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Catedral Nossa Senhora Aparecida Votuporanga-SP |

Por meio da Sagrada Liturgia, cada batizado é convidado a viver configurando-se à vida de Jesus Cristo. Para tanto, a Igreja ajuda-nos a percorrer esse caminho de assimilação da existência cristã propondo-nos a dinâmica do Ano Litúrgico, cujo ápice é o Tríduo Pascal, que celebra os mistérios centrais de nossa fé: o Senhor crucificado, sepultado e ressuscitado.
A Igreja “recorda a entrada do Cristo Senhor em Jerusalém para consumar seu mistério pascal”. Na procissão de ramos, experimentamos nossa condição de peregrinos, caminhantes para a eternidade. Participar dessa procissão nos predispõe a caminhar juntos, manifestando nossa alegria em sermos discípulos de Jesus. Na segunda parte da celebração – a Missa –, faz-se memória da Paixão de Cristo, de Seu ato de amor, Sua entrega para nossa salvação.
Comumente chamada de Missa do Lava-pés por ser um dos elementos dessa celebração – ainda que não seja o mais importante. Neste dia, a Igreja celebra “a instituição da Sagrada Eucaristia e da ordem sacerdotal, bem como o mandato do Senhor sobre a caridade fraterna” . É dia de agradecermos pelo dom da Eucaristia – presença real do Senhor que nos alimenta nas estradas da vida; pelo sacerdócio ministerial – recordando-nos de todos aqueles a quem o Senhor chamou para uma vocação específica de entrega e serviço; e de nos empenharmos à caridade concreta em favor dos mais fragilizados.
Neste dia, a Igreja celebra a Paixão e Morte de Cristo. A celebração é marcada pelo despojamento e silêncio. Após as leituras da Palavra de Deus, procede-se com a Adoração da Cruz – em que reconhecemos o infinito amor do Senhor pela humanidade, seguida da distribuição da sagrada Comunhão. A Igreja, esposa de Cristo, une-se ao seu Senhor, medita Suas dores, chora Sua morte. Este é um dia de jejum, de abstinência, de cultivar o silêncio e de refletir sobre nossa resposta de amor a Deus.
Durante este dia, “a Igreja permanece junto do sepulcro do Senhor, meditando na Sua Paixão e Morte, bem como a Sua descida à mansão dos mortos (1Pd 3,19), e esperando a Sua Ressurreição, em oração e jejum”5.
A celebração do Domingo de Páscoa começa na noite de Sábado com a “Vigília Pascal na noite santa”. É antiquíssima a tradição dessa vigília, que remonta aos primeiros séculos, aguardando o dia da gloriosa Ressurreição do Senhor. Essa celebração é realizada em quatro partes: a primeira, com o lucernário e a proclamação da Páscoa. Na segunda parte, iluminada pela Páscoa de seu Senhor, “a santa Igreja medita as maravilhas que o Senhor Deus realizou desde o início para seu povo que confia em sua palavra e sua promessa”; na terceira, a Igreja celebra ou recorda a vida nova no Batismo. Por fim, na quarta parte da celebração, os cristãos são convidados “à mesa que o Senhor preparou para o seu povo: o memorial de sua morte e ressurreição, até que Ele venha”6. É dia de rejubilarmos pelas maravilhas que o Senhor realizou para nos salvar, pelo Batismo que recebemos e pelo convite que nos faz, ao banquete eucarístico.
Com a celebração do dia da Páscoa, a Igreja, resplandecente de alegria, proclama: Este é o dia que o Senhor fez para nós, alegremo-nos e nele exultemos.
A Semana Santa é um convite profundo à vivência dos mistérios centrais da nossa fé. Ao longo desses dias, a Igreja nos oferece, por meio da Sagrada Liturgia, um caminho para refletir sobre o amor incondicional de Deus e nos desafia a viver de maneira mais plena o nosso compromisso com Ele e com o próximo. Que, ao participar desses momentos de graça, renovemos nossa fé, fortalecendo nossa esperança e vivendo de forma concreta o mandamento do amor-comunhão. Abençoada Semana Santa!