Papa Francisco e patriarca russo assinam declaração comum em encontro histórico


13/02/2016 - 14:41
“Falamos claramente, sem meias-palavras, e confesso-vos que senti a consolação do Espírito neste diálogo”, disse o papa Francisco, após a assinatura da declaração comum com o líder da Igreja Ortodoxa Russa, patriarca Kirill, durante encontro em Havana, Cuba, nesta sexta-feira, 12.

O momento foi considerado histórico, pois reuniu líderes das duas Igrejas após mais de 900 anos de separação. ” Apesar desta Tradição comum dos primeiros dez séculos, há quase mil anos que católicos e ortodoxos estão privados da comunhão na Eucaristia. Estamos divididos por feridas causadas por conflitos de um passado distante ou recente, por divergências – herdadas dos nossos antepassados – na compreensão e explicitação da nossa fé em Deus, uno em três Pessoas: Pai, Filho e Espírito Santo”, dizem na declaração.

O documento representa uma nova fase nas relações entre as Igrejas, que estão “determinadas a realizar tudo o que seja necessário para superar as divergências históricas” herdadas e a “unir esforços para testemunhar o Evangelho de Cristo e o patrimônio comum da Igreja do primeiro milênio, respondendo em conjunto aos desafios do mundo contemporâneo”.

Entre esses desafios, os líderes religiosos expressam preocupação com a perseguição dos cristãos, sobretudo no Oriente Médio e no norte da África. “Em muitos países do Médio Oriente e do Norte de África, os nossos irmãos e irmãs em Cristo vêem exterminadas as suas famílias, aldeias e cidades inteiras. As suas igrejas são barbaramente devastadas e saqueadas; os seus objetos sagrados profanados, os seus monumentos destruídos. Na Síria, no Iraque e noutros países do Médio Oriente, constatamos, com amargura, o êxodo maciço dos cristãos da terra onde começou a espalhar-se a nossa fé e onde eles viveram, desde o tempo dos apóstolos, em conjunto com outras comunidades religiosas”, afirmam.

Ainda no documento, abordam a importância da liberdade e do diálogo inter-religioso. Segundo o papa Francisco e o patricarca Kirill, “nas circunstâncias atuais, os líderes religiosos têm a responsabilidade particular de educar os seus fiéis num espírito respeitador das convicções daqueles que pertencem a outras tradições religiosas".

Outras questões também são abordadas na declaração como as pessoas que vivem em situações de pobreza, migrantes e refugiados, as famílias.


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