecida se apresenta com a face negra, primeiro dividida, mas depois unida nas mãos dos pescadores”. A imagem da Imaculada Conceição encontrada, primeiro o corpo e depois a cabeça, tornou-se uma unidade de corpo e cabeça, o prenúncio da soberania, da Independência do Brasil, que seria conquistada em 7 de setembro de 1822.

A devoção mariana, vivida no horizonte da centralidade de Jesus Cristo e do Reino de Deus, é legítima e saudável. Deve ser respeitada e estimulada, para que a mãe de Jesus molde nosso coração de discípulos e missionários de Cristo, levando-nos a viver autenticamente o mistério de amor e misericórdia em nossos tempos.

Padre Gilmar Antônio Fernandes Margotto
Paróquia Nossa Senhora Aparecida
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Fim da História
Dom Paulo Mendes Peixoto
Arcebispo de Uberaba (MG)


Inúmeros acontecimentos da atualidade dão a impressão de que estamos tocando no final dos tempos. Muitas pessoas dizem que estamos chegando ao fim do mundo, que deveria coincidir também com o fim da história, quando não haverá mais contagem das horas. Será que caminhamos para a falência total, para a destruição de tudo que existe, caindo num total vazio e no caos?

A natureza realmente vem sendo agredida. Ela tem que “fazer milagre” para se sobreviver e dar possibilidade de vida. Os seres vivos, isto é, as pessoas, destinatárias de todos os bens da criação, vão sendo encurraladas pela violência, poluição, agrotóxicos, apartamentos cada vez mais cubículos, exploração econômica, desemprego e uma série de outros sofrimentos e limites.

A sensação realmente é de uma realidade preocupante. As pessoas são ameaçadas por todos os lados. Não só ameaça física, mas também psicológica, social e espiritual. Ricos e pobres são reféns de situações indesejáveis, minando a esperança de um futuro feliz. Com isto, muitos perdem o rumo, se desesperam e acabam eliminando a própria vida.

Acontece que não nos damos conta de que é Deus quem dirige a história. Ele capacita todas as pessoas de condições necessárias para enfrentar as realidades negativas que encontram. Mas elas passam, têm o seu fim, e a história continua. Os sofrimentos, que marcam o tempo final, não são a conclusão de tudo. São, sim, as marcas da história, que muda, mas continua.

Não é fácil interpretar os sinais dos tempos, mesmo que eles sejam bem evidentes e com aparência de fim do mundo. Depende de uma sabedoria divina para direcionar o pensamento para realidades de esperança e provocadora de vigilância. As catástrofes das mineradoras, matando muita gente, não significa fim, mas exploração irresponsável e injusta.

A história não tem sido lida a partir da Palavra de Deus. Os critérios têm acontecido de forma, apenas, humana. Por isto sofremos as consequências desastrosas, que ceifam a vida de muitas pessoas. Alguma coisa de sobrenatural está sendo colocada no ostracismo, desrespeitando a justiça divina.
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Nossa Senhora Aparecida, mãe da misericórdia - Padre Gilmar
A mãe de Jesus e nossa, merece ser honrada como Mãe da Misericórdia e Mãe de Misericórdia, porque experimenta e gera a Misericórdia. Maria está desde a sua concepção envolta na misericórdia infinita (preservada do pecado original), ao mesmo tempo em que o seu agir está assinalado pelo amor efetivo aos seres humanos, especialmente pelos pecadores e sofredores. Maria é a pessoa que conhece mais a fundo o mistério da misericórdia divina. A invocação “Salve Rainha, Mãe de misericórdia”, destaca a qualidade do olhar materno de Maria: “esses vossos olhos misericordiosos a nós volvei”, e conclui com o sentido desta sua misericórdia: “ó clemente, ó piedosa, ó doce, Virgem Maria”.

A partir do seu “eis-me aqui” e o seu “faça-se” (Lc 1,28), a misericórdia divina se faz carne e entra na história. Ela é Mãe da divina graça porque é Mãe de Deus, autor da graça. Ela nos faz compreender que Deus por pura misericórdia nos dá muitas vezes além do necessário do que seria justiça nos conceder; nos mostra que Deus nos dá além dos nossos méritos. No Magnificat, Maria louva ao Pai Misericordioso: “a sua misericórdia se estende de geração em geração sobre aqueles que o temem”; “socorreu Israel, seu servo, lembrando-se de sua misericórdia” (Lc 1, 50.54).

A história de Nossa Senhora da Conceição Aparecia, a Padroeira do Brasil, começa em 1717 como prova concreta da misericórdia divina. Época do Brasil colonial, que estava dividido pelo “muro vergonhoso da escravatura”. Os escravos eram constantemente castigados, geralmente com açoites, a punição mais comum no Brasil Colônia. Além da escravidão, não havia liberdade política e econômica, o que impedia o crescimento do pais. Mostrando-se solidário a todos esses sofrimentos, “Nossa Senhora Aparecida se apresenta com a face negra, primeiro dividida, mas depois unida nas mãos dos pescadores”. A imagem da Imaculada Conceição encontrada, primeiro o corpo e depois a cabeça, tornou-se uma unidade de corpo e cabeça, o prenúncio da soberania, da Independência do Brasil, que seria conquistada em 7 de setembro de 1822.

A devoção mariana, vivida no horizonte da centralidade de Jesus Cristo e do Reino de Deus, é legítima e saudável. Deve ser respeitada e estimulada, para que a mãe de Jesus molde nosso coração de discípulos e missionários de Cristo, levando-nos a viver autenticamente o mistério de amor e misericórdia em nossos tempos. Padre Gilmar Antônio Fernandes Margotto

Paróquia Nossa Senhora Aparecida Votuporanga
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O dia do nascituro
Dom Fernando Arêas Rifan
Bispo da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney


Por determinação da 43ª Assembleia Geral dos Bispos do Brasil, em 2005, celebra-se, em todo o Brasil, de 1 a 8 de outubro, a Semana Nacional da Vida e no dia 8 de outubro o Dia do Nascituro, ou seja, o Dia pelo direito de nascer. “A Semana Nacional da Vida e o Dia do Nascituro são ocasiões para que toda a Igreja continue afirmando sua posição favorável à vida desde o seio materno até o seu fim natural, bem como a dignidade da mulher e a proteção das crianças” (Dom Leonardo Ulrich Steiner, secretário geral da CNBB). Uma data esquecida, mas que vale a pena recordar. Nascituro, o que está para nascer, é o que todos fomos um dia, no útero de nossa mãe, onde teve início nossa existência, graças a Deus.

Foi escolhido o dia 8 de outubro, por ser próximo ao dia em que se celebra a Padroeira do Brasil (12 de outubro), cujo título, ao evocar a concepção, lembra o fruto correspondente: Nossa Senhora da Conceição Aparecida, Mãe de Deus que se fez homem, Jesus Cristo, nascituro em seu seio, que faz João Batista exultar de alegria no ventre de Isabel (Lc 1,39-45).

A propósito, diante da atual banalização da vida e de opiniões favoráveis ao aborto, defendido por inúmeras pessoas influentes, é importante lembrar que a Igreja compreende as situações difíceis que levam mães a abortar, mas, por uma questão de princípios, defende com firmeza a vida do nascituro, como bem nos ensina S. João Paulo II na Carta Encíclica "Evangelium Vitae" (Sobre Valor e a Inviolabilidade da Vida Humana): “É verdade que, muitas vezes, a opção de abortar reveste para a mãe um caráter dramático e doloroso: a decisão de se desfazer do fruto concebido não é tomada por razões puramente egoístas ou de comodidade, mas porque se quereriam salvaguardar alguns bens importantes como a própria saúde ou um nível de vida digno para os outros membros da família. Às vezes, temem-se para o nascituro condições de existência tais que levam a pensar que seria melhor para ele não nascer. Mas essas e outras razões semelhantes, por mais graves e dramáticas que sejam, nunca podem justificar a supressão deliberada de um ser humano inocente” (n. 58). E, usando da prerrogativa da infalibilidade, o Papa define: “Com a autoridade que Cristo conferiu a Pedro e aos seus sucessores, em comunhão com os Bispos – que de várias e repetidas formas condenaram o aborto e que... apesar de dispersos pelo mundo, afirmaram unânime consenso sobre esta doutrina - declaro que o aborto direto, isto é, querido como fim ou como meio, constitui sempre uma desordem moral grave, enquanto morte deliberada de um ser humano inocente. Tal doutrina está fundada sobre a lei natural e sobre a Palavra de Deus escrita, é transmitida pela tradição da Igreja e ensinada pelo Magistério ordinário e universal” (n. 62).

Agradeçamos ao Criador pelo dom da vida que nos deu, e renovemos o nosso compromisso de lutar pela vida daqueles que, como nós fomos também, ainda não têm voz, mas que são chamados a um dia agradecerem a Deus por tão grande dom. Lutemos pela vida, contra o aborto.
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Promotores da Paz e cuidadores da Criação
Dom Canísio Klaus
Bispo de Santa Cruz do Sul (RS)


Dentro das programações do Ano da Paz, a CNBB propõe que as dioceses aproveitem as comemorações de São Francisco de Assis, no dia 04 de outubro, para promoverem caminhadas pela paz. Na nossa diocese fizemos esta caminhada na Romaria da Santa Cruz no dia 13 de setembro. Para este final de semana, sugerimos que as paróquias voltem a rezar a oração da paz atribuída a São Francisco de Assis, que foi também a oração da nossa Romaria Diocesana. Onde houver possibilidade, as paróquias também poderão fazer caminhadas ou manifestações pela paz.

As comemorações de São Francisco de Assis sugerem dois temas vitais para a humanidade no atual contexto da história. Refiro-me aos temas da paz e da ecologia.

Com seu jeito de ser e sua pregação, São Francisco entrou para a história como personagem central quando o assunto é “paz”. Foi este o sentimento que motivou centenas de lideres religiosos do mundo a se unirem em oração, na cidade de Assis, Itália, em 1986, 1993, 2002 e 2011, atendendo o convite, respectivamente de São João Paulo II e Bento XVI. A preocupação das igrejas cristãs e das outras grandes religiões da humanidade encontra um ponto de convergência em São Francisco de Assis, que pedia: “Senhor, fazei de mim um instrumento de vossa paz”. Cada uma das religiões, a seu modo, é convidada a ser instrumento de paz. O mesmo convite é feito a cada ser humano que professa a fé em Deus.

Além do tema da paz, o Santo de Assis também é referência quando o assunto é ecologia. Justamente por isso ele é invocado como patrono daqueles que se empenham na defesa do meio ambiente, particularmente da natureza e dos animais. Ao se referir a ele na encíclica Laudato Si, o Papa Francisco diz que “nele se nota até que ponto são inseparáveis a preocupação pela natureza, a justiça para com os pobres e a paz interior”. Sempre que olhava para o sol, a lua ou os minúsculos animais, São Francisco cantava, “envolvendo no seu louvor todas as criaturas”. Para ele, “qualquer criatura era uma irmã, unida a ele por laços de carinho. Por isso, sentia-se chamado a cuidar de tudo o que existe” (LS, n. 11).

Aproveitemos a oportunidade que nos é oferecida com as comemorações de São Francisco de Assis para rezar pela paz e tomar atitudes que a promovam. Empenhemo-nos para que o ódio dê lugar ao amor, a ofensa dê lugar ao perdão, a discórdia dê lugar à união e a perseguição religiosa seja erradicada para sempre entre os povos. Aproveitemos também para rezar pelo fortalecimento da consciência ambiental entre os povos, para que a nossa casa comum seja tratada com o respeito que ela merece.

Com o Papa Francisco, peçamos: “Curai a nossa vida, para que protejamos o mundo e não o depredemos, para que semeemos beleza e não poluição nem destruição”.
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Instituição familiar
Dom Paulo Mendes Peixoto
Arcebispo de Uberaba


Tem sido muito difícil entender os rumos da cultura dentro da chamada “mudança de época”. No cenário visualizado dos últimos tempos, conseguimos ver, com muita facilidade, a crise de valores. Ficamos até nos interrogando se o que víamos como valor, era realmente valor. Onde está o erro, no passado, ou no presente. Nem sei se isto pode ser medido a partir das consequências apresentadas!

A família foi sempre compreendida como um grande valor. Ela, sem dúvida nenhuma, deixou um legado muito importante para a sociedade do passado. Será que podemos dizer o mesmo nos dias de hoje? Existe a tentativa da formatação de novos valores familiares, provocando grandes crises, que afetam fortemente o itinerário social. Estamos passando da realidade para prática de ideologias.

Entendo que o amor familiar, conforme os ensinamentos do Evangelho, está desaparecendo. Ele deixou de ser verdadeiro, de comprometimento, e é praticado como ato de satisfação imediata e sem compromisso mútuo. O amor exige sacrifício e doação de vida de um para o outro. Deve crescer com o tempo e não cair no esvaziamento, provocando situações desagradáveis.

Alguns detalhes são fundamentais, isto é, valores que não podem faltar na instituição familiar: o diálogo, o respeito mútuo, a igualdade e a paz. Será que o individualismo, a cultura midiática e virtual têm permitido que esses valores sejam realmente valores para a família? Ou estamos num mundo de inversão de valores!

Pela natureza humana, ninguém existe para viver na solidão e nem numa situação abaixo dos animais. Também não estamos num contexto patriarcal familiar onde um manda mais do que outro, dificultando a convivência. Não pode haver submissão e nem desrespeito pela individualidade do outro. Há, sim, unidade na diferença, no diálogo e no discernimento.

Temos que saber entender os limites e os sofrimentos que acompanham o ser humano, mas encará-los com muita dignidade, deixando-nos conduzir na busca da perfeição. Certas facilidades são enganosas e fazem a pessoa perder a direção, o rumo e acaba terminando a vida de forma totalmente infeliz.

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Um sínodo, um pontificado
Dom Demétrio Valentini – Bispo de Jales

Neste domingo, 04 de outubro, dia de São Francisco, começa em Roma o aguardado Sínodo sobre a Família. Ele se prolongará até o dia 25 deste mês. Será seguido de perto, não só pela Igreja Católica, mas por muita gente que intuiu que este sínodo não se limitará a aprofundar um assunto, mas servirá de referência para a definição do pontificado do Papa Francisco.

De fato, vai ficando cada vez mais clara a estratégia do Papa. Com a realização de dois sínodos, um em seguida ao outro, as atenções são direcionadas para um assunto que em si mesmo é importante, mas que sobretudo serve de termômetro para medir a verdadeira postura da Igreja diante dos problemas que a humanidade vive hoje.

Neste sentido, a família é a realidade mais consistente que simboliza a humanidade inteira. Isto permite a afirmação mais categórica e mais abrangente do mistério salvífico que somos chamados a professar.

Se a realidade da família representa bem a complexa existência humana, podemos fazer a grande afirmação que resume nossa convicção cristã, e nos coloca numa perspectiva ampla e inesgotável: Deus se compadeceu da família humana, e resolveu redimi-la, enviando-nos o seu Filho Único, que desencadeou sua ação salvadora começando por assumir uma família, e se inserindo através dela no contexto concreto da humanidade.

Assim, se buscássemos uma realidade representativa de toda a humanidade, não precisaríamos titubear: olhemos para a família, e nela iremos encontrar os desafios que a trajetória humana nos apresenta.

Esta prioridade que o Papa Francisco vai dando à família, não é aleatória. Vai emergindo hoje, em toda a sociedade, uma salutar preocupação pela situação da família. Talvez por ver quanto se tornou adverso hoje o ambiente para uma vivência familiar das pessoas, e quantos atropelos a família precisa enfrentar no contexto social e cultural de hoje.

Em todo o caso, concordamos facilmente que é dever do Papa sair em defesa da família, como ele fazendo de maneira exímia.

O que nem todos concordam é com a postura que o Papa Francisco propõe para uma ação concreta em defesa das famílias. Pois a insistência do Papa em abordar a questão familiar, tem por finalidade encontrar ações concretas que possam servir de apoio à família em meio dos problemas que hoje ela enfrenta. Sua preocupação, portanto, é de ordem pastoral. Consiste em encontrar meios concretos de apoiar as famílias, para fortalecer uma verdadeira “pastoral familiar”.

Neste breve tempo de pontificado, com seus gestos e suas palavras, o Papa Francisco conseguiu assinalar com muita clareza uma insistência que já se constituiu na marca definitiva do seu pontificado. Ele propõe a misericórdia como fonte inspiradora de toda a atitude da Igreja diante da família, e como inspiração do relacionamento cotidiano com as pessoas.

Neste sentido, é muito significativa a decisão do Papa em convocar um “Jubileu Extraordinário da Misericórdia”, a se iniciar justo no dia em que a Igreja conclui a celebração dos 50 anos do encerramento do Concílio, no dia 08 de dezembro. Como a dizer que, agora, o caminho concreto para colocar em prática a renovação eclesial proposta pelo Concílio, será a atitude de misericórdia, pela qual se torna possível superar os impasses existenciais do convívio humano.

O Pontificado do Papa Francisco ficará na história com a marca registrada da misericórdia.
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Ideologia de Gênero, um dogma perverso
Dom Eduardo Benes de Sales Rodrigues
Arcebispo de Sorocaba (SP)


Os textos abaixo traduzem o que pensa o “feminismo de gênero” sobre as religiões e, em especial, sobre o cristianismo. Como desdobramento do feminismo de gênero surgiu a “teoria queer” que ensina ser “a orientação sexual e a identidade sexual ou de gênero dos indivíduos o resultado de um construto social e que, portanto, não existem papeis sexuais essencial ou biologicamente inscritos na natureza humana, antes formas socialmente variáveis de desempenhar um ou vários papéis sexuais.” Tanto o feminismo de gênero como a “teoria queer” se opõem ferozmente ao cristianismo.

“O feminismo não existe de um lado e a ‘teoria queer’ de outro, afirma a filósofa Judith Butler. Para ela não existem limites de lutas nem de esforços teóricos entre eles”.

“Vale ressaltar que para o “feminismo de gênero”, a religião é uma invenção humana e as principais religiões foram inventadas por homens para oprimir as mulheres. Por isso, as feministas radicais postulam a re-imagem de Deus como Sophia: A sabedoria feminina.” Nesse sentido, as “teólogas do feminismo de gênero” propõem descobrir e adorar não a Deus, mas a Deusa. Por exemplo, Carol Christ, que se autodenomina “teóloga feminista de gênero” afirma o seguinte:

“Uma mulher que se faça eco à declaração dramática de Ntosake Shange:” ´Encontrei a Deus em mim mesma e o amei ferozmente’ está dizendo: O poder feminino é forte e criativo´, está afirmando que o princípio divino, o poder salvador e sustentador, está nela mesma e já não mais verá o homem ou a figura masculina como um salvador”. (Carol Christ, Womanspirit Rising).

Um vídeo promovendo o Fórum das ONGs sobre a Conferência de Pequim, produzido por Judith Lasch diz:

“Nada tem feito mais para constranger a mulher que os credos e ensinamentos religiosos”.

Igualmente estranhas são as palavras de Elisabeth Schussler Fiorenza, outra “teóloga feminista de gênero” que nega radicalmente a possibilidade da Revelação, como lemos na seguinte citação:

“Os textos bíblicos não são a revelação de inspiração verbal nem de princípios doutrinais, mas formulações históricas. Da mesma forma, a teoria feminista insiste em que todos os textos são produto de uma cultura e historia patriarcal e androcêntrica”. (Elisabeth Schussler Fiorenza, In Memory of Her, Crossroad, New York, 1987).

Além disso, Joanne Carlson Brown e Carole R. Bohn, também teólogas autointituladas “escola feminista de gênero” atacam diretamente o Cristianismo como propulsor do abuso infantil:

“O cristianismo é uma teologia abusiva que glorifica o sofrimento. É possível assombrar-se que haja muito abuso na sociedade moderna, quando a imagem teológica dominante da cultura é ‘abuso divino do filho’ de Deus Pai que exige e efetua o sofrimento e a morte de seu próprio filho? Se o Cristianismo é para ser libertador dos oprimidos, deve primeiro livrar-se dessa teologia”. (Joanne Carlson Brown and Carole R. Bohn, Christianity, Patriarchy, and Abuse: A Feminist Critique).

Portanto, os proprietários da “nova perspectiva” promovem o ataque frontal ao cristianismo e toda figura que o represente. Em 1994, Rhonde Copelon e Berta Esperanza Hernandez elaboraram um panfleto para uma série de sessões de trabalho da Conferência Internacional sobre População e Desenvolvimento no Cairo. O folheto atacava diretamente o Vaticano por opor-se à sua agenda que, entre outras coisas, inclui o “direito à saúde reprodutiva” e, consequentemente, o aborto.

“Este reclamar dos direitos humanos elementares está enfrentando a oposição de todos os tipos de fundamentalistas religiosos, com o Vaticano como um líder na organização de oposição religiosa à saúde e direitos reprodutivos, incluindo até os serviços de planejamento familiar”. (Rondhe Copelon y Berta Esperanza Hernández, Sexual and Reproductive Rights and Health as Human Rights: Concepts and Strategies; An Introduction for Activitists, Human).

Nada mais fundamentalista que o dogma da ideologia de gênero, esta, sim, um construto mental que pretende obrigar-nos a crer que “menino e menina” nada tem a ver com aquele corpo que vemos logo que nasce um bebê e que antes de nascer, segundo as feministas radicais, é propriedade da mulher, vítima duma concepção aborrecida.

O discípulo de Cristo será odiado ao se opor a essa perversa ideologia, pois ele sabe: “Eu vivo, mas já não sou eu; é Cristo que vive em mim. A minha vida presente, na carne, eu a vivo na fé no Filho de Deus, que me amou e se entregou por mim” (Gl 2,20).
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O Servo Sofredor
Dom Alberto Taveira Corrêa
Arcebispo de Belém


O conhecimento progressivo de Jesus provocou muitas interrogações no coração de seus discípulos. Até hoje as opiniões se dividem em torno dele, na contínua procura do relacionamento com Deus. Mesmo as pessoas que não professam a fé são de algum modo tocadas pela sua presença e pela força de suas palavras. Os primeiros discípulos do Senhor, homens simples, vindos do mundo do trabalho, com suas expectativas interiores tantas vezes confusas inclusive pelos limites da própria prática religiosa, tiveram que aprender, pouco a pouco, para superar a visão de um messias triunfalista e acolher o Senhor que era enviado pelo Pai, cujo itinerário passava pelo mistério da dor, sempre presente e sempre incompreensível.

Depois do contato com multidões que os cercavam, chega a hora da verdade, com crises que se sucederam, através das quais Jesus os conduz ao aprofundamento do ato de fé (Cf. Mc 8, 27-35). Para alguns, cuja opinião os próprios discípulos recolheram e levaram a Jesus, este era João Batista ressurgido, quem sabe, Elias, ou algum dos profetas. Hoje ele é considerado sábio, revolucionário, até escritor, sem ter redigido um livro sequer! Jesus é por muitos acolhido na beleza de suas palavras testemunhadas pelos Evangelhos, mas o que se seguiu a ele, a Igreja, nem sempre encontra aceitação, talvez por culpa dos próprios cristãos. Mas é fato que Jesus Cristo intriga a todos que dele ouvem falar ou que se aproximam para conhecê-lo de perto. Pedro, em nome de seus irmãos, marcado pela própria história de fragilidades e incertezas, mas corajoso para dar o primeiro passo, proclama a verdade da fé: “Tu és o Messias”. Ele é chamado Cristo, Filho do Deus Vivo, é reconhecido como Senhor, Salvador, aquele que devia vir ao mundo.

O processo vivido por Pedro é muito semelhante ao nosso. É bonito dizer que Jesus é o Senhor, mais exigente é ouvir o que ele tem a dizer, quando escancara o coração, quem sabe, animado pela prontidão da resposta de Pedro: “E começou a ensinar-lhes que era necessário o Filho do Homem sofrer muito, ser rejeitado pelos anciãos, sumos sacerdotes e escribas, ser morto e, depois de três dias, ressuscitar. Falava isso abertamente” (Mc 8, 31-32). Sofrimento, Cruz, incompreensões, perseguição e julgamento, enfermidades, incômodos de todo tipo, tudo fica à disposição de quem quiser! Não é necessário ser cristão para “topar” com estes muitos tropeços a cada dia. No entanto, justamente no mais profundo da experiência humana cotidiana, lá dentro do mistério da dor, é que Deus entra, dizendo que “é necessário”! É que você pode dar tantas coisas a Deus e ao próximo, começando de sua família, para chegar depois às situações mais dolorosas e absurdas desta terra. Só lá dentro da experiência da dor, quando, mais forte do que outras vozes, ressoa a voz de Deus e você consegue dizer sim, transformando a dor em amor. Ali, naquela que chamei “hora da verdade”, você se torna plenamente homem ou mulher, assume suas próprias responsabilidades, aceita não se apoiar nas muletas dos elogios ou do bom humor passageiro, numa palavra, amadurece! Você se transforma em discípulo verdadeiro, podendo repetir um dos cânticos do Servo Sofredor, e proclamar: “O Senhor Deus abriu-me os ouvidos, e eu não fiquei revoltado, para trás não andei. Apresentei as costas aos que me queriam bater, ofereci o queixo aos que me queriam arrancar a barba e nem desviei o rosto dos insultos e dos escarros. O Senhor Deus é o meu aliado por isso jamais ficarei derrotado, fico de rosto impassível, duro como pedra, porque sei que não vou me sentir um fracassado” (Is 50, 5-7).

Há opções a serem feitas pelo cristão diante dos desafios da vida. Vale começar pela disposição ao serviço. Aceitar ser servo, antes de pretender mandar em tudo e em todos, justamente num mundo que desgasta pela competição e pela corrida pelas primeiras posições, com os frutos que constatamos na crise em que nos encontramos. Ser servo significa tomar iniciativas de serviço e solidariedade, quando tudo mostra justamente o contrário, com pessoas que buscam a qualquer preço salvar a própria pele. Pedro, o apóstolo a que foi confiado o primado, quando Jesus começa a falar de cruz, assusta-se e precisa ser repreendido, por pensar as coisas de um modo tão humano que o afasta de Deus.

Chamar de Cruz, reconhecer a misteriosa presença do Senhor em todas as dificuldades, sem exceção, é ato da inteligência da fé de quem procura ver o rumo dos acontecimentos e não apenas o quadro limitado dos problemas, que parecem ser maiores do que nossa capacidade para enfrentá-los. Trata-se de não perder tempo, mas reconhecer sempre, logo e com alegria a presença misteriosa e fecunda de Jesus, na sua entrega até o abandono, experimentada na Cruz.

Diante da Cruz, descobri-la em seus dois sentidos, voltada para o alto e para a eternidade e aberta para acolher as outras pessoas. Dois amores devem se encontrar no coração de quem professa a fé cristã: amar a Deus com todas as forças, toda a inteligência e todo o afeto, amar o próximo com o amor que vem do próprio Deus, com a medida o amor de Cristo.

Estas escolhas exigentes foram expressas de modo profundo por Chiara Lubich, fundadora do Movimento dos Focolares, numa meditação, que tenho a alegria de compartilhar: “Tenho um só esposo sobre a terra: Jesus crucificado e abandonado. Não tenho outro Deus senão Ele. Nele está todo o paraíso com a Trindade e toda a terra com a humanidade. Por isso, o que é seu é meu e nada mais. Sua é a dor universal, portanto é minha. Sairei pelo mundo buscando-o em cada instante da minha vida. O que me faz mal é meu. Minha é a dor que me perpassa no presente. Minha, a dor das almas ao meu lado. Meu tudo aquilo que não é paz, gáudio, belo, amável, sereno... Assim, pelos anos que me restam, sedenta de dores, de angústias, de desesperos, de separações, de exílios, de abandonos, de dilacerações... de tudo aquilo que é Ele, e Ele é a dor. Assim, enxugarei a água da tribulação em muitos corações vizinhos e, pela comunhão com meu esposo onipotente, nos corações distantes. Passarei como fogo que consome tudo o que deve cair e deixa em pé somente a Verdade. Mas é preciso ser como ele, Ser ele no momento presente da vida”.
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Celeridade nos processos matrimoniais
Dom Orani João Tempesta
Arcebispo de São Sebastião (RJ)


A Sala de Imprensa da Santa Sé, no dia 08 de setembro, apresentou dois novos documentos pontifícios (Motu Proprio) que dizem respeito claramente aos processos de nulidade matrimonial.

As alterações constam nos dois documentos “Mitis Iudex Dominus Iesus” (Senhor Jesus, manso juiz) e “Mitis et misericors Iesus” (Jesus, manso e misericordioso), ele contém as indicações para a reforma do processo de declaração de nulidade matrimonial e alteram o Código de Direito Canônico promulgado em 1983 por São João Paulo II e o Código de Cânones das Igrejas Orientais promulgado pelo mesmo santo em 22 de fevereiro de 1991.

De uma leitura do documento eu me deterei no que se refere ao Código de Direito Canônico (ou seja para a Igreja Latina): depreende-se de que o Santo Padre Francisco quer valorizar o papel do Bispo Diocesano como o supremo juiz em sua Igreja Particular, conforme doutrina do Concílio Vaticano II. Em se tratando de causas matrimoniais, em que a demanda é sempre muito grande, a grande novidade agora é que o casamento, quando se chega a certeza moral de que este é nulo, poderá ser declarado apenas por uma só sentença favorável para a nulidade executiva. Até o presente momento eram necessárias duas sentenças conformes, ou seja, iguais de nulidade, de primeiro e de segundo grau, ou de primeiro e de terceiro grau ou de segundo e de terceiro grau. Agora não será mais necessária a decisão de dois tribunais. Com a certeza moral do primeiro juiz (colegial ou monocrático), o matrimônio será declarado nulo.

A grande inovação que o Santo Padre nos presenteou é na inovação de juízo único. O que significa isso? Significa que um Juiz, no caso o próprio Bispo Diocesano, ou outro delegado por este, que é a única autoridade judiciária dentro de sua Diocese, poderá chegar a certeza moral da nulidade matrimonial. O bispo diocesano, via de regra, delega o seu poder judiciário para o vigário judicial. Este é aquele que faz as suas vezes, e em matéria judicial, o vigário do bispo é o seu vigário judicial. No exercício pastoral da própria “autoridade judicial”, o Bispo deverá assegurar que não haja atenuações ou abrandamentos. Isso é para que o processo esteja sob a responsabilidade do Bispo facilitando a celeridade do andamento processual, em que o processo seja mais ágil, porque justiça retardada é justiça negada na Igreja e em todos os âmbitos judiciários.

O Motu Proprio diz que o processo poderá ser mais curto quando: “a proposta deve ser feita por ambos os cônjuges ou por um deles, com o consentimento do outro; ocorram circunstâncias de pessoas e pessoas, apoiadas por testemunhos ou documentos, que não necessitam de uma investigação ou instrução processual mais aprofundada, e torne manifesta a nulidade”. Trata-se de um processo rápido, célere, diferente do processo ordinário que continuará da mesma forma. Estão inclusos neste processo mais rápido, de acordo com o cân. 1683-1687 “Por exemplo: a falta de fé que pode gerar a simulação do consentimento ou o erro que determina a vontade, a brevidade da convivência conjugal, o aborto procurado para impedir a procriação, a obstinada permanência em uma relação extraconjugal no tempo das núpcias ou em um tempo imediatamente sucessivo, a ocultação dolosa da esterilidade ou de uma grave doença contagiosa ou de filhos nascidos de uma relação precedente ou de uma detenção, a causa do matrimônio totalmente estranha a vida conjugal ou consistente na gravidez imprevista da mulher, a violência física realizada para extorquir o consentimento, a falta de uso de razão comprovada por documentos médicos, etc”.

O próprio Motu Proprio expressa que o Bispo Diocesano pode delegar a ação judicial para o seu Vigário Judicial ou para os juízes do seu Tribunal.

Observamos que o Santo Padre realçou aquela letra conciliar em que diz que o próprio Bispo será o juiz em sua Igreja. Neste sentido cabe ao Bispo Diocesano dar o exemplo de “sinal de conversão nas estruturas eclesiásticas e não delegar à Cúria a função judicial no campo matrimonial”. As causas mais breves devem ser marcadas pelo desejo do Papa Francisco: que sejam céleres e rápidas, particularmente aquelas causas em que são evidentes os motivos de nulidade.

Uma inovação é o Tribunal de apelo ser o Tribunal da Sede Metropolitana, expediente este que facilitará a distribuição da Justiça e a sua celeridade processual. Como realçou o Papa Francisco este Tribunal Metropolitano é a eloquente manifestação de comunhão sinodal que deve haver entre os bispos sufragâneos e o seu metropolita.

Fiquei profundamente tocado com a dimensão da gratuidade dos processos quando, ressalvada a manutenção dos oficiais e serviços do tribunal eclesiástico, “seja assegurada a gratuidade dos procedimentos, para que a Igreja, mostrando-se aos fiéis mãe generosa, em matéria tão estritamente ligada à salvação das almas manifeste o amor gratuito de Cristo pelo qual todos fomos salvos”. Não podemos ficar reféns de processos morosos e dispendiosos. Porém isso não significa que todos os processos sejam gratuitos. Há custos que devem ser suportados por aqueles que podem pagá-los. E, mais óbvio ainda, que os Bispos devem buscar um modo justo de dar as côngruas aos oficiais dos Tribunais.

De tudo o que lemos e constatamos fica claro que será mantido os Tribunais de segunda instância. Haverá recurso quando for pedido pelo Defensor do Vínculo ou por uma das partes que se sentir prejudicada. Fica claro que o direito de apelo à Sé Apostólica é inalterável. Fica mantido o apelo à Rota Romana, no respeito do antigo princípio jurídico de vínculo entre a Sé de Pedro e as Igrejas particulares. Quando participei do Sínodo extraordinário para a família de outubro de 2014, o que mais se ouviu foram acalorados pedidos de “processos mais rápidos e acessíveis”. Nesse sentido o Sumo Pontífice redigiu o motu proprio com disposições que não favorecerão a “nulidade dos matrimônios”, mas sim a “celeridade dos processos”, para que, “por motivo da retardada definição de juízo, o coração dos fiéis que esperam a clareza do próprio estado não seja longamente oprimida pelas trevas da dúvida”. O motu proprio, então, como destaca o próprio Papa, coloca-se na linha dos seus Antecessores, estabelecendo que “as causas de nulidade do matrimônio fossem tratadas por via judiciária, e não administrativa, não porque o imponha a natureza da coisa, mas justamente o exija a necessidade de tutelar em maior grau a verdade do sagrado vínculo – sublinha o Papa – é exatamente assegurado pelas garantias da ordem judiciária”.

A Igreja não faz, não faz e não fará divórcios, tampouco anula matrimônios. A Igreja analisa, como mãe e mestra, se os casamentos celebrados de seus filhos são nulos ou não. É esta abertura, salutar, que queremos pedir o empenho de nosso Vigário Judicial e de seus colaboradores para que a distribuição da Justiça em nossa Arquidiocese, a começar pelo meu empenho pessoal, seja redobrada e célere em favor da salvação das almas.
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Sede praticantes da Palavra
Orani João, Cardeal Tempesta
Arcebispo de São Sebastião do Rio de Janeiro (RJ)


A palavra de Deus deste XXII Domingo chama atenção para o modo como o cristão é chamado a viver sua prática religiosa: com sinceridade diante de Deus, humildade e amor para com os outros, e não de forma legalista, fria e autossuficiente. Com efeito, Jesus critica duramente os escribas e fariseus que vieram de Jerusalém para observá-lo e questioná-lo. Qual é o problema deles? Certamente eram homens piedosos e queriam seguir a Lei de Deus. O problema era o espírito com o qual faziam: extremamente legalista. Vejamos:

A lei de Deus (expressa na Torah) é santa: “Agora, Israel, ouve as leis e os decretos que eu vos ensino a cumprir... Nada acrescentareis, nada tirareis à palavra que vos digo, mas guardai os mandamentos do Senhor vosso Deus...” (1a. leitura). Ora, o zelo dos fariseus e dos escribas eram tais e com uma mentalidade de tanto apego à letra pela letra, que se tornaram extremamente legalistas. Eles diziam: “Façamos uma cerca em torno da Lei”, ou seja, criaram pouco a pouco um número enorme de preceitos para evitar qualquer desobediência, ao menos remota, à Lei. Preceitos humanos que foram obscurecendo a pureza da lei de Deus e sua característica de ser sinal de amor.

Por exemplo: A Lei dizia que o castigo não poderia ultrapassar as quarenta varadas. Os fariseus permitiam somente trinta e nove, para evitar qualquer perigo de ultrapassar a conta da lei. A Lei proibia o trabalho no sábado. Os escribas e fariseus insistiam que até carregar o instrumento de trabalho no sábado era já um pecado: o alfaiate não poderia carregar sua agulha no sábado. A Lei prescrevia abluções (banhos rituais para o culto) só para os sacerdotes. Os fariseus queriam impô-las a todo o povo. A intenção era boa.... Mas o resultado, não: tornava a religião algo pesado, legalista e apegado a tantos detalhes que fazia esquecer o essencial: o amor a Deus e ao irmão! Os preceitos humanos obscureciam a intenção divina!

Jesus censura também os escribas e fariseus pela incapacidade de distinguir entre o essencial e o secundário; em discernir o que vem de Deus e o que é meramente prática e tradição humanas, talvez boas e louváveis, mas não essenciais. Em matéria de religião, nem tudo tem igual valor, nem tudo tem a mesma importância. A medida de tudo é o amor: o amor é a plenitude da lei (Rm 13,10); só o amor dá sentido a todas as coisas!

Outro motivo de crítica é que uma religião assim, apegada a preceitos exteriores, torna-se desatenta do coração, sem olhar a intenção com que se faz e se vive. Cai-se na hipocrisia (a palavra hipócrita vem de hypokrités = ator teatral): uma religião meramente exterior, sem aquelas atitudes interiores, que são as que importam realmente: “Este povo me honra com os lábios, mas seu coração está longe de mim. De nada adianta o culto que me prestam”! (Evangelho). É muito sério se a atitude exterior (lábios) não combinar com o interior (coração)! As práticas externas valem quando são sinal de um compromisso interior de amor e conversão em relação a Deus. É importante observar que Jesus não condena as práticas exteriores, mas a sua supervalorização e a sua atuação sem sinceridade: “Importava praticar estas coisas, mas sem omitir aquelas”. (Mt 23,23).

Há também o perigo da autossuficiência: a pessoa sente-se segura de si mesma por causa de suas práticas: “Estou em dia com Deus”! O homem nunca está em dia com Deus. Pensar assim é deixar de perceber que tudo é graça e que jamais mereceremos o amor que Deus nos tem gratuitamente. Sem contar que tal atitude nos leva, muitas vezes, a nos julgar melhores que os outros, desprezando os que julgamos mais fracos ou imperfeitos! Era exatamente o que ocorria com os fariseus: “Este povo que não conhece a lei são uns malditos”! (Jo 7,49); “Tu nasceste todo no pecado e nos ensinas”? (Jo 9,34); “Ó Deus, eu te dou graças porque não sou como o resto dos homens, ladrões, injustos, adúlteros, nem como este publicano”! (Lc 18,11). É interessante comparar estas atitudes com as que São Paulo recomenda aos cristãos em Rm 12,3-13.

Jesus convida a ir ao essencial: vigiar as intenções e atitudes do nosso coração, pois “o que torna impuro o homem não é o que entra nele vindo de fora, mas o que sai do seu interior” (Evangelho). Com um coração puro, poderemos reconhecer que tudo de bom que temos é dom de Deus (“Todo dom precioso e toda dádiva perfeita vem do alto; descem do Pai das luzes!” – 2a. leitura) e que, diante dele, somos sempre pobres e pecadores, necessitados de sua misericórdia. Isto nos abre de verdade para o amor aos outros e para a compaixão: somos todos pobres diante de Deus: “A religião pura e sem mancha diante de Deus Pai é esta: assistir os órfãos e as viúvas em suas tribulações e não se deixar contaminar pelo mundo”.
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A lei de Deus e as leis humanas
Dom Alberto Taveira Corrêa
Arcebispo de Belém do Pará (PR)


Quanto mais cresce a sociedade, maior a necessidade de leis e normas que facilitem a convivência de pessoas diferentes, segundo as classes sociais, as culturas presentes naquele ambiente, os grupos que reivindicam seu espaço de participação e seus direitos. O equilíbrio entre as diversas forças tantas vezes é difícil de ser alcançado, pelo radicalismo das mesmas e a incapacidade para conviver com os opostos, a serem considerados como complementares e não inimigos. A presença dos cristãos em nosso tempo é continuamente desafiada, cabendo-lhes a coerência com o Evangelho de Jesus Cristo, a paixão pela verdade, a capacidade de ouvir e considerar as razões dos outros, a misericórdia e um ponto basilar da Doutrina Social da Igreja, que é a busca do Bem Comum. Sua vida há de ser exemplar, de forma que os que os veem de longe se aproximem e se sintam atraídos. Não somos donos do poder no mundo, mas servidores e colaboradores da Verdade.

“Vede, eu vos ensinei leis e decretos, conforme o Senhor meu Deus me ordenou para que os pratiqueis na terra em que ides entrar e da qual tomareis posse. Guardai-os e ponde-os em prática, porque neles está vossa sabedoria e inteligência diante dos povos. Ao tomarem conhecimento de todas essas leis, dirão: ‘Sábia e inteligente é, na verdade, essa grande nação’. Pois qual é a grande nação que tem deuses tão próximos como o Senhor nosso Deus, sempre que o invocamos? E qual a grande nação que tenha leis e decretos tão justos quanto toda esta Lei que hoje vos proponho?” (Dt 4, 5-8) Somos herdeiros do imenso tesouro dado por Deus a seu povo, conscientes de sermos guardiães de um relacionamento com o Senhor que nos possibilita uma vida digna, pensada por ele para toda a humanidade, no maravilhoso plano de amor expresso na Sagrada Escritura, na História Sagrada e na História da Igreja.

No entanto, na Antiga Aliança, aos Dez Mandamentos da Lei de Deus foram acrescentados muitos outros mandamentos, normas e preceitos, que tantas vezes dificultaram a vida religiosa fiel, especialmente dos mais simples. Tornou-se, no correr do tempo, muitas vezes insuportável carregar o peso da lei, enquanto esta deveria ser justamente o caminho para a realização e a felicidade. Jesus se confrontou com pessoas e grupos que tinham a tarefa de interpretar a Lei de Deus e as leis dela decorrentes, cuja pretensa competência suscitou discussões acirradas e perseguições àquele que é a Palavra de Deus feita Carne (Cf. Mc 7,1-23). Também no tempo da Igreja, que é nosso, corremos continuamente o risco de transformarmos as leis do Senhor em opressão, peso insuportável para as outras pessoas. O risco oposto também nos cerca, quando podemos relaxar no cumprimento da lei de Deus.

O justo equilíbrio é buscado na vida da Igreja com afã no correr dos séculos. A moral cristã é uma tarefa exigente, atenta à revelação de Deus nas Escrituras e às exigências da vida das pessoas. Seu ponto de partida não é a norma fria das leis a serem compridas, mas o encontro com Cristo, que exige muito mais do que a eventual vigilância ou muitas placas escritas ou não, expostas pelos cruzamentos da vida. Faz-se necessário escutar o Senhor, alimentar-se de sua Palavra, orar com frequência e confiança, buscar a necessária orientação de pessoas que têm a graça e a capacidade de contribuir no discernimento, alimentar-se dos Sacramentos, especialmente a Penitência e a Eucaristia, a fim de dar passos seguros, na crescente fidelidade ao Espírito Santo que conduz nossas almas.

Há poucos dias recebi o texto da Oração pela Beatificação do Servo de Deus Dom Helder Câmara, o grande Arcebispo de Olinda e Recife. Anteriormente, numa viagem a Roma, tive a graça de acompanhar um emissário daquela Arquidiocese quando foi entregue o processo na Congregação das Causas dos Santos. A oração diz assim: “Nós vos agradecemos pelo dom de sua vida e vos bendizemos por suas virtudes. Exercendo o seu ministério em favor da justiça e da paz e dedicando sua vida à causa dos pobres, imitou o Bom Pastor, que deu a vida por suas ovelhas”. Um homem de imensa liberdade interior, com vida sóbria em seus hábitos, exigente consigo e pobre, capaz de edificar a todos com seu olhar ao mesmo tempo perspicaz e carregado de simplicidade evangélica. Sua vida, assim como de outros homens e mulheres santos, atrai pela coerência e fidelidade a Deus! Não foram coniventes com a mentira e a maldade, apontaram seu olhar para o alto, e são exemplos a serem seguidos. Fazem parte de uma grande nação, cuja herança perpassa os séculos.

Os legisladores e governantes, quando coerentes com sua própria consciência e quando honestos em sua busca da verdade, podem constatar que a Lei de Deus consignada nos Dez Mandamentos é o que existe de melhor para a humanidade de qualquer tempo. Mais ainda é consistente o que a Nova Lei em Cristo oferece à humanidade. Em nosso tempo, os cristãos lutam com firmeza pelo respeito à vida, desde sua concepção até seu ocaso natural, batalham pela fidelidade a projeto de Deus, que criou o homem e a mulher, são conscientes de que os esforços contra a corrupção em todos os níveis é dever de todos, unem-se a todos os esforços pela justiça e pela paz, sonham e trabalham por um mundo de maior respeito à dignidade de todos.

Estamos para iniciar, nesta semana, o mês dedicado à Bíblia, com o qual desejamos voltar continuamente ao Evangelho, num esforço redobrado de fidelidade à Palavra. Valha para todos nós a recomendação de São Tiago (Tg 1, 21-27), que nos oferece o caminho de coerência necessário para fermentarmos a sociedade de uma forma nova: “Recebei com mansidão a Palavra que em vós foi implantada, e que é capaz de salvar-vos. Todavia, sede praticantes da Palavra, e não meros ouvintes, enganando-vos a vós mesmos. Com efeito, aquele que ouve a Palavra e não a põe em prática é semelhante a alguém que observa o seu rosto no espelho: apenas se observou, sai e logo esquece como era a sua aparência. Aquele, porém, que se debruça sobre a Lei perfeita, que é a da liberdade e nela persevera, não como um ouvinte distraído, mas praticando o que ela ordena, esse há de ser feliz naquilo que faz. Se alguém julga ser religioso, mas não refreia a sua língua, engana-se a si mesmo: a sua religiosidade é vazia. Religião pura e sem mancha diante do Deus e Pai é esta: assistir os órfãos e as viúvas em suas dificuldades e guardar-se livre da corrupção do mundo”.
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Artigo do Padre Gilmar sobre as Famílias
O Amor é Nossa Missão: A Família Plenamente Viva

Todos nós observamos as mudanças e diferenças na educação que recebemos de nossos pais, principalmente no que se refere à liberdade e as às regras que norteiam a educação na família em todo e qualquer momento do desenvolvimento humano. Contudo, já sabemos por experiência que diante das diferentes mudanças, para a felicidade humana permanece atualíssima a prática dos valores humanos e cristãos do amor responsável, da liberdade relacional, do respeito mútuo, do valor da fé, da obediência a Deus e ainda, o senso de dever e direito dos pais na educação dos filhos.

As relações familiares devem estar fundamentadas no amor que vem de Deus, para que a família possa realmente ser comunidade onde cada um é amado e respeitado. Fundamental para a própria sociedade, a família assim alicerçada contribui de modo especial para a harmonia e a construção da vida humana. A família deve ser comunidade de amor, de estima mútua, onde Deus é o referencial para todos, Deus e seu amor. Deve ser escola de amor, de autossuperação, de fidelidade aos compromissos assumidos, de desenvolvimento humano e espiritual. Tal tarefa é exigente, e só se consegue leva-la adiante com êxito se vivida com o amor que vem de Deus.

Hoje é infelizmente tão comum o drama de famílias que sofrem pela separação dos pais ou pela conduta dos genitores, que prejudica a comunidade do lar. Diante disso, cabe a nós, primeiramente, oferecer o auxílio de nossa oração, seja pelos que se preparam para construir família, seja pelas famílias que sofrem, pelos filhos e pelos cônjuges. Todos podem contar com a Família de Nazaré. Além disso, cabe à comunidade eclesial apoiar as famílias para que se desenvolvam sempre mais no amor, possam superar dificuldades, restaurar elementos fraturados, renovar o compromisso e o dom recíproco.

Celebrar a Semana Nacional da Família é a oportunidade de refletirmos seu importante papel na formação humana e religiosa de uma pessoa. É na Família que somos educados para o amor e dignidade. No aconchego seguro do lar, o anúncio de Jesus Cristo se traduz pelo gesto de amor, presença de Deus. A primeira experiência de comunhão e vida fraterna se dá na família, experiência que se prolonga na comunidade de fé. A pessoa que amadurece na fé por estes sinais de comunhão se realiza no relacionamento e no amor, no seguimento de Cristo, na comunidade fraterna. Aprende a amar a Deus e ao próximo.

Nos tempos modernos, às vezes nos parece difícil amar ao próximo como a nós mesmos, porém, como cristãos comprometidos, sabemos que o amor não se limita apenas a palavra ou sentimentos de piedade, ele é demonstrado em ações, mesmo sabendo que geralmente não há retribuição. Sei de uma História de vida em que um jornalista que visitava um hospital, ao ver a dedicação com que uma religiosa limpava as feridas de um paciente, disse com um lenço no nariz para suportar o mau cheiro: irmã, eu não faria esse trabalho nem que me dessem todo o dinheiro do mundo. A religiosa levantou os olhos e, pacientemente, respondeu: eu também não faria nem que me dessem todo dinheiro do mundo. Eu estou fazendo isso por amor a Deus e por amor a este irmão doente.

Quando alguém ama de verdade, é capaz de fazer as coisas mais difíceis do mundo como se fossem as mais fáceis. O amor transforma, modifica e humaniza. É na família que devemos aprender a verdadeira missão de amar. Por isso, os casais são os primeiros convidados a testemunharem este amor, desde as mãos dadas para namorar e passear até as mãos que levantam queixos caídos, afagam cabelos, tocam os olhos e testas, seguram mãozinhas inocentes, curam feridas, fazem comida, lavam corpos e roupas, constroem brinquedos, afagam bochechas, plantam, colhem e tornam o matrimônio uma fonte de vida.

Busque em seu coração a pedra preciosa da bondade, que a todos enriquece sem jamais perder seu valor. Só amando aprendemos a amar. A gratuidade é a base da dedicação; e o amor, seu pagamento.

Padre Gilmar Antônio Fernandes Margotto
Igreja Matriz Nossa Senhora Aparecida
Votuporanga SP
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