Papa a escoteiros: o coração se adestra não com o ter, mas com o doar


04/08/2019 - 15:21
“Dai e vos será dado” são as palavras do Evangelho que o Papa propôs aos escuteiros da Europa, recebidos em audiência na manhã deste sábado, 3, na Sala Paulo VI

O Santo Padre recebeu na manhã deste sábado, 3, na Sala Paulo VI no Vaticano, cerca de 5 mil escoteiros que, desde o dia 27 de julho, estão participando de um encontro intitulado “Euromoot”, promovido pelas Federações de Escotismo da Europa e dos EUA. Participaram também escoteiros de outras regiões e países, inclusive da América Latina.

Esta é a segunda grande audiência de escoteiros com um Papa. Em 1994, São João Paulo II encontrou os escoteiros da Europa na Basílica de São Pedro.

Em seu discurso aos numerosos escoteiros, o Papa Francisco agradeceu a presença de todos e elogiou a sua coragem de ter percorrido tantos quilômetros! Um percurso, disse, que os faz sentir mais livres. De fato, a liberdade se conquistada no caminho, passo a passo, com os outros, não fechados no quarto com o celular na mão como fuga da realidade.

Aqui, Francisco recordou as cinco etapas percorridas pelos escoteiros, na esteira dos grandes santos, que viajaram pela Europa: Paulo de Tarso, Bento de Núrsia, Cirilo e Metódio, Francisco de Assis, Catarina de Sena. Por isso, perguntou-lhes: “O que estes Santos têm em comum”? E respondeu:

“Eles não esperavam nada da vida ou de alguém, mas confiaram em Deus, arriscando suas vidas, colocando-se em jogo, em marcha para realizar seus grandes sonhos, que ainda hoje são exemplo para nós. Eles deram suas vidas, não a pouparam”.

Partindo destes cinco percursos de santidade, o Papa quis deixar aos escoteiros cinco palavras, não suas, mas do Evangelho, que os acompanhou neste trajeto, convidando-os a levar sempre consigo, como um navegador, porque o Evangelho é o mapa da vida:

“Eis as cinco palavras de Jesus: “Dai e vos será dado”. Cinco palavras simples que traçam uma rota clara”.

Explicando cada uma destas palavras, Francisco disse: antes de tudo, “dar”. Hoje, pensamos só em ter, possuir. Mas, nunca estamos satisfeitos com o que temos e queremos sempre mais e mais o que não faz bem para o nosso coração. O coração se adestra não com o ter, mas com o doar. Por isso, Jesus estabeleceu este ponto de partida de “dar”: colocar a vida em jogo, dar meios para se levantar da poltrona, se libertar das comodidades, dar o bem ao mundo. E acrescentou:

“Logo, a primeira coisa é dar. Eis o segredo da vida. Pois é dando a vida que se recebe… ninguém pode dar ao mundo o que vocês é chamado a dar. Cada um de vocês é ‘único’ e precioso aos olhos de Deus; é precioso para a Igreja, para mim. Digam a quem está ao seu lado: “você é precioso”. Sem querer, você acabou de ‘dar’ uma palavra boa a alguém”.

Mas, ponderou o Papa, “Dai e vos será dado” pode ser aplicado também em relação à Criação. Se abusarmos dela receberemos uma terrível lição, como já está acontecendo no mundo. Como escoteiros, recordou Francisco, “vocês vivem no meio da natureza, uma natureza que não tem confins. A Criação nos une a Deus e aos irmãos, com os quais habitamos uma Casa comum” .

O Santo Padre concluiu seu pronunciamento fazendo uma exortação aos milhares de escoteiros, presentes e ausentes:

“Encorajo-os a preparar o caminho do Senhor, onde quer que estejam. É fácil reconhecer o caminho do Senhor: é aquele que tem o sentido de doação, que deixa o mundo se desenvolver. Assim, vocês se tornam cidadãos ativos, como disse seu fundador Baden Powell”.

O Senhor, disse por fim o Papa, não quer só pessoas boas, hoje, mas também que façam o bem, que amem a Europa, que nos acomuna. Por isso, “sejam construtores ativos de sociedades reconciliadas e integradas, que dão vida a uma Europa renovada. Lembrem-se que o escotismo quer formar homens e mulheres, que mantêm a rota justa: a rota do bem!”. E nunca se esqueçam: “Dai e vos será dado”!

Ao término da audiência papal, os milhares de escoteiros do “Euromoot” coroaram sua peregrinação a Roma, participando de uma Santa Missa na Basílica de São Pedro, presidida pelo Cardeal Angelo Bagnasco.



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