O que levou São José a acolher com coragem o plano de Deus? Sacerdote explica


20/02/2021 - 14:21

Um sacerdote da Congregação dos Oblatos de São José se aprofundou na carta apostólica Patris corde para explicar por que São José é considerado “pai no acolhimento” e o que o levou a aceitar com coragem o plano de Deus.

Na terça-feira, 8 de dezembro, o Papa Francisco publicou sua carta apostólica Patris corde, com a qual convocou o Ano de São José para comemorar os 150 anos do decreto Quemadmodum Deus do Beato Pio IX, que declarou o pai adotivo de Jesus como padroeiro do Igreja universal.

Em carta enviada a ACI Prensa, agência em espanhol do grupo ACI, por ocasião do Ano de São José, o Pe. Manuel Antonio Manrique Figueroa, diretor do Corpo Estudantil de Filosofia e Teologia Marellianum, assegurou que São José “nos ensina que a fé leva à aceitação corajosa, responsável e criativa da vida, na qual o Senhor se manifesta de maneira diferente”.

“É próprio da presença do Espírito de Deus nas pessoas que a vida seja acolhida em sua realidade mais profunda”, escreveu.

No contexto histórico vivido por São José, ou seja, “em uma situação religiosa de expectativa do povo de Israel, quando chega a plenitude dos tempos, em que o Verbo de Deus, dono da vida e da história, assumiu a nossa natureza humana”, o sacerdote reiterou que o santo “acolheu generosamente este mistério, com a sua esposa, Maria”.

“A humanidade está sendo redimida pelo mistério da encarnação, e nosso santo de referência contribui colocando-se a serviço do mistério da salvação de toda a humanidade”, explicou o presbítero.

 

São José: Por que é pai no acolhimento

Pe. Manrique escreveu que São José é pai no acolhimento porque a sua atitude “é de plena disponibilidade ao serviço do plano de Deus e, neste sentido, também ao serviço de cada ser humano”.

“Embora a Sagrada Escritura não diga muito sobre ele, seu papel foi essencial na realização da promessa que Deus havia feito ao Povo da Antiga Aliança”, acrescentou.

Também recordou as palavras do Papa Francisco no ponto quatro da Patris corde, que sublinha: “José não é um homem resignado passivamente. O seu protagonismo é corajoso e forte. O acolhimento é um modo pelo qual se manifesta, na nossa vida, o dom da fortaleza que nos vem do Espírito Santo”.

Pe. Manrique destacou que a vida de São José também teve momentos de “alegria ou tristeza, de realização ou fracasso, de ilusão ou frustração”, como qualquer ser humano.

“A experiência de vida de São José está muito próxima da humanidade comum: projetos pessoais, dificuldades, aspirações, frustrações, vida profissional, angústia, alegrias na família, vida social, sua atitude de crente, responsabilidades e tarefas”, disse.

Acolher a Sagrada Família

Em relação à Sagrada Família que deveria cuidar, o sacerdote disse que para São José “não lhe foi fácil compreender os planos de Deus, que irrompe na sua vida para o chamar à fé, a uma nova forma de ver matrimônio e a paternidade".

“A fé de José leva-o a reconhecer a ação de Deus na sua vida e a ver como a nova realidade nasce no seio do seu lar, colocando-se completamente ao serviço do mistério da salvação, embora não o compreenda humanamente. Esta disponibilidade permite que seja o próprio Deus quem ensina e ilumina o seu caminho”, especificou.

Acolher a vontade de Deus em tempos difíceis, como São José

Pe. Manrique afirma que a vida de São José é “testemunho de que, vencido o medo pela confiança, pela fé, o reino de Deus está presente na história”.

“A nossa vida pode encontrar uma nova plenitude e sentido, nas atuais circunstâncias, se seguirmos o exemplo de José, ouvindo a Deus nas condições concretas de cada dia, na certeza de que Deus tudo sabe e tudo pode fazer”, continuou.

Diante dos tempos de incerteza vividos pela pandemia da Covid-19, escreveu que “somos chamados a reproduzir a atitude acolhedora de José para com as pessoas em sua fragilidade e precariedade, e para encontrar nelas um gesto de Deus para com a nossa própria realidade humana”.

“Os santos testemunham a eficácia da sua assistência nos momentos de incerteza da vida pessoal, da vida da Igreja ou da humanidade como um todo, tal como ocorrem neste momento”, concluiu.

Publicado originalmente em ACI Prensa. Traduzido e adaptado por Nathália Queiroz.



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