Notícias e Artigos Litúrgicos
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Padre Gilmar Margotto completa mais um ano de vida no dia 02/07

No dia 02 de julho, o padre Gilmar Antonio Fernandes Margotto, pároco da Catedral Nossa Senhora Aparecida, comemora mais um ano de vida. Padre Gilmar nasceu em Votuporanga, no dia 02 de julho de 1970, filho de José Margotto (in memorian) e de Maria Fernandes Margotto, tendo como irmãs Maria de Fátima, Rosely e Neide Ely. Ele foi batizado na Igreja Matriz de Votuporanga pelo Frei Tarcísio Leite no dia 25 de agosto de 1970. Viveu parte de sua infância na cidade de Cosmorama. Foi crismado também na Igreja Matriz por Dom José de Aquino Pereira. 

Em 1988, aos 17 anos, padre Gilmar aceitou o chamado de Deus e ingressou no Seminário Diocesano em São José do Rio Preto, sendo ordenado diácono em 13 de maio de 1994 e ordenado presbítero no dia 27 de janeiro de 1995. Ambas as celebrações foram realizadas na Igreja Matriz de Votuporanga e presididas por Dom José de Aquino Pereira.       

Menos de um mês após a sua ordenação presbiteral, foi nomeado pároco da recém-criada Paróquia Senhor Bom Jesus de Votuporanga. Durante mais de 16 anos, o padre Gilmar esteve à frente da Paróquia Senhor Bom Jesus. Padre Gilmar também é formado em Psicologia pelo Centro Universitário do Norte Paulista (UNORP). Juntamente com os padres Edemur José Alves (falecido em 2011) e Carlos Rodrigues dos Santos, ele formou a Comissão Diocesana de Estudos para a criação da Diocese de Votuporanga. 

Em setembro de 2011, após o falecimento do padre Edemur José Alves, de quem era muito amigo, foi convidado pelo bispo diocesano a assumir a Paróquia Nossa Senhora Aparecida. Em meio a dor em deixar sua comunidade tão amada e o entusiasmo em assumir um novo desafio que a Igreja o confiava, ele aceitou o convite do bispo, tomando posse no dia 26 de outubro de 2011. 

Nestes 8 anos o padre Gilmar cativou a todos os paroquianos da Paróquia Nossa Senhora Aparecida. Como destaque de seu trabalho estão a reorganização territorial, reforma do Salão, Secretaria Paroquial e das sacristias, construção do Centro de Eventos, volta das badaladas do relógio, instalação dos vitrais, celebração dos sacramentos, Missa em todos os dias da semana, comemoração dos 70 anos da paróquia, transmissão da missa pela internet, criação da Web Rádio e Web TV, incentivo aos trabalhos sociais dos Vicentinos, Pastoral da Criança e Casa Abrigo, Missão de Evangelização nos Setores, entre outros. Além disso, Padre Gilmar atuou na Comissão de Criação da Diocese de Votuporanga desde 2010 e em 2016, com a instalação da nova diocese, o sacerdote tornou-se o Cura da Catedral.

Além de pároco da Catedral, Padre Gilmar atua como membro do Colégio dos Consultores da Diocese e é Assessor Diocesano de Comunicação.

Parabéns Padre Gilmar, que o senhor tenha muitos anos de vida, cheios de paz e saúde e repletos das bênçãos do Altíssimo.

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Documento sobre Catequese aborda cultura digital e a globalização da cultura

O novo Diretório Geral para a Catequese, herdeiro do “Diretório Geral para a Catequese” de 1971 e do “Diretório Geral para a Catequese” de 1997, publicado nesta semana no Vaticano, durante apresentação Dom Rino Fisichella, Presidente do Pontifício Conselho para a Promoção da Nova Evangelização,  traz um caminho de amadurecimento para aqueles que receberam o anúncio da Boa Nova.

O documento, elaborado pelo Pontifício Conselho para a Promoção da Nova Evangelização, foi aprovado pelo Santo Padre no dia em que a Liturgia celebrava a memória litúrgica de São Turíbio de Mogrovejo, que, no século XVI, deu um forte impulso à evangelização e à catequese.

A peculiaridade do novo Diretório é a estreita ligação entre a Evangelização e a Catequese, que destaca a íntima união entre o primeiro anúncio e o amadurecimento da fé, à luz da cultura do encontro. Tal peculiaridade – lê-se no texto – torna-se bem mais necessária diante de dois desafios para a Igreja, na época contemporânea: “a cultura digital e a globalização da cultura”.

Em mais de 300 páginas, divididas em 3 partes e 12 capítulos, o texto do novo Diretório recorda que “todo batizado é um discípulo missionário” e que “são urgentes esforços e responsabilidades, necessários para encontrar novos instrumentos de linguagem para comunicar a fé”.

Os princípios basilares, com os quais podemos agir, são três: “testemunho, misericórdia e diálogo”. Testemunho, porque “a Igreja não cresce por proselitismo, mas por atração”; misericórdia, “por meio da qual a verdadeira catequese torna crível a proclamação da fé”; diálogo, “livre e gratuito, que não obriga, mas, partindo do amor, contribui para a construção da paz”. Assim, – explica o Diretório – “a catequese ajuda os cristãos a dar pleno sentido à sua existência”.

O novo Diretório é dividido em três partes: a primeira, dedicada à “Catequese na missão evangelizadora da Igreja”, fala da formação dos catequistas; a segunda, intitulada “O processo da Catequese”, frisa a importância da família: parte integrante e ativa da evangelização; e a terceira, dedicada à “catequese nas Igrejas particulares”, ressalta o papel das paróquias, definido como “exemplo de apostolado comunitário”: catequese criativa e ensino da religião”.

Aspectos essenciais da Catequese

Outras partes especiais da Catequese, segundo o novo Diretório, são: “ecumenismo, diálogo inter-religioso com o Judaísmo e o Islamismo”. A catequese deve “despertar o desejo de unidade” entre os cristãos, se quiser ser “um instrumento crível de evangelização”. Quanto ao Judaísmo, convida-se a manter um diálogo para combater o antissemitismo e promover a paz e a justiça.

Diante do fundamentalismo violento, que, às vezes se defronta com o Islamismo, a Igreja exorta a favorecer o conhecimento e encontro com os muçulmanos. Em um contexto de pluralismo religioso, a Catequese deve “aprofundar e fortalecer a identidade dos fiéis”, promovendo o impulso missionário, mediante o testemunho e um diálogo “afável e cordial”.

Cultura digital

O novo Diretório Geral para a Catequese reflete ainda sobre a “cultura digital”, hoje “natural”, que mudou a linguagem e as hierarquias dos valores em escala global. Tal cultura é rica de aspectos positivos, apesar do seu “lado sombrio”, que pode causar solidão, manipulação, violência, cyber-bullying, preconceito, ódio. Aqui, os jovens devem ser acompanhados a buscar sua liberdade interior, para se diferenciar do “rebanho social”.

Além da cultural digital, o Documento aborda também a ciência e a tecnologia, que devem ser orientadas para melhorar as condições de vida da família humana; trata ainda da bioética, partindo do pressuposto de que “nem tudo o que é tecnicamente possível é moralmente admissível”, partindo do princípio da sacralidade e inviolabilidade da vida humana, em contraste com a cultura da morte; aconselha a discernir entre intervenções, manipulações terapêuticas e eugenia; sugere a tratar, numa perspectiva de fé, “a sexualidade, como resposta à chamada original de Deus”.

Enfim, o novo Documento do Vaticano faz referência a uma “profunda conversão ecológica”, promovida por uma catequese em defesa da Criação, do bem comum, dos direitos dos mais fracos.

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Não há amor verdadeiro sem cruz, afirma Papa

O Papa Francisco rezou a oração mariana do Angelus deste domingo, 28, da janela da residência pontifícia vaticana, junto com alguns fiéis que se encontravam na Praça São Pedro. Na reflexão que precedeu a oração, o Papa recordou que o Evangelho deste domingo convida homens e mulheres a viver plenamente e sem hesitação a adesão ao Senhor. “Jesus pede aos seus discípulos que levem a sério as exigências do Evangelho, mesmo quando isto requer sacrifício e esforço”, frisou.

Segundo o Pontífice, o primeiro pedido exigente que Jesus faz àqueles que O seguem é que coloquem o amor a Ele acima dos afetos familiares. “Ele diz: ‘Quem ama o pai ou a mãe, […] o filho ou a filha mais do que a mim não é digno de mim'”. Em seguida, o Santo Padre acrescentou:

“Jesus não pretende certamente subestimar o amor pelos pais e filhos, mas sabe que os laços de parentesco, se forem postos em primeiro ugar, podem desviar-se do verdadeiro bem. Vemos algumas corrupções nos governos ocorre porque o amor pelo parentesco é maior que o amor pela pátria e eles colocam os parentes no comando. O mesmo com Jesus: quando o amor é maior que Ele, não é uma coisa boa”.

Francisco prosseguiu: “Todos nós poderíamos dar muitos exemplos a este respeito. Sem mencionar as situações em que os afetos familiares se misturam com escolhas opostas ao Evangelho. Quando, por outro lado, o amor pelos pais e filhos é animado e purificado pelo amor ao Senhor, então torna-se plenamente fecundo e produz frutos de bem na própria família e muito para além dela”.

O Papa recordou que Jesus repreende os doutores da lei que fazem com que os pais não tenham o necessário com a pretensão de entregá-lo ao altar, de entregá-lo à Igreja. “Ele os repreende! O verdadeiro amor a Jesus exige um amor verdadeiro pelos pais, pelos filhos, mas primeiro buscamos o interesse familiar, isso sempre leva a um caminho errado”.

“Quem não toma a sua cruz e não me segue, não é digno de mim”, diz Jesus aos seus discípulos, destaca o Pontífice. “É uma questão de o seguir no caminho que Ele percorreu, sem procurar atalhos. Não há amor verdadeiro sem cruz, ou seja, sem um preço a pagar pessoalmente. E muitas mães dizem isso, muitos pais que se sacrificam muito pelo filho e carregam verdadeiros sacrifícios, cruzes, mas porque amam.”

Carregada com Jesus, a cruz não é assustadora, porque Ele está sempre presente, dando apoio na hora da provação mais dura, para dar força e coragem, afirmou o Santo Padre. Francisco também falou sobre a necessidade que homens e mulheres apresentam de preservar a própria vida, com atitudes temerosas e egoístas. “Jesus adverte: ‘Quem procura conservar a própria vida, vai perdê-la. E quem perde a sua vida por causa de mim’, ou seja, por amor a Jesus, por amor ao próximo, pelo serviço aos outros, ‘vai encontrá-la’. Este é o paradoxo do Evangelho”, destaca o Papa.

Para o Pontífice, hoje, há muitos exemplos de pessoas que dão a vida por Jesus, pelo próximo.“Vemos isso hoje nesses dias. Quantas pessoas, quantas pessoas, estão carregando cruzes para ajudar os outros, se sacrificam para ajudar os que precisam nesta pandemia. Mas, sempre com Jesus, é possível fazer”. Segundo Francisco, a plenitude da vida e da alegria é encontrada através da doação de si mesmo pelo Evangelho e pelos irmãos, com abertura, aceitação e benevolência. “Ao fazê-lo, podemos experimentar a generosidade e gratidão de Deus”.

No Evangelho deste domingo, Jesus diz também: “Quem recebe a vocês, recebe a mim […]. Quem der ainda que seja apenas um copo de água fria a um desses pequeninos […] não perderá a sua recompensa”. O Papa frisou: “A gratidão generosa de Deus Pai leva em consideração até o mais pequeno gesto de amor e serviço prestado aos irmãos”.

“Nesses dias, ouvi um sacerdote que ficou comovido porque uma criança se aproximou dele na paróquia e disse: ‘Padre, estas são as minhas economias; pouca coisa. É para os seus pobres, para aqueles que precisam hoje por causa da pandemia’. Coisa pequena, mas uma coisa grande. É uma gratidão contagiosa, que ajuda cada um de nós a sentir gratidão por aqueles que se preocupam com as nossas necessidades”, refletiu.

O Santo Padre continuou: “Quando alguém nos oferece um serviço, não devemos pensar que tudo nos é devido. Não. Muitos serviços são feitos gratuitamente. Pensem no voluntariado, que é uma das maiores coisas que a sociedade italiana tem. Os voluntários! Quantos deles perderam a vida nessa pandemia. Isso é feito por amor, simplesmente para o serviço. A gratidão, o reconhecimento, é antes de tudo um sinal de boa educação, mas é também um distintivo do cristão. É um sinal simples mas genuíno do reino de Deus, que é o reino do amor gratuito e reconhecido”.

O Papa concluiu, pedindo a Virgem Maria, que amou Jesus mais do que a sua própria vida e o seguiu até a cruz, para que ajude a todos, colocando homens e mulheres sempre diante de Deus com um coração disponível, deixando que a sua Palavra julgue os comportamentos e as escolhas.

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Pedro e Paulo não só falaram, mas também morreram pelo seu Senhor, lembra cardeal

O Cardeal Orani João Tempesta, arcebispo do Rio de Janeiro, explica que no lugar do 13º domingo do tempo comum, neste ano, teremos essa solenidade dos apóstolos.

“Cada ano a liturgia nos leva a meditar sobre a vida destes dois grandes Apóstolos. Pedro é considerado “o cabeça dos apóstolos”, por ter sido um dos principais líderes da Igreja Cristã primitiva, tanto por sua fé e pregação, como pelo ardor de amor a Jesus”, destaca o cardeal.

Pedro, príncipe dos Apóstolos

O cardeal conta que Pedro, que tinha como primeiro nome Simão, era natural de Betsaida, irmão do Apóstolo André. Pescador, foi chamado pelo próprio Jesus e, deixando tudo, seguiu ao Mestre, estando presente nos momentos mais importantes da vida do Senhor, que lhe deu o nome de Pedro. Em princípio, fraco na fé, chegou a negar Jesus durante o processo que culminaria em sua morte por crucifixão.

“O próprio Senhor o confirmou na fé após Sua ressurreição (da qual o apóstolo foi testemunha), tornando-o intrépido pregador do Evangelho, de modo especial, após a descida do Espírito Santo de Deus, no Dia de Pentecostes, o que o tornou líder da primeira comunidade. Selou seu apostolado com o próprio sangue, pois foi martirizado em uma das perseguições aos cristãos, sendo crucificado de cabeça para baixo a seu próprio pedido, por não se julgar digno de morrer como Seu Senhor, Jesus Cristo. São Pedro escreveu duas cartas e, também, serviu como fonte de informações para que São Marcos escrevesse seu Evangelho”, comenta dom Orani.

Nesse dia também comemora-se o Dia do Papa com orações e unidade com aquele que sucede hoje a Pedro: o Papa Francisco. “O nosso presente para o Papa, que é o óbolo de São Pedro, neste ano, será oferecido pelo povo de Deus na coleta das missas do dia 4 de outubro (São Francisco de Assis), por determinação do Papa Francisco. É com esse óbolo que tantas nações e situações são ajudadas pelo Papa pelo mundo afora”, afirma o cardeal.

Paulo, apóstolo dos gentios

Dom Orani explica que o apóstolo das gentes, Paulo, nasceu entre os anos de 5 e 10 da era cristã, em Tarso, capital da Cilícia, na Ásia Menor, cidade aberta às influências culturais e às trocas comerciais entre o Oriente e o Ocidente. Descende de uma família de judeus da diáspora, pertencente à tribo de Benjamim, que observava rigorosamente a religião dos seus pais, sem recusar os contatos com a vida e a cultura do Império Romano.

Segundo o arcebispo, os pais deram-lhe o nome de Saul (nome do primeiro rei dos judeus) que, depois, tornou-se Paulo. O nome Saul passou para Saulo porque assim era este nome em grego. Mais tarde, a partir da sua primeira viagem missionária no mundo greco-romano, Paulo usa exclusivamente o sobrenome latino Paulus.

Dom Orani explica também que Paulo recebeu a sua primeira educação religiosa em Tarso tendo por base o Pentateuco e a lei de Moisés. A partir do ano 25 (d.C.) vai para Jerusalém onde frequenta as aulas de Gamaliel, aprofundando com ele o conhecimento do Pentateuco escrito e oral. Aprende a falar e a escrever aramaico, hebraico, grego e latim. Pode falar publicamente em grego ao tribuno romano, em hebraico à multidão em Jerusalém (At 21, 37.40) e catequizar hebreus, gregos e romanos.

“Paulo é chamado o Apóstolo por ter sido o maior anunciador do cristianismo nos tempos apostólicos. Entre as grandes figuras do cristianismo nascente, a seguir a Cristo, Paulo é de fato a personalidade mais importante que conhecemos. É uma das pessoas mais interessantes e modernas de toda a literatura grega, e a sua Carta aos Coríntios é das obras mais significativas da humanidade. Escreveu 13 cartas às Igrejas por ele fundadas: cartas grandes: duas aos tessalonicenses; duas aos coríntios; aos gálatas; aos romanos. Cartas da prisão: aos filipenses; bilhete a Filemon; aos colossenses; aos efésios. Cartas pastorais: duas a Timóteo e uma a Tito”, comenta cardeal Orani.

Os apóstolos, segundo o cardeal, testemunharam Jesus não somente com a palavra, mas também com o modo de viver e com a própria morte. “Por isso mesmo, seu martírio é uma festa para a Igreja, pois é o selo de tudo quanto anunciaram”, diz o bispo.

“Eis o sinal do verdadeiro Apóstolo: dar a vida pelo rebanho, com Jesus e como Jesus, gastando-se, morrendo, para que os irmãos vivam no Senhor! Por isso, caríssimos meus, a alegria da Igreja na Festa: Pedro e Paulo não só falaram, não só viveram, mas também morreram pelo seu Senhor; e já sabemos pelo próprio Cristo-Deus que não há maior prova de amor que dar a vida por quem amamos! Bem-aventurado é Pedro, bendito é Paulo, que amaram tanto o Senhor a ponto de darem a vida por ele! Nisto são um exemplo, um modelo, uma norma de vida para todos nós. Aprendamos com eles!”, finaliza dom Orani.

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Papa no Angelus: a maior graça é fazer da vida um dom

Após presidir a celebração da Missa na Basílica Vaticana, o Papa Francisco rezou o Angelus com os fiéis na Praça São Pedro por ocasião da festa dos santos padroeiros de Roma.

Em sua alocução, comentou o episódio da vida de Pedro em que um anjo o libertou da prisão, salvando-o da morte, mas o mesmo não ocorreu em Roma e sua vida não foi poupada.

“O Senhor lhe concedeu muitas graças e o libertou do mal: faz assim também conosco. Ou melhor, com frequência vamos até Ele só nos momentos de necessidade, a pedir ajuda. Mas Deus vê mais longe e nos convida a ir além, a buscar não só os seus dons, mas Ele, o Senhor de todos os dons; a confiar-lhe não só os problemas, mas a vida.”

Fazer da vida um dom

A maior graça, disse o Papa, é doar a vida, é fazer da vida um dom. E isso vale para todos, na família, no trabalho e para quem é consagrado. De modo especial, Francisco citou os idosos abandonados pela família, como se fossem “material descartável”. “Este é um drama do nosso tempo: a solidão dos idosos.”

São Pedro não se tornou herói por ter sido libertado da prisão, mas por ter dado a vida aqui, transformando um lugar de execuções num lugar de esperança, que é a Basílica Vaticana. “Eis o que pedir a Deus: não só a graça do momento, mas a graça da vida.”

O segredo da vida feliz é reconhecer Jesus como Deus vivo, “não como uma estátua”, porque não importa saber que Jesus foi grande na história e apreciar o que fez, mas importa saber qual lugar dou a Ele na minha vida, no meu coração.

É a este ponto que Jesus diz a Simão: “Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja”. Foi chamado pedra não porque era confiável, pelo contrário, explicou Francisco, mas porque escolheu construir a vida sobre Jesus, não sobre suas capacidades. “É Jesus a rocha sobre a qual Simão se tornou pedra”.

O Papa, então, concluiu com algumas perguntas aos fiéis: “E eu, como vivo a vida? Penso só nas necessidades do momento ou acredito que a minha verdadeira necessidade é Jesus, que faz de mim um dom? E como construo a vida, sobre as minhas capacidades ou sobre o Deus vivo? Que Nossa Senhora nos ajude a colocá-Lo na base de cada dia e interceda para que possamos fazer da nossa vida um dom”.

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Precisamos de testemunhos de que o Evangelho é possível, afirma Papa

“Como o Senhor transformou Simão em Pedro, assim chama a cada um para fazer de nós pedras vivas, com as quais deseja construir uma Igreja e uma humanidade renovadas. Há sempre quem destrua a unidade e quem apague a profecia, mas o Senhor acredita em nós e pede: ‘Queres ser construtor de unidade? Queres ser profeta do meu céu na terra?’ Deixemo-nos provocar por Jesus e ganhemos a coragem de Lhe dizer: ‘Sim, quero’!”. Esta foi a exortação do Papa Francisco na missa desta segunda-feira, 29,  na Solenidade dos Santos Pedro e Paulo, celebrada no Altar da Cátedra da Basílica de São Pedro.

Na presença de cerca de 90 fiéis – tomando todos os cuidados para evitar a nova onda de contágio por coronavírus, o Santo Padre destacou durante a celebração, duas palavras-chave: unidade e profecia. No início da Missa, após a saudação litúrgica, o Decano do Colégio Cardinalício, cardeal Giovanni Battista Re fez um breve pronunciamento, que antecedeu o rito da benção dos pálios que serão entregues aos Arcebispos Metropolitas nomeados no decorrer do último ano. O cardeal Re recebeu o pálio do próprio Papa Francisco.

Unidade

A reflexão do Pontífice parte da familiaridade que unia Pedro e Paulo. “Duas pessoas muito diferentes, mas sentiam-se irmãos, como numa família unida onde muitas vezes se discute mas sem deixar de se amarem”, uma familiaridade que “não provinha de inclinações naturais, mas do Senhor. Ele não nos mandou agradar, mas amar. É Ele que nos une, sem nos uniformizar”.

Francisco observa que, em meio às perseguições, os primeiros cristãos não pensam em fugir ou salvar a própria pele, “mas todos rezam juntos” e enfatizou que “a unidade é um princípio que se ativa com a oração, porque a oração permite ao Espírito Santo intervir, abrir à esperança, encurtar as distâncias, manter-nos juntos nas dificuldades”.

Oração: caminho para a unidade

“Naqueles momentos dramáticos, ninguém se lamenta do mal, das perseguições”, pois “é inútil, e até chato, que os cristãos percam tempo se lamentando do mundo, da sociedade, daquilo que está errado. As lamentações não mudam nada”. Ao contrário, aqueles cristãos rezavam. Hoje, podemos interrogar-nos: ‘Guardamos a nossa unidade com a oração? Rezamos uns pelos outros?’.

O Papa questionou: “Que aconteceria se rezasse mais e murmurasse menos? Aquilo que aconteceu a Pedro na prisão: como então, muitas portas que separam, abrir-se-iam; muitas algemas que imobilizam, cairiam. Peçamos a graça de saber rezar uns pelos outros”. São Paulo, completou o Santo Padre, exortava os cristãos a rezar por todos, mas em primeiro lugar por quem governa:

“É uma tarefa que o Senhor nos confia. Temo-la cumprido? Ou limitamo-nos a falar? Quando rezamos, Deus espera que nos lembremos também de quem não pensa como nós, de quem nos bateu a porta na cara, das pessoas a quem nos custa perdoar. Só a oração desata as algemas, só a oração deixa livre o caminho para a unidade”.

Pedro e André

O Pontífice recorda que o pálio abençoado “recorda a unidade entre as ovelhas e o Pastor que, como Jesus, carrega a ovelha nos ombros e nunca mais a larga”. Ao mesmo tempo, fala da bela tradição deste dia em que “unimo-nos de maneira especial ao Patriarcado Ecumênico de Constantinopla: “Pedro e André eram irmãos; e entre nós, quando é possível, trocamos uma visita fraterna nas respectivas festas; não tanto por gentileza, mas para caminhar juntos rumo à meta que o Senhor nos indica: a unidade plena”.

A verdadeira profecia

Depois da unidade, o Santo Padre fala de uma segunda palavra: profecia. Com perguntas provocatórias, Jesus faz Pedro entender que “não Lhe interessam as opiniões gerais, mas a opção pessoal de O seguir”, e a Saulo, o abala interiormente, fazendo-o cair por terra no caminho para Damasco, derrubando “sua presunção de homem religioso e bom”. Então, vem as profecias: “Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja” (Mt 16, 18); e a Paulo: “É instrumento da minha escolha, para levar o meu nome perante os pagãos” (At 9, 15):

“Assim, a profecia nasce quando nos deixamos provocar por Deus: não quando gerimos a própria tranquilidade, mantendo tudo sob controle. Quando o Evangelho inverte as certezas, brota a profecia. Só quem se abre às surpresas de Deus é que se torna profeta”. E isso, pode ser visto em Pedro e Paulo, profetas que enxergam mais além: “Pedro é o primeiro a proclamar que Jesus é ‘o Messias, o Filho de Deus vivo’; Paulo antecipa a conclusão da sua vida: ‘Já me aguarda a merecida coroa, que me entregará, naquele dia, o Senhor'”.

Francisco prosseguiu: “Hoje precisamos de profecia, de verdadeira profecia: não discursos que prometem o impossível, mas testemunhos de que o Evangelho é possível. Não são necessárias manifestações miraculosas, mas vidas que manifestam o milagre do amor de Deus. Não potência, mas coerência; não palavras, mas oração; não proclamações, mas serviço; não teoria, mas testemunho. Precisamos não de ser ricos, mas de amar os pobres; não de ganhar para nós, mas de nos gastarmos pelos outros; não do consenso do mundo, mas da alegria pelo mundo que virá; não de projetos pastorais eficientes, mas de pastores que ofereçam a vida: de enamorados de Deus”.

E foi como “enamorados de Deus” que Pedro e Paulo anunciaram Jesus, sublinhou Francisco. “Pedro, antes de ser colocado na cruz, não pensa em si mesmo, mas no seu Senhor e, considerando-se indigno de morrer como Ele, pede para ser crucificado de cabeça para baixo. Paulo está para ser decapitado e pensa só em dar a vida, escrevendo que quer ser ‘oferecido como sacrifício’. Isto é profecia. E muda a história”.

Também existe uma profecia, descrita no Livro do Apocalipse, quando Jesus promete às suas testemunhas fiéis “uma pedra branca”, na qual “estará gravado um novo nome”, recorda o Papa. E assim, explica o Santo Padre, “como o Senhor transformou Simão em Pedro, assim chama a cada um para fazer de nós pedras vivas, com as quais deseja construir uma Igreja e uma humanidade renovadas”.

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Na festa dos santos Pedro e Paulo, Papa saúda o Patriarca Bartolomeu

Ao saudar os fiéis na Praça São Pedro após o Angelus desta segunda-feira, 29 – Solenidade dos Santos Pedro e Paulo – o Papa Francisco dirigiu uma saudação especial ao Patriarcado Ecumênico de Constantinopla, que em decorrência da pandemia não pôde enviar uma delegação a Roma, como tradicionalmente acontece nesta solenidade.

“Portanto, envio espiritualmente um abraço ao querido irmão o Patriarca Bartolomeu, na esperança que possam ser retomadas o mais rápido possível nossas recíprocas visitas.”

Na festa de Santo André, em 30 de novembro, é a Santa Sé que envia uma delegação a Istambul. Momentos antes, na celebração eucarística na Basílica Vaticana, o Pontífice mencionou a ausência dos ortodoxos, mas disse que sentiu a presença do “amado irmão Bartolomeu” ao rezar diante das relíquias de São Pedro.

Ainda nas saudações, Francisco mencionou também os mártires decapitados, queimados vivos e assassinados, sobretudo durante o império de Nero. “Esta terra em que nos encontramos é ensanguentada pelos nossos irmãos cristãos”, disse o Pontífice, recordando que amanhã se celebra a comemoração dos mártires.

O Papa concluiu a sua saudação fazendo votos de que a visita aos túmulos dos Apóstolos reforce a fé e o testemunho dos peregrinos, e desejou a todos um bom feriado

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Cristo Redentor acolhe primeiro grande tributo às vítimas da Covid-19

Nesta quarta-feira, 1º de julho, acontecerá uma Missa em tributo às vítimas das Covid-19 com o tema “Para cada vida”. A homenagem é promovida pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e a Cáritas Brasileira, com apoio do Verificado – iniciativa das Nações Unidas para combate à desinformação.

A celebração, que será realizada no Cristo Redentor, no Rio de Janeiro, a partir das 19h, e transmitida ao vivo pelo Youtube e Facebook – @cnbbnacional e @caritasbrasileira – trará mensagens de solidariedade às famílias afetadas pelas perdas nesta pandemia, de gratidão aos trabalhadores e voluntários anônimos, assim como aos profissionais da saúde que estão atuando diante de um desafio mundial, e de esperança a todos os brasileiros.

A missa terá a honra de contar com uma mensagem de solidariedade e uma bênção do Papa Francisco, e também com uma mensagem de Dom Walmor Oliveira de Azevedo, presidente da CNBB.

A cerimônia religiosa será presidida pelo cardeal brasileiro, arcebispo do Rio de Janeiro, Dom Orani João Tempesta. “A nossa arquidiocese foi escolhida para ser o lugar de manifestar a nossa solidariedade e oração por aqueles que faleceram com essa pandemia. Justamente nesse altar, que é o Cristo Redentor, queremos colocar todas as pessoas do mundo inteiro que partiram, para que sejam recebidas na casa do Pai. E rezar pelos seus familiares para que consolados prossigamos na procura do bem e da paz”, disse o Cardeal.

Em seguida, uma projeção impactante será transmitida no Cristo Redentor, um dos maiores cartões-postais do mundo. Para encerramento da celebração, haverá um show da cantora Alcione, contribuindo para promover um momento de esperança, essencial em meio ao sentimento de fragilidade do cenário atual.

Com a celebração, a CNBB, a Cáritas Brasileira e o Verificado têm o objetivo de proporcionar uma homenagem para cada vida, além de humanizar este momento crítico pelo qual o mundo está passando, dando luz às vidas perdidas, que tendem a serem apenas estatísticas devido ao alto número de óbitos diários.

A celebração “Para Cada Vida” conta com o apoio do projeto Verificado, uma iniciativa global da Nações Unidas, que busca inundar os canais de comunicação com informações verificadas e transmitidas pela ONU envolvendo os temas de ciência, solidariedade e soluções, combatendo assim, a infodemia de desinformações em meio a esta pandemia que assola o mundo.

O projeto conta com a colaboração da Purpose, uma das maiores organizações de mobilização social do mundo, e com o apoio de articulação do NEXUS, movimento global que facilita espaços de encontro entre as novas gerações de filantropos, empreendedores sociais e investidores de impacto.

Sobre o projeto Verificado

O projeto Verificado é uma iniciativa global ONU que tem o objetivo de combater a infodemia de desinformação em meio à pandemia, compartilhar informações que salvam vidas e orientações baseadas em fatos e histórias do melhor da humanidade. O site Verificado traz uma galeria de informações verificadas e transmitidas pelas Nações Unidas. Na busca de inundar os canais de comunicação, as mensagens são baseadas em três frentes: Ciência – para salvar vidas, Solidariedade – para promover cooperação local e global; e Soluções – para defender o apoio a populações impactada.

Acesse: www.compartilheverificado.com.br

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Primeira viagem do Papa João Paulo II ao Brasil completa 40 anos

No dia 30 de junho de 40 anos atrás, em 1980, o solo de Brasília foi beijado por São João Paulo II, para a primeira das quatro visitas que o Papa polonês realizou ao Brasil no decorrer do seu pontificado. “Abraço neste momento – ao menos em espírito – cada pessoa que vive nesta pátria brasileira. O Papa pensa em cada um. Ele ama a todos e a todos envia um cumprimento bem brasileiro: ‘um abraço!’”, foi o que afirmou João Paulo II.

Com esse gesto de amizade, o Papa pediu aos brasileiros que recebessem os seus votos de felicidades. “Deus abençoe o vosso Brasil. Deus abençoe a todos vós, brasileiros, com a paz e a prosperidade, a serena concórdia na compreensão e na fraternidade. Sob o olhar materno e a proteção de Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil!”.

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Os números e o fôlego de Karol Wojtyla impressionam. Em 13 dias (a viagem se concluiu em 12 de julho), ele cruzou o Brasil de norte a sul, percorrendo quase 15 mil quilômetros. Além de Brasília, esteve em Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo, Aparecida, Porto Alegre, Curitiba, Salvador, Recife, Teresina, Belém, Fortaleza e Manaus, de onde se despediu do país.

Ninguém ficou de fora: o Papa se reuniu com autoridades – o presidente na época era João Figueiredo -, corpo diplomático, seminaristas, religiosas, religiosos, sacerdotes, bispos. Visitou pontos turísticos, como o Corcovado, penitenciárias, leprosários, favelas. Manteve encontros com a comunidade judaica, polonesa, com ortodoxos, homens da cultura, operários, estudantes, líderes das Comunidades Eclesiais de Base e indígenas.

Mas mais do que os números, ficaram indeléveis as palavras e, sobretudo, os gestos de afeto para com o brasileiro. “Aprendi, por exemplo, que ‘quem parte leva saudades’. Devo confessar que já estou sentindo o que significa este ditado. Mas, com a saudade do Brasil, levo também no coração uma imensa alegria e a mais grata satisfação, por tudo aquilo que me foi dado ver, comungar e viver convosco, nestes dias da minha permanência entre vós. (…) E agora posso confiar-vos um desejo? Que as vossas portas que se abriram para mim com amor e confiança, permaneçam largamente abertas para Cristo. Será minha alegria plena”.

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Anunciada a criação da nova Conferência Eclesial da Amazônia

Em um comunicado oficial da Assembleia do Projeto de constituição da Conferência Eclesial da Amazônia, após dois dias de deliberações, o anúncio da criação do organismo. O comunicado, que tem data de 29 de junho de 2020, Solenidade de São Pedro e São Paulo, é assinado por Dom Miguel Cabrejos Vidarte, Presidente do CELAM e pelo cardeal Cláudio Hummes, OFM, Presidente da Rede Eclesial Pan-Amazônica (Repam). Dom Cláudio foi eleito presidente da Conferência Eclesial da Amazônia. Leia a íntegra do comunicado:

“A proposta dos Padres sinodais de ‘criar um organismo episcopal que promova a sinodalidade entre as Igrejas da região, que ajude a delinear o rosto amazônica desta Igreja e que continue a tarefa de encontrar novos caminhos para a missão evangelizadora’ (DF, 115), e o pedido do Papa Francisco, unido a seus quatro sonhos para este território e para toda a Igreja, em sua exortação pós-sinodal Querida Amazônia, que os pastores, os consagrados, as consagradas e os fiéis leigos da Amazônia se empenhem na sua aplicação (QA, 4) encontrou uma resposta na Assembleia do Projeto de Constituição da Conferência Eclesial da Amazônia, realizada virtualmente nos dias 26 e 29 de junho de 2020.

Esta Assembleia, realizada de forma sem precedentes através de canais digitais, foi uma novidade do Espírito, e faz parte deste Kairós esperançoso que continua o caminho sinodal para abrir novos caminhos para a Igreja e para uma ecologia integral na região Pan-Amazônica.

É um sinal muito especial que o nascimento desta Conferência Eclesial da Amazônia acontece na festa de São Pedro e São Paulo, como gesto de sua vocação para afirmar a identidade da Igreja e de sua opção profética e em saída missionária que surge como um chamado inevitável para o tempo presente. Esta festividade de nossa Igreja é também um gesto de agradecimento pelo serviço do Santo Padre, por isso consideramos que o nascimento desta Conferência Eclesial como um signo de esperança juntamente com o Magistério do Papa Francisco, que acompanhou de perto todo este processo.

A composição desta Assembleia reflete a unidade na diversidade de nossa Igreja e seu chamado a uma sinodalidade cada vez maior; unidade expressada também pela inestimável presença e companhia permanente de importantes membros da Santa Sé que sentem a proximidade e relação direta com o Sínodo da Amazônia e com a missão da Igreja neste território, que sem dúvida continuará a partir de suas respectivas instâncias para auxiliar estes novos caminhos. A votação do nome, após um profundo discernimento nesta fase do processo: Conferência Eclesial da Amazônia, e da sua identidade, composição e modo geral de funcionamento (estatuto), foi aprovada por unanimidade, em ambos os casos, pelos membros votantes.

Da mesma forma, com muita esperança e alegria compartilhamos a eleição do Cardeal Claudio Hummes, OFM (Brasil) como seu presidente; de monsenhor David Martínez de Aguirre, OP (Peru), como seu vice-presidente; e, por outro lado, para o Comitê Executivo foi eleito monsenhor Eugenio Coter (Bolívia), como bispo representante das Conferências Episcopais do território amazônico, junto com as presidências dos órgãos eclesiais regionais que acompanharão este processo de forma orgânica: CELAM, REPAM, CLAR e CÁRITAS ALyC; junto com os 3 representantes dos povos originais designados: Sra. Patricia Gualinga do povo Kichwa-Sarayaku (Equador); Ir Laura Vicuña Pereira do povo Kariri (Brasil); e Sr. Delio Siticonatzi do povo Asháninka (Peru).

Nestes tempos difíceis e excepcionais para a humanidade, quando a pandemia do coronavírus afeta fortemente a região Pan-Amazônica, e as realidades de violência, exclusão e morte contra o bioma e os povos que o habitam, clamam por uma conversão integral urgente e iminente, a Conferência Eclesial da Amazônia quer ser uma boa notícia e uma resposta oportuna aos gritos dos pobres e da irmã mãe Terra, bem como um canal eficaz para assumir, a partir do território, muitas das propostas surgidas na Assembleia Especial do Sínodo dos Bispos para a Região Pan-Amazônica, realizada em outubro de 2019, sendo também um vínculo que anime outras redes e iniciativas eclesiais e socioambientais em nível continental e internacional (cf. DF, 115)”.

 

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Papa: a exemplo dos mártires dos nossos dias, seguir sem medo diante dos desafios da vida

Neste domingo (21), oficialmente de verão no hemisfério norte, o Papa completou um mês de retorno à oração mariana do Angelus, feita diretamente da janela do Palácio Apostólico aos fiéis presentes na Praça São Pedro. Durante todo o período de lockdow na Itália, Francisco rezou de dentro da biblioteca.

Na sua alocução, que precedeu o Angelus, o Papa descreveu três situações concretas de adversidades enfrentadas pelos discípulos na proclamação do Reino de Deus, a partir de um trecho do Evangelho deste domingo (cf. Mt 10, 26-33). Através delas e fazendo eco ao convite de Jesus, Francisco exortou para não se ter medo, ser forte e confiante diante dos desafios da vida. De fato, "o medo é um dos inimigos mais feios da nossa vida cristã".

O anúncio sem medo diante da hostilidade

Em primeiro lugar, o Papa descreveu “a hostilidade daqueles que gostariam de silenciar a Palavra de Deus”. Jesus, até aquele momento, transmitiu a mensagem de salvação “com prudência, quase em segredo”, diferente do que deveriam fazer os Apóstolos:

“Eles deverão proclamá-la “à luz”, ou seja, abertamente, e anunciar “dos terraços”, isto é, publicamente, o seu Evangelho.”

A perseguição aos cristãos até hoje

A segunda dificuldade que os missionários de Cristo encontraram, lembrou o Papa, foi “a ameaça física contra eles, isto é, a perseguição direta do seu povo, chegando até a matar”. Uma profecia de Jesus, “dolorosa”, mas que “atesta a fidelidade das testemunhas” e se constata em todos os tempos:

“Quantos cristãos são perseguidos ainda hoje em todo o mundo! Sofrem pelo Evangelho com amor, são os mártires dos nossos dias. E podemos dizer com certeza que são mais mártires que nos primeiros tempos: muitos mártires somente por ser cristãos... A esses discípulos de ontem e de hoje que sofrem a perseguição, Jesus recomenda: «Não temais os que matam o corpo, e não podem matar a alma» (v. 28). Não devemos nos assustar por aqueles que procuram extinguir a força da evangelização através da arrogância e da violência. Nada, na verdade, podem fazer contra a alma, ou seja, contra a comunhão com Deus: essa, ninguém pode tirar dos discípulos, pois é um dom de Deus.”

A certeza do amor de Deus

O terceiro tipo de provação que os Apóstolos enfrentaram, recorda o Papa, é a sensação de que o próprio Deus os abandona, ao permanecer “distante e silencioso”. Mas não devemos ter medo, exorta Francisco, porque “o Pai cuida de nós” na hora da adversidade e do perigo:

“Também aqui nos exorta a não ter medo, porque, apesar de passar por essas e outras ciladas, a vida dos discípulos está firmemente nas mãos de Deus, que nos ama e nos guarda. [...] O que importa é a sinceridade, é a coragem do testemunho, do testemunho de fé: 'reconhecer Jesus perante os homens' e seguir adiante fazendo o bem.”

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Papa Francisco inclui três invocações marianas na Ladainha de Nossa Senhora

Papa Francisco incluiu três novas invocações à Ladainha de Nossa Senhora: “Mater misericordiae” (Mãe de Misericórdia), “Mater spei” (Mãe da esperança) e “Solacium migrantium” (Conforto dos migrantes).

A decisão do Pontífice foi anunciada neste sábado, 20, memória do Imaculado Coração de Maria, por meio de uma carta do Prefeito da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, Cardeal Robert Sarah, e dos Secretário-geral desse dicastério, Dom Arhur Roche, dirigida aos presidentes das conferências episcopais de todo o mundo.

“Inúmeros são os títulos e invocações que a piedade cristã, ao longo dos séculos, reservou para a Virgem Maria, uma maneira privilegiada e segura de encontrar a Cristo”, destaca a carta.

A primeira invocação será feita após o título “Mater Ecclesiae” (Mãe da Igreja), a segunda após “Mater divinae gratiae” (Mãe da divina graça), a terceira após “Refugium peccatorum” (Refúgio dos pecadores).

A LADAINHA

Também conhecida como Ladainha ou Litania Lauretana, esse conjunto de invocações dirigidas a Nossa Senhora foi entoado solenemente pela primeira vez em 1531, em Loreto, na Itália. No entanto, sua origem remonta o século XIII. Em 1601, essa ladainha foi aprovada pelo Papa Clemente VIII.

Ao longo dos séculos, algumas invocações foram acrescentadas pelos pontífices, como, por exemplo: “Rainha concebida sem pecado original”, em 1854; “Mãe do bom conselho”, em 1903; “Rainha da paz”, em 1917; “Rainha assunta ao céu”, em 1950; “Mãe da Igreja”, em 1964 e, a mais recente, “Rainha da família”, incluída por São João Paulo II, em 1995.

Agora, com a inclusão feita pelo Papa Francisco, a Ladainha de Nossa Senhora, que até então tinha 51 títulos, passa a ter 54 invocações à Virgem Maria.

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Francisco: a São Luiz Gonzaga, padroeiro dos jovens, pedimos a graça de um coração novo

Ao final do Angelus deste domingo (20), durante as saudações finais, o Papa Francisco lembrou dos peregrinos, da Itália e de outros países, que começam a retornar à Praça São Pedro para rezar a oração mariana. De fato, como aconteceu em várias partes do mundo que determinaram o lockdown, várias igrejas e templos de oração foram fechados em respeito às medidas de segurança e prevenção ao coronavírus.

O exemplo de São Luiz Gonzaga

Entre os muitos peregrinos na Praça São Pedro, os jovens, a quem o Papa fez uma saudação especial:

“Hoje recordamos São Luiz Gonzaga, um rapaz cheio de amor a Deus e ao próximo; morreu muito jovem, aqui em Roma, porque cuidava dos doentes, vítimas da peste. À sua intercessão, confio os jovens de todo o mundo.”

Através de uma mensagem no Twitter, o Papa também quis dedicar um pensamento especial ao padroeiro da juventude, quando escreveu:

“Queridos jovens, pedimos a graça de um coração novo pela intercessão do santo padroeiro de vocês, São Luiz Gonzaga, jovem corajoso que nunca recuou no serviço aos outros, tanto que deu a vida para curar os doentes da epidemia da peste. Que o Senhor mude os nossos corações!”

Dia dos Pais na Argentina

O exemplo dos pais, para os jovens, também foi lembrado pelo Papa Francisco durante o Angelus. O Pontífice disse que, na Argentina, “na sua pátria”, este domingo (21) é de comemoração pelo Dia dos Pais:

“Asseguro a minha proximidade e oração a todos os pais. Todos sabemos que ser pai não é uma tarefa fácil, por isso rezemos por eles. Quero recordar, de maneira especial, os nossos pais que que continuam nos protegendo do céu.

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Bento XVI retornou ao Vaticano depois de breve estadia na Alemanha

O Papa Emérito Bento XVI voltou ao Vaticano nesta segunda-feira depois de visitar seu irmão Georg Ratzinger, de 96 anos, gravemente doente, em Ratisbona, Alemanha.

Bento XVI retornou a Roma, em 22 de junho às 12h59 (horário local). Chegou ao aeroporto romano de Ciampino em um avião militar italiano que voou de Munique. Ele realizou esta breve viagem com muita discrição para visitar seu irmão gravemente doente.

O Papa Emérito foi acompanhado por seu secretário, Dom Georg Ganswein; o vice-comandante da Gendarmaria Vaticana, Davide Giulietti; o médico Polisca e outros assistentes.

Na manhã desta segunda-feira, antes de viajar para a Itália, Bento XVI visitou seu irmão novamente em sua casa por volta das 9h.

A saúde de Mons. Georg Ratzinger "parece estável, embora a situação de sua saúde seja grave", disse ACI Stampa, agência em italiano do Grupo ACI).

Bento XVI foi despedido no aeroporto alemão pelo presidente da Baviera, Markus Söder, e pelo bispo de Ratisbona, Rudolf Voderholzer.

Visita à Alemanha

Ontem à tarde, o Papa Emérito visitou em forma privada a Catedral de Ratisbona e rezou na capela do santo padroeiro da diocese, São Wolfgang. De fato, a diocese de Ratisbona celebra seu santo padroeiro de 21 a 27 de junho, razão pela qual, durante a manhã, o Núncio Apostólico na Alemanha, Dom Nikola Eterovic, disse que, em nome do Papa Francisco, era “é uma honra cumprimentar o Papa Emérito na Alemanha novamente, mesmo nesta difícil situação familiar".

O Núncio em Berlim encontrou-se pessoalmente com o Papa Emérito e agradeceu "pelo respeito e amizade, que permitiram que o Papa Emérito se sinta em casa aqui em Baviera".

Por sua vez, Bento XVI celebrou a Eucaristia Dominical com seu irmão e passou o resto do dia com ele.

No sábado, o Papa Emérito também visitou o túmulo da família no cemitério de Ziegetsdorf, em Ratisbona, onde estão sepultados os restos mortais de seus pais e de sua irmã, Maria. Lá, Bento XVI rezou um Pai-Nosso e uma Ave-Maria.

Da mesma forma, Bento XVI visitou sua antiga casa em Pentling, que atualmente é um museu, e permaneceu lá por 45 minutos "parando no jardim e voltando a ver os retratos da família".

Publicado originalmente em ACI Prensa. Traduzido e adaptado por Nathália Queiroz.

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Papa aos heróis da pandemia: o início de um milagre

Um sinal de esperança é a marca deixada pelo Papa Francisco em cada uma das pessoas que participaram da audiência no Vaticano no último sábado (20). Uma grande delegação formada por profissionais da saúde e sacerdotes que vieram da área mais afetada pelo coronavírus na Itália, a região norte do país.

O milagre em meio à pandemia

Médicos e enfermeiros, em particular, descritos pelo Pontífice como “artesãos silenciosos da cultura da proximidade e da ternura”, se sentiram abraçados pelas palavras tanto de reconhecimento pelo “serviço árduo e até heroico” feito durante a pandemia como de encorajamento para seguir adiante. Ao final da audiência, o Papa motivou esses “anjos” a canalizar a energia positiva para produzir frutos no futuro:

“E não se esqueçam que, com o trabalho de vocês, de todos vocês, médicos, paramédicos, voluntários, sacerdotes, religiosos, leigos, que fizeram isso, começaram um milagre. Tenham fé e, como dizia aquele alfaiate, um teólogo já falecido: "eu nunca vi Deus começar um milagre sem terminá-lo bem". [Manzoni, Promessi sposi, cap. 24°]. Que termine bem esse milagre que vocês começaram!”

A enfermeira do Hospital Papa João XXIII, da cidade de Bergamo, Barbara Valle, presente na audiência, comentou as palavras de Francisco: “palavras muito bonitas, inclusive usar a palavra milagre é realmente uma coisa muito forte. Esperamos que, olhando para o futuro, mantenhamos essa experiência como algo que nos fortaleceu mesmo se devemos continuar mantendo os comportamentos que temos que manter. Mas, deixando para trás a provação, com todo o sofrimento que mesmo assim permanece no coração que, depois, com o tempo, vamos reelaborando em sentido positivo, nos deu uma grande força”.

As enfermeiras são mães

A enfermeira foi cumprimentada pelo Papa ao final da audiência, com palavras de “ternura e esperança”, depois da bênção e da foto em grupo: “devemos ser obedientes às disposições”, disse Francisco, em referência às medidas de segurança por causa da pandemia. De fato, além do distanciamento social durante todo o encontro, o Papa é quem foi ao encontro dos presentes para saudá-los, um a um, “com gentileza, como se deve fazer, como as autoridades disseram para fazer”, ressaltou o Pontífice.

“Quando ele se aproximou, disse palavras muito bonitas. Eu disse que era uma enfermeira, junto com as outras colegas, e ele nos disse que as enfermeiras são como mães que expressam ternura. Depois, me contou uma anedota pessoal: disse que devia a sua vida à uma enfermeira que lhe tinha dado uma dose a mais daquela recomendada pelo médico.”

Gestos de proximidade

O médico do Pronto-Socorro do Hospital Papa João XXIII, de Bergamo, Massimiliano De Vecchi, também presente na audiência, falou da situação atual sob controle em relação aos meses anteriores, apesar de ter vivido uma tragédia pessoal. De Vecchi chegou a contar ao Pontífice que perdeu o pai, vítima da Covid-19: “percebi que o Papa, naquele momento, rezou por ele. Foi um gesto de proximidade que me marcou muito”, disse o médico.

“Das suas palavras me impactaram mais quando enfatizou as boas coisas vividas e emersas durante essa tragédia. O Papa nos recordou que, em meio a tanta dor, a tanto sofrimento, existiram muitos gestos de proximidade, de solidariedade e que não devemos nos esquecer disso, mas guardar tudo para o futuro.”

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Eucaristia é união com Cristo e comunhão com o próximo, diz Papa

Após celebrar a missa de Corpus Christi, neste domingo, 14, o Papa Francisco rezou da janela de seu escritório a oração mariana do Angelus com os fiéis reunidos na Praça São Pedro. Em sua alocução, falou de dois efeitos da celebração eucarística: o efeito místico e o efeito comunitário.O efeito místico ou espiritual diz respeito à união com Cristo, que no pão e no vinho se oferece para a salvação de todos.

“Jesus está presente no sacramento da Eucaristia para ser o nosso nutrimento, para ser assimilado e tornar-se força renovadora, mas isso requer o nosso consenso, a nossa disponibilidade para nos deixar transformar; do contrário, as celebrações eucarísticas se reduzem a ritos vazios e formais”, advertiu o Papa. Muitos vão à missa como ato social, disse o Pontífice, mas o mistério é outra coisa: “é Jesus presente, que vem para nos nutrir”.

O segundo efeito é comunitário, isto é, da comunhão recíproca entre os que participam da Eucaristia, a ponto de se tornar um só corpo. “Não se pode participar da Eucaristia sem se empenhar numa sincera fraternidade recíproca”. Mas sabendo que as forças humanas não são suficientes, pois entre os discípulos haverá sempre a tentação da rivalidade, o Senhor nos deixou o Sacramento da sua Presença real, concreta e permanente, comentou.

Segundo o Santo Padre, este é o dúplice fruto da Eucaristia: a união com Cristo e a comunhão entre os que se nutrem d’Ele. Citando a Constituição conciliar Lumen gentium, Francisco recordou que a Igreja faz a Eucaristia, mas é mais fundamental que a Eucaristia faz a Igreja e lhe permite ser a sua missão antes mesmo de realizá-la. “Este é o mistério da Eucaristia: receber Jesus para que nos transforme interiormente, para que faça a unidade entre nós, não a divisão. (…) Que Nossa Senhora nos ajude a acolher sempre com estupor e gratidão o grande dom que Jesus nos fez, deixando-nos o Sacramento do seu Corpo e do seu Sangue”, foi a oração final do Papa.

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Com Jesus, podemos imunizar-nos contra a tristeza, afirma Papa

“A Eucaristia não é simples lembrança; é um fato: é a Páscoa do Senhor, que ressuscita para nós”. No dia em que a Itália celebra a Solenidade de Corpus Christi, o Papa Francisco presidiu a missa na Basílica de São Pedro com a participação de cerca de 50 fiéis. A homilia do Pontífice foi inspirada no seguinte versículo extraído do Deuteronômio: “Recorda-te de todo esse caminho que o Senhor, teu Deus, te fez percorrer» (Dt 8, 2)”. O Pontífice falou sobre a memória.

Para Francisco, é essencial recordar o bem recebido: “Se o não conservamos na memória, tornamo-nos estranhos a nós mesmos, meros ‘passantes’ pela existência. Pelo contrário, fazer memória é amarrar-se aos laços mais fortes, sentir-se parte duma história transmitida de geração em geração”. Nossa memória é frágil, recordou o Santo Padre, por isso Deus deixou um memorial. Não deixou apenas palavras, mas deu um Alimento: a Eucaristia não é simples lembrança; é um fato: é a Páscoa do Senhor, que ressuscita para todos. “Fazei isto em memória de Mim.”

A Eucaristia cura a memória ferida e órfã. Introduz na memória um amor maior: o d’Ele. Cura também aquilo que o Pontífice chamou de “memória negativa”, isto é, pensar de que não se serve para nada, que só se comete erros. “O Senhor sabe que o mal e os pecados não são a nossa identidade; são doenças, infeções. E Ele vem curá-las com a Eucaristia, que contém os anticorpos para a nossa memória doente de negativismo. Com Jesus, podemos imunizar-nos contra a tristeza”.

Com Jesus, os problemas cotidianos não desaparecem, mas o seu peso deixa de esmagar, porque, na profundidade, Ele encoraja com amor. “Aqui está a força da Eucaristia, que nos transforma em portadores de Deus”. Justamente por isso, ao sair da missa, o Papa afirma que não se pode continuar a reclamar, a criticar e a se lamentar, pois a alegria do Senhor muda a vida.

Enfim, a Eucaristia cura a memória fechada. Se, no início, somos medrosos e desconfiados, aos poucos nos tornamos cínicos e indiferentes, agindo com insensibilidade e arrogância, alertou o Papa. “Só o amor cura o medo pela raiz e liberta dos fechamentos que aprisionam. É assim que faz Jesus, vindo ter conosco com mansidão, na fragilidade desarmante da Hóstia; assim faz Jesus, Pão partido para romper a carapaça dos nossos egoísmos”.

Eis o convite a não desperdiçar a vida, correndo atrás de mil coisas inúteis que criam dependências e deixam o vazio dentro, afirmou Francisco. Segundo o Santo Padre, homens e mulheres são as mãos de Deus para saciar o próximo e juntos devem formar correntes de solidariedade. “Agora, é urgente cuidar de quem tem fome de alimento e dignidade, de quem não trabalha e tem dificuldade em seguir para diante. E fazê-lo de modo concreto, como concreto é o Pão que Jesus nos dá.”

Por fim, uma recomendação: “Queridos irmãos e irmãs, continuemos a celebrar o Memorial que cura a nossa memória: a Missa. É o tesouro que deve ocupar o primeiro lugar na Igreja e na vida. E, ao mesmo tempo, redescubramos a adoração, que continua em nós a ação da Missa”. A cerimônia se concluiu com a exposição do Santíssimo, com o qual o Pontífice concedeu a sua bênção.

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Papa: sociedade precisa dar lugar aos idosos, sem eles não há futuro

“A pandemia da #COVID19 mostrou que nossa sociedade não está organizada o suficiente para dar lugar aos idosos, com justo respeito à sua dignidade e fragilidade. Onde não há cuidado com os idosos não há futuro para os jovens”. Com essa mensagem no Twitter, o Papa Francisco recorda, nesta segunda-feira, 15, o Dia Mundial de Conscientização da Violência à Pessoa Idosa.

Este ano, as Nações Unidas destacam a necessidade de proteger os idosos durante e depois da pandemia da Covid-19. Embora todas as faixas etárias corram risco, os idosos têm um risco maior de mortalidade e doenças graves após a infecção. Entre as pessoas acima de 80 anos, a taxa de mortalidade é cinco vezes maior.

Pandemia

Estima-se que 66% das pessoas com 70 anos ou mais tenham, pelo menos, uma condição de saúde subjacente, colocando-as em maior risco. Os idosos também podem ser discriminados quando médicos e hospitais decidem quem tem acesso a tratamentos e medicamentos. Além disso, antes da pandemia, metade da população idosa em alguns países em desenvolvimento já não tinha acesso a serviços essenciais de saúde. A crise pode levar a uma redução de serviços críticos, aumentando ainda mais os perigos.

Em maio, o secretário-geral da ONU, António Guterres, lançou um relatório detalhando o impacto da Covid-19 em idosos. Na altura, ele afirmou que “nenhuma pessoa, jovem ou velha, é dispensável”. Para o chefe da organização, “os idosos têm os mesmos direitos à vida e à saúde que todos os outros”. Ele disse ainda que “decisões difíceis sobre cuidados médicos devem respeitar os direitos humanos e a dignidade de todos.”

Papa cumprimenta pessoa idosa em uma de suas Audiências Gerais no Vaticano /Foto: Daniel Ibáñez – CNA

Crescimento

Entre 2019 e 2030, o número de pessoas com 60 anos ou mais deve crescer 38%, passando de 1 bilhão para 1,4 bilhão. Nessa altura, o número de idosos irá superar o número de jovens em todo o mundo. Esse aumento será maior e mais rápido nos países em desenvolvimento. Por tudo isso, a ONU afirma que “é preciso prestar mais atenção aos desafios específicos que afetam os idosos, inclusive no campo dos direitos humanos.”

Abusos

O abuso de idosos é um problema que existe tanto nos países em desenvolvimento como nos países desenvolvidos, mas, muitas vezes, não é reportado. Existem poucas estatísticas sobre o tema, apenas em alguns países de alta renda, mas entre 1% a 10% dos idosos nessas regiões é vítima de abusos.

Embora a extensão do problema seja desconhecida, a ONU afirma que “seu significado social e moral é óbvio” e “exige uma resposta global multifacetada, focada na proteção dos direitos dos idosos.” No Brasil, a Pastoral da Pessoa Idosa trabalha para garantir o respeito e a dignidade dos idosos, identificando os possíveis sinais de violência e realizando os devidos encaminhamentos.

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Assim nasceu a tradição do pão de Santo Antônio

 O Reitor da Basílica de Santo António de Pádua, na Itália, Pe. Oliviero Svanera, explicou a origem do tradicional pão de Santo Antônio que se entrega em muitos lugares do mundo em 13 de junho, dia no qual a Igreja celebra o grande santo.

Em um diálogo com ACI Stampa - agência em italiano do Grupo ACI - Pe. Svanera assinalou que "o pão de Santo Antônio é sinônimo de caridade. Esta tradição nasceu a partir de um dos milagres do santo, cujo protagonista foi Tomasito, um menino de 20 meses que se afogou em um poço de água".

O reitor contou que "a mãe desesperada invocou a ajuda do santo e fez uma promessa: se conseguisse esta graça, ia dar aos pobres uma quantidade de pão igual ao peso do menino. E milagrosamente o pequeno voltou a viver”.

Este milagre, continuou o sacerdote, "deu origem a duas obras fieis ao espírito de Santo Antônio: A primeira é a Obra do Pão dos Pobres, organização antoniana em Pádua responsável por levar alimentos e materiais básicos e assistência às pessoas necessitadas".

O segundo trabalho é a "Caritas Antoniana Onlus, organismo de caridade dos frades do santo, que em 2016 apoiou 124 projetos de desenvolvimento em 40 países do mundo, com um total de 2,6 milhões de euros".

Além disso, o Reitor destacou que a devoção “do ‘Santo do Povo’ é universal, talvez porque ele quis considerar o mundo inteiro como sua casa. Nasceu em Portugal, foi ao Marrocos para levar a fé, chegou à Sicília depois de um naufrágio (...) se uniu aos frades de São Francisco que o enviaram à França. Quando voltou para a Itália, se estabeleceu em Pádua, onde morreu em 1231".

"Dizem que falava uma língua com milhares de sotaques, mas todos compreendiam. E ele era próximo a todos: pobres, pessoas com dificuldade, doentes. Neste ser irmão de todos, também está a sua universalidade", afirmou o Pe. Svanera.

O reitor do Santuário destacou o exemplo do santo para viver a humildade e a necessidade de superar a "tentação do poder, o orgulho e, como diria o Papa Francisco, o mundanismo".

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A Igreja Católica não faz barganhas, afirma Nota de Esclarecimento

Em Nota de Esclarecimento, emitida na noite deste sábado, 6 de junho, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), por meio de sua Comissão Episcopal Pastoral para a Comunicação, juntamente com a SIGNIS Brasil e a Rede Católica de Rádio (RCR), associações de caráter nacional que reúnem as TVs e rádios de inspiração católica do Brasil, informam que “não organizaram e não tiveram qualquer envolvimento com a reunião entre o presidente da República, Jair Bolsonaro, representantes de algumas emissoras de TV de inspiração católica e alguns parlamentares” como informou o jornal O Estado de São Paulo. As organizações informam também que “nem ao menos foram informadas sobre tal encontro”.

O documento esclarece ainda que “as emissoras intituladas ‘de inspiração católica’ possuem naturezas diferentes. Algumas são geridas por associações e organizações religiosas, outra por grupo empresarial particular, enquanto outras estão juridicamente vinculadas a dioceses no Brasil. Elas seguem seus próprios estatutos e princípios editoriais. Contudo, nenhuma delas e nenhum de seus membros representa a Igreja Católica, nem fala em seu nome e nem da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, que tem feito todo o esforço, para que todas as emissoras assumam claramente as Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil”.

Sobre a reunião, as organizações que assinam conjuntamente a Nota de Esclarecimento, afirmam ter recebido com estranheza e indignação a notícia sobre a oferta de apoio ao governo por parte de emissoras de TV em troca de verbas e solução de problemas afeitos à comunicação. “A Igreja Católica não faz barganhas. Ela estabelece relações institucionais com agentes públicos e os poderes constituídos pautada pelos valores do Evangelho e nos valores democráticos, republicanos, éticos e morais”, diz o texto.

Via CNBB

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Juramento da Guarda Suíça será em outubro, sem presença de público

A Guarda Suíça Pontifícia confirmou para outubro a cerimônia de juramento dos novos recrutas, realizada tradicionalmente em 6 de maio. Em respeito às atuais normas de prevenção ao contágio de Covid-19, a cerimônia será realizada sem a presença de familiares ou delegações dos Cantões suíços de proveniência dos guardas. A Missa na parte da manhã será celebrada na Basílica de São Pedro ao invés da Igreja de São Martinho e São Sebastião. A celebração será transmitida via web.

A Guarda Suíça Pontifícia, o Corpo de 135 jovens alabardeiros e oficiais a serviço da segurança do Papa e de sua residência, confirma que o juramento dos 38 novos guardas, que deveria ter sido realizado em 6 de maio, terá lugar em 4 de outubro, sem a presença de público, em obediência às atuais regras de proteção para evitar o contágio do coronavírus.

Sem a presença de familiares ou convidados

 

O momento mais importante para os jovens - que há séculos juram fidelidade ao Sumo Pontífice no dia em que se recorda o sacrifício de 147 guardas na defesa do Papa Clemente VII durante o saque de Roma em 1527 - será realizado sem convidados. Assim, o tradicional "Juro servir ao Pontífice fielmente, lealmente e honrosamente", poderá ser ouvido apenas pela transmissão ao vivo, como garante o Comando do Corpo de Guarda. 

Em 6 de maio, a memória dos caídos de 1527

 

Em 6 de maio passado, no entanto, foi realizada a cerimônia com a colocação da coroa na Praça dos Mártires, ao lado da Basílica de São Pedro, e a Missa na igreja de Santa Maria, no Campo Santo Teutônico, em memória dos caídos de 1527. Sem a presença de familiares ou convidados, a cerimônia foi transmitida ao vivo no site da Guarda Suíça www.guardiasvizzera.ch.

 

A cerimônia às 17h no Pátio de São Dâmaso

 

O programa de domingo, 4 de outubro, inclui Missa às 7h30 com os guardas que prestarão o juramento, na Basílica de São Pedro, e não, como de costume, na Igreja dos Santos Martinho e Sebastião dos Suíços, pequena demais para garantir o distanciamento necessário entre os participantes.

Já às 17 horas, no Pátio São Dâmaso, no Palácio Apostólico, a cerimônia de juramento, que, em caso de mau tempo, será transferida para a Sala Paulo VI.

Como se alistar na Guarda Suíça Pontifícia

 

A cidadania suíça é o primeiro requisito para se alistar no Corpo de Guarda que protege o Papa e as entradas do Vaticano desde 1506. Os candidatos devem ser homens,  solteiros, ter entre 19 e 30 anos, com pelo menos 1 metro e 74 centímetros de altura e com reputação irrepreensível.

Para um guarda poder se casar, deverá ter pelo menos 25 anos, ter servido por pelo menos cinco e comprometer-se em servir por pelo menos mais três anos.

Antes de ingressar na escola da Guarda, o recruta deverá realizar uma série de exames médicos na Suíça. Durante a formação, os guardas serão submetidos a exames de saúde adicionais e a um teste psicofísico para avaliar sua capacidade de resistir ao estresse.

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Na pandemia, 35ª Semana do Migrante faz a pergunta: “Onde está o teu irmão e irmã?”

“Onde está teu irmão, tua irmã?” é pergunta que faz o lema bíblico da 35ª edição da Semana do Migrante, evento que há mais de três décadas mobiliza pessoas, grupos e comunidades para ações que promovam acolhida, integração, defesa de direitos, além de partilha, no campo das experiências sagradas e multiculturais de todos os povos.

Em sua 35ª edição, diante do cenário de crescentes fluxos migratórios, da crise sanitária e social que se intensificou para a população migrante no Brasil, com a pandemia de Covid-19, a iniciativa propõe o tema Migração e acolhida.

O bispo da diocese de Brejo (MA) e presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Ação Sociotrasformadora da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom José Valdeci Santos Mendes diz ser importante refletir sobre os irmãos e irmãs que precisam de apoio e espírito de comunhão. “O próprio lema nos motiva a isso. Nesse tempo de pandemia de coronavírus precisamos vivenciar a solidariedade, a compaixão, precisamos testemunhar o Evangelho”, destaca.

O Roberto Saraiva, membro da coordenação colegiada executiva do Serviço Pastoral dos Migrantes (SPM), reforça que quando a inspiração bíblica no lema, a partir do livro do Gênesis, é para lembrar que Deus nos interpela: ‘Onde está o teu irmão, tua irmã?’ (Cf. Gn 4,9).

“Qual é minha resposta a Deus? É a mesma resposta de Caim que interpela a Deus dizendo: ‘Por acaso eu sou o guarda do meu irmão?’ Ou nossa resposta é afirmativa: Eu sou guarda do meu irmão? Precisamos nos lembrar que somos humanos. Muitas vezes, acabamos não agindo como irmãos uns dos outros, e nem nos dispomos a ajudar aqueles e aquelas que estão ao nosso redor precisando de solidariedade, consolo, amizade e presença. Não é só na pandemia que a gente faz uma ação emergencial, ajudar o outro é um ato, inclusive, que pode nos melhorar enquanto seres humanos”, afirma.

“A Semana do Migrante chama a nossa atenção para o aumento do fluxo migratório e das situações de refúgio nos últimos anos. Além disso, a grave crise política e econômica que o país enfrenta, junto com a pandemia, acentua o desemprego, frustra as expectativas de quem busca uma vida mais digna, aumenta a fome, a miséria e a vulnerabilidade da população empobrecida. Entre os que mais sofrem, estão as pessoas em situação de migração. Mesmo sendo em grande quantidade, são pessoas invisíveis para o sistema. Para elas não se efetivam nem políticas públicas, nem direitos”, destaca a vice-presidente da Cáritas Brasileira, Cleusa Alves da Silva.

A Semana do Migrante retoma o apelo da Campanha da Fraternidade 2020 que trouxe o lema “Viu, sentiu compaixão e cuidou dele” (Lc 10, 33-34). “Os irmãos e irmãs caídas à beira do caminho demandam de nós o olhar, a atenção e o cuidado. Celebrar a Semana do Migrante é uma oportunidade de aprofundar nossa espiritualidade profética e comprometida com a transformação social e com a vida de quem mais sofre, cultivando a esperança e a solidariedade”, completa a vice-presidente da Cáritas Brasileira.

35 anos do SPM

“Este ano a Semana do Migrante tem um sabor de celebração, de festa, há 35 anos nascia o Serviço Pastoral dos Migrantes (SPM), como órgão vinculado à CNBB, já com a missão de animar e promover a Semana do Migrante todos os anos. E num gesto de fidelidade à Igreja e aos migrantes, em nenhum dos anos, por mais difícil que tenha sido, mesmo diante da falta de recursos, ou algum outro elemento, não deixamos de promover o material de mobilização desse período”, celebra Roberto Saraiva.

Ação conjunta

Este ano a Semana do Migrante acontece a partir da integração das diversas organizações que atuam no cuidado humano, na atenção pastoral e na defesa de direitos da população migrante no Brasil. Unidos, Comissão Episcopal Pastoral para Ação Sociotransformadora da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, Cáritas Brasileira, Serviço Pastoral do Migrante(SPM), em articulação com a Comissão Pastoral da Terra (CPT), o Conselho Indigenista Missionário (CIMI), o Conselho Pastoral dos Pescadores (CPP), a Pastoral da Juventude Rural (PJR), o Serviço Jesuíta para Migrantes e Refugiados (SJMR), o Instituído Migração e Direitos Humanos (IMDH) e a Missão Paz, com o apoio da 6ª Semana Social Brasileira, mobilizam a programação com celebrações e lives que se estendem de 14 a 21 de junho.

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Telefonema do Papa ao arcebispo de Aparecida Dom Orlando Brandes

Mais um telefonema do Papa Francisco para o Brasil. Desta vez foi o arcebispo de Aparecida (SP), dom Orlando Brandes que recebeu uma ligação do Papa Francisco nesta quarta-feira (10/06). Segundo informações do próprio dom Orlando numa entrevista à TV Aparecida, o Santo Padre “manifestou a sua solidariedade e carinho ao povo brasileiro”, em especial nesse momento difícil de pandemia da Covid-19.

Segundo dom Orlando, durante o telefonema o Papa disse que reza por todos os brasileiros e que acompanha as notícias do Brasil em oração. “Recebemos esse grande presente de Corpus Christi do Papa Francisco”, disse o arcebispo de Aparecida. “Ele pediu que transmitisse ao povo brasileiro suas orações e recomendou que todos os brasileiros se coloquem no colo de Nossa Senhora Aparecida”. "O Papa também recordou que ontem nós celebramos o dia de São José de Anchieta, que ele canonizou e que marcou tanto também a vida dos brasileiros", acrescentou o arcebispo.

Durante a entrevista dom Orlando, disse que Francisco lembrou sua visita a Aparecida nos anos de 2007 e 2013, por ocasião da V Conferência de Aparecida, ainda como arcebispo de Buenos Aires, e depois, como Papa, durante a JMJ no Rio de Janeiro.

"Ele recordou que esteve aqui em 2013 e que aqui esteve em 2007 na Conferência de Aparecida, da qual também participei. Ele também pediu, de nossa parte, que também rezássemos por ele", disse dom Orlando.

De acordo com o arcebispo, Francisco falou ainda da imagem de Nossa Senhora Aparecida que foi entronizada nos Jardins Vaticanos em setembro de 2016. "Ele disse: a imagem de Nossa Senhora Aparecida está bem pertinho de mim. E relembrou: eu me lembro que peguei Nossa Senhora no meu colo, a Madonnina, que quer dizer, mãezinha. Recomendo a todos vocês estarem no colo da Mãezinha Aparecida", destacou o arcebispo.

Dom Orlando disse que o Papa pediu para dar uma benção ao povo brasileiro em seu nome. Concluindo o telefonema, Francisco deixou uma mensagem aos brasileiros: “Coragem e esperança. Somos pessoas de fé!”, disse.

Esta foi a terceira ligação do Papa Francisco para o Brasil durante a pandemia do coronavírus. O Santo Padre já havia telefonado para o arcebispo de Manaus, dom Leonardo Steiner, e também para o arcebispo de São Paulo, cardeal Odilo Pedro Scherer, para manifestar sua solidariedade.

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Papa: estender a mão ao pobre requer treino diário

“Estende a tua mão ao pobre”: a sabedoria de Ben-Sirá (Ec 7, 32) inspirou a mensagem do Papa Francisco para o IV Dia Mundial dos Pobres, que será celebrado no dia 15 de novembro. O texto foi apresentado neste sábado, 13, numa coletiva online organizada pela Sala de Imprensa da Santa Sé.

A mensagem recorda um dos princípios do cristianismo: a oração a Deus e a solidariedade para com os pobres e os enfermos são inseparáveis.

“O tempo que se deve dedicar à oração jamais pode tornar-se um álibi para descuidar do próximo em dificuldade”, escreve o Papa. Pelo contrário: “a bênção do Senhor desce sobre nós e a oração alcança o seu objetivo quando são acompanhadas pelo serviço dos pobres”.

Não se trata de uma opção condicionada ao tempo disponível ou a interesses pessoais, mas do encontro com uma pessoa em condições de pobreza, que não cessa de nos provocar e questionar. “Não podemos sentir-nos tranquilos, quando um membro da família humana é relegado para a retaguarda, reduzindo-se a uma sombra. O clamor silencioso de tantos pobres deve encontrar o povo de Deus na vanguarda.”

A Igreja não tem soluções globais a propor, diz ainda o Papa, mas oferece o seu testemunho e gestos de partilha.

Quantas mãos estendidas: ladainha de obras de bem

Nestes meses, em que o mundo inteiro foi dominado por um vírus que trouxe dor e morte, pudemos ver tantas mãos estendidas! A mão estendida do médico, do enfermeiro, do farmacêutico, do sacerdote… “E poderíamos enumerar ainda outras mãos estendidas, até compor uma ladainha de obras de bem. Todas estas mãos desafiaram o contágio e o medo, a fim de dar apoio e consolação.”

Fazer o bem não é algo improvisado, adverte Francisco. “Não nos improvisamos instrumentos de misericórdia. Requer-se um treino diário.”

E neste período amadureceu em nós a exigência de uma nova fraternidade. “As graves crises econômicas, financeiras e políticas não cessarão enquanto permitirmos que permaneça em letargo a responsabilidade que cada um deve sentir para com o próximo e toda a pessoa.”

Responsabilidade: o objetivo é o amor!

“Estende a mão ao pobre” é, pois, um convite à responsabilidade. Não se trata de uma exortação facultativa, mas de uma condição da autenticidade da fé que professamos.

Enquanto alguns estendem a mão, outros a conservam nos bolsos e não se deixam comover pela pobreza. A indiferença e o cinismo são o seu alimento diário. E aqui o Pontífice não usa meias palavras para condenar quem usa as mãos para especular, acumular dinheiro com a venda de armas, quem troca favores ilegais para um lucro fácil e corrupto.

“Não poderemos ser felizes enquanto estas mãos que semeiam morte não forem transformadas em instrumentos de justiça e paz para o mundo inteiro.”

O objetivo de cada ação humana, recorda por fim o Papa, só pode ser o amor: tal é o objetivo para onde caminhamos, e nada deve distrair-nos dele.

Este amor é partilha, dedicação e serviço: “Possa então a mão estendida enriquecer-se sempre com o sorriso de quem não faz pesar a sua presença nem a ajuda que presta, mas alegra-se apenas em viver o estilo dos discípulos de Cristo”.

Os pobres estão e sempre estarão conosco

O Dia Mundial dos Pobres foi instituído pelo Papa Francisco em 2016, na conclusão do Jubileu da Misericórdia. A data é celebrada no penúltimo domingo do ano litúrgico.

A proposta da data é recordar aos fiéis esta “realidade fundamental para a vida da Igreja, porque os pobres estão e sempre estarão conosco (cf. Jo 12, 8) para nos ajudar a acolher a companhia de Cristo na existência do dia a dia”.

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As razões de Irmã Lúcia para não deixar de rezar o Terço diariamente

Por que rezar o Terço todos os dias? Quais são os benefícios para os fiéis em sua vida diária? A Irmã Lucia dos Santos, uma das três videntes de Fátima, deu várias razões que respondem a estas perguntas em um livro publicado em 2002.

Trata-se do livro “Apelos da Mensagem de Fátima”, escrito pela Serva de Deus falecida em 2005. Nesta obra, recorda que a Mãe de Deus fez este convite a partir da sua primeira aparição em Fátima (Portugal), em 13 de maio de 1917.

“Rezem o terço todos os dias, para alcançarem a paz no mundo e o fim da guerra”, encorajou a Virgem Maria em sua mensagem inicial.

A seguir, as razões de Irmã Lúcia compartilhadas por ‘National Catholic Register’.

1. Adapta-se às possibilidades de cada um

A Irmã Lúcia diz que Deus é um Pai que “se adapta às necessidades e possibilidades dos seus filhos”, porque “se Deus, por meio de Nossa Senhora, nos tivesse pedido para irmos todos os dias participar e comungar na Santa Missa, certamente haveria muitos a dizerem, com justo motivo, que não lhes era possível”.

Entretanto, a Serva de Deus afirma: “Rezar o Terço é acessível a todos, pobres e ricos, sábios e ignorantes, grandes e pequenos”, em qualquer lugar, comunitariamente ou sozinhos e em diferentes momentos.

2. Coloca-nos em contato familiar com Deus

Irmã Lúcia indica que esta oração serve “para entrar em contato com Deus, agradecer os Seus benefícios e pedir-lhe as graças de que necessitamos”.

“É a oração que nos leva ao encontro familiar com Deus, como o filho que vai ter com o seu pai para lhe agradecer os benefícios recebidos, tratar com ele os seus assuntos particulares, receber a sua orientação, a sua ajuda, o seu apoio e a sua bênção”, acrescentou.

3. É a oração mais agradável que podemos recitar depois da Missa

Irmã Lúcia afirma que depois da Santa Missa, rezar o Terço – levando em consideração a sua origem, as orações que contém e os mistérios que se meditam – “é a oração mais agradável que podemos oferecer a Deus e de maior proveito para as nossas almas”.

“Se não fosse assim, Nossa Senhora não teria recomendado isso com tanta insistência”, sublinhou.

4. As contas do Terço nos ajudam a cumprir os nossos oferecimentos diários

Irmã Lúcia responde qualquer inquietude sobre o número de orações no Terço, esclarecendo que “precisamos contar, para termos a consciência viva e certa dos nossos atos e sabermos com clareza se temos ou não cumprido o que nos propusemos a oferecer a Deus cada dia, para preservarmos e aumentar o nosso trato de direta convivência com Deus, e, por esse meio, conservarmos e aumentarmos em nós a fé, a esperança e a caridade”.

5. Ajuda a receber melhor a Eucaristia

Em seu livro, a vidente de Fátima assegura que o Terço pode ser considerado “uma forma de preparar-se melhor para participar da Eucaristia, ou então como uma ação de graças”, depois de receber o Corpo de Cristo.

Ela acrescenta que, embora possam usar muitas orações excelentes para se preparar para receber Jesus na Eucaristia e preservar a nossa relação íntima com Deus, não acredita que há “uma oração mais apropriada para as pessoas em geral do que a oração dos cinco ou quinze Mistérios do Rosário”.

6. Preserva as virtudes teologais

“Deus e Nossa Senhora sabem melhor do que ninguém aquilo que mais nos convém e de que temos mais necessidade. Além disso, o Terço será um meio poderoso para nos ajudar a conservar a fé, a esperança e a caridade”, sublinhou Irmã Lúcia.

7. Impede cair no materialismo

Irmã Lúcia vai direto ao ponto e assegura que “aqueles que abandonam a oração do Terço e não tomam diariamente parte no Santo Sacrifício da Missa, nada têm que os sustente, acabando por se perderem no materialismo da vida terrena”.

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Bento XVI escreve carta pelos 100 anos de nascimento de São João Paulo II

São João Paulo II “se apresenta a nós como o pai que nos deixa ver a misericórdia e a bondade de Deus”, afirmou o Papa Emérito Bento XVI em uma carta escrita pelos cem anos do nascimento de seu predecessor.

Trata-se de uma carta que o Papa Emérito enviou ao Cardeal Stanislaw Dziwisz, que durante 40 anos foi secretário pessoal do santo polonês.

Como se recorda, Bento XVI também teve uma relação estreita com São João Paulo II, tendo trabalhado como prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé entre 1981 e 2005 antes de ser eleito para suceder Karol Wojtyla na Cátedra de Pedro.

Na carta com data 4 de maio e escrita originalmente em alemão, Bento XVI faz uma retrospectiva da vida de São João Paulo II, sua formação para o sacerdócio durante a ocupação soviética da Polônia, o Concílio Vaticano II, seu chamado a não temer medo de abrir as portas a Cristo, e de forma especial o amor que tinha pela devoção à Divina Misericórdia.

Além de destacar “a humildade deste grande Papa”, Bento XVI recordou que em seu funeral muitos clamaram “santo súbito” e também que fora proclamado “Magno”.

“Deixamos em aberto se o epíteto «magno» prevalecerá ou não. É certo que o poder e a bondade de Deus se fizeram visíveis para todos nós no Papa João Paulo II. Em um momento em que a Igreja sofre uma vez mais a aflição do mal, este é para nós um sinal de esperança e confiança”, escreve o Papa Emérito.

A seguir a carta completa que Bento XVI escreveu pelo centenário do nascimento de São João Paulo II:

Cidade do Vaticano

4 de maio do 2020

Este 18 de maio, completa-se 100 anos desde que o papa João Paulo II nasceu na pequena cidade polonesa de Wadowice.

Polônia, dividida durante mais de 100 anos pelas três grandes potencializa vizinhas – Prússia, Rússia e Áustria –, tinha recuperado sua independência ao final da Primeira guerra mundial. Foi uma época cheia de esperança, mas também de dificuldades, já que a pressão das duas grandes potências, a Alemanha e a Rússia, seguiu pesando sobre o Estado que estava se reorganizando. Nesta situação de angústia, mas sobretudo de esperança, cresceu o jovem Karol Wojtyla, que perdeu muito cedo a sua mãe, seu irmão e, logo depois, o seu pai, de quem tinha aprendido uma piedade profunda e cálida. O jovem Karol era particularmente apaixonado pela literatura e o teatro, e depois de estudar para seus exames de secundária, começou a dedicar-se mais a estas matérias.

«Para evitar a deportação, no outono de 1940, começou a trabalhar em uma pedreira que pertencia à fábrica química Solvay» (cf. Dom e Mistério). «Em Cracóvia, ingressou clandestinamente no Seminário. Enquanto trabalhava como operário em uma fábrica, começou a estudar teologia com livros antigos de texto, para poder ser ordenado sacerdote em 1 de novembro de 1946» (cf. Ibid.). É obvio, não só estudou teologia nos livros, mas também a partir da situação específica que pesava sobre ele e seu país. É uma espécie de característica de toda sua vida e seu trabalho. Estuda com livros, mas experimenta e sofre as questões que estão atrás do material impresso. Para ele, como jovem bispo – bispo auxiliar desde 1958, arcebispo de Cracóvia desde 1964 – o Concílio Vaticano II se converteu em uma escola para toda sua vida e seu trabalho. As grandes pergunta que surgiram especialmente sobre o chamado Esquema 13 – logo intitulado Constituição Gaudium et Spes – foram suas perguntas pessoais. As respostas desenvolvidas no Concílio lhe mostraram o caminho a seguir para seu trabalho como bispo e logo como Papa.

Quando o cardeal Wojtyla foi eleito sucessor de São Pedro em 16 de outubro de 1978, a Igreja estava em uma situação desesperada. As deliberações do Concílio se apresentavam ao público como uma disputa sobre a fé, o que parecia privar a mesma de sua certeza indubitável e inviolável. Um pastor bávaro, por exemplo, comentando a situação, dizia: «Ao final, acolhemos uma fé falsa». Esta sensação de que não havia nada seguro, de que tudo estava em aberto, foi alimentada pela forma em que se implementou a reforma litúrgica. Ao final, tudo parecia factível na liturgia. Paulo VI tinha fechado o Concílio com energia e determinação, mas logo, uma vez terminado, viu-se confrontado com mais assuntos, sempre mais urgentes, o que finalmente colocou em escrutínio a própria Igreja. Os sociólogos compararam a situação da Igreja nesse momento com a da União Soviética sob Gorbachov, quando toda a poderosa estrutura do Estado finalmente se derrubou em uma tentativa de reformá-la.

Uma tarefa que superava as forças humanas esperava o novo Papa. Entretanto, desde o primeiro momento, João Paulo II despertou um novo entusiasmo por Cristo e sua Igreja. Primeiro o fez com o grito do sermão ao começo de seu pontificado: «Não tenham medo! Abram, sim, abram de par em par as portas a Cristo!» Este tom finalmente determinou todo seu pontificado e o converteu em um renovado liberador da Igreja. Isto estava condicionado pelo fato de que o novo Papa provinha de um país onde o Concílio tinha sido bem recebido: não se tratava do questionamento de tudo, mas da alegre renovação de tudo.

O Papa viajou pelo mundo em 104 grandes viagens pastorais e proclamou o Evangelho em todas partes como uma alegria, cumprindo assim sua obrigação de defender o bem, de defender a Cristo.

Em 14 encíclicas, voltou a expor completamente a fé da Igreja e sua doutrina humana. Inevitavelmente, ao fazê-lo, suscitou a oposição nas Igrejas do Ocidente cheias de dúvidas.

Hoje, parece-me importante enfatizar sobretudo o verdadeiro centro do qual deve emergir a mensagem de seus diferentes textos. Este centro veio à atenção de todos nós no momento de sua morte. O Papa João Paulo II morreu nas primeiras horas da nova festa da Divina Misericórdia. E, permitam-me aqui acrescentar um pequeno comentário pessoal que revela um aspecto importante do ser e o trabalho do Papa.

Desde o começo, João Paulo II se sentiu profundamente comovido pela mensagem de Faustina Kowalska, uma monja da Cracóvia, que destacou a Divina Misericórdia como um centro essencial da fé cristã e desejava uma celebração com este motivo. Depois de todas as consultas, o Papa tinha escolhido o domingo in albis(Segundo Domingo de Páscoa). Entretanto, antes de tomar a decisão final, pediu-lhe à Congregação da Fé sua opinião sobre a conveniência desta data. Dissemos que não, pois pensávamos que uma data tão antiga e cheia de conteúdo como a do domingo in albis não deveria sobrecarregar-se com novas ideias. Certamente não foi fácil para o Santo Padre aceitar nosso não. Mas o fez com toda humildade e aceitou o não de nosso parte uma segunda vez. Finalmente, fez uma proposta deixando o histórico domingo in albis, mas incorporando a Divina Misericórdia em sua mensagem original. Em outras ocasiões, de vez em quando, impressionou-me a humildade deste grande Papa, que renunciou às ideias daquilo que desejava porque não recebeu a aprovação dos organismos oficiais que, segundo as regras clássicas, ele devia consultar.

Enquanto João Paulo II viveu seus últimos momentos neste mundo, a Festa da Divina Misericórdia acabava de começar depois da oração das primeiras vésperas. Esta celebração iluminou a hora de sua morte: a luz da misericórdia de Deus se apresenta como uma mensagem reconfortante sobre sua morte. Em seu último livro, Memória e Identidade, publicado na véspera de sua morte, o Papa resumiu uma vez mais a mensagem da Divina Misericórdia. Assinalou que a irmã Faustina morreu antes dos horrores da Segunda guerra mundial, mas que já tinha dado a resposta do Senhor a este horror insuportável. Era como se Cristo queria dizer através de Faustina: «O mal não obterá a vitória final. O mistério pascal confirma que o bem prevalecerá, que a vida triunfará sobre a morte e que o amor triunfará sobre o ódio».

Ao longo de sua vida, o Papa procurou apropriar-se em primeira pessoa do centro objetivo da fé cristã, que é a doutrina da salvação, e ajudar a outros a também apropriar-se dela. Através de Cristo ressuscitado, a misericórdia de Deus é dada a cada indivíduo. Embora este centro da existência cristã só nos é revelado através da fé, também é importante filosoficamente, porque se a misericórdia de Deus não é um fato, devemos encontrar nosso caminho em um mundo onde o poder último do bem contra o mal é incerto. Depois de tudo, além deste significado histórico objetivo, é essencial que todos saibam que, ao final, a misericórdia de Deus é mais forte que a nossa fraqueza. Além disso, nesta etapa atual, também podemos encontrar a unidade interior entre a mensagem de João Paulo II e as intenções fundamentais do Papa Francisco: João Paulo II não é um rigorista moral, como alguns tentam retratá-lo. Com a centralidade da misericórdia divina, dá-nos a oportunidade de aceitar o requerimento moral do homem, embora nunca possamos cumpri-lo por completo. Entretanto, nossos esforços morais se fazem à luz da divina misericórdia, que resulta ser uma força curativa para nossa debilidade.

Quando morreu o Papa João Paulo II, a Praça de São Pedro estava cheia de pessoas, especialmente jovens, que queriam encontrar-se com seu Papa por última vez. Não posso esquecer o momento em que Dom Sandri anunciou a mensagem da partida do Papa. Sobretudo, o momento em que o grande sino de São Pedro repicou, fazendo que esta mensagem resultasse inesquecível. O dia do funeral, havia muitas frases dizendo «Santo súbito!». Isso foi um grito que, de todos lados, surgiu a partir do encontro com João Paulo II. Não só na praça, mas também em vários círculos intelectuais, discutiu-se a idéia de dar o título de «Magno» a João Paulo II.

A palavra «santo» indica a esfera de Deus e a palavra «magno» a dimensão humana. Segundo o regulamento da Igreja, a santidade pode ser reconhecida por dois critérios: as virtudes heroicas e o milagre. Os dois critérios estão estreitamente vinculados. A expressão «virtude heroica» não significa uma espécie de façanha olímpica; ao contrário, em e através de uma pessoa se revela algo que não provém dele, mas que a obra de Deus se faz visível nele e através dele. Não é uma competência moral da pessoa, e sim renúncia à própria grandeza. O ponto é que uma pessoa deixa que Deus trabalhe nela, e assim o trabalho e o poder de Deus se fazem visíveis através dela.

O mesmo se aplica à prova do milagre: aqui tampouco se trata de um evento sensacional mas sim da revelação da bondade de Deus que é pai de uma maneira que vai além das meras possibilidades humanas. O santo é um homem aberto a Deus e imbuído de Deus, que se afasta de si mesmo e nos deixa ver e reconhecer a Deus é santo. Verificar isto legalmente, na medida do possível, é o significado dos dois processos de beatificação e canonização. Nos casos de João Paulo II, ambos os processos se fizeram estritamente de acordo às regras aplicáveis. portanto, agora ele nos é apresentado como o pai que nos deixa ver a misericórdia e a bondade de Deus.

É mais difícil definir corretamente o termo «magno». Durante os quase 2.000 anos de história do papado, o título «Magno» só foi outorgado a dois papas: Leão I (440-461) e Gregório I (590-604). A palavra «magno» tem uma conotação política em ambos, na medida em que algo do mistério de Deus mesmo se faz visível através da atuação política. Através do diálogo, Leão Magno conseguiu convencer Átila, o Príncipe dos Hunos, que poupasse Roma, a cidade dos príncipes dos apóstolos Pedro e Paulo. Desarmado, sem poder militar ou político, mas pelo poder da convicção de sua fé, conseguiu convencer o temido tirano a poupar Roma. O espírito demonstrou ser mais forte na luta entre espírito e poder.

Embora Gregorio I não tenha tido um êxito tão espetacular, também conseguiu proteger a Roma contra os lombardos, de novo contrapondo o espírito ao poder e alcançando a vitória do espírito.

Se compararmos a história dos dois Papas com a de João Paulo II, sua similitude é evidente. João Paulo II tampouco tinha poder militar ou político. Durante as deliberações sobre a forma futura da Europa e Alemanha, em fevereiro de 1945, observou-se que a opinião do Papa também devia ser tomada em conta. Então Stalin perguntou: «Quantas brigadas tem o Papa?». É claro que o Papa não tinha exércitos ao seu dispor. Mas o poder da fé resultou ser um poder que finalmente derrocou o sistema de poder soviético em 1989 e permitiu um novo começo. É indiscutível que a fé do Papa tenha sido um elemento essencial no desmoronamento do poder comunista. Assim que a grandeza evidente em Leão I e Gregorio I é certamente visível também em João Paulo II.

Deixamos em aberto se o epíteto «magno» prevalecerá ou não. É certo que o poder e a bondade de Deus se fizeram visíveis para todos nós em João Paulo II. Em um momento em que a Igreja sofre uma vez mais a aflição do mal, este é para nós um sinal de esperança e confiança.

Querido São João Paulo II, rogai por nós!

Bento XVI

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Papa Francisco: terceira mensagem dedicada aos deslocados

Agora é a hora de um investimento maciço na paz" que é "a única solução para deter o deslocamento forçado de pessoas". Falam quase a uma só voz Padre José Cassar, diretor do Serviço dos Jesuítas para os Refugiados (JRS) no Iraque e Amaya Valcárcel, coordenadora internacional de “Advocacy", também do JRS. Ambos trazem em primeiro plano o drama de milhões de pessoas deslocadas internamente, aos quais o Papa Francisco dedicou a sua mensagem para o Dia Mundial do Migrante e do Refugiado 2020. O tema da mensagem deste ano é: “Forçados, como Jesus Cristo, a fugir. Acolher, proteger, promover e integrar os deslocados internos”.

O drama dos 6,5 milhões de deslocados na Síria

Seis milhões e meio na Síria, 5,5 na República Democrática do Congo e na Colômbia, 4,9 na Venezuela, 1,4 no Iraque e 450 mil em Mianmar: números que são pessoas, são as 50,8 milhões de pessoas deslocadas internamente que o Papa denuncia como “esquecidos” na sua mensagem e são a maioria dos 80,1 milhões dos deslocados forçados em todo o mundo. Cerca de 45 milhões deixam suas casas e se deslocam a outras cidades ou regiões, por causa de conflitos e violências e 5,1 por causa de desastres naturais, recorda o cardeal Michel Czerny, jesuíta e subsecretário da Seção Migrantes e Refugiados do Dicastério para o Desenvolvimento Humano Integral, que introduz a coletiva.

Terceira mensagem do Papa dedicada aos deslocados

O cardeal recorda que esta é a terceira mensagem que o Papa dedica às pessoas deslocadas. A primeira foi em 2014, “Rumo a um mundo melhor”, e em 2017, “Crianças migrantes, vulneráveis e sem voz”, porém é a primeira que “se concentra no cuidado pastoral das pessoas deslocadas internamente”. O cardeal Czerny explica que estas mensagens, enraizadas em mais de um século de tradição, “enriquecem o magistério do Papa Francisco com relação às pessoas mais vulneráveis de toda a sociedade: os descartados, os esquecidos, os deixados de lado”.

Czerny: “são cidadãos de papel” desenraizados no próprio país

Os deslocados internos, explica o Subsecretário, "abandonando seu lar e ambiente familiar, vivem desenraizados dentro de seu próprio país, entre compatriotas que podem sentir aversão e ressentimento por eles". Eles se tornam "cidadãos 'no papel', que não se adaptam, mesmo tendo muito a oferecer": suas necessidades, conclui, "exigem atenção e são nossa responsabilidade", mas no momento parece haver "outras prioridades".

Baggio: verbos da pastoral migratória

O outro subsecretário, o padre scalabriniano Fabio Baggio, concentra-se na análise da mensagem pontifícia para sublinhar que Francisco propõe uma "nova articulação dos 4 verbos com os quais quis sintetizar a pastoral migratória: acolher, proteger, promover e integrar. E sintetiza a mensagem em cada um dos seis pares de verbos, ligados por uma "relação casual".

Conhecer suas histórias para compreender as necessidades

No primeiro par, "conhecer para compreender", segundo o Padre Baggio, o Papa esclareceu "que os deslocados internos não são números, mas pessoas". Só conhecendo suas histórias poderemos entender seu drama e suas necessidades". E a este par é dedicado o primeiro vídeo da campanha de preparação para o Dia Mundial do Migrante e do Refugiado, apresentado durante a conferência, preparado pelo Departamento para o Serviço de Desenvolvimento Humano Integral".

A falta de conhecimento leva ao preconceito

Sobre este par deverbos também desenvolve o debate dos jornalistas via Skype, com o padre scalabriniano que ressaltou que é a falta de conhecimento do outro que leva ao preconceito. Amaya Valcárcel traz sua experiência pessoal do encontro com um deslocado somali em 1996 no refeitório da Comunidade de Sant'Egidio em Roma, onde foi voluntária quando era estudante de Direito. "Eu realmente não sabia o que fazer na vida", diz , "e a amizade com este pai de família que me contou sobre o drama de seus entes queridos deixados na Somália em guerra e que estava tentando fazê-los vir para a Itália, me levou a dirigir meu percurso de estudos em assistência jurídica a essas pessoas, até que entrei no JRS".

Ser anjos que levam ao encontro do outro

O Cardeal Czerny conclui que "o medo é o obstáculo mais forte à fé, e o medo do outro, do diferente de nós, não se vence com argumentos e conceitos, mas com o encontro". Há necessidade, explica ele, "de um anjo que nos tome pela mão e nos leve ao encontro que é descoberta do outro como irmão e irmã, para fazer desaparecer o medo" e nós cristãos podemos ser esse anjo para aqueles que não acreditam. Como as associações e paróquias, "que fazem um esforço, até mesmo comunicativo, para compartilhar suas 'boas práticas' para nos fazer entender que nossos medos são infundados".

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Em meio à pandemia, Vaticano publica livro Fortes na Tribulação

Dicastério para a Comunicação da Santa Sé lançou junto com a LEV, Livraria Editora Vaticana o livro “Fortes na tribulação. A comunhão da Igreja ajuda em tempos de provação”, que pretende “ser um pequeno auxilio oferecido a todos, para poder ver e experimentar na dor, no sofrimento, na solidão e no medo a proximidade e a ternura de Deus”.

O grave momento no qual muitos países do mundo mergulharam – escreve no prefácio o diretor Editorial do Dicastério, Andrea Tornielli -, devido à rápida propagação da Covid-19, coloca-nos todos à prova. Infelizmente, sabemos que esta crise não vai ser resolvida rapidamente e que a pandemia está a alastrar-se. Estamos perante uma situação que até há algumas semanas parecia inimaginável, como o cenário de um filme de ficção científica. Tudo mudou de repente, e o que anteriormente tínhamos por certo parece vacilar: a forma como nos relacionamos com os outros no trabalho, a gestão dos afetos, o estudo, a distração, a oração e a possibilidade de participar na missa… Contudo, o mais grave é que esta epidemia – como qualquer outra – não é apenas uma ameaça aos hábitos consolidados, mas é sobretudo a causa de tanta morte, dor e sofrimento. Milhares de pessoas ficaram gravemente doentes, faleceram. Muitas famílias choram os seus entes queridos, dos quais não puderam estar próximas, aos quais não puderam dizer adeus e que foram cremados sem a celebração de um funeral. Característica da morte na época da Covid-19 é precisamente a solidão, a impossibilidade de ter ao nosso lado os entes queridos, a impossibilidade de receber os sacramentos, de se confessar, de ser acompanhado até ao último suspiro por uma voz amiga a não ser a dos médicos ou enfermeiros que trabalham nas unidades hospitalares até ao extremo das suas forças.  Precisamente a eles transmitimos a nossa gratidão, porque lutam todos os dias na linha da frente pela vida das pessoas.

Igualmente, devem 4 ser recordados os responsáveis pela segurança pública, as pessoas que trabalham nas atividades estratégicas da coletividade, os muitos voluntários que continuam a ajudar os mais necessitados, os idosos sozinhos, os pobres. Também devem ser recordados os numerosos sacerdotes, religiosos e religiosas que partilham o sofrimento do seu povo: muitos sacrificaram a própria vida. Para tantos crentes, a impossibilidade de participar na liturgia e nos sacramentos agrava a situação de perplexidade, desânimo e abatimento, embora a Igreja nos exorte a renovar a nossa fé em Cristo Ressuscitado, que venceu a morte e a tornou um lugar de encontro seguro com o rosto bondoso do Pai.

No entanto, é útil recordar – continua Tornielli – que esta não é certamente a primeira vez que a humanidade, e os cristãos, se devem confrontar com acontecimentos deste tipo. A fé cristã, vivida diariamente nos seus elementos essenciais, gera um olhar sobre a realidade, a possibilidade de ver nela a mão de um Deus que é Pai bondoso e que nos amou de tal modo que sacrificou o seu Filho por nós. Assim a Igreja conserva no tesouro da sua tradição viva, um tesouro de sabedoria, de esperança, de oportunidade para continuar a experimentar – na solidão e às vezes até no isolamento – que deveras somos “um só” graças à ação do Espírito Santo.

O texto está dividido em três partes. Na primeira encontramos orações, ritos, súplicas para os momentos difíceis. São textos que provêm de diversos contextos eclesiais, pertencentes a diferentes épocas históricas e, por isso, podem ser mais uma fonte de partilha em nível da Igreja universal. Há orações pelos doentes, pela libertação do mal, para se abandonar com confiança à ação do Espírito Santo. Depois há uma segunda parte, que reúne as indicações da Igreja para continuar a viver e a acolher a graça do Senhor, o dom do perdão e da Eucaristia, a força das celebrações pascais, ainda que não possamos participar fisicamente dos sacramentos. Por fim a terceira parte, que reúne as palavras que o Papa Francisco pronunciou a partir de 9 de março passado para ajudar toda a comunidade eclesial neste tempo de provação: são sobretudo as homilias diárias da Missa em Santa Marta e os textos do Angelus dominical.

Ouvir a sua palavra ajuda-nos a refletir e esperar, faz-nos sentir em comunhão com Pedro e unidos a ele. Este livro, que o Dicastério para a Comunicação da Santa Sé decidiu preparar pondo-o à disposição de todos, tem uma característica fundamental: é constantemente atualizado à luz dos novos pronunciamentos do Papa e da “redescoberta” de outros tesouros da nossa tradição eclesial.

Portanto, o livro será publicado no site da Livraria Editora Vaticana em PDF e poderá ser baixado gratuitamente. No entanto, será atualizado várias vezes por semana, e estará novamente disponível para download na versão atualizada, com o acréscimo dos novos textos.

Na capa há uma imagem do Arcanjo Miguel, que protege a Igreja contra o mal e nos ampara nesta difícil provação, a fim de que este mal não prejudique a nossa confiança no Pai e a solidariedade entre nós, mas que se torne uma ocasião para olharmos para o que é deveras essencial nas nossas vidas e para partilharmos o amor acolhido por Deus entre todos nós e, especialmente, com aqueles que hoje mais precisam dele. 

Segue link para baixar o livro:

https://www.vaticannews.va/content/dam/lev/forti-nella-tribolazione/pdf/port-/Portoghese_15-maggio.Forti-nella-tribolazione.pdf

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A fé precisa dos sentidos: ver, ouvir, tocar, afirma arcebispo

Uma opinião diferente, com uma convicção: a pandemia não vai mudar a dimensão da fé das pessoas. Tampouco mudará suas vidas. O pensamento profundo e intelectual é de Dom Rino Fisichella, arcebispo e presidente do Pontifício Conselho para a Promoção da Nova Evangelização. Encorajado a olhar para o futuro do anúncio do Evangelho em um mundo que terá necessariamente que fazer as contas com a difusão do vírus, o arcebispo explica: “É verdade, nos próximos meses precisaremos manter a distância, mas o homem é feito para a proximidade. É um fato antropológico que não pode ser subvertido”. Confira a entrevista:

Excelência, o senhor afirma que existe também uma segunda questão…

Dom Rino Fisichella: Em tempo de internet, na cultura moderna em que nos encontramos, é difícil pensar que um episódio dramático como a pandemia que nos atingiu pode determinar e mudar nossas vidas. E a razão é simples: tudo é esquecido muito rapidamente. A cultura digital nos leva a ir além do espaço e do tempo. Infelizmente, acho que há muita retórica por aí agora e não concordo com ela.

Uma retórica sobre as supostas mudanças que serão negadas pelos fatos, porque a necessidade primária do homem é sempre a proximidade?

Dom Fisichella: É claro. Como se pode pensar que duas pessoas que se amam não apertem a mão um do outro? Como se pode pensar que duas pessoas que vão se casar vivam à distância? Como se pode pensar que os nossos jovens vivam sem sinais tangíveis de afeto? Tudo isso faz parte do homem. O homem se aproxima instintivamente, o homem não está inclinado a se distanciar; ele só o faz quando não há relação. Mas o homem é feito para o relacionamento e isso é mais verdadeiro para a dimensão da fé cristã: o crente é feito para viver em comunidade, não isolado. Obviamente, agora devemos necessariamente respeitar as distâncias, mas a distância não pode ser o futuro da existência pessoal.

Então mesmo evangelização só pode passar por alguma mudança temporária?

Dom Fisichella: A evangelização continua através de métodos e instrumentos que são um sinal de quanto o Evangelho – e, portanto, a Igreja – é capaz de entrar na vida e na história das pessoas.

Na sua opinião, que efeitos a pandemia causou à evangelização?

Dom Fisichella: Colocou à luz vários aspectos que pareciam óbvios antes, mas óbvios não são. Antes de tudo, fez-nos descobrir a importância da mídia: não esqueçamos o que nosso povo e nossos sacerdotes fizeram para manter uma relação com a celebração eucarística através das redes sociais que a cultura de hoje nos oferece. Não esqueçamos do que foi o Tríduo da Páscoa: estávamos acostumados às manifestações de nossa piedade popular com as procissões de Jesus morto e de Nossa Senhora sofrendo na Sexta-feira Santa; estávamos acostumados às visitas aos túmulos. Todas essas manifestações tiveram uma expressão diferente que nos permitiu sentir a necessidade de novos instrumentos tecnológicos.

Mas há também o outro lado da moeda.

Dom Fisichella: A pandemia nos fez compreender a necessidade de vivermos juntos a experiência da fé. Fiquei positivamente impressionado com o pedido cada vez mais urgente de poder participar da Santa Missa. Mas a evangelização não se reduz apenas ao momento sacramental. No que diz respeito à evangelização, a celebração dos sacramentos é apenas um dos pontos essenciais. Depois há outros dois: o encontro com as pessoas para proclamar a fé e o testemunho vivo da caridade. O vírus tem mostrado como é importante para nós nos vermos, estarmos juntos. Eu uso uma frase comum: a fé precisa dos sentidos: ver, ouvir, tocar. É preciso sentir – por mais paradoxal que seja – o cheiro do incenso. Tudo o que pertence à vida humana também pertence à dimensão da fé e da evangelização.

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Basílica de São Pedro passa por limpeza especial para reabertura aos fiéis

Está tudo pronto para acolher os fiéis que poderão voltar a rezar no túmulo de Pedro a partir da próxima segunda-feira, 18, respeitando as normas vigentes previstas para combater a difusão do coronavírus. Nesta sexta-feira, 15, foi realizada uma limpeza especial na Basílica de São Pedro e de São João Latrão; amanhã será na Basílica de São Paulo Fora dos Muros.

O vice-diretor da Direção de Saúde e Higiene do Governatorato do Estado da Cidade do Vaticano, professor Andrea Arcangeli, explica que será um retorno em total segurança no que diz respeito ao aspecto sanitário. Ele informou que esse processo de higienização é bem simples, mas inclui uma série de fases. Depois da limpeza com água e sabão, as superfícies são pulverizadas com substâncias para reduzir quantitativamente a carga de bactéria e viral.

Passam por essa limpeza profunda praticamente todos os espaços onde há maior circulação. Arcangeli destaca que: a limpeza sempre foi feita, mas agora, utilizando essas substâncias, em particular à base de cloro, é preciso ter particular atenção, mas não há problemas.

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Dízimo: Solidariedade e Partilha

O Dízimo é expressão máxima da solidariedade e da partilha no seio da igreja, possibilita o nascimento da corresponsabilidade envolvente e afetuosa com os irmãos de comunidade, bem como os de fora da vivência comunitária.

Cada dizimista, livremente, pode contribuir com o dízimo da maneira em que achar melhor:

1. Lacrando o envelope e entregando ao coordenador do setor;

2. Entregando diretamente no escritório paroquial;

3. Depositando diretamente nos cofres que estão na igreja;

4. Depósito Bancário:

     Diocese de Votuporanga/Catedral N. Sra. Aparecida

     Caixa Econômica Federal: Ag. 0364 – Op. 003 – C/C 002175-4

5.Transferência Bancária:

     Diocese de Votuporanga/Catedral N. Sra. Aparecida

     CNPJ 26.803.548/0002-44

     Caixa Econômica Federal

     Banco 104 – Ag. 0364 – Op. 003 - C/C 002175-4

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Por que maio é o Mês de Maria?

Durante vários séculos a Igreja Católica dedicou todo o mês de maio para honrar a Virgem Maria, Mãe de Deus. A seguir, explicamos o porquê.

A tradição surgiu na antiga Grécia. O mês de maio era dedicado a Artemisa, deusa da fecundidade. Algo semelhante ocorreu na antiga Roma, pois maio era dedicado a Flora, deusa da vegetação. Naquela época, celebravam os ‘ludi florals’ (jogos florais) no fim do mês de abril e pediam sua intercessão.

Na época medieval abundaram costumes similares, tudo centrado na chegada do bom clima e o afastamento do inverno. O dia 1º de maio era considerado como o apogeu da primavera.

Durante este período, antes do século XII, entrou em vigor a tradição de Tricesimum ou “A devoção de trinta dias à Maria”. Estas celebrações aconteciam do dia 15 de agosto a 14 de setembro e ainda são comemoradas em alguns lugares.

A ideia de um mês dedicado especificamente a Maria remonta aos tempos barrocos – século XVII. Apesar de nem sempre ter sido celebrado em maio, o mês de Maria incluía trinta exercícios espirituais diários em homenagem à Mãe de Deus.

Foi nesta época que o mês de maio e de Maria combinaram, fazendo com que esta celebração conte com devoções especiais organizadas cada dia durante todo o mês. Este costume durou, sobretudo, durante o século XIX e é praticado até hoje.

As formas nas quais Maria é honrada em maio são tão variadas como as pessoas que a honram.

As paróquias costumam rezar no mês de maio uma oração diária do Terço e muitas preparam um altar especial com um quadro ou uma imagem de Maria. Além disso, trata-se de uma grande tradição a coroação de Nossa Senhora, um costume conhecido como Coroação de Maio.

Normalmente, a coroa é feita de lindas flores que representam a beleza e a virtude de Maria e também lembra que os fiéis devem se esforçar para imitar suas virtudes. Em algumas regiões, esta coroação acontece em uma grande celebração e, em geral, fora da Missa.

Entretanto, os altares e coroações neste mês não são apenas atividades “da paróquia”. Mas, o mesmo pode e deve ser feito nos lares, com o objetivo de participar mais plenamente na vida da Igreja.

Deve-se separar um lugar especial para Maria, não por ser uma tradição comemorada há muitos anos na Igreja ou pelas graças especiais que se pode alcançar, mas porque Maria é nossa Mãe, mãe de todo o mundo e porque se preocupa com todos nós, intercedendo inclusive nos assuntos menores.

Por isso, merece um mês inteiro para homenageá-la.

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Por unanimidade, STF se decide contra o aborto em caso de zika vírus

Nesta quinta-feira, 30, terminou o prazo para que os ministros do STF votassem sobre a liberação do aborto em caso de zika vírus. O julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade – ADI 5581 – havia sido iniciado na última sexta-feira, 24.

A relatora da ADI 5581, ministra Carmem Lúcia, declarou no primeiro dia seu voto contrário à ação. “Julgo prejudicada a ação direta de inconstitucionalidade e não conheço da arguição de descumprimento de preceito fundamental”.

Ao longo da semana, os ministros Dias Toffoli, Edson Fachin, Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes, Rosa Weber, Luiz Fux, Ricardo Lewandowski, Marco Aurélio e Celso de Mello acompanharam integralmente o voto da ministra Carmem Lúcia. O ministro Roberto Barroso também acompanhou a relatora, mas com ressalvas, totalizando 11 votos contra o aborto. 

A votação já havia atingido maioria no último sábado, 25. Os últimos votos- dos ministros Marco Aurélio, Celso de Mello e Roberto Barroso – foram dados nesta quinta.

 

Defesa da Vida

A decisão do STF de voltar à pauta do tema motivou o posicionamento da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que lançou, no dia 19, em sintonia com segmentos e instituições, uma nota oficial convocando os católicos a defenderem a vida e se posicionarem contra o aborto. A entidade se dirigiu, publicamente, como o fez em carta pessoal, aos ministros do STF para compartilhar, ponderar argumentações e considerar, seriamente, o dever de todos em valorizar o dom inviolável da vida.

O presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Vida e a Família da CNBB, Dom Ricardo Hoepers, também se manifestou e reiterou que a vida é sagrada e inviolável. “Nenhum ser humano é incompatível com a vida nem pela sua idade, saúde ou qualidades existenciais. Quando se anuncia um bebê no ventre de uma mãe, é uma dádiva. A vida é dom de Deus e nós temos um compromisso com essa vida”.

A médica, presidente do movimento Brasil sem Aborto e membro das Comissões de Bioética da Arquidiocese de Brasília e da CNBB, Lenise Garcia, afirmou que a ação é ilegítima. A médica sublinhou que a microcefalia e outros problemas decorrentes do zika vírus acontecem entre 1% a 5% dos casos no máximo. “A maior parte das crianças abortadas não teria qualquer problema”, alerta. Mesmo considerando o fato de a criança ter, eventualmente, um problema, a médica afirma que a prática do aborto jamais poderia ser justificada.

A defensora da vida alerta que o pedido não é para que se faça aborto em caso de microcefalia, já que o diagnóstico é tardio. “Só depois de estar com seis ou sete meses de gravidez a gestante consegue ter algum diagnóstico, e mesmo assim não é garantia. É importante lembrar que, quando houve o surto no Brasil, e crianças nasceram possivelmente com microcefalia, menos da metade delas confirmaram o diagnóstico depois, ou seja, nem depois que nascer a criança tem um diagnóstico seguro, imagina intraúltero”.

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Cardeal Orani comenta julgamento do STF sobre símbolos religiosos em prédios públicos

Na última segunda-feira, 27, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, por unanimidade, considerar de repercussão geral a ação do Ministério Público Federal (MPF), que questiona a presença de símbolos religiosos em órgãos públicos e levará o tema para julgamento em plenário.

O Cardeal arcebispo do Rio de Janeiro, Dom Orani João Tempesta, falou à Canção Nova sobre o assunto. Segundo ele, o fato desse tema sempre voltar à tona deve-se à uma conjunção de grupos ateus, que acham que o estado devia ser ateu e não respeitar as diversas religiões. “Laicidade não se confunde com laicismo. O Estado não é ateu, é laico, ou seja, respeita todas as religiões. Por isso mesmo, é garantido o exercício das religiões pelo Estado”, apontou.

Patrimônio histórico-cultural

Dom Orani destacou que os símbolos religiosos são parte do patrimônio histórico-cultural da sociedade brasileira. “No último dia 26 nós comemoramos os 520 anos da celebração da Primeira Missa no Brasil. Isso não se configura proselitismo ou desapreços a outras religiões, mas faz parte da nossa história, da nossa cultura. E outros símbolos também podem ser colocados conforme a cultura do país”, afirmou.

O cardeal lembrou ainda que, existem várias cidades e estados do Brasil com nomes religiosos, mostrando que há uma tradição que faz parte da própria vida do brasileiro.

Recurso improcedente

Ele recordou que, em 2011, no caso Lautsi v. Italy, a família processou a Itália pelo fato de ter símbolos religiosos em sala de aula. E a Corte Europeia de Direitos Humanos foi bem clara dizendo que não violava o direito da família Lautsi.

Também no Brasil, em 2007, o Conselho de Justiça confrontando esta mesma questão, do crucifixo dentro dos tribunais, entendeu que a exibição dos crucifixos não violava a laicidade do Estado, por fazer parte de toda a cultura brasileira e não interferia na imparcialidade e universalidade do Poder Judiciário.

Esse recurso que o Ministério Público Federal iniciou no STF já foi julgado improcedente, lembrou Dom Orani. “A própria Procuradoria Geral da República se manifestou nos altos pela improcedência do pedido, entendendo que a exibição de símbolos religiosos em prédios públicos não fere a laicidade do estado”, disse.

“Nós vemos que este tipo de questionamento, daqueles que não têm religião, não têm fé, está sempre voltando. Todos têm direito a ter sua opção e os símbolos religiosos católicos fazem parte da nossa história brasileira. Não se pode falar da história do Brasil sem falar dos símbolos religiosos”, enfatizou.

“Não se pode falar da história do Brasil sem falar dos símbolos religiosos”, afirmou Dom / Foto: Denise Claro – Canção Nova

Dom Orani reafirmou que ser um estado laico significa respeitar todas as religiões e a cultura do país, e não ser um estado ateu, contrário à religião.

“Num tempo onde temos tanta preocupação com a vida e também levando as pessoas a terem mais confiança no futuro, nós vemos novamente temas que não dizem respeito a serem julgados agora e muito menos deviam ter sido colocados. Tenho certeza que os ministros do STF compreendem isso e irão levar adiante o que já é tradição dentro da cultura brasileira e também do Judiciário brasileiro”, concluiu.

Sobre o recurso

O Recurso Extraordinário com Agravo (ARE) 1249095, do MPF, pede para que seja retirados todos os símbolos religiosos, como crucifixos e imagens, de locais de ampla visibilidade e de atendimento ao público nos prédios da União e no Estado de São Paulo.

A ação foi julgada improcedente pelo juízo de primeiro grau e pelo Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3), que considerou que a presença dos símbolos religiosos é uma reafirmação da liberdade religiosa e do respeito a aspectos culturais da sociedade brasileira.

Contra esse entendimento, o MPF interpôs recurso extraordinário com alegação de ofensa a dispositivos constitucionais sobre o tema. O recurso não foi admitido pela Vice-Presidência do TRF-3, razão pela qual foi interposto o ARE 1249095 no Supremo Tribunal Federal.

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Em carta, Papa reafirma proximidade com trabalhadores explorados

“O compromisso e os sacrifícios dos trabalhadores da cadeia agroalimentar em tempos de pandemia, a exploração e a marginalização dos trabalhadores migrantes”, essas são as palavras do Papa Francisco que, em uma carta assinada pelo substituto da Secretaria de Estado, Dom Edgar Peña Parra, responde ao secretário-geral da Federação Agrícola Alimentar Ambiental Industrial Italiana (Fai Cisl), Onofrio Rota, que, recentemente pediu conforto e atenção para as questões críticas que afetam o setor agrícola.

Dom Edgar refere a proximidade de Francisco “aos muitos trabalhadores que, dentro da cadeia agroalimentar, estão fazendo um grande esforço, em meio a muitos riscos e dificuldades, para fornecer os alimentos necessários à comunidade”. “O Papa os recorda na oração, carregando no coração a dolorosa situação dos trabalhadores provenientes de vários países, que se veem relegados à margem da sociedade e sofrem condições inaceitáveis de exploração”.

Regularizar atividades ilegais

Na mensagem se expressa “compartilhamento” com relação à necessidade indicada pelo sindicato de regularizar as atividades ilegais de homens que, hoje mais do que nunca, estão expostos aos riscos de contaminação por não estarem em segurança e que estão garantindo o fornecimento de alimentos nas mesas.

“É certamente aceitável a necessidade de atender aqueles que, privados de dignidade, sentem mais as consequências de uma integração não realizada, estando agora mais expostos aos perigos da pandemia. Espera-se que suas situações possam emergir e que sejam regularizadas, a fim de que se sejam reconhecidos a todo trabalhador os seus direitos e deveres, sejam combatidos a ilegalidade, a chaga da contratação ilegal e os conflitos entre as pessoas desfavorecidas.”

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Que haja trabalho para todos e que seja trabalho digno, reza Papa

O Papa Francisco presidiu a Missa na Casa Santa Marta, no Vaticano, na manhã desta sexta-feira, 1º de maio, em que a Igreja recorda São José operário. Encontrava-se na capela do Espírito Santo uma imagem de São José artesão, levada para esta ocasião pelas Acli, as Associações cristãs dos trabalhadores italianos. Na introdução, o Papa dirigiu seu pensamento ao mundo do trabalho:

“Hoje, que é festa de São José operário, também Dia dos Trabalhadores, rezemos por todos os trabalhadores. Por todos. Para que não falte trabalho a nenhuma pessoa e todos sejam justamente retribuídos e possam gozar da dignidade do trabalho e da beleza do repouso”.

Na homilia, o Papa comentou a passagem da leitura do dia do Livro do Gênesis (Gn 1,26-2,3) em que é descrita a criação do homem à imagem e semelhança de Deus. “No sétimo dia, Deus considerou acabada toda a obra que tinha feito; e no sétimo dia descansou de toda a obra que fizera”. Deus – afirmou Francisco – entrega a sua atividade, seu trabalho, ao homem, para que colabore com Ele. O trabalho humano é a vocação recebida por Deus e torna o homem semelhante a Deus porque com o trabalho o homem é capaz de criar.

O trabalho dá a dignidade. Dignidade tão espezinhada na história, frisou o Santo Padre. Segundo Francisco, também hoje há muitos escravos, escravos do trabalho para sobreviver: trabalhadores forçados, mal pagos, com a dignidade espezinhada. “Tira-se a dignidade das pessoas”. Também aqui onde estamos acontece – observou o Papa – com os trabalhadores diaristas com uma retribuição mínima por muitas horas trabalhadas, com a doméstica a quem não se paga o justo e não tem as seguranças sociais e a aposentadoria. “Isso acontece aqui: é espezinhar a dignidade humana”.

O Pontífice enfatizou que toda injustiça que se faz ao trabalhador é espezinhar a dignidade humana. “Hoje, nos unimos a tantas pessoas crentes e não-crentes que celebram este dia do trabalhador por aqueles que lutam para ter justiça no trabalho”. O Pontífice rezou também por aqueles bons empresários que não querem demitir as pessoas, que protegem os trabalhadores como se fossem filhos, e rezou a São José para que ajude homens e mulheres a lutarem pela dignidade do trabalho, a fim de que haja trabalho para todos e que seja um trabalho digno.

Íntegra da homilia

Deus criou. Um Criador. Criou o mundo, criou o homem e deu uma missão, ao homem: administrar, trabalhar, levar a criação adiante. E a palavra “trabalho” é a que a Bíblia usa para descrever esta atividade de Deus: “Considerou acabada toda a obra que tinha feito; e no sétimo dia descansou de toda a obra que fizera”, e entregou esta atividade ao homem: “Tu deves fazer isto, custodiar aquilo, aquilo outro, deves trabalhar para criar comigo – é como se assim dissesse – este mundo, para que siga adiante”. A tal ponto que o trabalho nada mais é que a continuação do trabalho de Deus: o trabalho humano é a vocação do homem recebida de Deus para a finalidade da criação do universo.

E o trabalho é aquilo que torna o homem semelhante a Deus, porque com o trabalho o homem é criador, é capaz de criar, de criar muitas coisas, inclusive criar uma família para seguir adiante. O homem é um criador e cria com o trabalho. Essa é a vocação. E a Bíblia diz que “Deus viu tudo quanto havia feito, e eis que tudo era muito bom”. Isto é, o trabalho tem intrinsecamente uma bondade e cria a harmonia das coisas – beleza, bondade – e envolve o homem em tudo: no seu pensamento, no seu agir, tudo. O homem é envolvido no trabalhar. É a primeira vocação do homem: trabalhar. E isso dá dignidade ao homem. A dignidade que o faz semelhante a Deus. A dignidade do trabalho.

Missa dedicada a São José operário/ Foto: Vatican Media

Uma vez, numa Caritas, um funcionário da Caritas disse a um homem que não tinha trabalho e ia à Caritas buscar alguma coisa para a família: “O senhor pode ao menos levar o pão para casa” – “Mas isso não me basta, não é suficiente”, foi a resposta: “Eu quero ganhar o pão para levá-lo para casa”. Faltava-lhe a dignidade, a dignidade de ser ele a “fazer” o pão, com o seu trabalho, e levá-lo para casa. A dignidade do trabalho, que é tão espezinhada, infelizmente. Na história lemos as brutalidades que faziam com os escravos: levavam-no da África para a América – penso naquela história que diz respeito à minha terra – e nós dizemos “quanta barbárie”… Mas também hoje há muitos escravos, muitos homens e mulheres que não são livres para trabalhar: são obrigados a trabalhar, para sobreviver, nada mais. São escravos: os trabalhos forçados… são trabalhos forçados, injustos, mal pagos e que levam o homem a viver com a dignidade espezinhada. São muitos, muitos no mundo. Alguns meses atrás lemos nos jornais, naquele país da Ásia, como um senhor tinha matado a pauladas um funcionário seu que ganhava menos de meio dólar por dia, por uma coisa que tinha saído mal feita por este. A escravidão de hoje é a nossa “indignidade”, porque tolhe a dignidade ao homem, à mulher, a todos nós. “Não, eu trabalho, tenho minha dignidade”: sim, mas seus irmãos, não. “Sim, padre, é verdade, mas isto, como está tão distante, tenho dificuldade de entender. Mas aqui onde estamos…”: também aqui, entre nós. Aqui, entre nós. Pense nos trabalhadores, os diaristas, que você faz trabalhar por uma retribuição mínima e não oito, mas doze, quatorze horas por dia: isso acontece hoje, aqui. No mundo inteiro, mas também aqui. Pense na doméstica que não tem justa retribuição, que não tem assistência social de segurança, que não tem capacidade de aposentadoria: isso não acontece somente na Ásia. Aqui.

Toda injustiça que se faz a uma pessoa que trabalha é espezinhar a dignidade humana, inclusive a dignidade de quem faz a injustiça: abaixa-se o nível e se acaba naquela tensão de ditador-escravo. Ao invés, a vocação que Deus nos dá é muito bonita: criar, re-criar. Trabalhar. Mas isso pode ser feito quando as condições são justas e se respeita a dignidade da pessoa.

Hoje nos unimos a muitos homens e mulheres, crentes e não-crentes, que comemoram hoje o dia do Trabalhador, o Dia do Trabalho, por aqueles que lutam para ter uma justiça no trabalho, por eles – bons empresários – que levam o trabalho adiante com justiça, mesmo se têm perdas.

Dois meses atrás ouvi por telefone um empresário, aqui, na Itália, que me pedia para rezar por ele porque não queria demitir ninguém e disse assim: “Porque demitir um deles é me demitir”. Essa consciência de muitos bons empresários, que protegem os trabalhadores como se fossem filhos. Rezemos também por eles. E peçamos a São José – com este ícone tão bonito com os instrumentos de trabalho em mãos – que nos ajude a lutar pela dignidade do trabalho, a fim de que haja trabalho para todos e que seja trabalho digno. Não trabalho de escravo. Essa seja a oração hoje.

Final da celebração

Adoração e benção eucarística desta sexta-feira, 1º de maio/ Foto: Vatican Media

O Santo Padre terminou a celebração com a adoração e a bênção eucarística, convidando a fazer a Comunhão espiritual. A seguir, a oração recitada pelo Papa: “Aos vossos pés, ó meu Jesus, me prostro e vos ofereço o arrependimento do meu coração contrito que mergulha no seu nada na Vossa santa presença. Eu vos adoro no Sacramento do vosso amor, a inefável Eucaristia. Desejo receber-vos na pobre morada que meu coração vos oferece; à espera da felicidade da comunhão sacramental, quero possuir-vos em Espírito. Vinde a mim, ó meu Jesus, que eu venha a vós. Que o vosso amor possa inflamar todo o meu ser, para a vida e para a morte. Creio em vós, espero em vós. Amo-vos. Assim seja”.

Antes de deixar a Capela dedicada ao Espírito Santo foi entoada a antífona mariana “Regina caeli”, cantada no tempo pascal: “Rainha dos céus, alegrai-vos. Aleluia! Porque Aquele que merecestes trazer em vosso seio. Aleluia! Ressuscitou como disse. Aleluia! Rogai por nós a Deus. Aleluia! D./ Alegrai-vos e exultai, ó Virgem Maria. Aleluia! C./ Porque o Senhor ressuscitou, verdadeiramente. Aleluia!”.

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Casa Abrigo completou 23 anos de atuação em Votuporanga

No último dia 22 de abril, a Casa Abrigo Irmãos de Emaús completou 23 anos de fundação. A  entidade é uma Associação Civil Filantrópica, sem fins lucrativos e em conformidade com a finalidade do seu Estatuto Social na execução de seus serviços, objetivando o atendimento a jovens, adultos, pessoas em migração e situação de rua com dependência indevida do uso de bebida alcoólica.

A Comunidade Assistencial Irmãos de Emaús (Casa Abrigo) foi fundada em 22 de abril de 1997, por membros da Paróquia Nossa Senhora Aparecida de Votuporanga, liderados pelo Padre Edemur José Alves (In-memória), com sede própria neste município. Atualmente a entidade é presidida pelo paroquiano Sérgio Raimundo de Carvalho.

A Casa Abrigo é uma obra social da Catedral Nossa Senhora Aparecida, que designa uma porcentagem do Dízimo paroquial, além da participação de muitos paroquianos que partilham espiritualidade junto aos usuários da entidade por meio de orações, encontros, reuniões, bem como a assistência do Diretor Espiritual Padre Gilmar Margotto, além do incentivo e veemência no desenvolvimento das atividades da Casa Abrigo, assim como conta com a ajuda de fieis através de doações e trabalhos voluntários.

A entidade dispõe de 40 leitos assim distribuídos: 30 vagas para acolhimento a homens por tempo indeterminado com sistema de abrigamento e 10 vagas como Casa de passagem, sendo 07 vagas disponíveis ao público migratório para pernoite e 03 vagas à mulheres por curta temporada.

Aqueles que permanecem na Casa Abrigo prestam atividades laborterápicas em horticultura, participação de suma importância destes usuários, visto que é a forma direta de contribuir com a manutenção da Entidade por meio de comercialização, além do consumo próprio. Eles também contribuem com tarefas auxiliares em jardinagem, limpeza e cozinha.

 

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Covid-19: Papa Francisco telefona para o Arcebispo de Manaus

Na tarde de sábado (25/04), o Papa Francisco telefonou para o Arcebispo de Manaus, Dom Leonardo Steiner, manifestando a sua solidariedade e proximidade às vítimas do novo coronavírus. A informação foi divulgada pelo site do Arcebispado.

De acordo com a nota, o Pontífice pediu informações sobre a situação e manifestou sua preocupação com os povos indígenas, os ribeirinhos e os pobres.

Ao saber das ações de solidariedade, Francisco agradeceu o que fiéis, grupos, pastorais, religiosos/as e os padres da Arquidiocese têm feito para amenizar o sofrimento das pessoas. O Papa garantiu suas orações pelos falecidos e suas famílias.

Por sua vez, o arcebispo agradeceu as palavras de conforto e consolo, apresentando ao Papa o que a Arquidiocese tem feito no cuidado dos irmãos que vivem nas ruas, na distribuição de cestas básicas, na atenção às pessoas que sofrem e no atendimento aos migrantes. Dom Leonardo mencionou ainda as chuvas que caíram sobre a cidade no último sábado e provocaram ainda mais sofrimento nas periferias.

“O Papa, no final, agradeceu mais uma vez e afirmou que reza por todos nós e que enviava uma bênção especial para a Amazônia. Somos profundamente agradecidos ao Papa Francisco pelo seu gesto paterno-eclesial”, disse o Arcebispo.

Valas comuns

Segundo os dados mais recentes, do dia 25, 

O Amazonas já registra mais de 3,6 mil casos confirmados da doença e os mortos são mais de 280. Com a carência de estrutura, as vítimas do Covid-19 no cemitério Nossa Senhora da Aparecida começaram a ser enterradas em valas comuns.

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Intensificar a reza do Terço em maio: Papa propõe duas orações

Duas orações a serem rezadas no final do Terço em maio: esta é a proposta do Papa Francisco a todos os fiéis com a chegada do mês mariano.

É tradição, escreve o Pontífice, rezar o Terço em casa, em família, no mês de maio. “Uma dimensão que as restrições da pandemia nos obrigaram’ a valorizar, inclusive do ponto de vista espiritual.”

 

A simplicidade

Por isso, Francisco propõe a todos redescobrir no mês de maio a beleza de rezar o Terço em casa: juntos ou sozinhos, o importante é levar em consideração “um segredo”: a simplicidade.

O Papa recorda que é fácil encontrar, inclusive na internet, bons esquemas de oração a seguir, mas oferece dois textos que ele mesmo rezará ao final do Terço, espiritualmente unido a nós.

“Queridos irmãos e irmãs, contemplar juntos a face de Cristo com o coração de Maria, nossa Mãe, nos tornará ainda mais unidos como família espiritual e nos ajudará a superar esta provação. Eu rezarei por vocês, especialmente pelos mais sofredores, e vocês, por favor, rezem por mim. Eu lhes agradeço e os abençoo de coração.”

Eis as orações propostas pelo Santo Padre:

ORAÇÃO A MARIA (I)

Ó Maria,
Vós sempre resplandeceis sobre o nosso caminho
como um sinal de salvação e de esperança.
Confiamo-nos a Vós, Saúde dos Enfermos,
que permanecestes, junto da cruz, associada ao sofrimento de Jesus,
mantendo firme a vossa fé.
Vós, Salvação do Povo Romano,
sabeis do que precisamos
e temos a certeza de que no-lo providenciareis
para que, como em Caná da Galileia,
possa voltar a alegria e a festa
depois desta provação.
Ajudai-nos, Mãe do Divino Amor,
a conformar-nos com a vontade do Pai
e a fazer aquilo que nos disser Jesus,
que assumiu sobre Si as nossas enfermidades
e carregou as nossas dores
para nos levar, através da cruz,
à alegria da ressurreição. Amen.
À vossa proteção, recorremos, Santa Mãe de Deus;
não desprezeis as nossas súplicas na hora da prova
mas livrai-nos de todos os perigos, ó Virgem gloriosa e bendita.

 

ORAÇÃO A MARIA (II)

«À vossa proteção, recorremos, Santa Mãe de Deus».

Na dramática situação atual, carregada de sofrimentos e angústias que oprimem o mundo inteiro, recorremos a Vós, Mãe de Deus e nossa Mãe, refugiando-nos sob a vossa proteção.

Ó Virgem Maria, volvei para nós os vossos olhos misericordiosos nesta pandemia do coronavírus e confortai a quantos se sentem perdidos e choram pelos seus familiares mortos e, por vezes, sepultados duma maneira que fere a alma. Sustentai aqueles que estão angustiados por pessoas enfermas de quem não se podem aproximar, para impedir o contágio. Infundi confiança em quem vive ansioso com o futuro incerto e as consequências sobre a economia e o trabalho.

Mãe de Deus e nossa Mãe, alcançai-nos de Deus, Pai de misericórdia, que esta dura prova termine e volte um horizonte de esperança e paz. Como em Caná, intervinde junto do vosso Divino Filho, pedindo-Lhe que conforte as famílias dos doentes e das vítimas e abra o seu coração à confiança.

Protegei os médicos, os enfermeiros, os agentes de saúde, os voluntários que, neste período de emergência, estão na vanguarda arriscando a própria vida para salvar outras vidas. Acompanhai a sua fadiga heroica e dai-lhes força, bondade e saúde.

Permanecei junto daqueles que assistem noite e dia os doentes, e dos sacerdotes que procuram ajudar e apoiar a todos, com solicitude pastoral e dedicação evangélica.

Virgem Santa, iluminai as mentes dos homens e mulheres de ciência, a fim de encontrarem as soluções justas para vencer este vírus.

Assisti os Responsáveis das nações, para que atuem com sabedoria, solicitude e generosidade, socorrendo aqueles que não têm o necessário para viver, programando soluções sociais e económicas com clarividência e espírito de solidariedade.

Maria Santíssima tocai as consciências para que as somas enormes usadas para aumentar e aperfeiçoar os armamentos sejam, antes, destinadas a promover estudos adequados para prevenir catástrofes do género no futuro.

Mãe amadíssima, fazei crescer no mundo o sentido de pertença a uma única grande família, na certeza do vínculo que une a todos, para acudirmos, com espírito fraterno e solidário, a tanta pobreza e inúmeras situações de miséria. Encorajai a firmeza na fé, a perseverança no serviço, a constância na oração.

Ó Maria, Consoladora dos aflitos, abraçai todos os vossos filhos atribulados e alcançai-nos a graça que Deus intervenha com a sua mão omnipotente para nos libertar desta terrível epidemia, de modo que a vida possa retomar com serenidade o seu curso normal.

Confiamo-nos a Vós, que resplandeceis sobre o nosso caminho como sinal de salvação e de esperança, ó clemente, ó piedosa, ó doce Virgem Maria. Amen.

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520 anos da celebração da 1ª Missa no Brasil

Há 520 anos, no dia 26 de abril de 1500 – domingo da oitava de Páscoa –, era celebrada a primeira Missa daquele que viria a ser o país com o maior número de católicos batizados no mundo, o Brasil.

A Santa Missa foi presidida por Frei Henrique de Coimbra e concelebrada por outros sacerdotes em Santa Cruz Cabrália, litoral sul da Bahia, sobre o ilhéu da Coroa Vermelha.

Em sua carta ao rei Dom Manuel, o escrivão Pero Vaz de Caminha descreveu a celebração feita em um “altar mui bem arranjado” e que, segundo observou, “foi ouvida por todos com muito prazer e devoção”.

Os portugueses chegaram ao Brasil em 22 de abril de 1500, nas 13 caravelas lideradas por Pedro Alvares Cabral, o qual, avistando do mar um monte, chamou-o de Monte Pascoal, por ser oitava de Páscoa. Àquela terra, inicialmente, colocou o nome Terra de Vera Cruz.

Após desembarcarem em terra firme e terem os primeiros contatos com os índios, seguiram a bordo de suas caravelas para um lugar mais protegido, parando na praia da Coroa Vermelha. Foi neste local que celebraram a Santa Missa.

Terminada a celebração, conforme relata Pero Vaz de Caminha, o sacerdote subiu em uma cadeira alta e “pregou uma solene e proveitosa pregação, da história evangélica; e no fim tratou da nossa vida, e do achamento desta terra, referindo-se à Cruz, sob cuja obediência viemos, que veio muito a propósito, e fez muita devoção”.

Conforme indicam os relatos, o escrivão Caminha acreditava que a conversão dos índios seria fácil, pois demonstraram respeito quanto à religião. Neste sentido, pediu ao rei que enviasse logo clérigos para batizá-los.

A representação mais famosa da celebração é o quadro “A Primeira Missa no Brasil“, feito em 1861 pelo pintor catarinense Victor Meirelles de Lima.

Após esta, a segunda Missa foi celebrada no dia 1º de maio, na foz do rio Mutarí. Os anos se passaram e, hoje, o Brasil é o país com o maior número de católicos batizados no mundo.

Segundo o Anuário Pontifício 2018 e o Anuário Estatístico da Igreja 2016, no Brasil vivem 173,6 milhões de católicos, o que representa 13,3% de fiéis do mundo e 27,5% da América do Sul..

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