Missa em Genebra: Papa fala de três palavras que levam ao coração da fé


22/06/2018 - 08:21
Homilia foi inspirada no trecho do Evangelho em que Jesus ensina aos discípulos a oração do Pai Nosso

“Pai, pão, perdão”, estas três palavras nortearam a homilia da Santa Missa presidida pelo Papa Francisco nesta quinta-feira, 21, em sua visita a Genebra, na Suíça. Sua reflexão foi inspirada no trecho do Evangelho do dia, em que Jesus ensina aos discípulos a oração do Pai Nosso. 

Francisco destacou que a primeira palavra da prece – “Pai” – é a chave de acesso ao coração de Deus. “Jesus pediu-nos para dizer ‘Pai nosso que estais nos céus’; não ‘Deus dos céus, que sois Pai’. Antes de tudo, antes de ser infinito e eterno, Deus é Pai”. 

Na linguagem cristã, Francisco explicou que ao dizer “Pai” os cristãos reafirmam a condição paterna de um Deus que não é genérico, mas um Deus que é Pai antes de mais nada. “Dele provém toda a paternidade e maternidade. Nele está a origem de todo o bem e da nossa própria vida. Então ‘Pai nosso’ é a fórmula da vida, aquela que revela a nossa identidade: somos filhos amados. É a fórmula que resolve o teorema da solidão e o problema da orfandade”.

O Santo Padre observou que a oração do “Pai Nosso” não contém palavras como “meu” e “eu”, e é toda voltada para o “vós” de Deus – “o vosso nome, o vosso reino, a vossa vontade”. Esta dinâmica da oração ensina a todo o ser humano, de acordo com o Pontífice, a sinalética da vida espiritual, de forma que sempre ao fazer o sinal da cruz e dizer “Pai Nosso” o cristão reapropria suas raízes.

“O ‘Pai nosso’ revigora as nossas raízes. Quando está o Pai, ninguém fica excluído; o medo e a incerteza não levam a melhor. Prevalece a memória do bem, porque, no coração do Pai, não somos personagens virtuais, mas filhos amados. Ele não nos une em grupos de partilha, mas gera-nos juntos como família”. 

Sobre o pão, outra importante palavra da oração do “Pai Nosso”, o Santo Padre afirmou ser um elemento essencial para a vida e que deve ser pedido todos os dias ao Pai. “Pedir o pão de cada dia é dizer também: «Pai, ajuda-me a fazer uma vida mais simples». A vida tornou-se tão complicada”, recordou.

Sobre a fragilidade cotidiana e uma agilidade que fomenta a ansiedade, o Papa convidou os fiéis a optarem por uma vida contra a corrente. “Optemos pela simplicidade do pão para voltar a encontrar a coragem do silêncio e da oração”, rogou. Além da retomada de práticas simples de oração, o Pontífice pregou a escolha pelas pessoas ao invés das coisas, de relações pessoais a relações virtuais. “Voltemos a amar a genuína fragrância daquilo que nos rodeia. Não usar e jogar fora, mas apreciar e guardar”, disse o Santo Padre ao fazer uma alusão também ao consumismo desenfreado.

“Não esqueçamos também que o Pão de cada dia é Jesus, sem ele nada podemos fazer. Ele é o alimento básico para se viver bem. Se Ele não for nosso alimento vital, o centro de nossos dias, o respiro da vida cotidiana, tudo se torna vão”, afirmou.

Sobre perdão, a terceira palavra elencada como fundamental dentro da oração do “Pai Nosso”, o Santo Padre comentou: “Como é difícil perdoar!”. Para Francisco, o ser humano traz sempre dentro de si um pouco de queixume, de ressentimento e quando provocado por quem já havia perdoado, adquire rancor com juros. Sobre esta difícil realidade, o Papa aconselha o pedido do perdão com um dom a Jesus.

“Impressiona o fato de o único comentário original ao Pai nosso, o de Jesus, se concentrar numa única frase: ‘Porque, se perdoardes aos outros as suas ofensas, também o vosso Pai celeste vos perdoará a vós. Se, porém, não perdoardes aos homens as suas ofensas, também o vosso Pai vos não perdoará as vossas’ (Mt 6, 14-15). O único comentário que faz o Senhor! O perdão é a cláusula vinculante do Pai nosso”, comentou o Pontífice.

Francisco afirma que Deus liberta os corações de todo o pecado, perdoa tudo, mas pede que as pessoas não se cansem de perdoar. Para a prática efetiva do perdão, o Santo Padre aconselha os fiéis a fazerem uma boa radiografia do coração e descobrirem bloqueios internos e obstáculos ao perdão, ou seja, pedras que precisam de remoção para a boa prática do perdão.

“Como nos fez e continua a fazer bem o fato de nos perdoarmos uns aos outros, de voltar a descobrir-nos irmãos depois de séculos de controvérsias e lacerações! O Pai é feliz, quando nos amamos e perdoamos verdadeiramente de coração (cf. Mt 18, 35); e então dá-nos o seu Espírito. Peçamos esta graça: de não nos fecharmos com ânimo endurecido, sempre a reivindicar dos outros, mas de dar o primeiro passo, na oração, no encontro fraterno, na caridade concreta. Assim seremos mais parecidos com o Pai, que ama sem esperar reembolso. E Ele derramará sobre nós o Espírito de unidade”, concluiu. 



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