Papa: cuidemos dos avós e idosos, eles não são sobras de vida


26/07/2021 - 10:43
Missa no Vaticano celebrou o Dia dos Avós e Idosos; homilia preparada pelo Papa pede cuidado e atenção a eles

Cuidar dos avós e dos idosos, pois eles não são sobras de vida. Esse é o pedido do Papa Francisco em sua homilia para o I Dia Mundial dos Avós e dos Idosos, celebrado neste domingo, 25.

Devido à recente cirurgia no cólon, o Papa não presidiu a Missa. Quem o representou na celebração foi o presidente do Pontifício Conselho para a Promoção da Nova Evangelização, Dom Rino Fisichella, que leu a homilia preparada por Francisco.

O Evangelho que narra a multiplicação dos pães e dos peixes norteou a homilia do Santo Padre. Francisco se concentrou em três momentos desse episódio, resumidos em três verbos: ver, partilhar e guardar.

O olhar que se dirige aos avós

O primeiro verbo é o “ver”. Jesus levanta os olhos e vê a multidão com fome depois de ter caminhado tanto para encontra-Lo. Francisco ressaltou que o milagre começa justamente com esse olhar de Jesus, que não foi indiferente nem apressado. Jesus se preocupa com os homens, cuida deles, tem um olhar contemplativo. Assim também é o olhar que os avós e os idosos tiveram sobre a nossa vida.

“Foi o modo como cuidaram de nós, desde a nossa infância. Depois de uma vida feita muitas vezes de sacrifícios, não se mostraram indiferentes conosco. Tiveram olhos atentos, cheios de ternura”.

Francisco questionou, então, qual é o olhar que se tem hoje para os avós e os idosos. “Sofro quando vejo uma sociedade que corre, apressada e indiferente, ocupada com tantas coisas e incapaz de parar para dar um olhar, uma saudação, uma carícia”.

O Pontífice acrescentou: “Tenho medo duma sociedade onde todos formamos uma multidão anônima e já não somos capazes de erguer os olhos e reconhecer-nos. Os avós, que alimentaram a nossa vida, hoje têm fome de nós: da nossa atenção, da nossa ternura; de sentir-nos perto deles. Ergamos o olhar para eles, como Jesus faz conosco”.

Partilha: jovens e idosos juntos

Sobre o verbo partilhar, o Papa destacou que o milagre da multiplicação ocorreu graças ao dom de um jovem, que ofereceu seus cinco pães e dois peixes.

“Hoje há necessidade de uma nova aliança entre jovens e idosos, necessidade de partilhar o tesouro comum da vida, sonhar juntos, superar os conflitos entre as gerações para preparar o futuro de todos”.

Francisco ressaltou que, sem esta aliança, corre-se o risco de morrer de fome, porque aumentam os laços desfeitos, as solidões, os egoísmos e as forças desagregadoras. “Frequentemente, na nossa sociedade, deixamos a vida guiar-se por esta ideia: ‘cada um pensa por si’. Mas isto mata! O Evangelho nos exorta a partilhar o que somos e temos: só assim poderemos ser saciados”.

“Jovens e idosos, o tesouro da tradição e o frescor do Espírito. Jovens e idosos juntos. Na sociedade e na Igreja: juntos”.

Cuidar dos avós e dos idosos

O terceiro verbo é o “guardar”. O Papa explicou que, depois que todos comeram, Jesus recomendou que recolhessem e guardassem o que sobrou, para que nada fosse perdido.

Francisco destacou que, aos olhos de Deus, nada deve ser descartado e mais ainda: ninguém deve ser descartado. É um convite profético: recolher, conservar cuidadosamente, guardar.

“Os avós e os idosos não são sobras de vida, desperdícios para jogar fora. São aqueles preciosos pedaços de pão deixados na mesa da nossa vida, que ainda podem nos nutrir com uma fragrância que perdemos, ‘a fragrância da misericórdia e da memória’”.

Os avós e idosos guardaram todo o nosso caminho de crescimento, agora é a nossa vez de guardar a vida deles, sem deixá-los sozinhos, pediu o Papa. Os idosos são pão que nutre a vida, acrescentou Francisco, e é preciso ser grato a eles por tudo o que fizeram.

“Por favor, não nos esqueçamos deles. Aliemo-nos com eles. Aprendamos a parar, a reconhecê-los, a ouvi-los. Nunca os descartemos. Guardemo-los amorosamente. E aprendamos a partilhar tempo com eles. Sairemos melhores”.

Sobre a data

O Dia Mundial dos Avós e dos Idosos foi anunciado pelo Papa Francisco em 31 de janeiro deste ano. A data será celebrada anualmente, a partir de 2021, no quarto domingo de julho, próximo à festa dos Santos Joaquim e Ana, avós de Jesus.

O tema escolhido para este ano foi: “Eu estou contigo todos os dias” (cf. Mt 28,20).



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