Notícias e Artigos Litúrgicos
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Um encontro verdadeiro com Jesus nunca é esquecido, afirma Papa

O projeto de Deus para cada um é sempre um plano de amor. E ao seu chamado deve-se responder com amor no serviço a Deus e aos irmãos. Essa é a exortação feita pelo Papa antes da oração do Angelus deste domingo, 17.  Inspirado no Evangelho de João, que apresenta o encontro de Jesus com seus primeiros discípulos, Francisco convidou os fiéis a recordarem o momento do encontro derradeiro que tiveram com o Senhor. “Que a recordação daquele momento nos renove sempre no encontro com Jesus”. “Todo encontro autêntico com Jesus fica na memória viva”.

Da Biblioteca do Palácio Apostólico, também em observância às medidas adotadas pelo governo italiano para conter a difusão do coronavírus, Francisco descreveu a cena de Jesus com dois de seus discípulos à beira do rio Jordão, um deles André. E foi o próprio João Batista – explicou – quem apontou o Messias para eles com as seguintes palavras: “Eis o Cordeiro de Deus!” Em respostas às perguntas que começaram a lhe ser dirigidas, cheias de curiosidades, Jesus não apresentou “um cartão de visitas”, mas os convidou para um encontro: “Vinde e vede!”. “Os dois o seguem e naquela tarde permanecem com Ele”.

“Não é difícil imaginá-los ali sentados, fazendo perguntas a ele e, sobretudo, ouvindo-o, sentindo que seus corações se aquecem sempre mais, enquanto o Mestre fala.  Eles sentem a beleza das palavras que correspondem à sua maior esperança. E de repente descobrem que, à medida que escurece à sua volta, explode neles, em seus corações, uma luz que somente Deus pode dar”.

Do verdadeiro encontro com Jesus não se esquece nunca

Francisco chamou então a atenção para a hora precisa deste encontro descrita por João: “Uma coisa que chama a atenção: um deles, sessenta anos depois, ou talvez mais, escreveu no Evangelho – ‘era por volta das quatro da tarde’ – escreveu a hora. E isso é algo que nos faz pensar: todo encontro autêntico com Jesus fica na memória viva, nunca é esquecido. Você se esquece de tantos encontros, mas o encontro com Jesus verdadeiro permanece sempre. E tantos anos depois eles se recordavam também da hora, não puderam esquecer aquele encontro tão feliz, tão pleno, que havia mudado a vida”.

Quando os dois seguidos de João Batista voltam para seus irmãos, “essa alegria, essa luz transborda de seus corações como um rio caudaloso”, apontou o Santo Padre

Cada encontro com Jesus é um chamado de amor

Um dos dois, André, diz a seu irmão Simão (a quem Jesus chamará Pedro quando o encontrar): “Encontramos o Messias”. Estavam certos que Jesus era o Messias, frisou o Pontífice: “Detenhamo-nos por um momento nesta experiência do encontro com Cristo que chama a estar com Ele. Cada chamado de Deus é uma iniciativa do seu amor. É sempre Ele que toma a iniciativa. Ele o chama. Deus chama à vida, chama à fé e chama a um estado particular de vida: ‘Eu o quero aqui’.

O primeiro chamado de Deus, explicou Francisco, é para a vida: é um chamado individual, porque Deus não faz as coisas em série.  

Projeto de Deus é sempre um plano de amor

“Deus nos chama à fé e para fazer parte da sua família, como filhos de Deus. Por fim, Deus nos chama a um estado particular de vida: a doar-nos no caminho do matrimônio, no do sacerdócio ou na vida consagrada”. Segundo o Papa, essas são formas diferentes de realizar o projeto que Deus tem para cada um, um projeto que é sempre um plano de amor.

Deus chama sempre, é o que afirmou o Santo Padre. “A maior alegria para cada crente (para cada fiel) é responder a este chamado, oferecer-se inteiramente ao serviço de Deus e dos irmãos”. Diante do chamado do Senhor, que chega “de mil maneiras”, mesmo “por meio de pessoas, acontecimentos felizes e tristes”, Francisco afirmou que, às vezes, homens e mulheres têm atitude de rejeição: “Não…“tenho medo”… Recuso porque nos parece em contraste com as nossas aspirações; e também o medo, porque o consideramos muito exigente e incômodo: ‘Oh, não conseguirei, melhor não, melhor uma vida mais tranquila. Deus lá e eu aqui’”.

O desejo do anúncio que brota do encontro com Jesus

O chamado de Deus é amor, destacou o Pontífice. De acordo com o Papa, é preciso procurar encontrar o amor que está por trás de cada chamado, e se responde a ele somente com o amor. “Esta é a linguagem: da resposta a um chamado que vem do amor, somente o amor”.

No início há um encontro, frisou o Santo Padre.  “Há o encontro com Jesus, que nos fala do Pai, nos faz conhecer o seu amor. E assim também em nós surge espontaneamente o desejo de comunicá-lo às pessoas que amamos: ‘Encontrei o Amor’, ‘encontrei o Messias’, ‘encontrei Jesus’, ‘encontrei o sentido da minha vida’. Em uma palavra: ‘Encontrei Deus'”.

“Que a Virgem Maria nos ajude a fazer da nossa vida um hino de louvor a Deus, em resposta ao seu chamado e no cumprimento humilde e alegre da sua vontade. Mas recordemos isso: (para) cada um de nós, na sua vida, (houve) um momento em que Deus se fez presente com mais força, com um chamado. Recordemo-lo. Voltemos àquele momento, para que a memória daquele momento nos renove sempre no encontro com Jesus”, concluiu.

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A unidade é sempre superior ao conflito, reitera Papa

Nos apelos que costuma fazer após rezar o Angelus, o Papa Francisco recordou o início da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, que no hemisfério norte é celebrada de 18 a 25 de janeiro, enfatizando que “a unidade é sempre superior ao conflito:

“Amanhã é um dia importante: tem início a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos. Este ano, o tema refere-se à advertência de Jesus: “Permanecei no meu amor e produzireis muito fruto” (cf. Jo 15,5-9). Na segunda-feira, 25 de janeiro, concluiremos com a celebração das Vésperas na Basílica de São Paulo fora dos muros, juntamente com os representantes das outras comunidades cristãs presentes em Roma. Nestes dias, rezemos juntos para que se cumpra o desejo de Jesus: “Que todos sejam um” (Jo 17,21). A unidade, que é sempre superior ao conflito”.

A Comissão Episcopal Pastoral para o Ecumenismo e o Diálogo Inter-religioso da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) traduziu para o português subsídios para a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos e para todo o ano 2021, preparados e publicados conjuntamente pelo Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos e Constituição do Conselho Mundial de Igrejas.

A primeira Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, nos moldes da atual, nasceu por iniciativa do inglês Spencer Jones, anglicano, e do estadunidense Paul James Francis Wattson, episcopal (anglicano americano). No ano de 1907, o rev. Jones sugeriu a instituição, em 29 de junho de cada ano, de um dia de oração pelo retorno dos anglicanos, e de todos os outros cristãos, à unidade com a Sé Romana. No ano seguinte, Wattson ampliou a ideia, propondo-a em forma de uma oitava para pedir a Deus “a volta de todas as outras ovelhas ao aprisco de Pedro, o único pastor”. É precisamente a este ano (1908) que o nascimento oficial da semana em curso é convencionalmente atribuído. Wattson decidiu iniciar a oitava no dia da festa da Confissão de Pedro (uma variante protestante da festa da Cátedra de São Pedro que se festejava em 18 de janeiro) e de concluí-la com a festa da Conversão de São Paulo. Desde então, essas duas datas (18 e 25 de janeiro) marcam o início e o fim da Oitava no Hemisfério Norte. No hemisfério Sul, por sua vez, as Igrejas geralmente celebram a Semana de Oração no período de Pentecostes.

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Papa Francisco e Bento XVI recebem vacina contra Covid-19 no Vaticano

Tanto o Papa Francisco quanto o Papa emérito Bento XVI já receberam a primeira dose da vacina contra a Covid-19. Francisco foi vacinado nesta quarta-feira, 13, e o Papa emérito, na manhã de hoje. A informação foi confirmada pelo diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, Matteo Bruni, que afirmou:

“Posso confirmar que no âmbito do programa de vacinação do Estado da Cidade do Vaticano até agora foi administrada a primeira dose da vacina para covid-19 ao Papa Francisco e ao Papa emérito”.

Vacinação no Vaticano

plano de vacinação no Vaticano começou ontem e tem como foco cidadãos, empregados, mas também familiares que se beneficiem de ajuda do Fundo de Assistência à Saúde. A vacina escolhida pelas autoridades do Vaticano foi a produzida pela farmacêutica Pfizer.

Papa Francisco

Em entrevista à TV italiana, exibida no último domingo, 10, o Papa Francisco afirmou que todos devem tomar a vacina, pois é uma questão ética, e já tinha confirmado que havia se cadastrado para receber a dose.

“Eu creio que, eticamente, todos devem tomar a vacina. Não é uma opção, é uma ação ética. Porque está em risco a sua saúde, a sua vida, mas também a vida dos outros”, disse na entrevista.

“Se os médicos a apresentam como algo que pode ser bom e que não tem perigos especiais, por que não tomar? Há um negacionismo suicida nisso, que eu não saberia explicar”, completou o Papa.

Para o Santo Padre, este é o tempo de “pensar no nós e cancelar por um período o eu, colocá-lo entre parênteses. Ou nos salvamos todos com o nós ou não se salva ninguém”.

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Líderes católicos realizarão conferência sobre a vacina contra a Covid-19

Um cristão deve se vacinar? É moralmente obrigatório? É seguro ser vacinado ? Quais serão as consequências sociais e econômicas? Com base nessas quatro questões, a Academia Latino-Americana de Líderes Católicos (ALLC) propõe uma Conferência internacional sobre a posição dos cristãos em relação às vacinas contra a Covid-19, e que se realizará, em modo virtual, nesta terça-feira, 19.

A motivação do evento é o intenso debate na opinião pública, pois as fake news, além de absurdas teorias da conspiração, “estão envenenando alguns ambientes católicos”, explica em seu convite a ALLC que considera de vital importância para o futuro da humanidade a massificação da vacina em todas as classes sociais.

Na apresentação do encontro, a instituição laica explica que a Santa Sé, assim como o próprio Papa Francisco, deixou clara a relevância, a necessidade e a importância de apoiar a campanha de vacinação que será realizada ao longo deste ano em todo o mundo.

Neste contexto, recorda as duas importantes declarações da Santa Sé sobre o tema: “Reflexões morais sobre vacinas preparadas a partir de células procedentes de fetos humanos abortados” da Pontifícia Academia para a Vida e a “Nota da Congregação para a Doutrina da Fé sobre a moralidade do uso de algumas vacinas contra a Covid-19”, de 21 de dezembro de 2020.

A Academia Latino-americana de Líderes Católicos quer contribuir para esta campanha global de vacinação com um encontro onde, além de fazer eco à posição da Igreja Católica, proponha-se uma discussão multidisciplinar do tema, isto é, sob a ótica da Doutrina Social da Igreja, a medicina (infectologia) e ciências sociais.

Nesse sentido, haverá três oradores principais: o cardeal Seán O’Malley, arcebispo de Boston e presidente do Pontifício Conselho para a Proteção de Menores; a cientista e imunologista sueca do Instituto Karolinska em Estocolmo, Katerina le Blanc; e Enrique García Rodríguez, ex-tesoureiro do Banco Ibero-americano de Desenvolvimento (BID) e presidente do Conselho de Administração do Trust for the Americas.

O diretor geral da Academia de Líderes Católicos, José Antonio Rosas, entrevistado por Vida Nueva Digital, também participante do projeto, destacou que a Conferência é muito importante por um simples motivo: milhares de vidas estão “em jogo”.

“Se as pessoas não forem vacinadas – explicou – colocam em risco não só as próprias vidas, mas também as das suas famílias; e assim nunca poderemos sair desta tremenda crise que vive a humanidade”.

Nesse sentido, Rosas expressou a convicção de que o cristão tem a obrigação moral de promover a vacinação e esclarecer muitas das fake news e teorias absurdas que circulam nas redes sociais.

A conferência será aberta pelo cardeal Carlos Aguiar, arcebispo primaz do México e poderá ser seguida pela plataforma Zoom em espanhol, inglês, português e italiano. Para participar você deve se cadastrar no site https://www.liderescatolicos.net/vacunas/.

A conferência também será transmitida no canal da Academia no YouTube: https://www.youtube.com/liderescatolicos.

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Francisco no Angelus: Deus nos acaricia com a sua misericórdia

O Papa Francisco rezou a oração mariana do Angelus deste domingo (10/01), dia que a Igreja celebra o Batismo do Senhor, da Biblioteca do Palácio Apostólico.

Poucos dias atrás, na Solenidade da Epifania, Jesus foi visitado pelos Reis Magos. “Hoje, o encontramos como adulto nas margens do Jordão. A Liturgia nos faz dar um salto de cerca de trinta anos, trinta anos dos quais sabemos uma coisa: foram anos de vida escondida, que Jesus transcorreu em família, alguns anos no Egito, como migrante para fugir da perseguição de Herodes, outros em Nazaré, aprendendo a profissão de José, obedecendo aos pais, estudando e trabalhando”. A seguir, acrescentou:

É impressionante que a maior parte do tempo do Senhor na Terra foi passado desta maneira, vivendo a vida de todos os dias, sem aparecer. Pensamos que segundo os Evangelhos foram três anos de pregação, de milagres e muitas coisas. Os outros anos foram de vida escondida na família. É uma bela mensagem para nós: nos revela a grandeza do cotidiano, a importância aos olhos de Deus de cada gesto e momento da vida, mesmo o mais simples e escondido.

“Depois desses trinta anos de vida oculta, começa a vida pública de Jesus. E começa com o seu batismo no Rio Jordão. Jesus é Deus. Por que Jesus vai se batizar?”, perguntou o Papa. “O batismo de João consistia num rito penitencial, era um sinal da vontade de se converter, de ser melhor, pedindo o perdão dos pecados. Jesus certamente não precisava disso. De fato, João Batista tenta se opor, mas Jesus insiste. Por quê? Porque ele quer estar com os pecadores. Por isso, entra na fila com eles e realiza o mesmo gesto deles. E o faz com um comportamento do povo, com uma atitude do povo, que como diz um hino litúrgico, com a alma nua, sem cobrir nada, assim, pecador. Este é o gesto que Jesus faz e entra no rio para se imergir em nossa mesma condição. O batismo, de fato, significa precisamente “imersão”. No primeiro dia de seu ministério, Jesus nos oferece o seu “manifesto programático”. Segundo o Pontífice, Jesus “nos diz que não nos salva do alto, com uma decisão soberana ou um ato de força, um decreto, não: Ele nos salva vindo ao nosso encontro e tomando sobre si os nossos pecados. É assim que Deus vence o mal do mundo: abaixando-se e assumindo”.

É também a maneira pela qual podemos elevar os outros: não julgando, não intimando, dizendo-lhes o que fazer, mas fazendo-se próximo, compadecendo, compartilhando o amor de Deus. A proximidade é o estilo de Deus em relação a nós. Ele mesmo disse isto a Moisés. Pensem: qual povo tem seus deuses tão próximos como vocês tem a mim? A proximidade é o estilo de Deus para conosco.

Francisco sublinhou que “depois deste gesto de compaixão de Jesus, acontece uma coisa extraordinária: os céus se abrem e a Trindade finalmente se revela. O Espírito Santo desce em forma de pomba e o Pai diz a Jesus: «Tu és o meu Filho amado»”.

Deus se manifesta quando a misericórdia aparece. Não se esqueçam disso! Deus se manifesta quando a misericórdia aparece, porque esse é o seu rosto. Jesus se torna o servo dos pecadores e é proclamado Filho; Ele se abaixa sobre nós e o Espírito desce sobre Ele. O amor chama o amor. É válido também para nós: em cada gesto de serviço, em cada obra de misericórdia que fazemos, Deus se manifesta, Deus pousa o seu olhar sobre o mundo. Isso vale para nós.

Segundo o Papa, “mesmo antes que façamos qualquer coisa, a nossa vida é marcada pela misericórdia que se pousou sobre nós. Fomos salvos gratuitamente. A salvação é grátis”.

É o gesto gratuito da misericórdia de Deus para conosco. Sacramentalmente, isto se realiza no dia do nosso Batismo, mas também os que não são batizados recebem a misericórdia de Deus sempre, porque Deus está ali, espera. Espera que as portas de seus corações se abram. Se aproxima, permito-me dizer, nos acaricia com a sua misericórdia.

Francisco concluiu, pedindo a Nossa Senhora para que “nos ajude a salvaguardar a nossa identidade, ou seja, a identidade de ser “misericordiados” que está na base da fé e da vida”.

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5 coisas que talvez não saiba sobre o Batismo católico

“Pelo Batismo, somos libertos do pecado e regenerados como filhos de Deus: tornamo-nos membros de Cristo e somos incorporados na Igreja e tornados participantes na sua missão”, diz o Catecismo da Igreja Católica (CCI 1213). A seguir, confira 5 coisas que talvez não saiba sobre este Sacramento, porta para os outros sacramentos.

1. Iniciou-se com os Apóstolos

“Desde o dia de Pentecostes que a Igreja vem celebrando e administrando o santo Batismo. Com efeito, São Pedro declara à multidão, abalada pela sua pregação: ‘convertei-vos (...) e peça cada um de vós o Batismo em nome de Jesus Cristo, para vos serem perdoados os pecados. Recebereis então o dom do Espírito Santo’ (Atos dos apóstolos 2,38)” (CCI 1226).

Santo Higino, Pontífice aproximadamente entre os anos 138 e 142, instituiu o padrinho e a madrinha no batismo dos recém-nascidos, para que guiassem os pequenos na vida cristã.

2. Tem vários nomes

Batizar, do grego “baptizein”, significa “mergulhar” ou “imergir dentro da água”. Esta imersão simboliza “a sepultura do catecúmeno na morte de Cristo, de onde sai pela ressurreição com Ele” (CCI 1214).

Este Sacramento também é chamado “banho da regeneração e de renovação no Espírito Santo”, assim como “iluminação” porque o batizado se converte em “filhos da luz”.

São Gregório Nazianzeno dizia que o batismo é um “dom, porque é concedido aos que nada têm; graça, porque é dado também aos culpados; batismo, porque o pecado é sepultado na água; unção, porque é sagrado e régio (assim se tornam os que são ungidos); iluminação, porque é luz resplendente; veste, porque cobre a nossa vergonha; banho, porque nos lava; selo, porque nos preserva e é sinal do poder de Deus”.

3. Renova-se a cada ano

“Em todos os batizados, crianças ou adultos, a fé deve crescer depois do Batismo. É por isso que a Igreja celebra todos os anos, na Vigília Pascal, a renovação das promessas do Batismo. A preparação para o Batismo conduz apenas ao umbral da vida nova. O Batismo é a fonte da vida nova em Cristo, donde jorra toda a vida cristã” (CCI 1254).

4. Um não batizado pode batizar

Diz o Catecismo da Igreja Católica (1256) que “são ministros ordinários do Batismo o bispo e o presbítero e, na Igreja latina, também o diácono (cf CIC, can. 861,1; CCEO, can. 677,1). Em caso de real necessidade, qualquer pessoa, mesmo não batizada, pode batizar (cf CIC, can 861, § 2) se tiver a intenção requerida e utiliza a fórmula batismal trinitária”.

“A intenção requerida consiste em querer fazer o que a Igreja faz ao batizar. A Igreja vê a razão desta possibilidade na vontade salvífica universal de Deus (cf 1 Tm 2,4) e na necessidade que o Batismo tem para a salvação (cf Mc 16,16)”.

5. Selo único e permanente

“O Batismo marca o cristão com um selo espiritual indelével (charactere) da sua pertença a Cristo. Esta marca não é apagada por nenhum pecado, embora o pecado impeça o Batismo de produzir frutos de salvação (cf DS 1609-1619). Ministrado uma vez por todas, o Batismo não pode ser repetido” (CCI 1272).

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Novo Núncio Apostólico apresenta suas credenciais ao presidente do Brasil

O novo Núncio Apostólico no Brasil, Dom Giambattista Diquattro, entregou quinta-feira, 7 de janeiro, suas credenciais ao presidente Jair Bolsonaro.

Segundo informa o site da Presidência da República, Bolsonaro recebeu na quinta-feira os recém-nomeados embaixadores na cerimônia de entrega de cartas credenciais, sendo eles: Luis Filipe Melo e Faro Ramos, embaixador de Portugal, e Dom Giambattista Diquattro, Núncio Apostólico da Santa Sé.

A carta credencial, explica o Planalto, “é uma carta formal enviada de um Chefe de Estado para outro, que formaliza o envio de um embaixador do país de origem ao país de acolhimento”.

Dom Giambattista Diquattro foi nomeado representante diplomático da Santa Sé no Brasil pelo Papa Francisco em 29 de agosto de 2020 e substitui Dom Giovanni D’Aniello, o qual foi nomeado Núncio na Rússia em 1º de junho do ano passado.

Nascido na Bolonha (Itália), em 18 de março de 1954, Dom Giambattista Diquattro foi ordenado sacerdote em 24 de agosto de 1981, por parte do Bispo Dom Angelo Rizzo,e foi incardinado na Diocese de Ragusa.

Formou-se na Pontifícia Academia Eclesiástica e entrou no serviço diplomático da Santa Sé. Em 2 de abril de 2005, foi nomeado pelo Papa São João Paulo II núncio apostólico no Panamá e, posteriormente, foi ordenado Bispo titular de Giromonte.

Recebeu a consagração episcopal em 4 de junho de 2005, pelas mãos do Cardeal Angelo Sodano. Em 21 de novembro de 2008, o Papa Bento XVI o nomeou núncio apostólico na Bolívia e, em 21 de janeiro de 2017, o Papa Francisco o nomeou núncio apostólico na Índia e Nepal.

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Papa Francisco declara que tomará vacina de prevenção à Covid-19

 O papa Francisco - cujo médico morreu por complicações da Covid-19 neste sábado - afirmou em entrevista ao canal italiano Mediaset que tomará a vacina contra a Covid-19 porque considera esse um ato ético e importante para parar com a pandemia.

"Eu acredito que eticamente todo mundo deve tomar a vacina. É uma opção ética porque você aposta na sua saúde, na sua vida, mas também na vida dos outros", ressaltou ao canal. 

Francisco, que tem 84 anos e está no grupo de risco da doença, ainda confirmou que a vacinação no Vaticano começará na próxima semana e que também se inscreveu porque "isso deve ser feito".

O líder católico ainda criticou que "há um negacionismo suicida" sobre as vacinas que "eu não sei explicar". "Mas, é preciso se vacinar", adicionou. 

Segundo havia divulgado a Santa Sé, foram compradas doses da vacina contra o coronavírus Sars-CoV-2 desenvolvida pela Pfizer e pelo laboratório BioNTech - que já vem sendo aplicada em toda a Europa, nos Estados Unidos, Canadá, Israel, entre outras nações. A ANSA apurou que foram adquiridas 10 mil doses da BNT 162b.

Serão imunizados tanto a Cúria Romana, como funcionários do Vaticano e pessoas atendidas pelo Fundo de Assistência Sanitária (FAS).

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Guarda Suíça completa 515 anos fazendo a segurança do Papa

No início desta semana, começou a escola de formação dos recrutas do Corpo da Guarda Pontifícia, que faz a segurança do Papa: são 15 novos jovens, sendo 9 de língua alemã, 4 de língua francesa e 2 de língua italiana, alcançando um efetivo total de 134 homens. O representante da imprensa da Guarda Suíça afirma que, apesar dos intensos esforços numa campanha para agregar novas adesões, “ninguém teria pensado que conseguiríamos alcançar esse nosso objetivo de quase 135 tão rapidamente. Assim, podemos começar este ano mais fortes e com total confiança”.

Já neste mês, em 22 de janeiro, a Guarda Suíça Pontifícia completa 515 anos fazendo a segurança do Papa. A escola para formar os jovens, porém, começou no início desta semana. Desde 4 de janeiro, 15 recrutas foram acolhidos para, segundo o comunicado de imprensa oficial divulgado nesta quarta-feira, 6, quase atingir a meta de 135 homens no efetivo.

A escola da Guarda Suíça

Antes de ingressar na escola, os jovens – obrigatoriamente com cidadania suíça, solteiros, entre 19 e 30 anos, com pelo menos 1,74 metros de altura e reputação irrepreensível – realizaram uma série de exames médicos na Suíça. No Vaticano, os recrutas farão um curso de formação básica que tem a duração de dois meses para alcançar os mais modernos padrões de segurança, além de serem novamente submetidos a exames de saúde e a um teste psicofísico para avaliar a capacidade de resistir ao estresse. Além do treinamento, que também oferece noções de tiro, de autodefesa e de primeiros socorros, o programa abrange aulas que enfocam fundamentos de Psicologia e Direito.

“É um prazer para nós poder receber 15 novos recrutas da Suíça aqui no quartel-general. Com 9 recrutas de língua alemã, 4 de língua francesa e 2 de língua italiana, alcançamos um efetivo total de 134 homens”, expressa o comunicado assinado pelo representante de imprensa da Guarda Suíça, explicando que, quase três anos atrás, foi aprovada a reforma do Corpo da Guarda Pontifícia na Secretaria de Estado da Santa Sé que permitiu “o aumento do nosso pessoal de 110 para 135 homens”.

A campanha para novas adesões

A nota ainda acrescenta que, para atingir esse novo quadro de recrutas que há séculos juram fidelidade ao Sumo Pontífice, foi realizada uma extensa campanha publicitária, além da presença da Guarda Suíça já ativa no site oficial e em várias plataformas de mídia social. De fato, o texto aponta essa marcante e crescente presença no Facebook, Instagram e YouTube, além de “apresentações em instituições educacionais, bem como nas escolas de recrutas das Forças Armadas da Suíça e participações em feiras de emprego” para despertar a atenção os jovens.

O representante da imprensa da Guarda Suíça finaliza com otimismo o comunicado: “Apesar dos nossos intensos esforços, ninguém teria pensado que conseguiríamos alcançar esse nosso objetivo tão rapidamente. Assim, podemos começar este ano mais fortes e com total confiança.”

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Natal passa, mas boa nova permanece: Jesus é nosso salvador, diz Papa

A celebração do Natal terá sua conclusão neste domingo, 10, com a solenidade do Batismo do Senhor. Sobre a conclusão deste tempo, o Papa Francisco deixou uma mensagem em sua conta oficial no twitter (@pontifex_pt): 

“O Natal passa. Mas devemos voltar à vida familiar, ao trabalho, transformados, devemos voltar glorificando e louvando a Deus por tudo o que ouvimos e vimos. Devemos levar a boa notícia ao mundo: Jesus é nosso salvador”.

Na Catequese que antecedeu o Natal, o Pontífice frisou que o Natal é um fogo eterno que Deus acendeu no mundo, e não pode ser confundido com coisas efêmeras. “O Natal é a festa do Amor encarnado e nascido para nós em Jesus Cristo. Ele é a luz dos homens que resplandece nas trevas, que dá sentido à existência humana e a toda a história”.

Ao presidir a tradicional Missa do Galo, o Santo Padre exortou os católicos a reconhecerem-se filhos de Deus. “Por baixo das nossas qualidades e defeitos, fracassos do passado e temores está a verdade: somos filhos amados”. O Papa afirmou que o amor de Deus não depende e jamais dependerá da humanidade, ele é gratuito.

“Nessa noite não encontramos explicação, apenas graça. O dom é gratuito, sem merecimento, pura graça. Nessa noite, São Paulo diz que se manifestou a graça de Deus, um filho nos foi dado. Ele não nos deu uma coisa qualquer, mas seu filho unigênito”, comentou Francisco em sua homilia.

No dia 25 de dezembro, o Pontífice concedeu a tradicional bênção Urbi et Orbi e deixou sua mensagem de Natal, que teve como fio condutor a última Encíclica publicada pelo Papa Francisco, “Fratelli tutti”.

“O nascimento é sempre fonte de esperança, é vida que desabrocha, é promessa de futuro. E este Menino – Jesus – ‘nasceu para nós’: um ‘nós’ sem fronteiras, sem privilégios nem exclusões. Graças a este Ele, todos podemos nos dirigir a Deus e chamá-lo de ‘Pai’. Assim, todos podemos ser realmente irmãos: de continentes diversos, de qualquer língua e cultura, com as nossas identidades e diferenças, mas todos irmãos e irmãs”.

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Papa sobre EUA: violência deve ser condenada, é hora de remediar

Os eventos no Capitólio, nos EUA, foram também uma surpresa para o Papa Francisco, mesmo que nenhuma sociedade possa se considerar imune à forças subversivas internas. Durante uma entrevista ao Canale 5, o Santo Padre falou sobre o que aconteceu em 6 de janeiro, quando manifestantes pró-Trump atacaram o Congresso dos EUA.

“Fiquei surpreso porque é um povo muito disciplinado na democracia”, disse o Santo Padre na antecipação da entrevista que o canal Mediaset transmitirá na noite deste domingo, 10. No entanto, observou Francisco, mesmo “nas realidades mais maduras há sempre algo que não funciona”, há pessoas “que tomam um caminho contra a comunidade, contra a democracia, contra o bem comum”.

“A violência certamente deve ser condenada”, prossegue o Papa, “este movimento deve ser condenado independentemente das pessoas”. “Nenhum povo pode gabar-se de não ter tido um dia, um caso de violência”, Portanto, é uma questão de “entender bem para não repetir e aprender com a história”. Em todo caso, explica o Pontífice, a compreensão é fundamental “porque assim se pode remediar”.

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No Angelus, Papa pede para valorizar nossa identidade batismal

Marcando a festa do Batismo do Senhor, o Papa Francisco refletiu sobre a Liturgia do dia que conta como a vida pública de Jesus começou.

Falando da Biblioteca Apostólica durante o Angelus deste domingo, 10, o Papa observou que depois da festa da Epifania, a Liturgia dá um salto de cerca de 30 anos, tempo “escondido” passado por Jesus com sua família, obedecendo a seus pais, estudando e trabalhando.

Todos os evangelistas, disse ele, narram sua vida pública que, dizem, durou cerca de três anos.

É impressionante, disse ele, que o Senhor passou a maior parte de seu tempo na Terra levando uma vida comum, sem se destacar.

“É uma bela mensagem para nós: revela a grandeza da vida quotidiana, a importância aos olhos de Deus de cada gesto e momento da vida, mesmo os mais simples e ocultos”, afirmou.

Depois desses 30 anos de vida oculta, continuou o Papa, a vida pública de Jesus começa com o batismo no rio Jordão.

Explicou que o baptismo de João consistia num rito penitencial: “era um sinal da disponibilidade da pessoa para se converter, pedir perdão pelos seus pecados. Jesus certamente não precisava disso”.

O Senhor não nos salva do alto

E embora João Batista tente impedi-lo, o Senhor insiste, ele continua, porque Ele quer estar com os pecadores: “por isso ele se alia a eles e faz o mesmo que eles. Ele desce ao rio para mergulhar na mesma condição em que estamos. ”

No primeiro dia de seu ministério, disse o Papa, Jesus nos oferece assim o seu “manifesto programático”, dizendo-nos que “Ele não nos salva do alto, por decisão soberana ou ato de força, mas vindo ao nosso encontro e levando os nossos pecados sobre si. ”

É assim que Deus vence o mal mundano, disse ele, “humilhando-se e encarregando-se dele”.

É também assim, destacou, que podemos erguer os outros: “não julgando, não sugerindo o que fazer, mas tornando-nos vizinhos, empatizando, compartilhando o amor de Deus.

“Proximidade”, ele reiterou, “é o estilo de Deus conosco!”

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Papa exorta fiéis a cuidarem uns dos outros e da criação

O Papa Francisco renova o convite aos fiéis ao cuidado recíproco e ao trabalho pelo bem comum. Nas saudações após o Angelus deste domingo, 3, lembrou que cada um pode se empenhar para cuidar uns dos outros e da criação.

“Sabemos que as coisas serão melhores à medida em que, com a ajuda de Deus, trabalharmos juntos pelo bem comum, colocando no centro os mais frágeis e desfavorecidos. Não sabemos o que nos reservará o ano de 2021, mas o que cada um de nós e todos juntos podemos fazer é nos empenharmos um pouco mais para cuidar uns dos outros e da criação, a nossa casa comum”.

Francisco lembrou que existe a tentação de querer cuidar apenas dos próprios interesses, continuar fazendo guerra, por exemplo, ou se concentrar no lucro econômico e viver buscando apenas satisfazer os próprios prazeres.

“Li nos jornais algo que me entristeceu bastante: em um país, não me lembro qual, para fugir do lockdown e ter boas férias, saíram, em uma tarde, mais de 40 aviões. Mas aquelas pessoas, que são pessoas boas, mas não pensaram naqueles que ficavam em casa, nos problemas econômicos de tanta gente que o lockdown derrubou, nos doentes? Somente, tirar as férias e fazer o próprio prazer. Isso me entristeceu muito”, contou.

O Papa dirigiu, então, uma particular saudação a quantos começam esse novo ano com maior dificuldade, aos doentes, aos desempregados, a quantos vivem situações de opressão ou exploração.

“Com afeto desejo saudar todas as famílias, especialmente aquelas em que há crianças pequenas ou que aguardam o nascimento. Um nascimento sempre é uma promessa de esperança. Estou próximo a essas famílias: Deus vos abençoe”, concluiu.

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Papa no Angelus: Deus nos ama nas nossas fragilidades

“Deus se fez carne para nos dizer que nos ama, ali mesmo, nas nossas fragilidades”, disse o Papa Francisco no Angelus deste domingo, 3. A reflexão antes da oração mariana – realizada na Biblioteca do Palácio Apostólico em virtude da pandemia – foi inspirada no Evangelho do dia, que fala de Jesus antes de nascer, como Palavra de Deus para se comunicar com a humanidade, Palavra que se fez carne para habitar com a humanidade e expressar seu amor.

Francisco explicou que o Evangelho de hoje diz que Jesus existia antes do início das coisas, do universo, antes do espaço e do tempo; Nele estava a vida antes do aparecimento da vida.

São João o chama “Verbo”, isto é Palavra. E como a palavra serve para comunicar – não se fala sozinho, sempre se fala com alguém – o fato de Jesus ser desde o princípio a Palavra significa que, desde o início, Deus quer falar com a humanidade, disse o Papa.

“O Filho Unigênito do Pai quer nos dizer a beleza de ser filhos de Deus. É a luz verdadeira e quer nos afastar das trevas do mal. Ele é a vida que conhece as nossas vidas e quer nos dizer que sempre as amou. Ele ama a todos nós. Esta é a maravilhosa mensagem de hoje, Jesus é a palavra eterna de Deus que sempre pensou em nós e quer se comunicar conosco”.

E para fazer isso, a Palavra se fez carne. O Papa explicou que João usa a expressão “carne” em vez de “homem”, porque ela indica a condição humana em toda a sua fragilidade. Com isso, a mensagem é que Deus se fez fragilidade para tocar de perto as fragilidades do homem.

“Querido irmão, querida irmã, Deus se fez carne para nos dizer que nos ama, ali mesmo, nas nossas fragilidades, nas suas fragilidades, ali mesmo onde a gente se envergonha demais. É muito audaz isso, essa decisão de Deus”.

O Papa acrescentou que Jesus não assumiu a humanidade como uma roupa que se veste e se tira, mas se uniu para sempre a ela, pode-se dizer que se casou com ela. Pontuou ainda que o Evangelho diz que Jesus veio habitar entre nós: não veio fazer uma visita, mas para habitar, e com isso deseja estabelecer uma intimidade com o ser humano.

“Ele [Jesus] quer que compartilhemos com Ele alegrias e dores, desejos e medos, esperanças e tristezas, pessoas e situações. Vamos fazer isso com confiança, abrir o coração a Ele, vamos contar tudo a Ele”.

“Que a Santa Mãe de Deus, na qual o Verbo se fez carne, nos ajude a acolher Jesus, que bate à porta do coração para habitar conosco”, concluiu o Papa.

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Papa: vacina para o coração é o cuidado, cuidar das pessoas e das coisas

O secretário de Estado, Cardeal Pietro Parolin, celebrou a missa da Solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus, na Basílica de São Pedro, neste 1º de janeiro de 2021, Dia Mundial da Paz. O Papa Francisco não presidiu a celebração eucarística por causa de uma dolorosa ciatalgia.

A homilia preparada pelo Santo Padre foi lida pelo Cardeal Parolin durante a missa. Nela, Francisco destaca “três verbos que se realizam na Mãe de Deus: abençoar, nascer e encontrar”, presentes na liturgia de hoje.

Mundo poluído pelo dizer e pensar mal dos outros

O primeiro verbo é “abençoar”. “No livro dos Números, o Senhor pede aos ministros sagrados que abençoem o seu povo. Também hoje é importante que os sacerdotes abençoem incansavelmente o Povo de Deus, e que todos os fiéis sejam também portadores de bênção e abençoem. O Senhor sabe que precisamos de ser abençoados: a primeira coisa que Ele fez depois da criação foi bendizer – dizer bem –, declarar boa cada coisa. Com o Filho de Deus, não recebemos apenas palavras de bênção, mas a bênção em pessoa: Jesus é a bênção do Pai. N’Ele – diz São Paulo –, o Pai nos abençoa «com toda a espécie de bênçãos». Sempre que abrimos o coração a Jesus, entra na nossa vida a bênção de Deus”, ressalta Francisco.

O Filho de Deus é “o Bendito por natureza que vem a nós através de sua Mãe, a bendita por graça. Maria nos traz, assim, a bênção de Deus. Ao dar espaço a Maria, não só ficamos abençoados, mas aprendemos também a abençoar. Com efeito, Nossa Senhora ensina que a bênção se recebe para a dar. Ela, a bendita, foi uma bênção para todas as pessoas que encontrou: para Isabel, para os esposos em Caná, para os Apóstolos no Cenáculo”.

“Também nós somos chamados a abençoar, a bendizer em nome de Deus. O mundo está gravemente poluído pelo dizer mal e pensar mal dos outros, da sociedade, de nós mesmos. De fato, a maledicência corrompe, faz degenerar tudo, enquanto a bênção regenera, dá força para recomeçar.”

“Peçamos à Mãe de Deus a graça de sermos jubilosos portadores da bênção de Deus para os outros, como Ela o é para nós”.

As mulheres sabem tecer os fios da vida

O segundo verbo é nascer. “São Paulo destaca o fato de o Filho de Deus ter «nascido de uma mulher». Em poucas palavras, nos diz uma coisa maravilhosa: o Senhor nasceu como nós. Não apareceu adulto, mas criança; não veio ao mundo por si só, mas de uma mulher, depois de nove meses no ventre materno onde se deixou tecer a humanidade. Ela não é apenas a ponte entre nós e Deus; é mais: é o caminho que Deus percorreu para chegar até nós e é o caminho que nós devemos percorrer para chegar até Ele”, sublinha o Papa.

“Através de Maria, encontramos Deus como Ele quer: na ternura, na intimidade, na carne. Sim, porque Jesus não é uma ideia abstrata; é concreto, encarnado, nasceu de uma mulher e cresceu pacientemente. As mulheres conhecem este concretismo paciente: nós, homens, muitas vezes somos abstratos e queremos uma coisa imediatamente, ao passo que as mulheres são concretas e sabem tecer, com paciência, os fios da vida. Quantas mulheres, quantas mães fazem assim nascer e renascer a vida, dando futuro ao mundo!”.

“Não estamos no mundo para morrer, mas para gerar vida. E a santa Mãe de Deus nos ensina que o primeiro passo para dar vida àquilo que nos rodeia é amá-lo dentro de nós”, ressalta o Papa. “Diz o Evangelho de hoje que Ela «conservava todas estas coisas, ponderando-as no seu coração».”

Será um bom ano se cuidarmos dos outros

“Do coração nasce o bem: como é importante manter limpo o coração, guardar a vida interior, a oração! Como é importante educar o coração para o cuidado, para cuidar das pessoas e das coisas. Tudo começa daqui, de cuidarmos dos outros, do mundo, da criação. Pouco aproveita conhecer muitas pessoas e muitas coisas, se não cuidarmos delas”.

“Neste ano, enquanto aguardamos um renascimento e novos tratamentos, não negligenciemos o cuidado. Com efeito, além da vacina para o corpo, é necessária a vacina para o coração: é o cuidado. Será um bom ano se cuidarmos dos outros, como Nossa Senhora faz conosco.”

O terceiro verbo é encontrar. O Papa sublinha que “o Evangelho diz que os pastores «encontraram Maria, José e o menino». Não encontraram sinais prodigiosos e espetaculares, mas uma simples família. Lá, porém, encontraram verdadeiramente Deus, que é imensidão na pequenez, fortaleza na ternura. Mas, como conseguiram os pastores encontrar este sinal tão pouco cintilante? Foram chamados por um anjo. Também nós, não teríamos encontrado Deus, se não fôssemos chamados pela graça. Não podíamos imaginar um Deus assim, que nasce de mulher e revoluciona a história com a ternura. Descobrimos que o seu perdão faz renascer, a sua consolação acende a esperança, a sua presença nos dá uma alegria irreprimível. Na verdade, não se encontra o Senhor de uma vez por todas: Ele tem de ser encontrado todos os dias”.

Encontrar tempo para Deus e para o próximo

“O que somos chamados a encontrar no início do ano? Seria bom encontrar tempo para alguém. O tempo é a riqueza que todos temos, mas somos ciumentos a seu respeito porque queremos usá-la só para nós”, ressalta o Papa.

“Devemos pedir a graça de encontrar tempo para Deus e para o próximo: para quem está só, para quem sofre, para quem precisa de escuta e atenção.”

Se encontrarmos tempo para doar, acabaremos maravilhados e felizes, como os pastores. Nossa Senhora, que trouxe Deus ao tempo, nos ajude a doar o nosso tempo.

O Santo Padre conclui sua homilia, consagrando este novo ano à Santa Mãe de Deus que sabe cuidar de nós e pedindo-lhe para abençoar “o nosso tempo e nos ensinar a encontrar tempo para Deus e para os outros”.

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Quando o ser humano não é cuidado, é impossível viver a paz, alerta padre

No dia 1º de janeiro, oficialmente desde 1968, é celebrado o Dia Mundial da Paz. A data, instituída pelo Papa Paulo VI, tem como objetivo defender a paz frente aos perigos que continuamente a ameaçam: violência, egoísmo, desespero, desrespeito à vida e à dignidade humana, armas, dificuldades e o perigo de acreditar que as controvérsias não podem ser resolvidas por meio da razão.

Anualmente, os Papas divulgam suas mensagens para a data. O Papa Francisco sublinhou para 2021 a necessidade de uma cultura do cuidado para se alcançar a cultura da paz. Com o tema “A cultura do cuidado como percurso de paz”, a mensagem do Pontífice tem como lema a dignidade da pessoa e a meta, uma globalização mais humana. O texto foi publicado no dia 17 de dezembro de 2020.

Para compreender o conceito de cultura do cuidado, o arcebispo de Porto Velho (RO), Dom Roque Paloschi, frisou que a cultura se refere a um conjunto de costumes, normas, valores, crenças e conhecimentos de um povo ou determinado grupo. “Se olharmos para a sociedade atual como um todo, constataremos que a cultura predominante é bélica. O mundo tornou-se, pouco a pouco, um campo de batalha, onde apenas os mais “fortes” sobrevivem”.

O bispo reforça que o Papa aponta em sua mensagem que nesse tipo de sociedade bélica não há espaço para a paz. “O Pontífice apela aos governadores, às lideranças, para que tenham políticas públicas voltadas para todos, principalmente, para os mais frágeis da sociedade”.

“O que se esperava da humanidade é que, depois de viver experiências trágicas como a dizimação dos povos indígenas durante o período de colonização, o holocausto no Nazismo, o terror das bombas atômicas de Hiroshima e Nagazaki, e tantas outras tragédias mundiais, ela saísse dessas experiências com mais sabedoria e mais humanizada, considerando cada vida como digna e singular”. –  Dom Roque Paloschi

“O que se esperava da humanidade é que, depois de viver experiências trágicas como a dizimação dos povos indígenas durante o período de colonização, o holocausto no Nazismo, o terror das bombas atômicas de Hiroshima e Nagazaki, e tantas outras tragédias mundiais, ela saísse dessas experiências com mais sabedoria e mais humanizada, considerando cada vida como digna e singular”, opina Dom Paloschi.

“É fato que tivemos grandes avanços, como, por exemplo, os direitos humanos, concedidos na declaração de 1948, com três bases: liberdade, igualdade e dignidade que, nas nossas Constituições é assegurado pelo artigo 1 da declaração que prevê a dignidade humana como valor fundamental do Estado Brasileiro. Mas estamos assistindo ao retrocesso desses direitos e um ódio que cega muitos”, acrescenta. 

 

O missionário da Comunidade Canção Nova, padre Roger Araújo comentou que Francisco recorda também em sua mensagem que a paz não é simplesmente a ausência de guerras e conflitos bélicos, mas também a ausência de conflitos humanitários. “Quando o ser humano não é cuidado, respeitado, valorizado, quando a natureza e a casa comum não são cuidadas é impossível viver a paz. A cultura do cuidado é acima de tudo a cultura do respeito com o Criador de todas as coisas”.

Padre Roger Araújo /Foto: Arquivo Canção Nova

A ideia do cuidado, recordou o sacerdote, é frisada pelo Papa no início da mensagem, quando fala de Deus enquanto criador de todas as coisas e também como aquele que cuida. “O cuidado é a ternura, delicadeza, respeito e valorização por cada coisa criada. Se queremos salvaguardar o mundo, se queremos que ele viva a paz que é tão necessária, é preciso cuidar de todas as coisas. Os valores da cultura do cuidado fazem parte do pontificado do Papa Francisco”.

Dom Roque apontou que os pilares para a construção da cultura do cuidado são a justiça, a verdade e a fraternidade. “E, como todas as outras culturas, não é estática. É viva e está em contínua construção e reconstrução, porque o cuidado é da essência do ser humano e só o cuidado pode frear a violência”.

Pandemia da Covid-19

O mundo vive hoje a pandemia da covid-19, realidade citada pelo Santo Padre em sua mensagem para o Dia Mundial da Paz. O arcebispo de Porto Velho e o padre da Canção Nova destacam que a crise sanitária contribuiu para o agravamento das crises que já existiam: fome, problemas ambientais, crise econômicas, pessoas fugindo de guerras, perseguições e conflitos, por exemplo. 

“A pandemia da covid-19 não deu início a essas crises, elas já existiam. Mas a crise sanitária, por atingir a todos indistintamente, tornou-se prioridade e colocou na sombra todas as outras crises que continuam crescendo assustadoramente, sem que o mundo se preocupe com a solução”, revelou o bispo.

Padre Roger sublinhou que, muitas vezes, homens e mulheres focam na pandemia e no cuidado que precisamos ter – que é necessário por todas as consequências e causas que essa doença traz para a humanidade – mas alertou para que a humanidade não perca o olhar diante dos outros problemas seríssimos.

Crise solidária

“Uma crise maior que se alarmou é a solidária, porque todas as outras crises precisam do cuidado de uns com outros, por isso a cultura do cuidado. Precisamos cuidar mais da casa que moramos, do mundo, do clima, do lixo, da rua, da cidade, das pessoas”, frisou o sacerdote.

A solidariedade, segundo Dom Roque,  é o despertar da dimensão humana e fraterna, e se apresenta como o antídoto mais valioso contra os riscos da alienação ligados ao desenvolvimento de uma sociedade tecnológica, bélica, individualista e fria. 

“São as pessoas aquecidas pela solidariedade que constroem juntas a cultura do cuidado como caminho para a paz que é, sem dúvida, um meio eficaz de recuperar a memória sagrada de que somos seres humanos, feitos imagem e semelhança de Deus, filhos e filhas do mesmo Pai; de que somos todos irmãos, guardiães da Casa Comum”. – Dom Roque Paloschi

Padre Roger frisou que a solidariedade é um elemento fundamental na cultura do cuidado. “Ser solidário significa entender que o outro é importante. Arranca de nós aquilo que o pecado dilacera que é o egoísmo, a soberba, a vaidade. Ser solidário quer dizer:  eu cuido do outro, me importo com ele”.

Pessoas não são descartáveis

O conceito de pessoa é fundamental para despertar o olhar solidário da humanidade, de acordo com padre Roger. O sacerdote defendeu que é preciso olhar as pessoas não por atacado – uma tendência da cultura do descarte – mas sim por sua individualidade e singularidade.  “O conceito de pessoa nos leva a ver em cada criatura humana a imagem e semelhança de Deus, merecendo respeito e cuidado”.

A pessoa, segundo Dom Roque, tem valor absoluto e não pode ser instrumentalizada em função do estado, do mercado, da religião ou de qualquer outro interesse. “Tomar consciência de nossa condição de pessoa é fundamental para aprendermos a viver, conviver e cuidar da vida como valor absoluto e inegociável”.

Compreender as muitas crises vividas, entender o valor da pessoa humana e viver a solidariedade é também seguir pela bússola indicada pelo Papa em sua mensagem.  “A bússola, a qual o Papa se refere, dá direção de onde devemos ir e caminhar: a cultura do cuidado. Cuidado para não nos descuidarmos do outro, para não descartarmos o outro, cuidado para promovermos algo sem pensar no cuidado do outro”, finaliza padre Roger.

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Papa deseja fraterna solidariedade e paz para todos em 2021

Cada um de nós procure fazer com que seja um ano de solidariedade fraterna e de paz para todos; um ano repleto de confiança e de esperanças”. Esses são os votos do Papa Francisco para o ano de 2021, expressos em sua reflexão antes da oração mariana do Angelus nesta sexta-feira, 1º, solenidade de Santa Maria Mãe de Deus.

Fazendo menção à solenidade de hoje, o Papa destacou a ternura materna com a qual Maria olha para a humanidade, do mesmo modo que olhava para seu Filho Jesus.

“O olhar assegurador e consolador da Virgem Santa é um encorajamento para fazer de modo que este tempo, que nos é dado pelo Senhor, seja gasto para o nosso crescimento humano e espiritual, que seja um tempo para remover os ódios e as divisões, e existem muitas, que seja um tempo para sentir que somos todos mais irmãos e irmãs, que seja um tempo para construir e não para destruir, cuidando uns dos outros e da criação. Um tempo para fazer crescer, um tempo de paz”, disse.

Francisco recordou ainda o tema da mensagem para o Dia Mundial da Paz, também celebrado hoje: “A cultura do cuidado como percurso de paz”, tendo foco para o cuidado do próximo e da criação. E considerou que as dores que marcaram o ano passado, especialmente a pandemia, ensinam como é necessário interessar-se pelos problemas dos outros e compartilhar suas preocupações.

“Esta atitude representa o caminho que leva à paz, pois favorece a construção de uma sociedade fundada em relações fraternais. Cada um de nós, homens e mulheres de nosso tempo, é chamado a realizar a paz: cada um de nós. Não sejamos indiferentes a isso”.

A construção da paz pode começar de dentro, observou o Papa, com a paz no coração e com aqueles com quem se convive. Trata-se de desenvolver uma mentalidade e uma cultura do “cuidar”, para derrotar a indiferença, o descarte e a rivalidade. “A paz não é apenas a ausência de guerra (…) A paz está na vida: não é apenas a ausência de guerra, mas uma vida rica em sentido, impostada e vivida na realização pessoal e na partilha fraterna com os outros”.

Francisco pediu a intercessão da Virgem Maria para que cada um tenha o bem da paz, o que não se pode conseguir plenamente apenas com a força humana. A paz é sobretudo um dom de Deus, lembrou o Pontífice: um dom que deve ser implorado com a oração, sustentado pelo diálogo e construído com cooperação aberta à verdade e à justiça.

“Meu auspício é que a paz reine no coração dos homens e nas famílias; nos lugares de trabalho e de lazer; nas comunidades e nas nações. Nas famílias, no trabalho, nas nações: paz. (…) No limiar deste início, a todos estendo meus cordiais votos de um feliz e sereno 2021. Cada um de nós procure fazer com que seja um ano de solidariedade fraterna e de paz para todos; um ano repleto de confiança e de esperanças, que confiamos à proteção celestial de Maria, Mãe de Deus e nossa Mãe”

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De que modo a maternidade espiritual de Maria é universal?

Poucos dias antes da Solenidade de Maria, Mãe Deus, celebrada pela Igreja Católica todos os anos em 1º de janeiro, o Bispo de San Sebastián (Espanha), Dom José Ignacio Munilla Aguirre, explica por que a maternidade espiritual de Maria é universal.

Desde 2016, Dom Munilla Aguirre divulga conteúdos para a formação da fé através de seu canal no Youtube “En Ti Confío” (Em Ti Confio, em português). Uma das seções é sobre o "Compêndio do Catecismo".

No seu vídeo de 15 de dezembro, o Prelado reflete sobre a pergunta “De que modo é que a maternidade espiritual de Maria é universal?”, contida no número 100 do Compêndio do Catecismo da Igreja Católica.

O Compêndio indica que “Maria tem um único Filho, Jesus, mas, n’Ele, a sua maternidade espiritual estende-se a todos os homens que Ele veio salvar. Obediente, ao lado do novo Adão, Jesus Cristo, a Virgem é a nova Eva, a verdadeira mãe dos vivos, que coopera com amor de mãe no seu nascimento e na sua formação na ordem da graça. Virgem e Mãe, Maria é a figura da Igreja e a sua realização mais perfeita”.

A partir disso, o Prelado disse que provavelmente uma das razões pelas quais Deus quis que Santa Maria fosse “sempre virgem, é para que nesse único filho pudéssemos incluir todos nós, toda a humanidade. Todos nós somos filhos de Maria”. Explicou que “se Eva gerou junto com Adão o corpo de seu filho, Maria está gerando espiritualmente nossas almas”.

Dom Munilla citou São Luís Maria Grignion de Montfort, que disse que “Maria é como um molde no qual nossa alma se configura a Jesus Cristo”. Explicou que, se na Virgem “Jesus se configurou, se nos introduzirmos no coração de Maria, nos conformamos com Jesus tendo Maria como a mãe espiritual de nossa vida”.

 

O Prelado recordou também o Evangelho de São João, onde Jesus dirige a "grande encomenda" a Maria, que está aos pés da cruz. Cristo diz a ela: “‘Mulher, eis aí teu filho’. Filho, ‘Eis aí tua mãe’ Nesse momento, Maria recebe a encomenda explícita da maternidade divina, dessa maternidade espiritual”, explicou.

Com esta frase, Maria “passa da maternidade divina a Jesus Cristo à maternidade espiritual para todos os seguidores de Jesus Cristo. Essa grande encomenda que Maria recebeu está cumprindo-a continuamente, em sua intercessão por nós, em seu cuidado espiritual por nós”, afirmou.  

Dom Munilla disse que a maternidade espiritual de Maria às vezes é visualizada em "revelações privadas" para dar mensagens importantes à humanidade. Por exemplo, recordou quando a Virgem apareceu ao apóstolo São Tiago ou quando apareceu a São Juan Diego como a Guadalupana "no início da evangelização na América".

Do mesmo modo, mencionou quando apareceu a Santa Bernadette Soubirous para "lembrar por que o Evangelho é para os simples", justo "no momento em que a França havia dado as costas ao Evangelho" com o racionalismo. Da mesma forma, Maria interveio “quando o comunismo estava em alta e em Fátima se mostra novamente como uma esperança para a salvação do mundo”, disse.

Desta forma, “Maria está sendo fiel à grande encomenda: ‘Eis aí teu filho’, cuide de todos'. Estas revelações particulares são como a ponta do iceberg, que visualiza algo que é muito mais do que não vemos, as intervenções contínuas de Maria que na sua maternidade cuida de cada uma de nós”.

Dom Munilla recordou também a passagem bíblica sobre as Bodas de Caná da Galileia, onde a Virgem Maria "atenta às nossas necessidades" pede a Jesus pelos convidados da festa. O Prelado recorda que desta vez Jesus lhe perguntou: "Mulher, isso compete a nós? Minha hora ainda não chegou".

Para explicar este momento “surpreendente”, “porque parece que Jesus está antes contendo ou se distanciando de Maria”, o Prelado citou Santo Agostinho.

O santo disse que a pergunta de Jesus se refere a “que ainda não era a hora em que ia confiar-lhe para ser a mãe de todos nós e cuidar de todos nós. Chegada essa hora, a hora da maternidade espiritual de Maria, seu filho lhe dirá: ‘Esta é a tua hora mãe, cuide de todos, eu os encomendo a ti’”.

“Definitivamente, Maria teve apenas um filho: Jesus, e nele teve a todos nós. Todos nós somos Jesus para ela. Maria olha para ti com o mesmo carinho e amor com que olhava para o seu filho Jesus e queremos retribuir com a mesma ternura, com o mesmo amor com que Jesus olhou para a sua mãe”, frisou.

Nesse sentido, Dom Munilla convidou os fiéis a pensarem em Maria como nossa Mãe. “Podemos também participar dessa maternidade que Jesus viveu com ela, dessa relação materna, para que também nós possamos dizer com pleno sentido: ‘Mamãe! Mãe Nossa’”, concluiu.

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Para Francisco um ano difícil mas cheio de esperança

Para o nosso Papa Francisco foi um ano muito intenso e é difícil resumir um ano que foi atipico também para o nosso Pontíficie. Vamos recordar então alguns momentos que creio resumam a intensidade de trabalhos e atenções do nosso Santo Padre....Começamos pelo mês de fevereiro com a publicação da Exortação Apostólica pós Sinodal Querida Amazonia: Uma Exortação em forma de sonhos: assim é "Querida Amazonia", o documento pós-sinodal do Papa Francisco referente ao Sínodo Amazônico de outubro do ano passado. Primeiro o sonho social do Pontífice; uma Igreja ao lado dos oprimidos. Francisco recorda que já Bento XVI havia denunciado “a devastação ambiental da Amazônia”. Os povos originários, afirma, sofrem uma “sujeição” seja por parte dos poderes locais, seja por parte dos poderes externos. Para o Papa, as operações econômicas que alimentam devastação, assassinato e corrupção merecem o nome de “injustiça e crime”. E com João Paulo II, reitera que a globalização não deve se tornar um novo colonialismo…. Ao sonho cultural é dedicado o segundo capítulo da "Querida Amazonia". O Pontífice esclarece que “promover a Amazônia” não significa “colonizá-la culturalmente”.

Para Francisco, é urgente “cuidar das raízes”....Depois o Sonho ecológico: "Sonho com uma Amazônia que guarde zelosamente a sedutora beleza natural que a adorna, a vida transbordante que enche os seus rios e as suas florestas." Enfim o Sonho eclesial: Inovação e criatividade....A Exortação traz muita esperança para todos nós ..... Abraçar o Senhor para abraçar a esperança: esta é a mensagem do Papa Francisco aos fiéis de todo o mundo que, neste momento, se encontram em meio à tempestade causada pela pandemia do coronavírus. No dia 27 de março, diante de uma Praça São Pedro completamente vazia, mas em sintonia com milhões de pessoas através dos meios de comunicação, o trecho escolhido para a oração foi a tempestade acalmada por Jesus, extraído do Evangelho de Marcos....E foi esta passagem bíblica que inspirou a homilia do Santo Padre, que começa com o “entardecer…”. “Há semanas, disse, parece que a tarde caiu. Densas trevas cobriram as nossas praças, ruas e cidades; apoderaram-se das nossas vidas, enchendo tudo de um silêncio ensurdecedor e de um vazio desolador… Nos vimos amedrontados e perdidos.” Estes mesmos sentimentos, porém, acrescentou o Papa, nos fizeram entender que estamos todos no mesmo barco, “chamados a remar juntos”. Neste mesmo barco, seja com os discípulos, seja conosco agora, está Jesus. “A tempestade desmascara a nossa vulnerabilidade e deixa a descoberto as falsas e supérfluas seguranças com que construímos os nossos programas, os nossos projetos, os nossos hábitos e prioridades.” Com a tempestade, afirmou o Papa, cai o nosso “ego” sempre preocupado com a própria imagem e vem à tona a abençoada pertença comum que não podemos ignorar: a pertença como irmãos...O Senhor então nos dirige um apelo, um apelo à fé. Nos chama a viver este tempo de provação como um tempo de decisão: o tempo de escolher o que conta e o que passa, de separar aquilo que é necessário daquilo que não é. “O tempo de reajustar a rota da vida rumo ao Senhor e aos outros.” .... Com a interdição das celebrações eucarísticas com a presença dos fiéis nas igrejas teve início a transmissão ao vivo da Missa na Casa de Santa Marta presidida pelo Papa Francisco: exemplo de um notável esforço de comunicação global. Para dar esperança em tempo de pandemia….

Neste período de pandemia e de confinamento dos católicos nas suas casas, o tempo é da igreja doméstica. A Eucaristia é vivida em casa onde se faz comunhão espiritual....Francisco criou o Fundo de Emergência junto às Pontifícias Obras Missionárias (POM) para responder às necessidades determinadas pela emergência de Covid-19 nas Igrejas dos territórios de missão, e através deste fundo foi possível ajudar dioceses e paróquias que passam por necessidades particulares....E uma das iniciativas para o quarto Dia Mundial dos Pobres, em 15 de novembro, com a Missa celebrada pelo Papa na Basílica de São Pedro na presença de cerca de uma centena de pessoas foi a rede de solidariedade para levar alimentos, máscaras e ajuda a milhares de famílias necessitadas…. E o Papa dedicou uma série de reflexões na Audiência Geral às quartas-feiras sem a presençs dos fiéis ao pós Covid, centralizando suas reflexões sobre a esperança e que todos somos irmãos.... Num livro publicado nos meses passados Francisco falou que na sua vida teve três situações "Covid": a doença, a Alemanha e Córdoba. Quando tinha 21 anos contraiu uma doença muito grave, e ai teve a primeira experiência de limitação, dor e solidão. ….

Depois o período alemão em 1986, foi a "Covid do exílio". Foi um exílio voluntário, porque foi para estudar a língua e procurar material para concluir minha tese, mas me sentia como um peixe fora d'água... Depois a permanência em Cordoba…A "Covid" de Córdoba foi uma verdadeira purificação. Deu-me mais tolerância, compreensão, capacidade de perdoar., escreveu.... Depois a publicação da Enciclica Fratelli tutti....A mensagem da nova encíclica social do Papa Francisco: ninguém se salva sozinho. A proposta de uma sociedade fraterna para não ser dominada por guerra, ódio, violência, indiferença e novos muros….Estamos circundados pelas “sombras de um mundo fechado”, mas há quem não se rende ao avanço da escuridão e continua a sonhar, a ter esperança, a sujar as mãos, comprometendo-se a criar fraternidade e amizade social. Com a nova encíclica social “Fratelli tutti”, o Sucessor de Pedro mostra o caminho concreto para reconhecer-se como irmãos e irmãs. A nova encíclica se apresenta como uma soma do magistério social de Francisco, e reúne de forma sistemática as ideias oferecidas por pronunciamentos, discursos e intervenções dos primeiros sete anos de pontificado....

No final de novembro o Colégio Cardinalício ganhou 13 novos membros, oriundos de quatro continentes e de oito países..-e o anúncio: Papa retoma viagens: anunciada visita ao Iraque em março de 2021... O Papa conclui o ano com a convocação do "Ano de São José", que  nasce do seu coração paternal, que deseja chegar ao coração de todos os católicos, convidando cada um a conhecer melhor o pai adotivo do Senhor e a sua importância no plano salvífico de Deus. E o último ato: o desafio lançado pelo Papa Francisco, o Ano “Família Amoris laetitia”. Um ano para repensar e valorizar a família e dar um novo impulso à aplicação da Exortação Apostólica Amoris laetitia. O Ano “Família Amoris laetitia” começa justamente no aniversário de 5 anos da Exortação Apostólica do Papa Francisco, ou seja, em 19 de março de 2021

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Com a gratidão, transmitimos esperança ao mundo, afirma Papa

“A oração de ação de graças” foi o tema da catequese do Papa Francisco, realizada na Biblioteca do Palácio Apostólico, nesta quarta-feira, 30, na última Audiência Geral deste ano. Para falar sobre o tema, o Pontífice inspirou-se na passagem do Evangelho de Lucas em que dez leprosos vão ao encontro de Jesus e o imploram a ter compaixão deles.

O Pontífice recordou que os que sofrem de lepra, além de passarem pelo sofrimento físico, também sofriam pela marginalização social e religiosa. “Eram marginalizados. Jesus não evita um encontro com eles, mas ouve o seu pedido, o seu grito de piedade, e os envia imediatamente aos sacerdotes”.

Os dez leprosos confiam em Jesus e partem imediatamente. Enquanto caminham são curados, relembrou o Santo Padre. Desta forma, os sacerdotes poderiam ter verificado a sua cura e readmiti-los na vida normal. “Mas aqui está o ponto mais importante: daquele grupo, apenas um, antes de ir ter com os sacerdotes, volta para agradecer a Jesus e louvar a Deus pela graça recebida. Somente um. Os outros nove continuam a sua estrada”.

Francisco afirmou que Jesus observou que aquele homem era samaritano, uma espécie de “herege” para os judeus daquela época. “Jesus comenta: «Não houve quem voltasse para dar glória a Deus, a não ser este estrangeiro?»”. O Santo Padre afirmou ser comovente esta passagem, pois divide o mundo em dois: os que não agradecem e os que o fazem; os que tomam tudo como se lhes fosse devido, e os que aceitam tudo como dom, como graça.

“A oração de ação de graças começa sempre a partir do reconhecer-se precedido pela graça. Fomos pensados antes que aprendêssemos a pensar; fomos amados antes que aprendêssemos a amar; fomos desejados antes que brotasse um desejo no nosso coração. Se olharmos para a vida desta forma, então o “agradecimento” torna-se o motivo-guia dos nossos dias. Obrigado! Muitas vez nos esquecemos de dizer: obrigado!”, sublinhou o Papa.

Para os cristãos, o Pontífice destacou que a ação de graças deu o nome ao Sacramento mais essencial que existe: a Eucaristia. “Com efeito, a palavra grega significa exatamente isto: agradecimento”. Como todos os fiéis, o Santo Padre ressalta que os cristãos bendizem a Deus pelo dom da vida, pois viver é, sobretudo, ter recebido a vida.

“Todos nós nascemos porque alguém desejou a vida para nós. Esta é apenas a primeira de uma longa série de dívidas que contraímos vivendo. Dívidas de gratidão. Na nossa existência, mais de uma pessoa fitou-nos com um olhar puro, gratuitamente. Muitas vezes são educadores, catequistas, pessoas que desempenharam o seu papel além da medida exigida pelo dever. E eles fizeram surgir em nós a gratidão. A amizade é também um dom pelo qual devemos estar sempre gratos”, comentou Francisco.

O Papa frisou que este “obrigado”, que deve ser dito continuamente, este obrigado que o cristão partilha com todos, dilata-se no encontro com Jesus. De acordo com o Pontífice, os Evangelhos atestam que a passagem de Jesus suscitava frequentemente alegria e louvor a Deus naqueles que o encontravam, as histórias de Natal são povoadas de pessoas orantes, cujos corações foram alargados pela vinda do Salvador.

Deste modo, Francisco afirmou que todos são chamados a participar neste imenso júbilo, algo também é sugerido pelo episódio dos dez leprosos que foram curados. “Naturalmente, todos eles ficaram felizes por ter recuperado a saúde, podendo assim sair daquela interminável quarentena forçada que os excluía da comunidade. Mas entre eles havia um que acrescentou alegria à alegria: além da cura, regozijou-se por ter encontrado Jesus. Não só está livre do mal, mas agora também tem a certeza de ser amado”.

“Este é o centro: quando a pessoa agradece, dá graças, expressa a certeza de ser amado. Este é um grande passo. Ter a certeza de ser amado. É a descoberta do amor como a força que governa o mundo. Somos filhos do amor, somos irmãos do amor, somos homens e mulheres de graça”.

O Santo Padre concluiu a sua catequese fazendo um convite: “estar na alegria do encontro com Jesus”, cultivar a alegria e não deixar de agradecer. “Se formos portadores de gratidão, o mundo também se tornará melhor, talvez só um pouco, mas é suficiente para lhe transmitir um pouco de esperança. O mundo precisa de esperança e com a gratidão, com o comportamento de ação de graças, nós transmitimos um pouco de esperança. Tudo está unido e interligado, e cada um pode desempenhar a sua parte onde quer que esteja”. Não devemos “extinguir o Espírito que temos dentro e que nos leva à gratidão”. 

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