O Papa Francisco lançou na última quinta-feira (18), no Vaticano, a sua tão aguardada encíclica sobre o meio ambiente: Laudato si . O documento vem recheado de críticas aos países ricos e de considerações sobre o aquecimento global. Para enfrentar o problema, o pontífice convoca as pessoas a “realizar mudanças de estilo de vida, de produção e de consumo”.
As páginas do documento vão além da questão ambiental: falam também de tecnologia, política e dívida externa. Francisco pede que os países ricos aceitem reduzir o tamanho de suas economias para “frear o consumismo”. Ele diz que é preciso pôr limites ao “insustentável” comportamento dos que “consomem e destroem”. “Chegou o momento de aceitar um certo decrescimento em algumas partes do mundo, aportando recursos para que seja possível crescer de maneira saudável em outras partes”, escreve.
O pontífice também denunciou "a submissão da política à tecnologia e às finanças", o que seria uma das causas dos fracassos para conter o aquecimento global e a deterioração do planeta. O lançamento da encíclica faltando exatos seis meses para o COP 21, o grande encontro do clima que ocorre em Paris no final do ano, é considerado intencional, para tentar influenciar, de alguma forma, o evento. Há esperança de que, finalmente, as grandes potências mundiais cheguem, em Paris, ao que seria o primeiro acordo universal sobre o clima.
Falando sobre os recursos hídricos, o papa fala em tom de profecia. "É previsível que o controle da água por parte de grandes empresas mundiais se converta em uma das principais fontes de conflitos deste século", afirma.
A encíclica também denuncia o atual sistema econômico mundial que, segundo ele, usa a "dívida externa como instrumento de controle". A declaração veio apenas algumas antes horas da reunião do Eurogrupo que deve decidir o destino da Grécia, país às voltas com um problema de endividamento que ameaça sua economia.
Francisco ainda critica os países ricos por não reconhecerem a "dívida ecológica" que têm com os países em desenvolvimento. O texto vai ao encontro do que prega, por exemplo, a China nos debates sobre a questão do clima. Os chineses acham que as metas de redução na emissão de gases para os países emergentes devem ser menores do que as impostas aos desenvolvidos, já que estes se industrializaram, em boa medida, graças a práticas insustentáveis do ponto de vista ambiental.