Mundanidade leva cristão a perder sentido do pecado, alerta Papa


02/02/2020 - 22:08
Francisco alertou que, com o espírito do mundanismo, o homem escorrega lentamente para o pecado e perde a consciência desse Mal

Na Missa desta sexta-feira, 31, na Casa Santa Marta, o Papa Francisco alertou para o mundanismo, que rouba a capacidade de ver o mal sendo feito. Refletindo sobre a passagem extraída do segundo livro de Samuel (cf. 2Sm 11,1-4a.5-10a.13-17), que narra o rei Davi cedendo à tentação do adultério, o “santo rei Davi”, que caindo na vida cômoda, esquece ter sido eleito por Deus.

“Davi, como tantos homens de hoje, pessoas que parecem boas, que vão à Missa todos os domingos, que se dizem cristãs, mas que perderam ‘a consciência do pecado: um dos males de nosso tempo’, dizia Pio XII. Um tempo em que parece que tudo pode ser feito”.

O espírito do mundo

Francisco focou nos pecados de Davi: o censo do povo e a forma como faz Urias morrer, depois de ter engravidado sua esposa Betsabeia. Ele escolhe o assassinato porque seu plano para colocar as coisas no lugar depois do adultério, falha miseravelmente. “Davi continuou a sua vida normal. Tranquilo. O coração não se moveu”, destacou o Papa.

“Mas como o grande Davi, que é santo, que havia feito tantas coisas boas, que era tão unido a Deus, foi capaz de fazer isso? Isso não se faz da noite para o dia. O Grande Davi escorregou lentamente, lentamente. Há pecados de um momento: o pecado da ira, um insulto, que eu não posso controlar. Mas há pecados nos quais se escorrega lentamente, com o espírito do mundanismo. É o espírito do mundo que te leva a fazer essas coisas, como se fossem normais. Um assassinato …”, explicou.

Ser sacudido pela vida

Não são coisas antigas, disse o Papa, recordando um caso recente ocorrido na Argentina com alguns jovens jogadores de rugby que espancaram um companheiro até a morte depois de uma noitada. “Jovens que se tornaram um bando de lobos. Um fato que leva a questionar sobre a educação dos jovens, sobre a sociedade”, afirmou.

Francisco destacou que, muitas vezes, é preciso de um “tapa da vida” para dar um basta “naquele lento deslizar para o pecado”. Há necessidade de uma pessoa como o profeta Natã, enviado por Deus a Davi, para fazê-lo ver seu erro:

“Pensemos um pouco: qual é a atmosfera espiritual da minha vida? Estou atento, sempre tenho necessidade de alguém para me dizer a verdade, ou não, acredito que não? Escuto a repreensão de algum amigo, do confessor, do marido, da esposa, dos filhos, que me ajuda um pouco?”, destacou.

E, focando nesta história de Davi, o Papa motivou os fiéis a refletirem: “se um Santo foi capaz de cair assim, estejamos atentos, irmãos e irmãs, isso pode acontecer também conosco. E também nos perguntemos: eu, em que atmosfera vivo?”.

O Santo Padre concluiu sua homilia rogando ao Senhor para que, sempre envie “um profeta”, que pode ser o vizinho, o filho, a mãe, o pai, “que nos dê um tapa quando estivermos deslizando para essa atmosfera onde parece que tudo seja lícito”.



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