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Curiosidades sobre a Quaresma

Reunimos algumas curiosidades sobre a Quaresma:

Que é a Quaresma?

A Quaresma é um tempo litúrgico que prepara os Cristãos para a Páscoa do Senhor. Por 40 dias a Igreja pede que os fiéis façam penitência e cheguem à verdadeira conversão. Preparem-se assim para viver os mistérios da Paixão, Morte e Ressurreição de Cristo na Semana Santa e a Páscoa do Senhor ressuscitado durante toda a vida. Portanto, chamamos Quaresma o período de quarenta dias reservado a preparação da Páscoa, e indicado como última preparação dos catecúmenos que deveriam receber nela o batismo.

Desde quando se vive a Quaresma?

Desde o século IV se manifesta a tendência para constituí-la no tempo de penitência e de renovação para toda a Igreja, com a prática do jejum e da abstinência. Conservada com bastante vigor, menos no princípio nas igrejas do oriente, a prática penitencial da Quaresma vem sido cada vez maior no ocidente, mas deve se observar um espírito penitencial e de conversão.

Qual é o espírito da Quaresma?

Deve ser como um retiro coletivo de quarenta dias, durante os quais a Igreja, propondo a seus fiéis o exemplo de Cristo em seu retiro no deserto, se prepara para a celebração das solenidades pascoais, com a purificação do coração, uma prática perfeita da vida cristã e uma atitude penitencial.

Quais práticas quaresmais?

A Oração é uma condição indispensável para o encontro com Deus. Na oração, o cristão entra em diálogo íntimo com o Senhor, deixa que a graça entre em seu coração e, como Maria, abre-se para a oração do Espírito cooperando com ela em sua resposta livre e generosa (ver Lc 1,38).

O Jejum é saber renunciar a certas coisas legítimas para viver o desapego e desprendimento. Consiste em fazer uma refeição forte por dia. O jejum não proíbe de tomar um pouco de alimento na parte da manhã e à noite. É obrigatório dos 18 aos 59 anos inclusive. Essa mortificação se realiza cotidianamente e sem a necessidade de fazer grandes sacrifícios. Com ela, são oferecidos a Cristo aqueles momentos que geram desânimo no transcorrer do dia e se aceita com humildade, gozo e alegria, todas as diversidades que chegam.

A caridade é necessária como refere São Leão Magno: “Se desejamos chegar à Páscoa santificados em nosso ser, devemos pôr um interesse especialíssimo na aquisição desta virtude, que contém em si as demais e cobre multidão de pecados”. Sobre a prática do doar, São João Paulo II explica que este chamado “está enraizado no mais profundo do coração humano: toda pessoa sente o desejo de colocar-se em contato com os outros e se realiza plenamente quando se dá livremente aos demais”. Mais do que uma esmola (dar do que sobra), é um compromisso (dar segundo a necessidade).

Somos obrigados a fazer Penitência?

“Todos os fiéis, cada um a seu modo, estão obrigados pela lei divina a fazer penitência. Não obstante, para que todos se unam em alguma prática comum de penitência, se fixaram uns dias de penitência para os fiéis que se dedicam de maneira especial a oração, realizam obras de piedade e de caridade e se negam a si mesmos, cumprindo com maior fidelidade suas próprias obrigações e, sobretudo, observando o jejum e a abstinência” (Código de Direito Canônico, c. 1249).

Quais são os dias e tempos penitenciais?

“Na Igreja católica, são dias e tempos penitenciais todas as Sextas-feiras do ano e o tempo de quaresma” (Código de Direito Canônico, c. 1250).

Que deve se fazer todas as sextas-feiras do ano?

Em lembrança do dia em que Jesus morreu na Santa Cruz, “todas as sextas-feiras, a não ser que coincidam com uma solenidade, deve se fazer a abstinência de carne, ou de outro alimento que seja determinado pela Conferência Episcopal; jejum e abstinência se guardarão na Quarta-feira de Cinzas e na Sexta-feira Santa” (Código de Direito Canônico, c. 1251).

Que é abstinência?

Entre as diversidades do jejum está a abstinência que consiste em não comer carne. Embora proíba o consumo de carne, não é o caso de peixe, ovos, leite e qualquer condimento feito a partir de gorduras animais. O jejum é obrigatório a partir de 14 anos de idade. Com o jejum e a abstinência reconhecemos a necessidade de fazer obras de caridade para reparar o dano causado por nossos pecados e para o bem da Igreja. Além disso, de forma voluntária, deixam-se de lado necessidades terrenas e se redescobre a necessidade da vida do céu. “Não só de pão vive o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus” (Mt 4,4).

Qual o período da Quaresma?

Começa na Quarta-feira de Cinzas e termina na Quinta-feira Santa. Na Quarta-feira de Cinzas começam os 40 dias de preparação para a Páscoa. Após a Missa, o sacerdote abençoa e impõe as cinzas feitas de ramos de oliveira abençoados no Domingo de Ramos do ano anterior. Estas são impostas fazendo o sinal da cruz na testa e dizendo as palavras bíblicas: “Lembra-te que és pó e ao pó retornarás” ou “Convertei-vos e crede no Evangelho”. Desta forma, a cinza é um sinal de humildade e recorda ao cristão sua origem e seu fim. A Quaresma termina no pôr-do-sol da Quinta-feira Santa. Nessa noite, a Igreja recorda a Última Ceia do Senhor, quando Jesus de Nazaré compartilhou a refeição pela última vez com seus apóstolos antes de ser crucificado na Sexta-feira Santa

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O que você deve saber sobre a Quarta-feira de Cinzas

No próximo dia 26 de fevereiro, a Igreja celebra a Quarta-feira de Cinzas, dando início à Quaresma, tempo de preparação para a Páscoa. Recordamos algumas coisas essenciais que todo católico precisa saber para poder viver intensamente este tempo.

1. O que é a Quarta-feira de Cinzas?

É o primeiro dia da Quaresma, ou seja, dos 40 dias nos quais a Igreja chama os fiéis a se converterem e a se prepararem verdadeiramente para viver os mistérios da Paixão, Morte e Ressurreição de Cristo durante a Semana Santa.

A Quarta-feira de Cinzas é uma celebração que está no Missal Romano, o qual explica que no final da Missa, abençoa-se e impõe-se as cinzas obtidas da queima dos ramos usados no Domingo de Ramos do ano anterior.

2. Como nasceu a tradição de impor as cinzas?

A tradição de impor a cinza é da Igreja primitiva. Naquela época, as pessoas colocavam as cinzas na cabeça e se apresentavam ante a comunidade com um “hábito penitencial” para receber o Sacramento da Reconciliação na Quinta-feira Santa.

A Quaresma adquiriu um sentido penitencial para todos os cristãos por volta do ano 400 d.C. e, a partir do século XI, a Igreja de Roma passou a impor as cinzas no início deste tempo.

3. Por que se impõe as cinzas?

 

 

A cinza é um símbolo. Sua função está descrita em um importante documento da Igreja, mais precisamente no artigo 125 do Diretório sobre a piedade popular e a liturgia:

“O começo dos quarenta dias de penitência, no Rito romano, caracteriza-se pelo austero símbolo das Cinzas, que caracteriza a Liturgia da Quarta-feira de Cinzas. Próprio dos antigos ritos nos quais os pecadores convertidos se submetiam à penitência canônica, o gesto de cobrir-se com cinza tem o sentido de reconhecer a própria fragilidade e mortalidade, que precisa ser redimida pela misericórdia de Deus. Este não era um gesto puramente exterior, a Igreja o conservou como sinal da atitude do coração penitente que cada batizado é chamado a assumir no itinerário quaresmal. Deve-se ajudar os fiéis, que vão receber as Cinzas, para que aprendam o significado interior que este gesto tem, que abre a cada pessoa a conversão e ao esforço da renovação pascal”.

4. O que as cinzas simbolizam e o que recordam?

A palavra cinza, que provém do latim “cinis”, representa o produto da combustão de algo pelo fogo. Esta adotou desde muito cedo um sentido simbólico de morte, expiração, mas também de humildade e penitência.

A cinza, como sinal de humildade, recorda ao cristão a sua origem e o seu fim: “E formou o Senhor Deus o homem do pó da terra” (Gn 2,7); “até que te tornes à terra; porque dela foste tomado; porquanto és pó e em pó te tornarás” (Gn 3,19).

5. Onde podemos conseguir as cinzas?

Para a cerimônia devem ser queimados os restos dos ramos abençoados no Domingo de Ramos do ano anterior. Estes recebem água benta e logo são aromatizados com incenso.

6. Como se impõe as cinzas?

Este ato acontece durante a Missa, depois da homilia, e está permitido que os leigos ajudem o sacerdote. As cinzas são impostas na fronte, em forma de cruz, enquanto o ministro pronuncia as palavras Bíblicas: “Lembra-te de que és pó e ao pó voltarás” ou “Convertei-vos e crede no Evangelho”.

7. O que devem fazer quando não há sacerdote?

Quando não há sacerdote, a imposição das cinzas pode ser realizada sem Missa, de forma extraordinária. Entretanto, é recomendável que antes do ato participem da liturgia da palavra.

É importante recordar que a bênção das cinzas, como todo sacramental, somente pode ser feita por um sacerdote ou um diácono.

8. Quem pode receber as cinzas?

Qualquer pessoa pode receber este sacramental, inclusive os não católicos. Como explica o Catecismo (1670 ss.), “sacramentais não conferem a graça do Espírito Santo à maneira dos sacramentos; mas, pela oração da Igreja, preparam para receber a graça e dispõem para cooperar com ela”.

9. A imposição das cinzas é obrigatória?

A Quarta-feira de Cinzas não é dia de preceito e, portanto, não é obrigatória. Não obstante, nesse dia muitas pessoas costumam participar da Santa Missa, algo que sempre é recomendável.

10. Quanto tempo é necessário permanecer com a cinza na fronte?

Quanto tempo a pessoa quiser. Não existe um tempo determinado.

11. O jejum e a abstinência são necessários?

O jejum e a abstinência são obrigatórios durante a Quarta-feira de Cinzas, como também na Sexta-feira Santa, para as pessoas maiores de 18 e menores de 60 anos. Fora desses limites, é opcional. Nesse dia, os fiéis podem ter uma refeição “principal” uma vez durante o dia.

A abstinência de comer carne é obrigatória a partir dos 14 anos. Todas as sextas-feiras da Quaresma também são de abstinência obrigatória. As sextas-feiras do ano também são dias de abstinência. O gesto, dependendo da determinação da Conferência Episcopal de cada país, pode ser substituído por outro tipo de mortificação ou oferecimento como a oração do terço.

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Conheça o significado das Cinzas

Desde a antiguidade, existe o costume de cobrir a cabeça com cinzas, para expressar a submissão a Deus e a decisão de mudar de vida. 
Foi assim que Davi se cobriu com cinzas para pedir perdão de seu adultério e mudar de vida. Foi assim que os Ninivitas se cobriram com cinzas para mostrar sua mudança de vida, após os 40 dias de pregação de Jonas.
Foi assim que a Igreja exigia que os penitentes públicos – que tinham cometido homicídio, um pecado público – passassem os 40 dias da Quaresma, cobertos de cinzas, nas portas das igrejas. A Quarta-Feira de Cinzas existe desde o século 8º, com imposição das cinzas na cabeça do cristão, para que se reconheça limitado, fraco e imperfeito, convertendo seu comportamento para Deus e mudando sua vida.
Estas ‘cinzas’ são resultado dos ramos secos, usados no Domingo de Ramos do ano passado, que foram guardados e agora incinerados.
Os ramos passam pelo fogo purificador do sofrimento, do aniquilamento do egoísmo e orgulho. Essa passagem pelo fogo é Páscoa, mudança de vida e transformação de comportamento. Assim aqueles ramos ‘vitoriosos’, que simbolizaram a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém, iniciando o caminho da cruz para o calvário, estão reduzidos a cinzas. Essas cinzas lembram que Deus se reduziu à morte de cruz, para nos dar a vida eterna, a libertação da morte.
As cinzas significam também, que devemos tomar consciência de nossos limites para motivar a mudança e a purificação de nossa vida.
A imposição das cinzas em nossa cabeça significa, ainda, que a comunidade quer nos proteger, nos cobrir de energia e nos dar todas as forças e bênçãos de Deus.
Por isso, o rito das cinzas não pode ser para o povo uma cerimônia vazia ou de caráter mágico. Esse rito quer colocar a pessoa humana em seu verdadeiro lugar diante de Deus, dos outros e da natureza.O rito das cinzas quer nos deixar com o coração purificado, com a cabeça despojada e desprendida, e com a vontade disposta e decidida.O tempo, como o fogo, reduz a cinzas nossa vida exuberante. Tudo o que tem vida, com o tempo, envelhece, enfraquece, enruga, murcha, se torna pó.
O grão, colocado na terra, morre para frutificar.
A mortificação dos sentidos para fortalecer o espírito e o despoja-se da ambição para se voltar aos irmãos e a Deus, é o sentido das Cinzas hoje.

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Mensagem do Papa Francisco para a Quaresma 2020

Mensagem do Papa Francisco para a Quaresma 2020
Segunda-feira, 24 de fevereiro de 2020

Boletim da Santa Sé

«Em nome de Cristo, suplicamo-vos: reconciliai-vos com Deus» (2 Cor 5, 20)

Queridos irmãos e irmãs!

O Senhor concede-nos, também neste ano, um tempo propício para nos prepararmos para celebrar, de coração renovado, o grande Mistério da morte e ressurreição de Jesus, perne da vida cristã pessoal e comunitária. Com a mente e o coração, devemos voltar continuamente a este Mistério. Com efeito, o mesmo não cessa de crescer em nós na medida em que nos deixarmos envolver pelo seu dinamismo espiritual e aderirmos a ele com uma resposta livre e generosa.

1. O Mistério pascal, fundamento da conversão
A alegria do cristão brota da escuta e receção da Boa Nova da morte e ressurreição de Jesus: o kerygma. Este compendia o Mistério dum amor «tão real, tão verdadeiro, tão concreto, que nos proporciona uma relação cheia de diálogo sincero e fecundo» (Francisco, Exort. ap. Christus vivit, 117). Quem crê neste anúncio rejeita a mentira de que a nossa vida teria origem em nós mesmos, quando na realidade nasce do amor de Deus Pai, da sua vontade de dar vida em abundância (cf. Jo 10, 10). Se, pelo contrário, se presta ouvidos à voz persuasora do «pai da mentira» (Jo 8, 44), corre-se o risco de precipitar no abismo do absurdo, experimentando o inferno já aqui na terra, como infelizmente dão testemunho muitos acontecimentos dramáticos da experiência humana pessoal e coletiva.

Por isso, nesta Quaresma de 2020, quero estender a todos os cristãos o mesmo que escrevi aos jovens na Exortação apostólica Christus vivit: «Fixa os braços abertos de Cristo crucificado, deixa-te salvar sempre de novo. E quando te aproximares para confessar os teus pecados, crê firmemente na sua misericórdia que te liberta de toda a culpa. Contempla o seu sangue derramado pelo grande amor que te tem e deixa-te purificar por ele. Assim, poderás renascer sempre de novo» (n. 123). A Páscoa de Jesus não é um acontecimento do passado: pela força do Espírito Santo é sempre atual e permite-nos contemplar e tocar com fé a carne de Cristo em tantas pessoas que sofrem.

2. Urgência da conversão
É salutar uma contemplação mais profunda do Mistério pascal, em virtude do qual nos foi concedida a misericórdia de Deus. Com efeito, a experiência da misericórdia só é possível «face a face» com o Senhor crucificado e ressuscitado, «que me amou e a Si mesmo Se entregou por mim» (Gl 2, 20). Um diálogo coração a coração, de amigo a amigo. Por isso mesmo, é tão importante a oração no tempo quaresmal. Antes de ser um dever, esta expressa a necessidade de corresponder ao amor de Deus, que sempre nos precede e sustenta. De fato, o cristão reza ciente da sua indignidade de ser amado. A oração poderá assumir formas diferentes, mas o que conta verdadeiramente aos olhos de Deus é que ela escave dentro de nós, chegando a romper a dureza do nosso coração, para o converter cada vez mais a Ele e à sua vontade.

Por isso, neste tempo favorável, deixemo-nos conduzir como Israel ao deserto (cf. Os 2, 16), para podermos finalmente ouvir a voz do nosso Esposo, deixando-a ressoar em nós com maior profundidade e disponibilidade. Quanto mais nos deixarmos envolver pela sua Palavra, tanto mais conseguiremos experimentar a sua misericórdia gratuita por nós. Portanto não deixemos passar em vão este tempo de graça, na presunçosa ilusão de sermos nós o dono dos tempos e modos da nossa conversão a Ele.

3. A vontade apaixonada que Deus tem de dialogar com os seus filhos
O fato de o Senhor nos proporcionar uma vez mais um tempo favorável para a nossa conversão, não devemos jamais dá-lo como garantido. Esta nova oportunidade deveria suscitar em nós um sentido de gratidão e sacudir-nos do nosso torpor. Não obstante a presença do mal, por vezes até dramática, tanto na nossa existência como na vida da Igreja e do mundo, este período que nos é oferecido para uma mudança de rumo manifesta a vontade tenaz de Deus de não interromper o diálogo de salvação conosco. Em Jesus crucificado, que Deus «fez pecado por nós» (2 Cor 5, 21), esta vontade chegou ao ponto de fazer recair sobre o seu Filho todos os nossos pecados, como se houvesse – segundo o Papa Bento XVI – um «virar-se de Deus contra Si próprio» (Enc. Deus caritas est, 12). De fato, Deus ama também os seus inimigos (cf. Mt 5, 43-48).

O diálogo que Deus quer estabelecer com cada homem, por meio do Mistério pascal do seu Filho, não é como o diálogo atribuído aos habitantes de Atenas, que «não passavam o tempo noutra coisa senão a dizer ou a escutar as últimas novidades» (At 17, 21). Este tipo de conversa, ditado por uma curiosidade vazia e superficial, carateriza a mundanidade de todos os tempos e, hoje em dia, pode insinuar-se também num uso pervertido dos meios de comunicação.

4. Uma riqueza que deve ser partilhada, e não acumulada só para si mesmo
Colocar o Mistério pascal no centro da vida significa sentir compaixão pelas chagas de Cristo crucificado presentes nas inúmeras vítimas inocentes das guerras, das prepotências contra a vida desde a do nascituro até à do idoso, das variadas formas de violência, dos desastres ambientais, da iníqua distribuição dos bens da terra, do tráfico de seres humanos em todas as suas formas e da sede desenfreada de lucro, que é uma forma de idolatria.

Também hoje é importante chamar os homens e mulheres de boa vontade à partilha dos seus bens com os mais necessitados através da esmola, como forma de participação pessoal na edificação dum mundo mais justo. A partilha, na caridade, torna o homem mais humano; com a acumulação, corre o risco de embrutecer, fechado no seu egoísmo. Podemos e devemos ir mais além, considerando as dimensões estruturais da economia. Por este motivo, na Quaresma de 2020 – mais concretamente, de 26 a 28 de março –, convoquei para Assis jovens economistas, empreendedores e transformativos, com o objetivo de contribuir para delinear uma economia mais justa e inclusiva do que a atual. Como várias vezes se referiu no magistério da Igreja, a política é uma forma eminente de caridade (cf. Pio XI, Discurso à FUCI, 18/XII/1927). E sê-lo-á igualmente ocupar-se da economia com o mesmo espírito evangélico, que é o espírito das Bem-aventuranças.

Invoco a intercessão de Maria Santíssima sobre a próxima Quaresma, para que acolhamos o apelo a deixar-nos reconciliar com Deus, fixemos o olhar do coração no Mistério pascal e nos convertamos a um diálogo aberto e sincero com Deus. Assim, poderemos tornar-nos aquilo que Cristo diz dos seus discípulos: sal da terra e luz do mundo (cf. Mt 5, 13.14).

FRANCISCUS

Roma, em São João de Latrão, 7 de outubro de 2019,
Memória de Nossa Senhora do Rosário.

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Papa: Quaresma é graça, não deixar passar este tempo em vão

Um diálogo coração a coração, de amigo a amigo com Jesus: é o que propõe o Papa Francisco na sua mensagem para a Quaresma 2020. O título escolhido foi inspirado na 2ª carta de São Paulo aos Coríntios: “Em nome de Cristo, suplicamo-vos: reconciliai-vos com Deus” (2 Cor 5, 20).

Neste tempo quaresmal, o Pontífice estende a todos os cristãos o que escreveu aos jovens na Exortação apostólica Christus vivit: fixar os braços abertos de Cristo crucificado e deixar-se salvar sempre de novo. “A Páscoa de Jesus não é um acontecimento do passado: pela força do Espírito Santo é sempre atual e permite-nos contemplar e tocar com fé a carne de Cristo em tantas pessoas que sofrem.”

Face a face com o Senhor

“Um diálogo coração a coração, de amigo a amigo. Por isso mesmo, é tão importante a oração no tempo quaresmal”
Papa Francisco

Francisco insiste numa contemplação mais profunda do Mistério pascal, recordando que a experiência da misericórdia só é possível “face a face” com o Senhor crucificado e ressuscitado.

“Um diálogo coração a coração, de amigo a amigo. Por isso mesmo, é tão importante a oração no tempo quaresmal. Antes de ser um dever, esta expressa a necessidade de corresponder ao amor de Deus, que sempre nos precede e sustenta”. 

De fato, prossegue o Papa, o cristão reza ciente da sua indignidade de ser amado. A oração poderá assumir formas diferentes, mas o que conta verdadeiramente aos olhos de Deus é que ela escave dentro de cada um de nós, chegando a romper a dureza do nosso coração, para o converter cada vez mais a Ele e à sua vontade.

Quanto mais nos deixarmos envolver pela sua Palavra, tanto mais conseguiremos experimentar a sua misericórdia gratuita por nós. O convite do Pontífice, portanto, é não deixar passar em vão este tempo de graça, na presunçosa ilusão de sermos nós o dono dos tempos e modos da nossa conversão a Ele.

Não interromper o diálogo com o Senhor

Esta nova oportunidade, prossegue Francisco, deve suscitar um sentido de gratidão e sacudir o homem do torpor em que se encontra, às vezes estimulado por um “uso pervertido” dos meios de comunicação

“Não obstante a presença do mal, por vezes até dramática, tanto na nossa existência como na vida da Igreja e do mundo, este período que nos é oferecido para uma mudança de rumo manifesta a vontade tenaz de Deus de não interromper o diálogo de salvação conosco”. 

Colocar o Mistério pascal no centro da vida, acrescenta o Papa, significa sentir compaixão pelas chagas de Cristo crucificado presentes nas inúmeras “vítimas inocentes das guerras, das prepotências contra a vida desde a do nascituro até à do idoso, das variadas formas de violência, dos desastres ambientais, da iníqua distribuição dos bens da terra, do tráfico de seres humanos em todas as suas formas e da sede desenfreada de lucro, que é uma forma de idolatria”.

Encontro de Assis

Para reverter este cenário, Francisco chama em causa a partilha na caridade e uma nova maneira de gerir a economia, mais justa e inclusiva, recordando a convocação para esta Quaresma de jovens economistas em Assis, de 26 a 28 de março. O magistério da Igreja lembra que a política é uma forma eminente de caridade.

O Papa então conclui: “Invoco a intercessão de Maria Santíssima sobre a próxima Quaresma, para que acolhamos o apelo a deixar-nos reconciliar com Deus, fixemos o olhar do coração no Mistério pascal e nos convertamos a um diálogo aberto e sincero com Deus. Assim, poderemos tornar-nos aquilo que Cristo diz dos seus discípulos: sal da terra e luz do mundo”. 

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Papa: Quaresma é graça, não deixar passar este tempo em vão

Um diálogo coração a coração, de amigo a amigo com Jesus: é o que propõe o Papa Francisco na sua mensagem para a Quaresma 2020. O título escolhido foi inspirado na 2ª carta de São Paulo aos Coríntios: “Em nome de Cristo, suplicamo-vos: reconciliai-vos com Deus” (2 Cor 5, 20).

Neste tempo quaresmal, o Pontífice estende a todos os cristãos o que escreveu aos jovens na Exortação apostólica Christus vivit: fixar os braços abertos de Cristo crucificado e deixar-se salvar sempre de novo. “A Páscoa de Jesus não é um acontecimento do passado: pela força do Espírito Santo é sempre atual e permite-nos contemplar e tocar com fé a carne de Cristo em tantas pessoas que sofrem.”

Face a face com o Senhor

“Um diálogo coração a coração, de amigo a amigo. Por isso mesmo, é tão importante a oração no tempo quaresmal”
Papa Francisco

Francisco insiste numa contemplação mais profunda do Mistério pascal, recordando que a experiência da misericórdia só é possível “face a face” com o Senhor crucificado e ressuscitado.

“Um diálogo coração a coração, de amigo a amigo. Por isso mesmo, é tão importante a oração no tempo quaresmal. Antes de ser um dever, esta expressa a necessidade de corresponder ao amor de Deus, que sempre nos precede e sustenta”. 

De fato, prossegue o Papa, o cristão reza ciente da sua indignidade de ser amado. A oração poderá assumir formas diferentes, mas o que conta verdadeiramente aos olhos de Deus é que ela escave dentro de cada um de nós, chegando a romper a dureza do nosso coração, para o converter cada vez mais a Ele e à sua vontade.

Quanto mais nos deixarmos envolver pela sua Palavra, tanto mais conseguiremos experimentar a sua misericórdia gratuita por nós. O convite do Pontífice, portanto, é não deixar passar em vão este tempo de graça, na presunçosa ilusão de sermos nós o dono dos tempos e modos da nossa conversão a Ele.

Não interromper o diálogo com o Senhor

Esta nova oportunidade, prossegue Francisco, deve suscitar um sentido de gratidão e sacudir o homem do torpor em que se encontra, às vezes estimulado por um “uso pervertido” dos meios de comunicação

“Não obstante a presença do mal, por vezes até dramática, tanto na nossa existência como na vida da Igreja e do mundo, este período que nos é oferecido para uma mudança de rumo manifesta a vontade tenaz de Deus de não interromper o diálogo de salvação conosco”. 

Colocar o Mistério pascal no centro da vida, acrescenta o Papa, significa sentir compaixão pelas chagas de Cristo crucificado presentes nas inúmeras “vítimas inocentes das guerras, das prepotências contra a vida desde a do nascituro até à do idoso, das variadas formas de violência, dos desastres ambientais, da iníqua distribuição dos bens da terra, do tráfico de seres humanos em todas as suas formas e da sede desenfreada de lucro, que é uma forma de idolatria”.

Encontro de Assis

Para reverter este cenário, Francisco chama em causa a partilha na caridade e uma nova maneira de gerir a economia, mais justa e inclusiva, recordando a convocação para esta Quaresma de jovens economistas em Assis, de 26 a 28 de março. O magistério da Igreja lembra que a política é uma forma eminente de caridade.

O Papa então conclui: “Invoco a intercessão de Maria Santíssima sobre a próxima Quaresma, para que acolhamos o apelo a deixar-nos reconciliar com Deus, fixemos o olhar do coração no Mistério pascal e nos convertamos a um diálogo aberto e sincero com Deus. Assim, poderemos tornar-nos aquilo que Cristo diz dos seus discípulos: sal da terra e luz do mundo”. 

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Participe da Missa e Procissão da Penitência às sextas-feiras da Quaresma

Para melhor celebrar o Tempo Quaresmal, tempo dedicado à penitência, oração, caridade e em preparação para a Páscoa do Senhor, a Paróquia Nossa Senhora Aparecida realizará em todas as sextas-feiras da Quaresma a Santa Missa e Procissão da Penitência. A celebração tem início às 5h30 na Sé Catedral.

A pequena procissão realizada na praça durante o Ato Penitencial nos convida a refletir sobre o arrependimento e a conversão.

Venha participar conosco deste momento de reflexão e piedade que nos ajuda a reconhecer a nossa pequenez diante de Deus e nos motiva a ter uma vida cada vez fiel ao Reino do Pai.

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Dom Moacir presidirá Missa de Abertura Diocesana da Campanha da Fraternidade

No próximo dia 26 de fevereiro, Quarta-feira de Cinzas, a Igreja Católica celebra o início da Quaresma e da Campanha da Fraternidade. Em Votuporanga, Dom Moacir Aparecido de Freitas, bispo diocesano, presidirá a Santa Missa de Abertura Diocesana da Campanha da Fraternidade e início da Quaresma, às 15h, na Sé Catedral Nossa Senhora Aparecida. A celebração contará com a presença de padres, diáconos, religiosos e fiéis das paróquias da Diocese de Votuporanga. Neste dia também serão celebradas Missas com Benção e Imposição das Cinzas em cada paróquia de Votuporanga conforme programação de cada comunidade.
Com o tema "Fraternidade e Vida: Dom e Compromisso" e o lema "Viu, sentiu compaixão e cuidou dele", a Campanha da Fraternidade 2020 incentiva todos os cidadãos a exercitar a empatia e desenvolver a capacidade de cuidar do próximo. 
A Campanha da Fraternidade é uma atividade ampla de evangelização, intensificada na Quaresma (quarenta dias entre a quarta-feira de Cinzas e a semana santa/Páscoa) para ajudar os cristãos e pessoas de boa vontade a viverem a fraternidade em compromissos concretos, provocando, ao mesmo tempo, a renovação da vida da igreja e a transformação da sociedade, a partir de problemas específicos, tratados à luz do Projeto de Deus.

Quaresma
Para os católicos, a Quaresma é um tempo de preparação para a Páscoa, período reservado para a reflexão e conversão espiritual. Ou seja, o católico deve se aproximar de Deus visando o crescimento espiritual. Nesse tempo santo, a Igreja católica propõe, por meio do Evangelho proclamado na quarta-feira de cinzas, três grandes linhas de ação: a oração, a penitência e a caridade.

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Quaresma: Iniciativa leva a conhecer e rezar pelos mártires do século XXI

A Rede Mundial de Oração do Papa em Portugal (RMOP-Portugal) e a Fundação Ajuda à Igreja que Sofre (ACN) vão promover a campanha “Mártires e Heróis por amor”, durante o período da Quaresma, de 26 de fevereiro a 9 de abril.

A cada dia da quaresma, serão divulgadas histórias de vida de sacerdotes, religiosas e leigos que foram “assassinados, raptados, presos ou desapareceram por seguirem Jesus”, e também uma proposta de oração, além de uma descrição sobre o auxílio prestado pela Fundação Pontifícia ACN.

“A divulgação destas histórias pretende levar os inscritos nesta campanha a orar e a sensibilizar-se com a dramática situação dos cristãos perseguidos”, informa um comunicado da RMOP-Portugal e da ACN.

Para receber a proposta diária no seu email é preciso preencher o formulário de inscrição: http://eepurl.com/gTAUJP. A campanha estará disponível no site da RMOP – Portugal e nas redes sociais.

“No Iraque, Síria, Iémen, Burkina Faso, Nigéria, Índia ou Somália, ser cristão pode significar a morte – ainda hoje, em 2020 – às mãos de extremistas”, alerta a Ajuda à Igreja que Sofre que nesta iniciativa quer lembrar essas pessoas e comunidades que, “nos bastidores e em silêncio, deram as suas vidas”.

Segundo o comunicado, a campanha quaresmal ‘pelos mártires e heróis do século XXI’ inclui a divulgação, no dia de Carnaval (25 de fevereiro) e nos domingos da Quaresma, de duas edições d’O Vídeo do Papa “dedicadas aos cristãos perseguidos” e de quatro vídeos da AIS que abordam os contextos de vida dos cristãos presentes no Iraque, Nigéria, Paquistão e Síria.

A Quaresma é um tempo de 40 dias que tem início com a celebração de Quarta-feira de Cinzas, este ano no próximo dia 26, marcado por apelos ao jejum, partilha e penitência, que serve de preparação para a Páscoa, a principal festa do calendário cristão.

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Esporte e fé: padres poloneses se inspiram em João Paulo II

Padres poloneses participaram de uma competição amistosa de esqui em Wisla, na Polônia. Depois de um momento de oração eles iniciaram o desafio: a corrida anual é um slalom de 2.600 pés. 

A inspiração para os padres é São João Paulo II, que era um ávido esquiador. Ele praticou esportes e enriqueceu o mundo esportivo com reflexões de valor cultural e religioso. “A prática desportiva adquire uma importância notável, porque pode favorecer nos jovens a confirmação de valores relevantes como a lealdade, a perseverança, a amizade, a partilha e a solidariedade”, afirmou o então Pontífice, hoje santo da Igreja católica.

Padre Wladyslaw Nowosielski chegou a estar perto do Cardeal Karol Wojtyla e conta que também gosta muito de esquiar. “Esquio muito e participo dessa competição todos os anos há 15 anos”.

Outro participante da competição foi o padre Szymon Kos. “Queremos mostrar que a fé não é apenas os muros da igreja e que você não pode trancar a fé na igreja, trancar Deus na igreja, embora esse seja o lugar onde O encontramos e onde Ele está agindo. Você pode encontrá-Lo aqui também, através do esporte”. 

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Papa Francisco explica por que organizou um evento mundial sobre educação

Ao receber na manhã de hoje os participantes da plenária da Congregação para a Educação Católica (dos Institutos de Estudos), o Papa Francisco explicou as razões pelas quais convocou um evento mundial sobre educação para maio deste ano, no Vaticano.

Depois de explicar que a educação é uma realidade dinâmica e que deve ser realizada em conjunto, o Santo Padre disse que “o movimento de equipe há muito tempo está em crise por várias razões. Por isso, senti a necessidade de promover o dia do Pacto Educativo Global, em 14 de maio próximo, confiando a organização à Congregação para a Educação Católica”.

Este evento, ressaltou o Papa, "é um apelo dirigido a todos aqueles que têm responsabilidades políticas, administrativas, religiosas e educativas para restabelecer a aldeia da educação".

“O objetivo de estar juntos não é desenvolver programas, mas reencontrar o passo comum a fim de reavivar o compromisso em prol e com as gerações jovens, renovando a paixão por uma educação mais aberta e inclusiva, capaz de escuta paciente, diálogo construtivo e mútua compreensão”, continuou.

Em seguida, o Pontífice indicou que "o pacto educacional não deve ser um simples ordenamento, não deve ser um ‘requentado’ dos positivismos que recebemos de uma educação ilustrada. Deve ser revolucionário”.

"Nunca, como agora, houve necessidade de unir esforços numa ampla aliança educativa para formar pessoas maduras, capazes de superar fragmentações e contrastes e reconstruir o tecido das relações em ordem a uma humanidade mais fraterna", afirmou.

O Papa indicou que vê “na constituição de um Pacto Educativo Global a facilitação do crescimento de uma aliança interdisciplinar e transdisciplinar, que a recente constituição apostólica Veritatis gaudium indicava para os estudos eclesiásticos como ‘o princípio vital e intelectual da unidade do saber na distinção e respeito pelas suas múltiplas, conexas e convergentes expressões'”.

Por isso, incentivou os presentes a continuarem positivamente “na realização do programa para os próximos anos, em particular na elaboração de um Diretório, na criação de um Observatório mundial, bem como na qualificação e atualização dos estudos eclesiásticos e um maior zelo pela pastoral universitária como instrumento de nova evangelização”.

"Todos esses são esforços que podem contribuir efetivamente para consolidar o pacto, no sentido que nos ensina a Palavra de Deus", disse.

4 movimentos da educação

O Santo Padre explicou que um primeiro “movimento” da realidade dinâmica da educação que busca formar integralmente as pessoas é o ecológico. “É uma das forças que puxam para o objetivo de formação completa. A educação que coloca a pessoa no centro de sua realidade integral tem o objetivo de levá-la ao conhecimento de si mesma, da Casa comum em que é chamada a viver e à descoberta da fraternidade como relação que produz a composição multicultural da humanidade, fonte de enriquecimento recíproco”, afirmou.

Um segundo movimento que tem a ver com o método é o inclusivo. "Uma inclusão que vai em direção a todos os excluídos: os que são excluídos por causa da pobreza, vulnerabilidade, guerra, fome e catástrofes naturais, seletividade social, dificuldades familiares e existenciais", indicou.

“Uma inclusão que se concretiza nas ações educacionais em favor dos refugiados, das vítimas do tráfico de pessoas, dos migrantes, sem nenhuma distinção de sexo, religião ou etnia. A inclusão não é uma invenção moderna, mas parte integrante da mensagem salvífica cristã”, acrescentou.

"Outra característica da educação é ser um movimento de paz, portador da paz."

Francisco ressaltou que “o movimento educativo construtor de paz é uma força que deve ser alimentada contra a ‘egolatria’ que cria a falta de paz, fraturas entre as gerações, povos, culturas, populações ricas e pobres, homens e mulheres, economia e ética, humanidade e ambiente”.

Em seguida, o Papa explicou que “outro elemento típico da educação é ser um movimento de equipe. Nunca é a ação de uma única pessoa ou instituição”.

“A declaração conciliar Gravissimum educationis afirma que a escola ‘constitui como que um centro em cuja operosidade e progresso devem tomar parte, juntamente, as famílias, os professores, os vários agrupamentos que promovem a vida cultural, cívica e religiosa, a sociedade civil e toda a comunidade humana’”, lembrou.

O Papa também ressaltou que a constituição apostólica Ex corde Ecclesiae, “que este ano celebra o trigésimo aniversário de sua promulgação, afirma que ‘a Universidade Católica persegue os seus objetivos também mediante o empenho em formar uma comunidade humana autêntica, animada pelo espírito de Cristo’”, e “toda universidade é chamada a ser uma 'comunidade de estudo, de pesquisa e de formação’, como assinala a constituição apostólica Veritatis Gaudium”.

Finalmente, o Pontífice agradeceu os participantes “pelo trabalho que realizam com dedicação todos os dias. Invoco sobre vocês os dons do Espírito Santo para que lhes dê a fortaleza em seu delicado ministério a favor da educação”.

Publicado originalmente em ACI Prensa. Traduzido e adaptado por Nathália Queiroz.

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Festa da Cátedra de São Pedro

Neste dia 22 de fevereiro, a Igreja celebra a Festa da Cátedra de São Pedro, uma ocasião importante que remonta ao século IV e que rende comemoração ao primado e autoridade do Apóstolo Pedro, o primeiro Papa da Igreja.

Além disso, esta celebração recorda a autoridade conferida por Cristo ao Apóstolo quando lhe diz, conforme relatam os Evangelhos: “Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei minha Igreja. E as portas do inferno não prevalecerão sobre ela”.

A palavra “cátedra” significa assento ou trono e é a raiz da palavra catedral, a Igreja onde um bispo tem o trono do qual prega. Sinônimo de cátedra é também “sede” (assento). A “sede” é o lugar de onde um bispo governa sua diocese. Por exemplo, a Santa Sé é a sede do Papa.

A cátedra ou sede que atualmente se conserva na Basílica de São Pedro em Roma foi doada por Carlos, o Calvo, ao Papa João VIII no século IX, por ocasião de sua viagem a Roma para sua coroação como imperador romano do ocidente. Este trono se conserva como uma relíquia, em uma magnífica composição barroca, obra do Gian Lorenzo Bernini construída entre 1656 e 1665.

A obra do Bernini está emoldurada por pilastras. No centro situa-se o trono de bronze dourado, em cujo interior se encontra a cadeira de madeira e que é decorada com um relevo representando a “traditio clavum” ou “entrega de chaves”.

O trono se apoia sobre quatro grandes estátuas, também em bronze, que representam quatro doutores da Igreja, em primeiro plano Santo Agostinho e Santo Ambrósio, para a Igreja latina, e Santo Atanásio e São João Crisóstomo, para a Igreja oriental.

Por cima do trono aparece um sol de alabastro decorado com estuque dourado rodeado de anjos que emolduram uma vidraça em que está representada uma pomba de 162 cm de envergadura, símbolo do Espírito Santo. É a única vidraça colorida de toda a Basílica de São Pedro.

Todos os anos nesta data, o altar monumental que acolhe a Cátedra de São Pedro permanece iluminado o dia todo com dúzias de velas e celebram-se numerosas missas da manhã até o entardecer, concluindo com a Missa do Capítulo de São Pedro.

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Igreja na China ajuda na atenção aos afetados por coronavírus

Os hospitais dependentes da Igreja Católica, organizações caritativas, empresas e comunidades católicas na China e no mundo estão fortalecendo os afetados pelo coronavírus com apoio material e espiritual.

A agência vaticana Fides informou que hospitais dependentes da Igreja Católica na China estão acolhendo e cuidando das pessoas contaminadas pelo coronavírus. Um desses hospitais é o administrado pela Congregação da Santa Esperança, da Diocese de Xian Xian, província de He Bei, no qual profissionais da saúde arriscam suas vidas para apoiar os doentes.

A diretora do hospital disse que “os suprimentos médicos e remédios estão acabando gradualmente e que os médicos, enfermeiras, religiosas e leigos estão expostos ao perigo de se infectar com o vírus”.

“Estou muito triste e preocupada, mas... confio em nosso Senhor Jesus Cristo e na proteção materna da Virgem Maria”, disse. Do mesmo modo, expressou que se sentem fortalecidos pelo apoio do Papa Francisco e da comunidade católica universal. “Estão rezando por nós e estão conosco: isso nos dá muita força”, assegurou.

As “organizações caritativas católicas, dioceses, paróquias, movimentos eclesiais, sacerdotes, religiosas e fiéis leigos individuais” também uniram forças para responder às necessidades da população chinesa, assinalou Fides.

Pe. Wang Wei, pároco de Shao Lin Kou da Diocese de Tian Jin, disse que “é impossível contar a imensa mobilização”, pois todas as comunidades católicas na China continental “estão fazendo sua parte, tanto em orações, novenas, terços, como com compromissos concretos”.

“Somos católicos, nosso coração e nossa mensagem de amor é universal. Onde for necessário, estamos prontos para fazer sentir nossa proximidade e caridade com a humanidade que sofre, sem distinções de religião, etnia ou nacionalidade”, expressou Pe. Wang Wei.

Jinde Charities, a maior organização caritativa católica ativa na China, solicitou uma arrecadação de fundos na qual participam Cáritas Internacional, países de todo o mundo e, em especial, muitos hospitais católicos administrados por ordens religiosas.

No dia 5 de fevereiro, Jinde Charities recebeu uma doação de seis milhões de yuanes, equivalente a 800 mil euros, que foram destinados à compra dos primeiros materiais de emergência, indicou Fides. Do mesmo modo, informou que de 3 a 5 de fevereiro, a organização proporcionou mais de 10 trajes de isolamento, 100 máquinas para o sistema respiratório e 30 toneladas de desinfetantes.

Fides indicou que não só os hospitais católicos, mas também empresas e fábricas de propriedade dos fiéis se colocaram a disposição das autoridades civis para receber os infectados ou para produzir os materiais médicos necessários.

vida de fé na China também se adaptou à emergência através do uso de redes sociais, informou Fides. Indicou que, diante da impossibilidade de se reunir, os fiéis estão usando ferramentas tecnológicas como “WeChat”, o aplicativo de mensagem instantânea mais popular usado na China.

Neste aplicativo, compartilham as leituras do dia, as mensagens dos bispos e as homilias. “As pessoas veem os batizados em ação, prontos para dar e compartilhar a esperança do Evangelho”, afirmou a Agência Fides.

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A santidade é o anúncio de esperança para o mundo, diz Cardeal Parolin

O Cardeal Pietro Parolin, Secretário de Estado do Vaticano, assegurou que a santidade é o anúncio de esperança que os cristãos devem dar ao mundo, especialmente aos jovens de hoje.

Assim indicou o Purpurado no simpósio “Pedagogia da santidade”, organizado pela Fundação Ação católica Escola de Santidade Pio XI, que aconteceu na quinta-feira, 6 de fevereiro, em Roma.

O Cardeal recordou que a santidade é um caminho que pode ser percorrido por todos depois de acolher a própria missão que receberam no Batismo.

A santidade, continuou o Secretário de Estado, mostra ao mundo uma humanidade nova e surpreende “sem pretender mudar os outros, mas sendo fiéis até o final ao próprio chamado”.

Além disso, “a santidade é o anúncio sempre atual de esperança a ser dirigido ao mundo. Ela é a atração da qual em particular têm necessidade os jovens que esperam, hoje mais do que nunca, testemunhas e não mestres, irmãos e irmãs com carisma e felizes, que os estimulem com o exemplo e não com sermões, para que a presença e a mensagem de Jesus vá de encontro aos sonhos de beleza que trazem no coração”.

“Somente assim se sentirão chamados a viver em plenitude sua humanidade, a decolar em direção a horizontes de infinito, porque, enfim, como São João Paulo II disse na primeira Jornada Mundial da Juventude: ‘Vale a pena ser homem, porque tu, Jesus, te fizeste homem!’”, disse.

Em seguida, o Cardeal Parolin respondeu a algumas perguntas dos jornalistas presentes e se referiu à situação da Venezuela, país para o qual se espera uma solução “interna, pacífica e democrática que veja a disponibilidade de todos” em dialogar e ajudar a população a sair de uma realidade de “dificuldade”.

Publicado originalmente em ACI Stampa. Traduzido e adaptado por Natalia Zimbrão.

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CF 2020 – Como conhecer o tema central: Fraternidade e Vida: Dom e Compromisso?

A Campanha da Fraternidade é o modo com o qual a Igreja no Brasil vivencia a Quaresma. Há mais de cinco décadas, ela anuncia a importância de não se separar conversão e serviço à sociedade e ao planeta. A cada ano, um tema é destacado. Desta forma, a Campanha da Fraternidade já refletiu sobre realidades muito próximas dos brasileiros: família, políticas públicas, saúde, trabalho, educação, moradia e violência, entre outros enfoques.

Em 2020, a CF convida, a olhar de modo mais atento e detalhado para a vida. Com o tema “Fraternidade e Vida: Dom e Compromisso” e lema “Viu, sentiu compaixão e cuidou dele” (Lc 10,33-34), busca conscientizar, à luz da palavra de Deus, para o sentido da vida como dom e compromisso, que se traduz em relações de mútuo cuidado entre as pessoas, na família, na comunidade, na sociedade e no planeta, casa comum.

Como aprofundar o tema deste ano?

Texto-base, vídeo-aulas, matérias jornalística e o vídeo oficial integram um conjunto de subsídios para conhecer e aprofundar o tema central da campanha e se inspirar na atitude do “Bom Samaritano” na hora de planejar ações nas comunidades. Veja abaixo onde encontrar estes subsídios.

Conhecer e ler o texto-base

A Campanha da Fraternidade oferece sempre uma publicação conhecida como “Texto-base” com o aprofundamento do tema de cada ano organizado no método “ver, julgar e agir”. O subsídio é publicado pela CNBB, a Edições CNBB. Este ano, o texto-base convida a um olhar que se eleva para Deus, no mais profundo espírito quaresmal, e volta-se também para os irmãos e irmãs, identificando a criação como presente amoroso do Pai.

Ver, sentir, compaixão e cuidar são os verbos de ação que irão conduzir este tempo quaresmal. Para isso, o texto-base que é dividido em três partes, convida que cada pessoa, cada grupo pastoral, movimento, associação, Igreja Particular e o Brasil inteiro, motivados pela Campanha da Fraternidade, possam ver fortalecida a revolução do cuidado, do zelo, da preocupação mútua e, portanto, da fraternidade.

O subsídio, disponível para compra no site da editora, além de oferecer um panorama completo, com todo o referencial para que se possa viver, difundir e praticar os preceitos dessa edição da CF, traz a letra do hino oficial, a oração e o conceito da arte do cartaz. Também apresenta dados e orientações sobre o Fundo Nacional de Solidariedade e o resultado integral das coletas realizadas nas celebrações do Domingo de Ramos, coleta da solidariedade.

Edições CNBB: https://www.edicoescnbb.com.br/campanha-da-fraternidade-2020

Assistir ao vídeo oficial da Campanha da Fraternidade 2020

A produção apresenta experiências de cuidado com a vida em suas várias dimensões encontradas Brasil afora e poderá ser utilizado para auxiliar as reflexões sobre a temática. O vídeo oferece um panorama completo, com todo o referencial necessário “para viver, difundir e praticar os preceitos desta edição da CF”.

O secretário executivo de Campanhas da CNBB, padre Patriky Samuel Batista, ressalta as diversas ações de cuidado em favor da vida promovidas pela Igreja em várias partes do Brasil e também “as diversas situações onde a vida tem sido descuidada e necessita de uma intervenção evangélica fruto de um coração convertido pela Palavra de Deus”. O vídeo intercala experiências de cuidado com a vida com frases de Santa Dulce dos Pobres, segundo padre Patriky, “a grande inspiradora, boa samaritana para os dias atuais”, exemplo de que “Vida doada é vida santificada”.

O vídeo pode ser encontrado no canal da CNBB no youtube: https://www.youtube.com

 

Vídeo aulas da CF 2020

Nesta série de três vídeos, é possível se informar sobre o tema central da CF 2020. O secretário executivo de Campanhas da CNBB, padre Patriky Samuel Batista, aprofunda as três partes do texto-base e da iluminação bíblica que inspirou esta campanha nos três vídeos que integram a série. As vídeo-aulas podem ser encontradas neste canal.

A série de vídeo aulas sobre o tema central pode ser vista no canal da Edições CNBB no youtube.

Matéria da Revista Bote Fé

Uma matéria jornalística especial, publicada na edição nº 30 da Revista Bote Fé, que circula de janeiro a março de 2020, aprofunda o caminho que a CF propõe: “agir como o Bom Samaritano”. A matéria fala da Quaresma como tempo litúrgico no qual a Igreja faz um convite mais intenso à conversão pessoal, renovação na família e ações em comunidade. A matéria apresenta ainda um pouco da trajetória de Santa Dulce dos Pobres e experiências no Brasil, como a experiência da Associação Guadalupe, em São José dos Campos (SP), que atua com gestantes em situação de vulnerabilidade social e com atendimento e aconselhamento de mulheres que apresentam algum risco de interromper a gravidez. A matéria apresenta ainda ações práticas a partir do texto base da CF 2020: primeirear, envolver, acompanhar, frutificar e festejar.

O link da matéria pode ser acessado aqui: https://recursos.edicoescnbb.com.br

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Papa inaugura Super Nuns em apoio a vítimas do tráfico humano

Com o primeiro clique, o Papa Francisco inaugurou “Super Nuns”, a comunidade na plataforma Patreon, idealizada para arrecadar fundos em favor das vítimas do tráfico de seres humanos e para financiar projetos de assistência e apoio.

O projeto lançado pela Talitha Kum – a Rede Internacional da Vida Consagrada comprometida em reconstruir essas vidas e protegê-las dos traficantes – e patrocinado pela Fundação Galileo, prevê a parceria de vários artistas de rua, entre os quais Stephen Power, também conhecido como ESPO, grafiteiro estadunidense, e Leiji Matsumoto, pioneiro da animação japonesa. Repetidamente, o Papa falou sobre o drama do tráfico, também pedindo ações concretas.

Francisco, na manhã deste sábado, 8, cumprimentou a todos pessoalmente e a irmã Gabriella Bottani, coordenadora internacional de Talitha Kum, apresentou o site ao Papa.

O artista Stephen Power pediu a Francisco para autografar uma cópia da primeira imagem e uma foi presenteada ao próprio Papa.

A inauguração contou com a presença de algumas irmãs da rede Talitha Kum, nascida por iniciativa da União Internacional das Superioras Gerais (UISG) e que há 10 anos promovem a colaboração e o intercâmbio de informações entre mulheres e homens consagrados em 70 países do mundo, para erradicar o flagelo da escravidão.

Irmã Gabriella Bottani comentou a iniciativa: “Para nós, é um grande desafio e também acredito em um grande dom. “Super Nuns” nasceu de uma proposta de John McCaffrey, da Fundação Galileo, que estava em contato com a sociedade Edelman, uma grande empresa de comunicação nos Estados Unidos, e que a cada ano doa seu trabalho gratuitamente para projetos sociais. Em 2019, escolheram precisamente Talita Kum por ocasião de nossos 10 anos de vida, e iniciamos um diálogo com a equipe criativa de Edelmann, que deu vida à “Super Nuns”.”

Sobre os desafios enfrentados, a religiosa comentou: “Um dos primeiros obstáculos que encontramos foi justamente como contar a história de Talitha Kum sem colocar em risco a identidade das irmãs e respeitar as vítimas. Percebemos as pessoas que acompanhamos todos os dias, que sofrem ou que sofreram com o tráfico, dos testemunhos, que no início foi um ponto crítico das relações com o grupo criativo, que depois tornou-se um espaço bonito, de novidades. Edelmann então nos fez a proposta de trabalhar com alguns artistas que trabalham na área de quadrinhos e animação. Percebemos que é uma parceria “poderosa” porque nos permite contar as histórias de Talitha Kum e de respeitar aqueles que são nossos valores. A linguagem usada pelos artistas é uma linguagem que vai além, é inovadora e que pode alcançar um público que nunca poderíamos alcançar; também nos ajuda a repensar, a propor nosso trabalho com modalidades novas que nos fascinam.”

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Igreja deve ser fiel à evangelização diante da violência, afirma Papa

Na oração mariana do Angelus deste domingo, 9, Francisco chamou atenção dos fiéis a respeito do papel da Igreja diante da violência que assola o mundo contemporâneo. “Jesus nos convida a não ter medo de viver no mundo, mesmo que nele por vezes existam condições de conflito e pecado. Diante da violência, da injustiça e da opressão, a Igreja não pode se fechar em si mesma ou esconder-se na segurança do próprio recinto; não pode abandonar sua missão de evangelização e de serviço”, disse o Papa

No Evangelho de hoje (cf. Mt 5, 13-16), Jesus diz aos seus discípulos: “Vós sois o sal da terra […]. Vós sois a luz do mundo” (vv. 13.14). Ele utiliza uma linguagem simbólica para indicar àqueles que pretendem segui-lo, alguns critérios para viver a presença e o testemunho no mundo.

Primeira imagem: sal. O sal é o elemento que dá sabor e que conserva e preserva os alimentos da corrupção. O discípulo, portanto, é chamado a ter afastados da sociedade os perigos, os germes corrosivos que poluem a vida das pessoas.

Trata-se de resistir à degradação moral, ao pecado, testemunhando os valores da honestidade e da fraternidade, sem ceder às tentações mundanas do carreirismo, do poder e da riqueza.

É “sal” o “discípulo” que, apesar dos fracassos cotidianos – porque todos nós os temos – levanta-se do pó dos próprios erros, recomeçando com coragem e paciência, a cada dia, a buscar o diálogo e o encontro com os outros. É “sal” o discípulo que não busca o consenso e o aplauso, mas se esforça para ser uma presença humilde, construtiva, na fidelidade aos ensinamentos de Jesus, que veio ao mundo não para ser servido, mas para servir. E há tanta necessidade desse comportamento.

A segunda imagem que Jesus propõe aos seus discípulos é a da luz: “Vós sois a luz do mundo”. A luz dissipa a escuridão e permite ver. Jesus é a luz que dissipou as trevas, mas elas ainda permanecem no mundo e nas pessoas. É tarefa do cristão dissipá-las, fazendo resplandecer a luz de Cristo e anunciando seu Evangelho.

Trata-se de uma irradiação que também pode derivar de nossas palavras, mas deve, acima de tudo, brotar de nossas “boas obras” (v. 16).

Um discípulo e uma comunidade cristã são luz no mundo quando direcionam os outros para Deus, ajudando cada um a fazer a experiência da sua bondade e da sua misericórdia.

O discípulo de Jesus é luz quando sabe viver a própria fé fora de espaços restritos, quando contribui para eliminar os preconceitos, a eliminar as calúnias e a deixar entrar a luz da verdade nas situações deterioradas pela hipocrisia e pela mentira. Iluminar. Mas não é a minha luz, é a luz de Jesus. Nós somos instrumentos para que a luz de Jesus chegue a todos.

Jesus nos convida a não ter medo de viver no mundo, mesmo que nele por vezes existam condições de conflito e pecado.

Diante da violência, da injustiça, da opressão, o cristão não pode fechar-se em si mesmo ou esconder-se na segurança do próprio recinto. Também a Igreja não pode fechar-se em si mesma, não pode abandonar sua missão de evangelização e de serviço.

Jesus na última ceia, pediu ao Pai não para tirar os discípulos do mundo, de deixá-los, ali, no mundo, mas de protegê-los do espírito do mundo.

A Igreja se dedica com generosidade e ternura aos pequenos e aos pobres: este não é o espírito do mundo, esta é a sua luz, é o sal. A Igreja escuta o clamor dos últimos e dos excluídos, porque tem consciência de ser uma comunidade peregrina chamada a prolongar a presença salvífica de Jesus Cristo na história.

Que a Virgem Santa nos ajude a ser sal e luz em meio às pessoas, levando a todos, com a vida e a palavra, a Boa Nova do amor de Deus.

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O Papa aos consagrados: saber ver a graça é o ponto de partida

O Papa Francisco presidiu, na tarde deste sábado (1°/02), na Basílica de São Pedro, a missa para o XXIV Dia Mundial da Vida Consagrada celebrado neste domingo (02/02).

No início da missa, as luzes da Basílica Vaticana foram apagadas e por alguns instantes o templo foi iluminado pelas velas acesas que os consagrados seguravam em suas mãos. Uma pequena chama semelhante à luz do chamado que um dia Jesus acendeu em seus corações. 

O pontífice iniciou sua homilia com a seguinte passagem bíblica: “«Meus olhos viram a Salvação»: são as palavras de Simeão, que o Evangelho apresenta como um homem simples, um homem «justo e piedoso». Mas, dentre todos os homens que estavam no templo naquele dia, só ele viu, em Jesus, o Salvador. Um menino; um pequenino, frágil e simples menino. Nele viu a Salvação, porque o Espírito Santo lhe fez reconhecer, naquele terno recém-nascido, «o Messias do Senhor»”.

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Acolher de braços abertos o dom do Senhor

Também vós, queridos irmãos e irmãs consagrados, sois homens e mulheres simples que vistes o tesouro que vale mais do que todas as riquezas do mundo. Por ele, deixastes coisas preciosas, tais como bens, criar uma família própria. Por que o fizestes? Porque vos apaixonastes por Jesus, n’Ele vistes tudo e, fascinados pelo seu olhar, deixastes o resto. A vida consagrada é esta visão. É ver aquilo que conta na vida. É acolher de braços abertos o dom do Senhor, como fez Simeão. Isto é o que veem os olhos dos consagrados: a graça de Deus derramada em suas mãos. A pessoa consagrada é alguém que, ao olhar-se cada dia, diz: «Tudo é dom, tudo é graça». Queridos irmãos e irmãs, não é mérito nosso a vida religiosa, é um dom de amor que recebemos.

Segundo o Papa, “saber ver a graça é o ponto de partida. Olhar para trás, reler a própria história e ver nela o dom fiel de Deus, não apenas nos grandes momentos da vida mas também nas fragilidades, fraquezas e misérias. O tentador, o diabo insiste precisamente em nossas misérias, em nossas mãos vazias, e corremos o risco de perder a bússola, que é a gratuidade de Deus. Com efeito, Deus nos ama e sempre se oferece a nós, mesmo nas nossas misérias. Quando mantemos o olhar fixo n’Ele, abrimo-nos ao perdão que nos renova e somos confirmados pela sua fidelidade”.

"Com efeito, sobre a vida religiosa, paira esta tentação: ter um olhar mundano. É o olhar que já não vê a graça de Deus como protagonista da vida e vai à procura de qualquer substituto: um pouco de sucesso, uma consolação afetiva, fazer finalmente aquilo que quero", frisou o Papa.

“A vida consagrada, quando deixa de girar em torno da graça de Deus, retrai-se no próprio eu: perde impulso, acomoda-se, paralisa.”

E sabemos o que acontece depois! Reivindicam-se os espaços próprios e os direitos próprios, deixamo-nos cair em críticas e murmurações, indignamo-nos pela mais pequena coisa que não funcione e entoamos a ladainha da lamentação acerca dos irmãos, das irmãs, da comunidade, da Igreja e da sociedade. Já não se vê o Senhor em tudo, mas só o mundo com as suas dinâmicas; e o coração se restringe.

Castidade, caminho para amar sem se apoderar

A fim de ter um olhar justo sobre a vida, Francisco convidou os consagrados a pedirem para “saber ver, como Simeão, a graça de Deus que veio para nós. O Evangelho repete três vezes que Simeão tinha familiaridade com o Espírito Santo, que estava nele, o inspirava e impelia. Tinha familiaridade com o Espírito Santo, com o amor de Deus".

“A vida consagrada, se permanecer firme no amor do Senhor, vê a beleza. Vê que a pobreza não é um esforço titânico, mas uma liberdade superior, que nos presenteia como verdadeiras riquezas Deus e os outros. Vê que a castidade não é uma esterilidade austera, mas o caminho para amar sem se apoderar. Vê que a obediência não é disciplina, mas a vitória, no estilo de Jesus, sobre a nossa anarquia.”

A seguir, o Papa contou uma experiência vivida por algumas religiosas: "Numa das terras onde ocorreu o terremoto, falando de pobreza e vida comunitária, havia um mosteiro beneditino. Outro mosteiro convidou as religiosas para se mudar e viver nesse mosteiro. Elas ficaram ali pouco tempo mas não eram felizes, pensavam no lugar que tinham deixado, nas pessoas de lá. No final, decidiram voltar e fazer o mosteiro em dois trailers. Em vez de estarem num grande mosteiro, confortáveis, eram como pulgas, ali, todas juntas, mas felizes na pobreza. Isso aconteceu no ano passado. Uma coisa bonita!"

Olhar dos consagrados, olhar de esperança

"Quem mantém o olhar fixo em Jesus, aprende a viver para servir. Não espera que os outros comecem, mas vai à procura do próximo, como Simeão que procurava Jesus no templo", disse ainda Francisco. "E onde se encontra o próximo, na vida consagrada? Primeiramente, na própria comunidade. Devemos pedir a graça de saber procurar Jesus nos irmãos e irmãs que recebemos. É aqui que se começa a praticar a caridade: no lugar onde se vive, acolhendo os irmãos e irmãs com as suas pobrezas, como Simeão acolheu Jesus simples e pobre. Há muitos, hoje, que só veem nos outros obstáculos e complicações. Há necessidade de olhares que procurem o próximo, que aproximem de quem está distante. Como homens e mulheres que vivem para imitar Jesus, os religiosos e as religiosas são chamados a tornar presente no mundo o olhar d’Ele, o olhar da compaixão, o olhar que vai à procura dos distantes, que não condena, mas encoraja, liberta, consola."

O olhar dos consagrados só pode ser um olhar de esperança”, disse ainda o Papa. “Saber esperar. Olhando ao redor, é fácil perder a esperança: as coisas que estão mal, a diminuição das vocações, etc. Paira ainda a tentação do olhar mundano, que aniquila a esperança”.

Francisco concluiu a sua homilia, dizendo que Simeão e Ana “eram idosos, viviam sozinhos e contudo não perderam a esperança, porque estavam em contato com o Senhor”. “Ana «não se afastava do templo, participando do culto noite e dia, com jejuns e orações». Aqui está o segredo: não se afastar do Senhor, fonte da esperança.”

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Vida Consagrada: a beleza da pertença a Deus em suas diversas expressões

Celebrado desde 1997 e instituído pelo Papa São João Paulo II, o dia da vida consagrada ‘’pretende ajudar a Igreja inteira a valorizar sempre mais o testemunho das pessoas que escolheram seguir a Cristo mais de perto, mediante a prática dos conselhos evangélicos e, ao mesmo tempo, quer ser para as pessoas consagradas uma ocasião propícia para renovar os propósitos e reavivar os sentimentos, que devem inspirar a sua doação ao Senhor.

Como ressaltou o Concílio (cf. Lumen gentium, 44), a vida consagrada «imita mais de perto, e perpetuamente representa na Igreja a forma de vida que Jesus, supremo consagrado e missionário do Pai para o seu Reino, abraçou e propôs aos discípulos que O seguiam» (n. 22).” (Mensagem para a celebração do I Dia da Vida Consagrada)

Em suas múltiplas expressões, a vida consagrada revela a íntima vocação da Igreja, de pertencer somente ao seu Senhor. A diversidade de carismas e formas de vida consagrada revelam a beleza do pertencimento a Deus, cada uma com sua identidade.

O consagrado é alguém que dá testemunho de que o mundo pode ser diferente, como uma antecipação do eterno.

Confira alguns testemunhos e olhares para as diferentes expressões da vida consagrada:

Frei Alysson Cássio – Carmelita Descalço

‘’A consagração é um mistério: nenhuma palavra dá o sentido pleno de uma realidade que supera toda inteligência humana.’’

Religioso há 16 anos, Frei Alysson Cássio, natural de João Monlevade-MG, iniciou seu caminho para a vida consagrada na Província São José – que abrange o sudeste e nordeste do Brasil – dos Frades Carmelitas Descalços, ordem a qual pertence atualmente.

Foi na juventude, com o envolvimento em atividades pastorais que viveu seu despertar vocacional. O religioso tomou conhecimento do Carmelo Descalço, com seu carisma e espiritualidade, através de livros sobre a vida de Santa Teresa de Jesus e Santa Teresinha do Menino Jesus e decidiu seguir este caminho.

Para ele, ‘’a consagração religiosa envolve uma prévia eleição por parte de Deus: é Ele quem chama, quem toma a iniciativa de convidar. É um ato de Deus Pai, que nos consagra em Cristo, com Cristo e para Cristo, na unidade do amor que é o Espírito Santo. Por isso é que se pode dizer que a consagração é uma ação divina.’’

Frei Alysson ressalta ainda que ao assumir a vida consagrada o ser humano procura viver em real configuração com Cristo casto, pobre e obediente, sendo que a consagração importa uma presença ativa e permanente de Deus no consagrado.

Divide também a realidade de sua consagração dentro do Carmelo, que se dá por meio da oração e contemplação das realidades divinas. ‘’Todo o apostolado deve ser fruto da vida de oração.’’

Santa Teresa de Jesus definiu a oração como um trato de amizade com Deus. Frei Alysson afirma que nesse “trato”, o mais importante é a relação amorosa entre os amigos: Deus e o homem. A intimidade é muito mais importante que as palavras, que os ritos, que as técnicas de recolhimento e interiorização.

Irmã Maria Raquel – Instituto HeSed

A irmã Maria Raquel, pertencente ao Instituto HeSed- CE testemunha a beleza e profundidade da vida consagrada dentro de um instituto religioso.

Ela conta que até os seus 18 anos, a consagração a Deus não era sequer uma possibilidade. Tinha planos de estudar, profissionalizar-se, casar e ter filhos; era essa a direção que havia escolhido para sua vida.

 “No entanto, encontrar-se com o Amor é algo que não apenas lhe transforma, mas que pode alterar todo o curso de sua vida. Posso dizer que não apenas me encontrei com Alguém, como me apaixonei por este Deus de uma maneira até então nunca experimentada. Os meus sonhos, que pareciam ser tão grandes, tornaram-se insignificantes quando comparados ao plano que Deus traçou para mim. Lancei-me neles com amor!’’.

A partir da primeira experiência com Deus, Irmã Maria Raquel foi percebendo uma sede insaciável dEle, um desejo irresistível de dar sua vida por Ele, pela Igreja, pela salvação das almas, pelos sacerdotes, pelos jovens e pelas famílias.

A religiosa revela que esses sentimentos todos lhe surpreenderam inicialmente; sentiu medo de algo tão inusitado, mas com o passar do tempo deu-se conta de que viver só para si, buscando a sua autossatisfação, já não fazia sentido algum.

“Eu precisava ofertar a minha vida e era esse o chamado contínuo que o Senhor me fazia: ‘Vem e segue-me!’”.

A vida religiosa foi a forma que o Senhor a inspirou, para que a oferta de sua vida se realizasse.

‘’A vida religiosa é sinal para todos do que se dará no Céu. Ela prefigura a união total e absoluta entre o Esposo e a esposa, isto é, entre Deus e a humanidade. E o que é ser esposa de Cristo? Parafraseando Santa Elisabete da Trindade, ‘ser esposa do Cristo é ser fecunda, corredentora, dar à luz às almas e à graça, multiplicar os adotivos do Pai, os resgatados do Cristo, os coerdeiros de sua glória’. Eis a nossa vocação!’’, dividiu ela.

Para a Irmã Maria Raquel, ser religiosa é ter a feliz missão de cantar as misericórdias do Senhor, pois ‘’não existe realidade de pecado, nem de afastamento de Deus, que não possa ser ultrapassada pelo amor misericordioso’’, como testemunha e ensina a fundadora do Instituto HeSed Madre Jane Madeleine.  

‘’Nossa vida é um misto de contemplação e ação. Buscamos por meio da contemplação a união com Deus para depois transbordarmos na missão este mesmo amor que deseja fazer arder todos os corações, sobretudo o dos mais distantes, frios e esquecidos.’’

Há 10 anos, a Irmã Maria Raquel vive a alegria da vida consagrada; um “sim’’ fecundo na vida de tantas pessoas, de maneira muito particular na vida de tantos jovens. ‘’Algo que só Deus pode fazer e Ele tem feito de maneira extraordinária!’’, concluiu a religiosa.

Vitor Aragão – Comunidade Católica Shalom

‘’Pela igreja, pelos homens, pelos jovens, me consumirei.’’

Vitor Aragão de Carvalho, natural de Fortaleza-CE, é consagrado na Comunidade Católica Shalom, com promessas definitivas e seminarista, em Roma.

Vindo de uma família muito católica, teve desde cedo contato com a religião, porém isso não o poupou de suas dúvidas e questionamentos sobre a fé.

O encontro com sua vocação começou quando, ao estar em um momento de incertezas e questionamentos, Vitor foi convidado para participar de um acampamento de jovens.

19 de janeiro de 2007 é uma data marcante para o jovem seminarista: dia em que viveu seu encontro pessoal com Jesus Cristo e ali entendeu que não poderia mais ser o mesmo; não poderia viver sem Deus.

“A partir deste encontro eu não mais ouvia falar de Deus, mas ouvia Deus falando diretamente comigo. E um detalhe mudou tudo em minha vida: Ele se tornou o meu melhor amigo.’’

Vitor conta também que neste momento não tinha planos de ser consagrado e nem seminarista.  Seu foco era apenas ser amigo de Jesus.

Construiu então uma caminhada de amizade com Deus; participou de grupos de oração, foi catequista e teve contato com alguns carismas. Posteriormente, sentiu-se chamado a dar um passo a mais.

‘’Foi quando perguntei a Deus, assim como São Francisco de Assis perguntou, ‘Senhor o que tu queres que eu faça?’. Jesus respondeu que me queria inteiramente para Ele e me pediu para que anunciasse o amor que eu havia conhecido.’’

Diante desta resposta que recebeu, Vitor começou a buscar o caminho que o levaria a ser todo de Deus. Assim, iniciou sua trajetória na comunidade de vida Shalom, onde vive a pobreza, a castidade e a obediência.

O amor pelos jovens e o ser missionário foram sempre o sentido de todo o caminho de consagração de Vitor.

Com relação ao sacerdócio, o jovem divide que já havia se questionado algumas vezes sobre essa vocação, mas não como uma decisão e correspondência a um convite de Deus. Com o tempo, o chamado ao sacerdócio foi se tornando forte e se transformou em uma inquietação do seu coração.

‘’Tive muito medo de dizer sim ao sacerdócio, mas esse medo foi sendo vencido por Deus. Lembro-me de dias em que disse para Ele que não iria ser padre; bastava eu ser missionário. Mas no outro dia, o Senhor me inquietava novamente e eu tinha uma nova chance de respondê-lo.’’

O seminarista revela ainda que hoje entende que todo medo é pequeno diante da graça de Deus e que Ele nos escolhe mesmo fracos e falhos, do jeito que somos. Compreende que mesmo com suas dificuldades, é chamado a ser missionário, ser a misericórdia de Cristo para os outros.

Como consagrado e futuro sacerdote, Vitor tem uma rotina de oração, estudos e trabalho. Dedica as manhãs para a oração, como um tempo específico para Deus e para fortalecer seu amor esponsal e concilia os demais compromissos ao longo do dia.

‘’O amor esponsal a Deus me faz querer estar em comunidade, viver a vida fraterna e a unidade com cada um dos meus irmãos. E o amor a Deus, unido aos irmãos, resulta na evangelização constante’’, explicou.

Vitor trabalha no Centro Internacional São Lourenco, com a evangelização dos jovens de todas as nações e sente que este é o seu chamado pessoal: a evangelização do jovem. ‘’Sou padre porque Deus me chamou, mas pelos jovens. Escolho dizer ‘sim’ em Deus, pelos jovens.’’

Para ele, o ser consagrado é, de fato, ser separado; separado para Deus.

‘’Durante a minha vida eu tive muitas oportunidades de escolher outros caminhos, mas Deus quis me separar e essa é a minha grande alegria.

Existe uma plenitude de felicidade que só experimentamos quando fazemos a vontade de Deus. Encontro plenitude quando sou separado para Ele e lançado para os outros, podendo ser alimento para um mundo que geme, sofre e espera, com fome, a manifestação dos filhos de Deus, que se fazem eucaristia’’, concluiu Vitor.

Padre José Roberto – Arquidiocese de São Paulo

Padre José Roberto Pereira exerce seu ministério sacerdotal há 12 anos, na Arquidiocese de São Paulo. Atualmente é pároco na Paróquia Nossa Senhora da Consolação, coordenador regional da Pastoral Vocacional e diretor espiritual da Renovação Carismática, na Arquidiocese.

‘’Encontrei-me com a minha vocação numa comunidade da periferia da zona leste de São Paulo. Eu participava de grupo de jovens, namorava, tinha minha vida como qualquer outro jovem da minha idade.

Comecei a conviver com os padres combonianos em minha comunidade de origem, e posteriormente um padre diocesano chegou, o Padre Eduardo Araújo. Algo me encantava na vida deste padre; sua maneira de conduzir a comunidade, sua dinâmica e seu jeito amigo.

Em um determinado momento, comecei a sentir uma inquietação e decidi falar com o Padre Eduardo, mesmo ele já não estando mais na comunidade. Fui ao encontro dele e antes que eu pudesse falar algo, ele já sabia que era sobre vocação.

Fiz um ano e meio de encontros vocacionais e aos 23 anos entrei para o seminário. Depois, em 1999 fui ordenado sacerdote. Trabalhei em outras paróquias e no ano de 2010 assumi a administração da minha paróquia atual, na qual sou pároco há mais de 5 anos.’’, relatou o padre José sobre o encontro com sua vocação.

O sacerdote diz que, para ele, o sentido da vida consagrada é a total entrega a Deus e ao outro. É abrir mão totalmente das suas próprias vontades, desejos e momentos, para viver inteiramente para Deus.

‘’Temos, a cada dia, que aprender a nos sacrificarmos; morrer para si mesmo e viver em Deus, esse é o sentido da consagração.’’

Padre José Roberto ressalta que viver o sacerdócio, no dia a dia, é aprender a apascentar o rebanho a ele confiado e aprender a lidar com as limitações humanas, sejam as dele ou as de seus irmãos.

Também entende que é chamado a uma busca constante de ajudar o outro a crescer, a encontrar-se com Deus.

‘’Busco também viver o meu sacerdócio na fraternidade presbiteral, que é tão necessária e urgente, nos dias de hoje. Nós padres, precisamos viver uns com os outros; a vida consagrada é uma constante convivência em comunidade: com o outro e para o outro.’’

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