Ecologia integral: “é tanto um chamado como um dever”, afirma Papa


09/06/2019 - 18:23
O Papa recebeu neste sábado, 8, no Vaticano, os participantes do encontro Internacional “A Doutrina Social da Igreja, das raízes à era digital”

Conversão, mudança de direção e de mentalidade, e superação da visão imediatista e individualista foram alguns dos pedidos do Papa Francisco ao encontrar na manhã deste sábado, 8, na Sala Regia, no Vaticano, cerca de 500 participantes da Conferência Internacional “A Doutrina Social da Igreja, das raízes à era digital”, promovida pela Fundação Centesimus Annus.

O encontro deste ano refletiu sobre a Carta Encíclica ‘Laudato Si’ e sobre o chamado a uma conversão das mentes e dos corações. “Que o desenvolvimento de uma ecologia integral, torne-se sempre mais uma prioridade a nível internacional, nacional e individual”, disse o Pontífice ao dar as boas-vindas aos participantes do encontro.

O Santo Padre recordou que, quatro anos após a publicação da Encíclica, foi possível constatar sinais de um aumento da consciência sobre a necessidade do cuidado da “casa comum”, e citou a adoção por parte de muitas nações dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Organização das Nações Unidas, o crescente investimento em fontes de energia renovável e sustentável, os novos métodos de eficiência energética e uma maior sensibilidade, especialmente entre os jovens, sobre temas ecológicos.

Mesmo com muitos progressos, Francisco observou que ainda existem muitos desafios e problemas. O Papa falou sobre o lento ou mesmo inexistente progresso em alcançar os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, sobre o uso impróprio dos recursos naturais, e comentou sobre os modelos não inclusivos e não sustentáveis que continuam a ter efeitos negativos sobre a pobreza, o crescimento e a justiça social. “O bem comum é colocado em risco por atitudes de excessivo individualismo, consumismo e desperdício”, alertou.

“Tudo isso torna difícil promover a solidariedade econômica, ambiental e social e a sustentabilidade dentro de uma economia mais humana, que considere não apenas a satisfação de desejos imediatos, mas também o bem-estar das futuras gerações. Diante da enormidade de tais desafios, poder-se-ia facilmente desanimar, deixando espaço para a incerteza e a ansiedade”, frisou o Santo Padre.

Papa durante audiência neste sábado, 8, no Vaticano/ Foto: Vatican Media

Os seres humanos, capazes de degradarem-se ao extremo, podem, de acordo com o Pontífice, também superar-se, voltar a escolher o bem e regenerar-se, para além de qualquer condicionamento psicológico e social que lhes é imposto. Neste sentido, Francisco afirmou que a palavra “conversão” adquire uma particular importância na atual situação e sublinhou que respostas adequadas aos problemas atuais não podem ser superficiais.

“De fato, o que é necessário é precisamente uma conversão, uma ‘mudança de direção’, ou seja, uma transformação dos corações e mentes. O compromisso para superar problemas como fome e insegurança alimentar, persistente desconforto social e econômico, degradação do ecossistema e ‘cultura do desperdício’, requer uma renovada visão ética, que saiba colocar no centro as pessoas, com o objetivo de não deixar ninguém à margem da vida. Uma visão que una em vez de dividir, que inclua em vez de excluir. É uma visão transformada por ter bem presente a meta última e o objetivo de nosso trabalho, de nossos esforços, da nossa vida e de nossa passagem nesta terra”, comentou o Papa.

O Pontífice destacou que o desenvolvimento de uma ecologia integral é tanto um chamado como um dever: “É um chamado a redescobrir a nossa identidade de filhos e filhas de nosso Pai Celeste, criados à imagem de Deus e encarregados de ser administradores da terra, recriados por meio da morte salvífica e a ressurreição de Jesus Cristo, santificados pelo dom do Espírito Santo”.

Neste sentido, Francisco fez um apelo para que homens e mulheres sejam mais solidários como irmãos e irmãs e tenham uma responsabilidade compartilhada pela casa comum. Mudar o modelo de desenvolvimento global, abrindo um novo diálogo sobre o futuro do planeta é, segundo o Santo Padre, a tarefa da humanidade.

Diante destes desafios, que por vezes podem atemorizar, o Papa concluiu encorajando os presentes a não perderem a esperança, porque ela está baseada no amor misericordioso do Pai celeste. “Que suas discussões e seus esforços possam contribuir para uma profunda transformação em todos os níveis de nossas sociedades contemporâneas: indivíduos, empresas, instituições e políticas”, foram os votos do Pontífice.



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